Domingo,
27 de Outubro de 2024
XXX Semana
do Tempo Comum – Ano B
Jer 31, 7-9; Sal 125; Heb 5, 1-6;
Mc 10, 46-52
O grito da
terra, sedenta de cura, de justiça, de partilha e de paz, ouve-se no grito do
cego do Evangelho, que grita mais alto, duas vezes mais alto. Neste Mês
Missionário, rezamos pela missão universal de anunciar ao mundo Jesus, fonte de
vida e salvação para a humanidade. Depois, a convite de Deus, ouvimos um outro
grito dos seus discípulos-missionários: “Gritai de alegria!” Apelam à alegria e
à fé: “Coragem! Levanta-te, que Ele está a chamar-te!” A Palavra de Jesus está
a actuar em todo o mundo, onde quer que seja proclamada e acolhida. Ela pode
curar e transformar a humanidade no meio de lágrimas e sofrimentos de toda a
espécie. Ela reúne e forma um povo de todos os salvados!
O Papa
Francisco recorda-nos o motivo do alegre anúncio exigido aos discípulos
missionários: “E a razão? Uma boa notícia, uma surpresa, um acontecimento
agradável? Muito mais, uma Pessoa: Jesus! Jesus é a alegria! Ele é o Deus que Se
fez homem e que veio ao nosso encontro! Portanto, estimados irmãos e irmãs, a
questão não é se O anunciar, mas como O anunciar, e este “como” é a alegria. Ou
anunciamos Jesus com alegria, ou não o anunciamos. [...] Eis porque o cristão
descontente, o cristão triste, o cristão insatisfeito ou, pior ainda,
ressentido e rancoroso não é credível. Falará de Jesus, mas ninguém acreditará
nele! [...] É essencial vigiar sobre os nossos sentimentos. A evangelização actua
a gratuidade, porque vem da plenitude, não da pressão. E quando se pratica a
evangelização – quer-se fazê-la, mas não assim – com base em ideologias, isso
não é evangelizar, isso não é o Evangelho. O Evangelho não é uma ideologia: o
Evangelho é um anúncio, um anúncio de alegria. As ideologias são frias, todas.
O Evangelho tem o calor da alegria. As ideologias não sabem sorrir, o Evangelho
é um sorriso, faz-nos sorrir porque toca a nossa alma com a Boa Nova”
(Catequese 26. A paixão pela evangelização).
No actual
contexto de secularização e num mundo tão ferido por guerras e divisões,
respondamos sem demora ao convite do Pai que enviou o Seu Filho para nos
salvar: “Ide e convidai a todos para o banquete!” (Mt 22, 9) Nós somos
as testemunhas que encontraram o Filho que destruiu a morte e fez brilhar a
vida. Somos alimentados no banquete que nos oferece a Sua presença e a Sua vida
em abundância. No final de cada banquete, somos enviados em nome de Cristo:
“Ide!”. Com a alegria de ter esta presença dentro de nós, pomo-nos a caminho
para sermos os Seus arautos neste mundo que espera luz e esperança.”
O Papa
Francisco prossegue: “A alegria de ter Jesus ressuscitado. O encontro com Jesus
traz-nos sempre alegria, e se isto não nos acontece, não é um verdadeiro
encontro com Jesus. [...] Com
efeito, imersos no clima frenético e confuso de hoje, também nós poderíamos
encontrar-nos a viver a fé com um leve sentido de renúncia, persuadidos de que
para o Evangelho já não há escuta e que não vale mais a pena esforçar-se para o
anunciar. Poderíamos até ser tentados pela ideia de deixar que “os outros”
sigam o próprio caminho. Pelo contrário, precisamente este é o momento de
voltar ao Evangelho para descobrir que Cristo «é sempre jovem e fonte constante
de novidades» (Evangelii gaudium, 11).”
“Assim, como
os dois de Emaús, volta-se à vida de todos os dias com o ímpeto de quem
encontrou um tesouro: aqueles dois eram jubilosos, porque tinham encontrado
Jesus, e isto mudou a vida deles. E descobre-se que a humanidade está repleta
de irmãos e irmãs que aguardam uma palavra de esperança. O Evangelho é esperado
até hoje: o homem de hoje é como o homem de todos os tempos, precisa dele,
inclusive a civilização da incredulidade programada e da secularidade
institucionalizada; aliás, sobretudo a sociedade que deixa vazios os espaços do
sentido religioso, precisa de Jesus. Este é o momento favorável para o anúncio
de Jesus. Por isso, gostaria de dizer novamente a todos: «A alegria do
Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus.
Quantos se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do
vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, a alegria nasce e renasce sem
cessar» (ibid., 1). Não nos esqueçamos disto” (Catequese 26. A paixão
pela evangelização).
Perante as
maravilhas que Deus Pai realizou nas nossas vidas, este Mês Missionário, que
está a chegar ao fim, recorda-nos a nossa missão de anunciar e testemunhar
Jesus. “Assim, sintamos dirigido também a nós o convite para ser pescadores de
homens: sintamo-nos chamados por Jesus pessoalmente para anunciar a Sua
Palavra, testemunhá-la nas situações de cada dia, vivê-la na justiça e na
caridade, chamados «encarná-la» acarinhando a carne de quem sofre. Esta é a
nossa missão: sair à procura de quem está perdido, de quem está oprimido e
desanimado, para lhes levar, não nós mesmos, mas a consolação da Palavra, o
anúncio desinquietador de Deus que transforma a vida, para lhes levar a alegria
de saber que Ele é Pai e fala a cada um, levar a beleza de dizer: «Irmão, irmã,
Deus aproximou-Se de ti, escuta-O e, na Sua Palavra, encontrarás um dom
estupendo!» (Papa Francisco, Homilia, Domingo da Palavra de Deus, 22 de Janeiro
de 2023).
Nestes
últimos dias do Mês Missionário, recordando o tema, Convidai a todos,
eis uma mensagem clara para todos os discípulos-missionários: “Os
discípulos-missionários de Cristo trazem sempre no coração a preocupação por
todas as pessoas, independentemente da sua condição social e mesmo moral. A
parábola do banquete diz-nos que, seguindo a recomendação do rei, os servos
reuniram «todos aqueles que encontraram, maus e bons» (Mt 22, 10). Além
disso, os convidados especiais do rei são precisamente «os pobres, os
estropiados, os cegos e os coxos» (Lc 14, 21), isto é, os últimos e os
marginalizados da sociedade. Assim, o banquete nupcial do Filho, que Deus
preparou, permanece para sempre aberto a todos, porque grande e incondicional é
o Seu amor por cada um de nós. «Tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o Seu
Filho Unigénito, a fim de que todo o que n’Ele crê não se perca, mas tenha a
vida eterna» (Jo 3, 16). Toda a gente, cada homem e cada mulher, é
destinatário do convite de Deus para participar na Sua graça que transforma e
salva. Basta apenas dizer «sim» a este dom divino gratuito, acolhendo-o e
deixando-se transformar por ele, como se se revestisse com um «traje nupcial»
(cf. Mt 22, 12) (Mensagem para o Dia Mundial das Missões 2024).
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