16 fevereiro 2011

Repensar a pastoral da Igreja

D. Manuel da Rocha Felício, bispo da Guarda, deixou ao Secretariados e Movimentos, um documento acerca de "Repensar juntos a Pastoral da Igreja em Portugal". Em carta datada de 13 de Fevereiro, pede agora aos Secretariados que deixem uma reflexão até dia 4 de Março.
O SDMG deixa aqui uns tópicos de reflexão, e quem quiser dar uma achegas é só comentar.

a. Igreja em Portugal, que vês na noite da sociedade em que vives (cfr Is 21,11)? Quais são os sinais de Deus e os desafios para a tua missão? O que é que verdadeiramente precisam as pessoas de hoje, a nível espiritual e humano, e que tu podes oferecer?

b. Igreja em Portugal, que indicações ou rumores do espírito encontras hoje em ti (experiências, carismas, dinamismos existentes) a apontar-te o estilo de vida cristã e a “nova maneira de ser Igreja” adequada aos tempos de hoje? Que caminhos pastorais te assinalam os sinais e os dons do Espírito para viveres e testemunhares o Evangelho de Cristo?

09 fevereiro 2011

FEC participa no Fórum Social Mundial (FMS) 2011

Entre 6 e 11 de Fevereiro em Dakar, a CIDSE (aliança católica internacional de agências para o desenvolvimento) e parceiros vão discutir as profundas mudanças necessárias para combater a fome, as alterações climáticas e a instabilidade financeira global. A FEC (Fundação Evangelização e Culturas), membro da CIDSE, estará representada no FSM por Simão Leitão, Coordenador do Programa FEC na Guiné-Bissau. Até ao momento, segundo informação da Plataforma Portuguesa das ONGD, a FEC será a única organização para o Desenvolvimento portuguesa presente no Fórum.

“O mundo precisa de uma nova direcção, mais do que pequenos ajustes de percurso”. Este mote traz a CIDSE, organizações membro e organizações parceiras de diversas partes do mundo ao Fórum Social Mundial de 2011. O Fórum Social Mundial oferece um modelo de liderança alternativo e mais democrático, onde as pessoas estão no coração das soluções para as mudanças globais.

“ Para a FEC, enquanto ONG que trabalha no âmbito da cooperação para o desenvolvimento, é essencial participar neste movimento da sociedade global numa procura de novos modelos de desenvolvimento. Em conjunto com a Caritas Guiné-Bissau, nosso parceiro, e a CIDSE, rede europeia de ONG Católicas, vamos estar em Dakar para contribuir activamente no debate sobre as alterações climáticas, a ajuda pública ao desenvolvimento, a segurança alimentar ou ainda a agenda política pós-ODM. Acreditamos que à escala global é necessário outro tipo de liderança. O FSM “antecipa” o rosto desses líderes”, afirma a Directora Executiva Susana Réfega.

Edição 2011 do FMS

O Fórum Social Mundial retorna a África em 2011. Depois de Nairóbi (Quénia), Dakar, capital senegalesa, receberá a edição centralizada entre 6 e 11 de Fevereiro de 2011. Com enfoque na história de resistência e luta dos povos africanos, o FSM 2011 deverá encontrar a interface necessária com as lutas e as estratégias globais comuns à África, ao Sul e ao resto do mundo. Para os organizadores, o retorno do FSM à África expressa solidariedade ativa do movimento social internacional, apoio bem-vindo já que “a África corre o risco de pagar pela crise atual do capitalismo, já estando enfraquecida pelos programas de ajustes estruturais da década de 1980 e 1990”, refere a Comissão Organizadora do FMS deste ano.

O Fórum Social Mundial (FSM), concebido como uma alternativa ao Fórum Económico Mundial, oferece um poderoso antídoto para um sistema que coloca o dinheiro em vez das pessoas em primeiro lugar. Em Dakar, a FEC, vai juntar-se a milhares de pessoas de todo o mundo para traçar estratégias para alcançar políticas pro-pobres no curto prazo, e encontrar respostas para questões fundamentais para nosso futuro:

Será que estamos prontos para mudar a nossa vida e viver de forma mais sustentável? Como vamos ajudar as pessoas mais afectadas pelos impactos das mudanças climáticas? Como vamos combater a fome mundial, num cenário em que as chuvas estão cada vez mais imprevisíveis e as culturas continuam a falhar? O que deve acontecer após o prazo estabelecido para o cumprimento dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio? Enquanto os orçamentos para a ajuda ao desenvolvimento continuam a ser cortados, que recursos têm os governos para financiar o desenvolvimento? O sector financeiro está à procura de formas de evitar uma nova quebra. Como pode, como principal beneficiário da globalização, contribuir para enfrentar os desafios do desenvolvimento global?

Nota ao editor:

Simão Leitão, representante da FEC no Fórum, fará um artigo de opinião sobre as temáticas abordadas no FMS, dando a todas as publicações interessadas feedback sobre o que vive, na primeira pessoa, durante a realização do FMS. Existe também disponibilidade para entrevistas e envio de artigo de opinião a partir de Dakar.

Para mais informações e solicitações contactar:

Simão Leitão / fec.guinebissau@gmail.com

Comunicação FEC

Vanessa Furtado / vanessa.furtado@fecongd.org / 936245545

Links de interesse:

Sobre o FSM http://fsm2011.org/

Sobre a CIDSE http://www.cidse.org

Sobre a FEC http://www.fecongd.org

01 fevereiro 2011

Manual de instruções para ser cristão na era do Facebook

ROMA, terça-feira, 1º de fevereiro de 2011 (ZENIT.org) - Verdade e autenticidade são o programa e o manual de instruções que Bento XVI oferece aos cristãos presentes na internet e nas redes sociais, explica Guillaume Anselin, especialista em comunicação de marcas e instituições.

Nesta entrevista, Anselin, que já trabalhou em cargos executivos de alguns dos mais importantes grupos de mídia, como McCann Erickson, Ogilvy e Publicis, comenta com ZENIT a mensagem que o Papa enviou por ocasião do Dia Mundial das Comunicações Sociais.

ZENIT: "As novas tecnologias não mudam apenas a maneira de se comunicar, mas a própria comunicação", diz Bento XVI. Estamos diante de uma pós-cultura?

Guillaume Anselin: O Santo Padre assinalou que "criou uma nova forma de aprender e de pensar, bem como novas oportunidades para estabelecer relações e criar laços de comunhão". Isto não só se refere ao canal internet, mas a uma nova "era digital", sinal de uma nova cultura em que já entramos.

A era digital é uma sociedade de "tudo-comunicação", permanentemente conectada, que redefine a relação individual com o mundo, com os outros e a maneira de consumir ou produzir informação. Nesta era "digital", a informação circula principalmente através de "círculos sociais", com o risco de dar mais crédito ao que está mais estendido ("popularizado" pelos "amigos" reais ou virtuais) que às fontes oficiais. O perigo é, obviamente, uma visão distorcida da realidade.

Implica também a abolição das fronteiras e distâncias, uma cultura da imagem ao invés da escrita, uma sociedade "de conversação", na qual o conteúdo é o próprio objeto da conversa em grande escala.

É um fenômeno cultural inédito e recente: social, midiático, de informação imediata, que não deixa tempo para respirar, com suas comunidades de interesse e cerca de dois bilhões de pessoas online em todo o mundo. Basta lembrar que, há seis anos, Facebook, YouTube, Twitter, tão presentes em nossa vida diária, não existiam.

No caso de países de cultura midiática intensa, podemos falar efetivamente de pós-cultura, no sentido de uma mudança em direção a uma "sociedade digital".

ZENIT: "Os jovens estão experimentando essa mudança na comunicação com todas as aspirações, as contradições e a criatividade daqueles que se abrem com entusiasmo e curiosidade às novas experiências de vida", explica o Papa. Quais são os riscos e desafios disso?

Guillaume Anselin: A era digital implica, obviamente, em um salto geracional. A televisão dos nossos pais já não é a de hoje. Com o advento do "tudo multimídia", há uma forte migração do público jovem para o mundo digital (internet, celular etc.). Amanhã haverá gerações inteiras que terão conhecido desde sempre o Facebook como o principal canal de proximidade para informar-se, falar ou encontrar-se.

A internet exerce um fascínio: nela temos um meio pessoal no qual eu posso construir a identidade que eu quiser, conter-me com os outros, estar "conectado" e falar sobre o que eu quiser e com quem eu quiser. Um lugar no qual eu posso criar algo, mergulhar em universos pré-existentes, jogar, ouvir música, ver vídeos, ler...

A internet é vista como o "último mundo livre", democrático, pois permite a expressão de qualquer opinião minoritária, sem obrigações nem consequências... e em aparente segurança para quem a utiliza.

O perigo, como explica o Papa, é o a coexistência de duas identidades, uma digital (um avatar de si próprio) e outra real, assim como duas vidas paralelas: uma real e contingente e outra virtual e fácil, apesar de ser também muito real, pois ocupa uma parte importante da minha vida.

O desafio é a construção da pessoa, sua unidade de vida, e a formação da consciência, graças a uma utilização equilibrada da internet no que ela tem de melhor: um maravilhoso instrumento prático e lúdico, quando sabemos utilizá-lo. Pois encontrar uma informação na internet não significa sempre encontrar uma solução.

ZENIT: "Existe um estilo cristão de presença também no mundo digital", afirma o Papa, convidando o cristão a "dar testemunho coerente" do Evangelho na era digital. Como responder a este convite do Papa?

Guillaume Anselin: O Papa nos oferece um programa e um manual de instruções muito claro: a verdade e a autenticidade. Em questão de estratégia de comunicação, não poderia fazer uma proposta melhor! É um incentivo a comprometer-se sem ter medo e com lucidez. Podemos ficar com três aspectos importantes para o comunicador cristão:

1. Em primeiro lugar, a verdade antes de tudo, pois, em matéria de fé, nós, nós, cristãos, não temos nada melhor a oferecer em resposta a essa sede inscrita no coração dos homens. Em uma época cada vez mais saturada de informação, isso quer dizer estar presente e dar razões: fontes fiáveis da doutrina (visíveis, com uma linguagem acessível) e testemunhar com simplicidade aquilo em que cremos e a maneira como o vivemos, com os meios à nossa disposição (a informação, a narração, os vídeos, fóruns, blogs etc.).

Implica também em restabelecer um equilíbrio no ecossistema digital e dar aos jovens dois elementos essenciais: o direito de saber e de escolher. Ser cooperatores Veritatis (colaboradores da Verdade, slogan de Bento XVI, N. da R.) para anunciar o Evangelho e favorecer um encontro pessoal com Jesus, que é o Caminho, a Verdade e a Vida.

Em outras palavras: não estar decididamente presente no continente digital é uma contraverdade. É um dever de justiça e um serviço à caridade em um mundo em aceleração, no qual frequentemente se procura apagar a dimensão espiritual e o valor da mensagem cristã.

2. Para conseguir isso, o Santo Padre nos oferece o manual de instruções: é preciso ser autêntico (...), com coerência, constância, para entrar em diálogo com o Outro. Ser o que somos, sem ceder no fundamental, com uma escuta ativa, para ser tudo para todos.

Como Bento XVI nos disse várias vezes, o estilo cristão não procura agradar, correndo o risco de desvirtuar aquilo que recebemos. Nossa comunicação é afirmação alegre, positiva... e delicada. É também coerente e social, pois se integra nas culturas da nossa época. É evangelização, para tocar os corações e as inteligências. É unidade, para apoiar todas as realidades pastorais e eclesiais.

Mas o Santo Padre nos alerta também sobre a tentação do "tudo digital", pois as tecnologias devem permitir a aproximação de uma prática de fé, vivida em nossas comunidades cristãs, na Igreja.

3. A verdade, por último, merece uma nova atitude. Por este motivo, Bento XVI conclui convidando-nos a uma "criatividade responsável" e a um sentido de "escrupuloso profissionalismo". São necessárias habilidades particulares, pois a internet exige hoje uma atitude totalmente profissional e meios adequados. Temos de construir as catedrais do saber, os átrios e as ágoras do continente digital... formados por avenidas e praças, mas também por cantos nos quais as pessoas se perdem.

ZENIT: "Manter vivas a questões eternas sobre o homem." Como diz Bento XVI, a busca de sentido e respostas sobre a fé e a vida é intensa entre os nossos contemporâneos. O que o continente digital oferece, neste sentido?

Guillaume Anselin: A oferta é diversificada, mas também altamente fragmentada. Muitas iniciativas têm dificuldade em encontrar o seu público devido à falta de recursos, à oferta editorial, ou porque é difícil ir além dos públicos tradicionais. Para entrar em um site católico, é preciso sê-lo, pelo menos um pouco...

A força dos grandes projetos na internet é sua dimensão claramente multimedial e uma inteligência conectiva, a partir de uma necessidade claramente identificada. No campo da fé, faltam iniciativas nas quais, muito além de publicar notícias de atualidade, sejam oferecidas respostas simples nos formatos mais variados às questões levantadas pelas pessoas sobre a fé, a vida e a sociedade.

Temos de responder a esta questão eterna do homem, do seu anseio de transcendência, com projetos grandes, interativos, que transmitam o que recebemos.

É preciso responder ao "porquê" e ao "como" com criatividade, modernidade e apoiar o trabalho pastoral das pessoas, como sacerdotes, educadores, religiosos, catequistas e todos aqueles que no mundo investem suas energias na produção de blogs e sites.

No fundo, não é nada novo: assim como os cristãos se comprometeram, há tempos, a favor do progresso das sociedades em nossas cidades e campos, da mesma forma, o continente digital espera também nossa presença visível, serena, à altura dos desafios desta "sociedade digital".