21 novembro 2013

Plano Pastoral Diocesano - Guarda


Mensagem do Encerramento do ano da Fé - Bispo da Guarda


Aos Fiéis e às comunidades de Fé da Diocese da Guarda

O Papa Bento XVI convocou o ano da Fé com a carta apostólica Porta Fidei (11 de Outubro de 2011). Nela nos dizia que a porta da Fé introduz na vida de comunhão com Deus e permite a entrada na Igreja (cfr. nº1). O ano da Fé foi assim um convite especial feito a todos nós para entrarmos por esta porta, na certeza de que a comunhão com Deus vivida na comunhão da Igreja cumpre  as esperanças mais fundas que atravessam o coração humano.
De facto, a Fé constitui o grande dom de Deus oferecido a cada um de nós através da Pessoa de Seu Filho Jesus Cristo; sendo a relação com Ele determinante para que se cumpra a própria vocação humana enquanto tal. Isto nos diz também o Papa Francisco, na encíclica sobre a Fé, Lumen Fidei (29.06.2013), onde nos recorda a relação do ano da Fé com o cinquentenário do Concílio Vaticano II. Este Concílio foi, de facto, um concílio sobre a Fé, por sublinhar como a nossa vida tem de mostrar sempre o primado de Deus em Cristo (cfr. Lumen Fidei, nº 6).
É este primado de Deus e da relação com Ele na Pessoa de Cristo que tem de estar sempre no centro da nossa vida pessoal e comunitária. Damos agora connosco a viver tempos em que esse primado é esquecido e frequentemente substituído por realida­des passageiras que não podem responder aos anseios mais fundos do coração humano e, por isso, geram desilusão e perda de esperança.
Sendo assim,  a grande preocupação do ano da Fé, que hoje termina – colocar Deus e a Pessoa de Cristo no coração da nossa vida pessoal e comunitária – não a poderemos esquecer neste dia 24 de Novembro. De facto, esta preocupação existe para nós já desde antes de o ano da Fé se iniciar em 11 de Outubro de 2012.
Para trás desta data fica o nosso esforço de levar toda a Diocese a reencontrar-se com o Catecismo da Igreja Católica, em cada uma das suas quatro partes, propondo para nosso estudo uma delas em cada ano (2006-10). A seguir fizemos esforço, durante três anos (2010-13) para levar toda a Diocese a voltar-se mais para o encontro com a Palavra de Deus, cuidando a relação com o Evangelista do respectivo ano litúrgico. Com o anúncio do ano da Fé em 2011 e a sua preocupação de colocar no centro a celebração do cinquentenário do Concílio Vaticano II, a nossa Diocese, através dos seus órgãos de decisão, escolheu viver os próximos quatro anos em esforço para comparar a Igreja que somos com aquela que o mesmo Concílio nos propõe. E é na prossecução deste grande objectivo que todos estamos empenhados. Esperamos ser possível, no final deste período de quatro anos, através de assembleias de representantes de todo o Povo de Deus da nossa Diocese, definir caminhos novos de vivência da Fé numa Igreja renovada segundo o Concílio Vaticano II.
Durante este ano da Fé fizemos por toda a Diocese algumas experiências que nos podem ser úteis para o futuro próximo.
Uma delas foram as assembleias arciprestais em ano da Fé e relacionados com elas os encontros dos cooperadores pastorais de cada conjunto de paróquias confiadas ao mesmo pároco com a presença do Bispo Diocesano. Estes cooperadores, quer pelo seu número quer pelas diferentes áreas da vida das comunidades que representam, são de facto uma esperança para  renovação comunitária em que estamos empenhados. Queremos sobretudo envolvê-los no esforço para fazer o confronto das comunidades paroquiais e inter-paroquiais que somos com o modelo de Igreja que Cristo deseja e o Concílio nos propõe.
Terminamos esta mensagem com uma oração em que pedimos ao Senhor a graça de fazer com que o dinamismo de entusiasmo gerado ao longo deste ano da Fé por toda a Diocese nos ajude a definir caminhos novos de vivência da mesma Fé para nós e nossas comunidades.

Guarda e Paço Episcopal, novembro de 2013


+Manuel R. Felício, Bispo da Guarda

09 outubro 2013

Mensagem para o Dia Mundial das Missões (e)


5. Queria a todos encorajar a tornarem-se anunciadores da boa notícia de Cristo e estou grato, de modo particular, aos missionários e às missionárias, aos sacerdotes Fidei Donum, aos religiosos e às religiosas, aos leigos – sempre mais numerosos – que, acolhendo o chamamento do Senhor, deixam o próprio país, para espalhar o Evangelho em terras e culturas diversas. Mas gostaria também de sublinhar como as próprias igrejas jovens se estão a empenhar generosamente no envio de missionários às igrejas que estão em dificuldade – geralmente Igrejas cristãs antigas – levando assim a frescura e o entusiasmo com as quais elas vivem a fé, que renova a vida e dá esperança. Viver neste contexto de dimensão universal, respondendo ao mandato de Jesus “Ide, pois, e fazei discípulos em todos os povos”(Mt 28, 19) é uma riqueza para cada Igreja particular, para cada comunidade. Assim, enviar missionários e missionárias não é mais visto como uma perda, mas, antes, um ganho. Faço um apelo a todos quantos sentem tal chamamento a corresponderem generosamente à voz do Espírito, segundo o seu próprio estado de vida, e a não terem medo de serem generosos com o Senhor. Convido também os Bispos, as famílias religiosas, as comunidades e todas as associações cristãs a sustentarem, com clarividência e discernimento atento, o chamamento missionário ad gentes e a ajudarem as Igrejas que têm necessidade de sacerdotes, de religiosos, de religiosas e de leigos para apoiar a comunidade cristã. E esta atenção deveria também estar presente entre as Igrejas que fazem parte de uma mesma Conferência Episcopal ou de uma Região: é importante que as Igrejas mais ricas de vocações ajudem com generosidade aquelas que sofrem com a sua escassez.
Ao mesmo tempo exorto os missionários e as missionárias, especialmente os sacerdotes fidei donum e os leigos, a viverem com alegria o seu precioso serviço nas Igrejas às quais são enviados, e a levarem a sua alegria  e a sua experiência às Igrejas da sua origem, recordando como Paulo e Barnabé no fim da sua primeira viagem missionária “contando tudo aquilo que Deus tinha feito por seu meio e como tivesse aberto as portas da fé aos pagãos" (Act 14,27) Eles podem  vir a ser um caminho para uma espécie de “restituição” da fé, levando a frescura das jovens igrejas, para que as igrejas da antiga cristandade encontrem o entusiasmo e a alegria de partilharem a fé  numa mudança que é enriquecimento recíproco no caminho de seguimento do Senhor.
A solicitude para com todas as Igrejas, que o Bispo de Roma partilha com os seus irmãos Bispos, encontra uma importante actuação no empenho das Obras Missionárias Pontifícias que têm como tarefa animarem e aprofundarem a consciência missionária de cada baptizado e de cada comunidade, quer chamando de novo para a necessidade de uma mais profunda formação missionária no interior do Povo de Deus, quer alimentando a sensibilidade da comunidade cristã para oferecer a sua ajuda na difusão do Evangelho no mundo.
Um pensamento, por fim, aos cristãos que, em várias partes do mundo, se encontram em dificuldade para professar livremente a própria fé e em verem reconhecido o direito de a viverem dignamente. São os nossos irmãos e irmãs, testemunhas corajosas – ainda mais numerosos que os mártires dos primeiros séculos – que suportam com perseverança apostólica as várias formas actuais de perseguição. Muitos arriscam também a vida para permanecerem fieis ao Evangelho de Cristo. Desejo assegurar que estou próximo, com a minha oração, junto de todas as pessoas, de todas as famílias e comunidades que sofrem violência e intolerância e quero repetir-lhes as palavras consoladoras de Jesus: “Coragem, eu venci o mundo” (Jo 16, 33).

Bento XVI exortava: ”a Palavra do Senhor avance e seja glorificada” (2Ts 3, 1). Oxalá possa neste  Ano da fé tornar sempre mais sólida a relação com Cristo Senhor, porque  só Nele há a certeza para enfrentar o futuro e a garantia de um amor autentico e duradoiro” (Carta Apos. Porta fidei, 15). É o meu augúrio para  o Dia Mundial das Missões deste ano. Abençoo, de coração, os missionários e as missionárias, todos aqueles que acompanham e asseguram esta fundamental tarefa da Igreja, para que o anúncio do Evangelho possa ressoar em todos os cantos da terra.E nós, ministros do Evangelho e missionários, experimentaremos “ a doce e confortante alegria de evangelizar” (Paulo VI, Exort. Apos. Evangelii Nuntiandi, 80).

Vaticano, 19 de Maio de 2013, Solenidade do Pentecostes


Papa Francisco

04 outubro 2013

Mensagem para o Dia Mundial das Missões (d)

4. No nosso tempo, a mobilidade aumenta e a facilidade de comunicação através dos “novos media” misturaram entre si os povos, os conhecimentos, as experiências. Por motivos de trabalho famílias inteiras deslocaram-se de um continente para o outro; os intercâmbios profissionais e culturais, em seguida, o turismo e fenómenos análogos impeliram a um amplo movimento de pessoas. Ás vezes, até se torna difícil para a comunidade paroquial conhecer de  modo seguro e certo quem está de passagem ou quem vive de forma efectiva nesse território.  Além disso, em áreas sempre mais amplas das regiões tradicionalmente cristãs, cresce o número daqueles que são estranhos à fé, indiferentes à dimensão religiosa ou animados por outras crenças. Frequentemente, alguns baptizados fazem opções de vida que os afastam da órbita da fé, tornando-os assim candidatos a uma “nova evangelização”. Acrescentar a tudo isto se verifica o facto que  ainda uma grande parte da humanidade não conhece a boa nova de Jesus Cristo. Vivemos, pois, um momento de crise que toca vários sectores da existência humana, não só o da economia, das finanças, da segurança alimentar, do ambiente, mas também o do sentido profundo da vida e dos valores fundamentais que a animam. Também as relações humanas são marcadas pelas tensões e conflitos que provocam insegurança e o cansaço para encontrar o caminho para uma paz estável. Nesta complexa situação, onde o horizonte do presente e do futuro parecem envolvidos por nuvens ameaçadoras, torna-se ainda mais urgente levar com coragem a cada realidade o Evangelho de Cristo, que é anúncio de esperança, de reconciliação, de comunhão, anúncio da proximidade de Deus, da sua misericórdia, da sua salvação, anúncio da força do amor de Deus, que é capaz de vencer as trevas do mal e de nos conduzir sobre o caminho da bem. O homem do nosso tempo tem necessidade de uma luz segura que ilumina o seu caminho e que só o encontro com Cristo pode dar. Levemos a este mundo, com o nosso testemunho, com amor, a esperança dada pela fé! A missionariedade da Igreja não é proselitismo, mas antes testemunho de vida que ilumina o caminho, que traz esperança e amor. A Igreja – repito uma vez mais – não é uma organização assistencial, uma empresa, uma Organização Não Governamental (ONG), mas é antes uma comunidade de pessoas, animada pela acção do Espírito Santo, que viveram e vivem o espanto do encontro com Jesus Cristo,  desejando partilhar esta experiência de profunda alegria, partilhar a Mensagem da salvação que o Senhor nos trouxe. É o próprio Espírito Santo que guia a Igreja neste caminho.

Papa Francisco

03 outubro 2013

Mensagem para o Dia Mundial das Missões 2013 (c)

3. Frequentemente, a obra da evangelização encontra dificuldades não só no exterior, mas também no interior da própria comunidade eclesial. Às vezes, são fracos o fervor, a alegria, a coragem, a esperança no anunciar a todos a mensagem de Cristo e em ajudar os homens do nosso tempo a encontrá-Lo.  Às vezes, também se pensa que levar a verdade do Evangelho é fazer violência à liberdade. Paulo VI tem palavras claras sobre a questão: “Seria um erro impor qualquer coisa à consciência dos nossos irmãos. Mas propor a esta consciência a verdade evangélica e a salvação de Jesus Cristo com plena clareza e com todo o respeito pelas opções livres que essa consciência fará…é uma homenagem a esta liberdade." (Exort. Ap. Evangelii Nuntiandi, 80 ). Devemos ter sempre a coragem e a alegria de propor, com respeito, o encontro com Cristo, fazendo-nos portadores do seu Evangelho. Jesus fez-se homem para nos indicar o caminho da salvação, e confiou-nos também a missão de dar a conhecer esta salvação a todos os homens, até aos confins da terra. Muitas vezes,verificamos que a violência, a mentira, o erro são propostos e colocados em evidência. É urgente mostrar ao nosso tempo a vida  do Evangelho, através do anúncio e do testemunho e isto, desde já, no interior da Igreja. Porque, nesta perspectiva, é importante nunca esquecer o principio fundamental de cada evangelizador: não se pode anunciar Cristo sem a Igreja. Evangelizar nunca é um acto isolado, individual, privado, mas sempre eclesial. Paulo VI escrevia que “quando o mais desconhecido pregador, missionário, catequista ou Pastor, anuncia o Evangelho, reúne a comunidade, transmite a fé, administra um Sacramento, ainda que o faça sozinho, realiza um acto de Igreja”. Ele não age “para atribuir a si uma missão, nem age através de uma inspiração pessoal, mas em união com a missão da Igreja e em nome dela” (ibidem) E isto dá força à missão e faz sentir, a cada missionário e evangelizador, que não está sozinho, mas é parte de um único Corpo animado pelo Espírito Santo.

Papa Francisco

02 outubro 2013

Mensagem para o Dia Mundial das Missões (b)

2. O Ano da fé, a cinquenta anos do início do Concílio Vaticano II, é um estímulo para que toda a Igreja tenha uma renovada consciência da sua presença no mundo contemporâneo, da sua missão entre os povos e nações. A missionariedade não é só uma questão de territórios geográficos, mas de povos, de culturas e de cada pessoa, porque “os confins” da fé não atravessam só lugares e tradições humanas, mas o coração de cada homem e de cada mulher. O Concílio Vaticano II sublinhou, de modo particular, como o trabalho missionário, a tarefa de alargar os confins da fé, seja próprio de cada baptizado e de todas as comunidades cristãs: “Dado que  o povo de Deus vive nas comunidades, especialmente nas dioceses e paróquias, e nelas se torna visível,  cabe também a esta comunidade ser testemunha de Cristo diante de todas as nações.” (Decr. Ad Gentes, 37). Cada comunidade é, pois, interpelada e convidada a fazer seu o mandato dado por Jesus aos apóstolos de ser suas “testemunhas em Jerusalém em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra” (Act 1, 8), não como um aspecto secundário da vida cristã,  mas como um aspecto essencial: todos somos enviados pelo mundo para caminhar com os irmãos, professando e testemunhando a nossa fé em Cristo e tornando-nos anunciadores do seu Evangelho.  Convido os Bispos, os Presbíteros, os conselhos presbiterais e pastorais, cada pessoa e cada grupo responsável na Igreja a dar o devido relevo à dimensão missionária nos programas pastorais e formativos, sentindo que o próprio empenho apostólico não é completo, se não contém o propósito de “tornar-se testemunha de Cristo diante das nações”, diante de todos os povos. A missionariedade não é somente uma dimensão programática na vida cristã, mas também uma dimensão paradigmática que diz respeito a todos os aspectos da vida cristã.

Papa Francisco

01 outubro 2013

Mensagem para o Dia Mundial das Missões 2013 (a)

1. A fé é um dom  precioso de Deus, que abre a nossa mente para que o possamos conhecer e amar. Ele quer estabelecer uma relação connosco para nos fazer participantes da sua própria vida e tornar a nossa vida com maior sentido, mais bela e melhor. Deus ama-nos! A fé, no entanto, exige ser acolhida, exige a nossa resposta pessoal, exige a coragem para nos aproximarmos de Deus, para vermos o seu amor, gratos pela sua infinita misericórdia.
É um dom, pois, que não é reservado apenas a alguns, mas que é oferecido a todos com generosidade. Todos deveriam poder experimentar a alegria de nos sentirmos amados por Deus, a alegria da Salvação! E é um dom que não se pode possuir apenas para si próprio, mas que deve ser partilhado. Se o quisermos possuir para nós próprios, tornar-nos-emos  cristãos isolados, estéreis e doentes. O anúncio do Evangelho faz parte do ser discípulo de Cristo e é um empenho constante que anima toda a vida da Igreja. “O impulso missionário é um sinal claro da maturidade de uma comunidade eclesial” (Bento XVI, Exort. Ap. Verbum Domini, 95). Cada comunidade torna-se “adulta” quando professa a fé, a celebra com alegria na liturgia, vive a caridade e anuncia sem cessar a Palavra de Deus, saindo do seu próprio espaço fechado para levá-la também à “periferia”, sobretudo a quem ainda não teve a oportunidade de conhecer Cristo. A solidez da nossa fé, a nível pessoal e comunitário, mede-se também pela capacidade de a comunicar aos outros, de a irradiar, de a viver na caridade, de a testemunhar a quantos vivem e partilham connosco o caminho da vida. 

Papa Francisco

Outubro Missionário 2013


14 março 2013

Papa Francisco I

O cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio, de 76 anos, foi hoje eleito como novo Papa da Igreja Católica, o primeiro do continente americano, e escolheu o nome de Francisco I.

“Sabeis que o dever do Conclave era dar um bispo a Roma: parece que os meus irmãos cardeais foram buscá-lo quase ao fim do mundo”, disse, na primeira aparição perante cerca de 150 mil pessoas que lotaram a Praça de São Pedro, no Vaticano.
O novo Papa, religioso jesuíta, surpreendeu os presentes ao pedir “um favor”, antes de dar a sua tradicional bênção neste encontro inicial.
“Peço-vos que rezem ao Senhor para que me abençoe, a oração do povo pedindo a bênção pelo seu bispo. Façamos em silêncio esta oração”, declarou, conseguindo calar a multidão que se encontrava em festa há cerca de uma hora, após a saída do fumo branco da chaminé colocada sobre a Capela Sistina.
A primeira bênção seria, posteriormente, estendida a "todo o mundo, a todos os homens e mulheres de boa vontade".
O Papa começou por desejar uma “boa noite” aos presentes e agradeceu o “acolhimento” da comunidade de Roma.
Francisco I começou por propor uma oração pelo Papa emérito, Bento XVI, para que o “Senhor a abençoe”.
A intervenção aludiu depois a um “caminho” que começa, unindo “bispo e povo”, na Igreja de Roma, “aquela que preside na caridade a todas as Igrejas”.
“Um caminho de fraternidade, de amor, de confiança entre nós”, precisou.
“Rezemos sempre por nós, uns pelos outros, por todo o mundo, para que haja uma grande fraternidade”, acrescentou o novo Papa.
Francisco I deixou votos de “este caminho da Igreja” seja “frutuoso para a evangelização desta tão bela cidade (Roma)”.
"Irmãos e irmãs, agora deixo-vos: obrigado pelo vosso acolhimento. Rezai por mim, vemo-nos em breve, amanhã quero ir rezar a Nossa Senhora para guarde toda a (cidade de Roma). Boa noite e bom descanso", disse, ao despedir-se.
O fumo branco saiu hoje da chaminé colocada sobre a Capela Sistina a partir 19h06 locais (menos uma em Lisboa).
O sucessor de Bento XVI, que renunciou ao pontificado, foi eleito no quinto escrutínio da reunião eleitoral iniciada esta terça-feira, à porta fechada, pelas 17h34 (hora de Roma).
Francisco I tem menos dois anos do que Joseph Ratzinger quando este foi eleito em abril de 2005, aos 78 anos.
O agora Papa emérito, de 85 anos, renunciou por causa da sua “idade avançada”.

In Diocese da Guarda

13 fevereiro 2013

MENSAGEM DE SUA SANTIDADE BENTO XVI PARA A QUARESMA DE 2013

Crer na caridade suscita caridade  
«Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele» (
1 Jo 4, 16)  
Queridos irmãos e irmãs!
A celebração da Quaresma, no contexto do Ano da fé, proporciona-nos uma preciosa ocasião para meditar sobre a relação entre fé e caridade: entre o crer em Deus, no Deus de Jesus Cristo, e o amor, que é fruto da acção do Espírito Santo e nos guia por um caminho de dedicação a Deus e aos outros.
1. A fé como resposta ao amor de Deus
Na minha primeira Encíclica, deixei já alguns elementos que permitem individuar a estreita ligação entre estas duas virtudes teologais: a fé e a caridade. Partindo duma afirmação fundamental do apóstolo João: «Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele» (1 Jo 4, 16), recordava que, «no início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo. (...) Dado que Deus foi o primeiro a amar-nos (cf. 1 Jo 4, 10), agora o amor já não é apenas um “mandamento”, mas é a resposta ao dom do amor com que Deus vem ao nosso encontro» (Deus caritas est, 1). A fé constitui aquela adesão pessoal - que engloba todas as nossas faculdades - à revelação do amor gratuito e «apaixonado» que Deus tem por nós e que se manifesta plenamente em Jesus Cristo. O encontro com Deus Amor envolve não só o coração, mas também o intelecto: «O reconhecimento do Deus vivo é um caminho para o amor, e o sim da nossa vontade à d’Ele une intelecto, vontade e sentimento no acto globalizante do amor. Mas isto é um processo que permanece continuamente a caminho: o amor nunca está "concluído" e completado» (ibid., 17). Daqui deriva, para todos os cristãos e em particular para os «agentes da caridade», a necessidade da fé, daquele «encontro com Deus em Cristo que suscite neles o amor e abra o seu íntimo ao outro, de tal modo que, para eles, o amor do próximo já não seja um mandamento por assim dizer imposto de fora, mas uma consequência resultante da sua fé que se torna operativa pelo amor» (ibid., 31). O cristão é uma pessoa conquistada pelo amor de Cristo e, movido por este amor - «caritas Christi urget nos» (2 Cor 5, 14) - , está aberto de modo profundo e concreto ao amor do próximo (cf. ibid., 33). Esta atitude nasce, antes de tudo, da consciência de ser amados, perdoados e mesmo servidos pelo Senhor, que Se inclina para lavar os pés dos Apóstolos e Se oferece a Si mesmo na cruz para atrair a humanidade ao amor de Deus.
«A fé mostra-nos o Deus que entregou o seu Filho por nós e assim gera em nós a certeza vitoriosa de que isto é mesmo verdade: Deus é amor! (...) A fé, que toma consciência do amor de Deus revelado no coração trespassado de Jesus na cruz, suscita por sua vez o amor. Aquele amor divino é a luz – fundamentalmente, a única - que ilumina incessantemente um mundo às escuras e nos dá a coragem de viver e agir» (ibid., 39). Tudo isto nos faz compreender como o procedimento principal que distingue os cristãos é precisamente «o amor fundado sobre a fé e por ela plasmado» (ibid., 7).
2. A caridade como vida na fé
Toda a vida cristã consiste em responder ao amor de Deus. A primeira resposta é precisamente a fé como acolhimento, cheio de admiração e gratidão, de uma iniciativa divina inaudita que nos precede e solicita; e o «sim» da fé assinala o início de uma luminosa história de amizade com o Senhor, que enche e dá sentido pleno a toda a nossa vida. Mas Deus não se contenta com o nosso acolhimento do seu amor gratuito; não Se limita a amar-nos, mas quer atrair-nos a Si, transformar-nos de modo tão profundo que nos leve a dizer, como São Paulo: Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim (cf. Gl 2, 20).
Quando damos espaço ao amor de Deus, tornamo-nos semelhantes a Ele, participantes da sua própria caridade. Abrirmo-nos ao seu amor significa deixar que Ele viva em nós e nos leve a amar com Ele, n'Ele e como Ele; só então a nossa fé se torna verdadeiramente uma «fé que actua pelo amor» (Gl 5, 6) e Ele vem habitar em nós (cf. 1 Jo 4, 12).
A fé é conhecer a verdade e aderir a ela (cf. 1 Tm 2, 4); a caridade é «caminhar» na verdade (cf. Ef 4, 15). Pela fé, entra-se na amizade com o Senhor; pela caridade, vive-se e cultiva-se esta amizade (cf. Jo 15, 14-15). A fé faz-nos acolher o mandamento do nosso Mestre e Senhor; a caridade dá-nos a felicidade de pô-lo em prática (cf. Jo 13, 13-17). Na fé, somos gerados como filhos de Deus (cf. Jo 1, 12-13); a caridade faz-nos perseverar na filiação divina de modo concreto, produzindo o fruto do Espírito Santo (cf. Gl 5, 22). A fé faz-nos reconhecer os dons que o Deus bom e generoso nos confia; a caridade fá-los frutificar (cf. Mt 25, 14-30).
3. O entrelaçamento indissolúvel de fé e caridade
À luz de quanto foi dito, torna-se claro que nunca podemos separar e menos ainda contrapor fé e caridade. Estas duas virtudes teologais estão intimamente unidas, e seria errado ver entre elas um contraste ou uma «dialéctica». Na realidade, se, por um lado, é redutiva a posição de quem acentua de tal maneira o carácter prioritário e decisivo da fé que acaba por subestimar ou quase desprezar as obras concretas da caridade reduzindo-a a um genérico humanitarismo, por outro é igualmente redutivo defender uma exagerada supremacia da caridade e sua operatividade, pensando que as obras substituem a fé. Para uma vida espiritual sã, é necessário evitar tanto o fideísmo como o activismo moralista.
A existência cristã consiste num contínuo subir ao monte do encontro com Deus e depois voltar a descer, trazendo o amor e a força que daí derivam, para servir os nossos irmãos e irmãs com o próprio amor de Deus. Na Sagrada Escritura, vemos como o zelo dos Apóstolos pelo anúncio do Evangelho, que suscita a fé, está estreitamente ligado com a amorosa solicitude pelo serviço dos pobres (cf. At 6, 1-4). Na Igreja, devem coexistir e integrar-se contemplação e acção, de certa forma simbolizadas nas figuras evangélicas das irmãs Maria e Marta (cf. Lc 10, 38-42). A prioridade cabe sempre à relação com Deus, e a verdadeira partilha evangélica deve radicar-se na fé (cf. Catequese na Audiência geral de 25 de Abril de 2012). De facto, por vezes tende-se a circunscrever a palavra «caridade» à solidariedade ou à mera ajuda humanitária; é importante recordar, ao invés, que a maior obra de caridade é precisamente a evangelização, ou seja, o «serviço da Palavra». Não há acção mais benéfica e, por conseguinte, caritativa com o próximo do que repartir-lhe o pão da Palavra de Deus, fazê-lo participante da Boa Nova do Evangelho, introduzi-lo no relacionamento com Deus: a evangelização é a promoção mais alta e integral da pessoa humana. Como escreveu o Servo de Deus Papa Paulo VI, na Encíclica Populorum progressio, o anúncio de Cristo é o primeiro e principal factor de desenvolvimento (cf. n. 16). A verdade primordial do amor de Deus por nós, vivida e anunciada, é que abre a nossa existência ao acolhimento deste amor e torna possível o desenvolvimento integral da humanidade e de cada homem (cf. Enc. Caritas in veritate, 8).
Essencialmente, tudo parte do Amor e tende para o Amor. O amor gratuito de Deus é-nos dado a conhecer por meio do anúncio do Evangelho. Se o acolhermos com fé, recebemos aquele primeiro e indispensável contacto com o divino que é capaz de nos fazer «enamorar do Amor», para depois habitar e crescer neste Amor e comunicá-lo com alegria aos outros.
A propósito da relação entre fé e obras de caridade, há um texto na Carta de São Paulo aos Efésios que a resume talvez do melhor modo: «É pela graça que estais salvos, por meio da fé. E isto não vem de vós; é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie. Porque nós fomos feitos por Ele, criados em Cristo Jesus, para vivermos na prática das boas acções que Deus de antemão preparou para nelas caminharmos» (2, 8-10). Daqui se deduz que toda a iniciativa salvífica vem de Deus, da sua graça, do seu perdão acolhido na fé; mas tal iniciativa, longe de limitar a nossa liberdade e responsabilidade, torna-as mais autênticas e orienta-as para as obras da caridade. Estas não são fruto principalmente do esforço humano, de que vangloriar-se, mas nascem da própria fé, brotam da graça que Deus oferece em abundância. Uma fé sem obras é como uma árvore sem frutos: estas duas virtudes implicam-se mutuamente. A Quaresma, com as indicações que dá tradicionalmente para a vida cristã, convida-nos precisamente a alimentar a fé com uma escuta mais atenta e prolongada da Palavra de Deus e a participação nos Sacramentos e, ao mesmo tempo, a crescer na caridade, no amor a Deus e ao próximo, nomeadamente através do jejum, da penitência e da esmola.
4. Prioridade da fé, primazia da caridade
Como todo o dom de Deus, a fé e a caridade remetem para a acção do mesmo e único Espírito Santo (cf. 1 Cor 13), aquele Espírito que em nós clama:«Abbá! – Pai!» (Gl 4, 6), e que nos faz dizer: «Jesus é Senhor!» (1 Cor 12, 3) e «Maranatha! – Vem, Senhor!» (1 Cor 16, 22; Ap 22, 20).
Enquanto dom e resposta, a fé faz-nos conhecer a verdade de Cristo como Amor encarnado e crucificado, adesão plena e perfeita à vontade do Pai e infinita misericórdia divina para com o próximo; a fé radica no coração e na mente a firme convicção de que precisamente este Amor é a única realidade vitoriosa sobre o mal e a morte. A fé convida-nos a olhar o futuro com a virtude da esperança, na expectativa confiante de que a vitória do amor de Cristo chegue à sua plenitude. Por sua vez, a caridade faz-nos entrar no amor de Deus manifestado em Cristo, faz-nos aderir de modo pessoal e existencial à doação total e sem reservas de Jesus ao Pai e aos irmãos. Infundindo em nós a caridade, o Espírito Santo torna-nos participantes da dedicação própria de Jesus: filial em relação a Deus e fraterna em relação a cada ser humano (cf. Rm 5, 5).
A relação entre estas duas virtudes é análoga à que existe entre dois sacramentos fundamentais da Igreja: o Baptismo e a Eucaristia. O Baptismo (sacramentum fidei) precede a Eucaristia (sacramentum caritatis), mas está orientado para ela, que constitui a plenitude do caminho cristão. De maneira análoga, a fé precede a caridade, mas só se revela genuína se for coroada por ela. Tudo inicia do acolhimento humilde da fé («saber-se amado por Deus»), mas deve chegar à verdade da caridade («saber amar a Deus e ao próximo»), que permanece para sempre, como coroamento de todas as virtudes (cf. 1 Cor 13, 13).
Caríssimos irmãos e irmãs, neste tempo de Quaresma, em que nos preparamos para celebrar o evento da Cruz e da Ressurreição, no qual o Amor de Deus redimiu o mundo e iluminou a história, desejo a todos vós que vivais este tempo precioso reavivando a fé em Jesus Cristo, para entrar no seu próprio circuito de amor ao Pai e a cada irmão e irmã que encontramos na nossa vida. Por isto elevo a minha oração a Deus, enquanto invoco sobre cada um e sobre cada comunidade a Bênção do Senhor!
Vaticano, 15 de Outubro de 2012
 
BENEDICTUS PP. XVI

17 janeiro 2013

oito anos ao serviço da Diocese da Guarda

Oito anos de Ministério Episcopal na Diocese da Guarda
Um balanço pastoral diante dos diocesanos

Cumpro hoje, dia 16 do corrente mês de Janeiro, oito anos de minis­tério episcopal ao serviço da Diocese da Guarda. De facto, em 21 de Dezembro de 2004, o então Papa e agora beato João Paulo II no­meou-me Bispo Coad­jutor da Diocese da Guarda, no impedimento do Sr. D. António dos Santos, por razões de falta de saúde. Entrei na nossa Diocese no dia 16 de Janeiro de 2005, um dia muito frio, mas compensado pelo ca­lo­roso acolhimento que a Dio­cese fazia àquele que o Senhor lhe enviava. Compreendi o entusi­as­mo desta recepção inicial, quando encontrei pos­teriormente, entusi­as­mo  semelhante nas visitas pas­torais que, desde então, fiz a cada uma das mais de 365 paróquias da nossa Diocese. E é principalmente um primeiro balanço das visitas pastorais rea­li­zadas a cada uma das nossas paróqui­as, ao longo de seis anos, de 2006 a 2012, que desejo fazer, aproveitando pa­ra isso esta data.  De facto, foram seis anos de contacto intenso com os párocos, as institui­ções paro­quiais e outras da sociedade civil, através de toda a Diocese. Estive em cada uma das paróquias em dois dias diferentes – num dia de semana, para contacto com pessoas e instituições na máxima proximidade e na realidade da sua vida diária; ao domingo, para celebrar e dar orienta­ções, que invaria­vel­men­te fica­ram registadas por escrito, lidas na assem­bleia dominical e com recomendação de serem transcritas em livro pró­prio. Destaco os seguintes pontos resultado destes contactos.


1. Importância dos cooperadores pastorais de cada pároco.

Encontrei-me com todos os grupos de cooperadores pastorais existentes em cada paróquia. E nestes encontros nunca tive a presença de menos de dez ele­mentos, mas, na esmagadora maioria deles, estiveram presentes dezenas. Se multiplicarmos o número de paróquias da Diocese por dezena e meia, en­con­traremos um número de cooperadores pastorais que ronda os 6 mil. A partir daqui, fico convencido de que a maior parte do nosso tempo, sobretudo de padres e diáconos, tem de ser gasto com a formação e o acom­­panhamento des­tes cooperadores pastorais, nos quais reside o gran­de potencial de crescimento na Fé das nossas comunidades. O esforço que queremos fazer de relançar a recepção do Concílio Vaticano II nas nossas comunidades tem de passar, em gran­de medida, por eles. Por isso, é minha intenção encontrar-me, de novo, com os cooperadores pastorais de cada pároco, dentro do programa de cada uma das jornadas arciprestais, em ano da Fé, que estão já calenda­rizadas.

 2. A catequese e a formação na Fé.

Quanto á catequese da infância e adolescência, verifiquei que são muitas as pa­róquias que têm reduzido número de crianças e adolescentes e que, por isso, es­tão impossibilitadas de cumprir sozinhas este serviço que é es­sen­cial. Esta realidade que é nova, como nova é a diminuição de cri­anças que le­vou a fechar muitas das antigas escolas primárias, por deci­são superior e geralmente uni­lateral do governo, obriga-nos a mentalizar as paróquias e as famílias para a co­operação entre si e assim podermos vir a criar cen­tros de catequese em lugares estratégicos para servirem várias paróquias. Esta tem de ser mais uma das nos­sas prioridade pastorais, nos próximos anos. E já não partimos de zero, neste esforço, pois temos alguns bons exem­plos de catequese a partir do arci­pres­tado. Quanto á formação de adultos na Fé, senti que temos de continuar a fazer esforço para a con­solidar, através dos grupos bíblicos constituídos e ou­tros a que venham a criar-se. A passagem dos missionários pelas paróquias, a reconvocar para o encontro com a Pa­lavra de Deus, de modo geral, foi um apelo sentido pelas pessoas que agora temos de continuar.

 3.Celebrações dominicais

Constatei que as celebrações dominicais são muito apreciadas pelas comu­ni­dades, incluindo muitas que não são sede de paróquia. Mas também cons­­­tatei que vamos ter necessidade de as redistribuir melhor pelo con­jun­to das pa­ró­quias confiadas ao mesmo pároco e também em espaços mais alar­gados, como são os arciprestados. Apesar de algum sacrifício que te­mos de pedir às pessoas, é nossa obrigação de sacerdotes e  diáconos pro­mover maior e melhor coo­pera­ção entre paróquias e paroquianos, tam­­bém na celebração da Fé, sobretudo ao domingo. E isto torna-se ne­cessário não só pela falta de sacerdotes, mas também pela di­minuição da população. A Eucaristia domi­nical tem de ser, acima de tudo, uma cele­bra­ção festiva, o que exige também pes­soas em número sufici­ente. Venho das visitas pastorais com a convicção re­­for­çada de que pre­cisamos de conti­nu­ar  a trabalhar para fazer o ajustamento das celebrações dominicais e dos centros de catequese, começando por cada con­junto de paróquias confia­das ao mesmo pároco e com critérios autorizados pelo Bispo.

4. Ministros extraordinários da Comunhão e serviços da caridade

Constatei que os Ministros Extraordinários da Comunhão constituem uma realidade notável na nossa Diocese e com boa tradição. Em cada paróquia procurei deixar sempre a mensagem de que os Ministros Extraordinários da Comunhão precisam de ser completados por um grupo de Visitadores dos doentes e idosos. A função destes grupos de visitadores de doentes e ido­sos será fazer visitas regulares aos que se encontram nestes circuns­tâncias, seja em suas casas seja nos lares e também  estarem atentos às necessi­dades materiais que possam existir. Esta será a forma de, nos pró­ximos tempos, estendermos a caridade organizada a todas as paróquias.



5. As Comissões fabriqueiras e administração das paróquias

Poucas foram as paróquias que encontrei sem as chamadas comissões da Fábrica da Igreja, que a lei canónica chama conselhos paroquiais para os assuntos económicos. Elas são uma realidade importante nas nossas paróquias e percebi que, em geral, são capazes de compreender a le­gis­lação da Igreja sobre administração paroquial; e pareceram-me interessa­das em receber formação nesse sentido.

Notei que persistem dificuldades, quando se pretende fazer a articulação delas com as mordomias das festas e com as comissões das capelas, mas as orientações que lembrei tiradas da nossa legislação diocesana sobre administração paroquial parecem ter sido compreendidas. Também senti que este é um trabalho persistente que nunca chega ao fim.

6. Movimentos e obras de apostolado

Notei algum vazio de movimentos e obras de apostolado nas nossas paróquias, nomeadamente aqueles movimentos que lhes deram muita vida há anos atrás, como sejam os cursilhos de cristandade e a acção cató­lica. Também não senti toda a desejável presença dos serviços de apoio às famílias, como são as equipas de casais, embora o serviço de Preparação para o Matrimónio (CPM) apareça como um dado adquirido.
Notei sinais de muita presença da associação do Apostolado da Oração nas nossas Paróquias, embora mais enfraquecida do que há décadas atrás, segundo a apreciação dos associa­dos que estiveram presentes nestas reuniões. Senti que este é um movimento que merece a nossa atenção, pois ele ainda está presente em quase todas as paróquias e constitui uma forma muito simples de alimentar a Fé das pessoas, sobretudo com o ofere­cimento das obras do dia e a confissão e comunhão reparadoras mensais. Eu fui lembrando que esta confissão e comunhão  reparadoras mensais po­dem não ser exatamente na primeira sexta-feira.
Também constatei a profunda ligação das nossas Paróquias e Diocese a Nossa Senhora de Fátima, com forte tradição nas peregrinações a Fátima.
Recordei o movimento “Mensagem de Fátima” e também o dos rosaris­tas, com bastante representação em algumas zonas da nossa Diocese e apelei à melhor preparação do centenário das aparições.

7. Quanto ao sacramento do Crisma, sublinhei que a sua celebração deve ser predominantemente no arciprestado ou pelo menos, para já, no conjunto do grupo de Paróquias confiadas ao mesmo Pároco. Precisa de ter - e eu lembrei-o  - momentos de preparação supra-paroquiais, como, por exemplo, retiros, que era bom terem calendarização e participação arciprestais.  E continuando por este caminho, iremos prepa­ran­do o acompanhamento dos jovens como um serviço espe­cífico de pastoral juvenil no âmbito do arciprestado, o que foi recomendado na última toma­da de posse dos arciprestes.

8.  Testemunho da comunhão sacerdotal

Finalmente venho destas visitas pastorais com a convicção reforçada de que o padres do mesmo arciprestado têm de dar testemunho de unidade e comunhão cada vez mais visível. Os fiéis deviam sentir que nós padres, a nível de arciprestado, funcionamos como sendo uma verdadeira equipa, sintonizados nos programas e nas práticas pastorais,  mesmo sabendo que devemos continuar a dar atenção às diferenças.
Venho convencido de que precisamos de  mostrar, na nossa acção de sacer­dotes e na maneira como colaboramos entre nós,  que os arcipres­tados serão as paróquias do futuro, futuro esse que já começou. E aqui lembro as orientações dadas aos arciprestes no acto da sua recente tomada de posse, em que se elencou um conjunto de serviços arciprestais que precisamos de organizar para apoiar a vida das paróquias.

Olhando em frente, depois desta experiência de contacto com a base, através das visitas pastorais, vejo que os próximos três/quatro anos têm de ter para todos nós a grande prioridade de relançar a recepção do Concílio Vaticano II, na nossa diocese e nas suas paróquias. De facto, se formos capazes  de assumir com coragem o modelo de Igreja que o Concílio propõe, daremos importante passo para assegurar o futuro das nossas comunidades, sobretudo procurando promover a comunhão de mi­nistérios ao serviço da comunhão da Igreja. O desejo expresso em assembleia geral do Clero para que se realize também uma assembleia de representantes de todo o povo de Deus presente na nossa Diocese vai funcionar como motivação para este trabalho de levar às comunidades o  autêntico espírito do Concílio. E vemos aqui já a intuição fundamental do nosso programa pastoral para os próximos 3 ou 4  anos.

Olhando, agora, para o ano de 2012, dou graças a Deus pela Ordenação Episcopal do Reverendo D. António Manuel Moiteiro Ramos, na nossa Catedral, em Agosto; regozijo-me com a abertura do ano jubilar do servo de Deus D. João de Oliveira Matos, que se prolonga até Agosto próximo e coloco muita esperança na vivência do ano da Fé por todos os nossos fiéis e pelas nossas comunidades cristãs e  não ape­nas pelo que se espera das jornadas arciprestais da Fé que nos vão ocupar até Junho próximo. Quero relevar o facto de a nossa Diocese, através da Liga dos Servos de Jesus, passar a marcar presença em Angola, com o funcionamento de uma escola preparada para receber 500 alunos e uma comunidade de irmãs. A inau­guração foi em Abril passado e prevemos que o seu pleno funcionamento esteja garantido a partir do próximo mês de Fevereiro.

Que a bênção de Deus nos acompanhe nestas e noutras preocupações pastorais.
 Guarda e Paço Episcopal, 16 de Janeiro de 2013
+Manuel R. Felício, Bispo da Guarda