17 outubro 2009

ORAÇÃO MISSIONÁRIA


Espírito Santo,
que desceste sobre os Apóstolos
e os fizeste anunciadores do Evangelho:

derrama os teus dons sobre cada um de nós
e torna-nos sensíveis aos apelos
e às necessidades dos nossos irmãos;

desperta em muitos corações
(crianças, jovens e adultos...)
o ideal missionário;

dá força e coragem a todos quantos
se entregaram totalmente
ao serviço da MISSÃO.

Amen

Descobrindo Missionários na Diocese da Guarda... (2)

MISSIONÁRIOS DO VERBO DIVINO
COMUNIDADE DE TORTOSENDO

Casa-mãe

Tortosendo é a casa-mãe dos Missionários do Verbo Divino (SVD) em Portugal. Em 12 de Janeiro de 1949, o bispo da Guarda, D. José Alves Matoso (1914-1952) comunicou a erecção da nova “Escola Apostólica” ao Governo Civil de Castelo Branco. Fica situado na freguesia de Tortosendo, concelho da Covilhã e distrito de Castelo Branco, bem no coração da chamada Cova da Beira. É o único seminário missionário da diocese da Guarda. Conheceu diversas fases ao longo dos 57 anos da sua história.

Seminário menor

Pensado como seminário menor, em 14 de Novembro de 1949 abriu solenemente o 1º ano lectivo com uma turma de 40 alunos. Assim começou uma bem sucedida actividade lectiva que durou ininterruptamente até 1986. O número dos alunos cresceu ininterruptamente durante largos anos chegar a ultrapassar a centena e meia. Pedagogicamente, o ponto alto terá sido atingido, na década de 80, época em que a escola, com o nome de Seminário Liceal do Verbo Divino, recebeu do Ministério da Educação alvará de estabelecimento de ensino particular e lhe foi concedido paralelismo pedagógico pela inspecção geral do ensino particular.
A partir de 1986, devido à criação de numerosas escolas preparatórias, correspondentes aos actuais 5º e 6º anos, e com a decisão de apenas admitir alunos do 7º ano em diante, a frequência diminuiu acentuadamente e os alunos passaram a frequentar as aulas no Externato de Nossa Senhora dos Remédios. Pôs-se assim um ponto final na actividade lectiva embora se tivesse mantido o internato. Ainda que não tenha cessado oficialmente nem como escola nem como internato, o Seminário deixou de ter quaisquer alunos internos a partir de 2002.

Os jovens que queiram fazer a sua caminhada e discernimento vocacional são acompanhados nas suas famílias, através do Pré-Seminário, e encontram-se periodicamente no Seminário.

Serviços

Hoje a casa encontra-se adaptada para novas situações e passou a oferecer outros serviços. Dispõe de uma diversidade de espaços para diferentes tipos de encontros, assim como da capacidade de acolhimento em quartos confortáveis para pessoas ou grupos que queiram simplesmente pernoitar.

Para contactar
Seminário Missionário do Verbo Divino - Tortosendo

Apartado 22

6201-908

Telefone: 275 951 135

svd.tortosendo@verbodivino.pt


www.verbodivino.pt


Para Saber um pouco mais


A nossa comunidade

Somos uma comunidade religiosa e missionária de leigos e clérigos. Provenientes de diversos países e culturas, reunimo-nos em comunidade para para levarmos a todos a Boa Nova do amor de Deus. Vivendo em comunidades internacionais e multiculturais, damos testemunho da universalidade da Igreja e da fraternidade.


A nossa vocação
Seguimos o Senhor pela via dos conselhos evangélicos e vinculamo-nos à Sua Pessoa e ao Seu serviço pelos votos de castidade consagrada, pobreza evangélica e obediência apostólica.

Estamos dispostos a ir onde quer que a Igreja nos envie, mesmo que para isso tenhamos de renunciar ao nosso país, língua e cultura. Esta disponibilidade é a característica essencial da nossa vocação missionária.


A nossa missão
Ao assumirmos qualquer tarefa missionária, damos preferência às situações de maior necessidade. A exemplo de Jesus Cristo, dedicamo-nos sobretudo aos pobres e marginalizados.

Trabalhamos, em primeiro lugar e de preferência, onde o Evangelho ainda não foi anunciado ou o foi de forma insuficiente e onde a Igreja local não pode valer-se a si mesma.

Abertos e respeitadores da tradições religiosas e culturais dos povos aos quais somos enviados, procuramos o diálogo com todos e levamos-lhes a Boa Nova do amor de Deus.

16 outubro 2009

Descobrindo Missionários na Diocese da Guarda... (1)

MISSIONÁRIOS DO ESPÍRITO SANTO
COMUNIDADE DO FUNDÃO

Em 1978 duas benfeitoras missionárias doaram à Congregação esta casa com a finalidade de servir de centro de irradiação missionária. Trata-se das irmãs Maria Florência e Maria de Lurdes Tavares Monteiro.

Foi então aberto um centro de animação missionária para as dioceses da Guarda, Portalege e Castelo Branco.

A presença da Congregação na diocese da Guarda remonta a Novembro de 1931, quando D. Maria de Lurdes Mendonça emprestou uma sua casa na Guarda-gare para ser seminário que abriu como tal em Outubro de 1932 e se manteve em funcionamento até 1940.

Para Contactar
Missionários do Espírito Santo
Rua José Germano da Cunha, 39
6230 FUNDÃO
Tel. 275 753 516

Para saber mais
www.espiritanos.org

Missionários Espiritanos em Portugal
desde 1867

A primeira comunidade da Congregação em Portugal é inaugurada, em Santarém, a 3 de Novembro de 1867. É formada por dois Padres e dois estudantes franceses. Com esta casa pretendia-se a formação de missionários para Angola. Por vários motivos, abandona-se o seminário de Santarém e assume-se uma nova obra em Gibraltar. Em 1872, por não corresponder aos seus objectivos, abandona-se o Colégio de Gibraltar e funda-se uma nova comunidade em Braga. Aos poucos a Província vai-se desenvolvendo e novas comunidades surgem: Sintra, Lisboa, Ponta Delgada. Só em 1901 é que a Congregação é oficialmente aprovada em Portugal, com sede em Lisboa.

Em 1910, com a proclamação da República, dá-se a supressão e expropriação dos bens de todas as Congregações religiosas. Todas as nossas casas foram espoliadas, excepto a da Procuradoria das Missões, em Lisboa. Muitos procuram refúgio em Zamora, onde se abre uma escola apostólica.

Em 1919, o P. Moisés Alves de Pinho é nomeado Provincial de Portugal e encarregado de restaurar a Província Portuguesa. Esta magnífica obra de restauração terá Braga como ponto de partida. A 2 de Fevereiro de 1921, é erecta canonicamente a Província de Portugal.

Será uma fase de progressiva expansão e de surgimento de novas vocações e comunidades: Viana do Castelo, Régua, Porto, Silva (Barcelos), Coimbra, Torre d'Aguilha (S. Domingos de Rana)...

Fruto do desenvolvimento da Província Portuguesa e do trabalho de vários Padres e Irmãos de Portugal surgirá, em 1969, a Província de Espanha. Alguns anos mais tarde, 1982, é fundado no Brasil o distrito de Brasil Sudeste, formado por confrades de origem portuguesa.

15 outubro 2009

Carta aos Párocos da Diocese da Guarda

Após as Jornadas Missionárias de 2009, o SDM está agora pronto para se empenhar no novo ano pastoral missionário na nossa Diocese da Guarda. Em anexo vão as conclusões das JM 2009, das quais destaco agora uma delas: « 3. Pedir às Dioceses, Paróquias e Movimentos que intensifiquem a vivência do “Outubro Missionário”, aproveitem mais o “Curso de Missiologia” organizado pelos IMAG para a formação de evangelizadores e promovam semanas missionárias para o crescimento da consciência de todo o Povo de Deus».

Todas as paróquias já receberam o “Guião Outubro Missionário”, mas anexo mais um exemplar e se desejar mais algum para o seu trabalho pastoral ao longo deste mês de Outubro poderá requisitá-lo junto do SDM. Relembro que este guião é uma preciosa ajuda para reflectir semana a semana nos vários grupos da(s) sua(s) comunidade(s); possui comentários à Palavra de Deus lida e proclama durante o mês de Outubro aos Domingos; algumas propostas para celebrações da Vigília Missionária, do Rosário e da Via-Sacra; uma prece diária para cada dia do mês; e alguns documentos de leitura e meditação.

Também serão enviados alguns exemplares da Mensagem do Santo Padre para o Dia Mundial das Missões sob o título “As nações caminharão à sua luz” (Ap 21, 24) esmiuçada em quatro pontos: 1. Todos os Povos são chamados à salvação, 2. Igreja Peregrina, 3. Missão Ad Gentes e 4.Chamados a evangelizar também por meio do martírio. A estes dois documentos junto também o cartaz e relembro que o dia 18 de OUTUBRO é Dia Mundial das Missões.

Despertar a consciência missionária continua a ser o nosso objectivo geral. O Programa Pastoral para 2009/2010 está a ser elaborado e por isso não está no Plano Geral da Diocese, uma vez que este Secretariado só o realiza após as Jornadas Missionárias (que acontecem todos os anos em Setembro).
Relembro os párocos do pedido feito com alguma insistência ao longo do ano passado: enviar a este Secretariado os nomes e direcções de missionários e missionárias oriundos das paróquias que lhe estão confiadas. No passado ano só um pároco respondeu ao apelo lançado.

Finalmente, e não menos importante, o Guard’África (voluntariado missionário da Diocese) está a dar início à Formação de “missionários”. As condições começam a modificar-se um pouco, por isso peço aos meus estimados colegas que se souberem de alguém que queira fazer parte deste projecto entre em contacto connosco até ao fim do mês de Outubro. (www.guardafrica.blogspot.com / guardafrica@gmail.com )
Grato pela atenção prestada, “estamos juntos”!

Guarda, 29 de Setembro de 2009, Festa dos Arcanjo S. Miguel, S. Rafael e S. Gabriel


O Director Diocesano do SDM
Pe Ângelo Miguel Nabais Martins

08 outubro 2009

Horrores da África no Sínodo


Em um ambiente agradável, ressoam denúncias estremecedoras

Por Jesús Colina
CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 7 de outubro de 2009 (ZENIT.org).- Horrores da África, como o tráfico de pessoas, o abuso das multinacionais e ONGs e inclusive o drama das jovens que, ao sair das congregações religiosas, caem na prostituição, estão comovendo a Sala do Sínodo, que reúne bispos do continente.
O ambiente de fraternidade e de bom humor africano colide brutalmente, às vezes, com a dureza das situações que esta cúpula episcopal tem de enfrentar; dela participa Bento XVI, com toda a assiduidade que suas responsabilidades lhe permitem.
Para respeitar a liberdade do debate entre os bispos, quando se trata de intervenções espontâneas, é revelado aos jornalistas o conteúdo da intervenção, mas não o nome do padre sinodal. Desta forma, seu nome a proposta não acabam nos jornais no dia seguinte, comprometendo a confidencialidade ou liberdade da discussão.
Dom Joseph Bato'ora Ballong Wen Mewuda, porta-voz do sínodo para a língua francesa, revelou algumas das denúncias e horrores manifestados pelos 23 padres sinodais que tomaram a palavra no livre intercâmbio da terça-feira à tarde, momento do qual o Papa não pôde participar, pois precisava preparar sua catequese da audiência geral de hoje.

Preocupação pelos jovens
Nesta sessão, o tema mais abordado foi o da situação dos jovens africanos, pois os prelados percebem que a Igreja tem de refletir muito mais sobre a forma de aproximar-se deles. Com muita frequência, denunciou-se, são vítimas das seitas fundamentalistas.
Constatou-se, ao mesmo tempo, que para os bispos é praticamente impossível deter o êxodo de jovens africanos que buscam uma vida melhor no estrangeiro, em particular no Ocidente.
Diante desta situação, consideram que pelo menos podem prepará-los para enfrentar, com a migração, outras culturas e mentalidades, assim como formá-los na doutrina social da Igreja. Nem tudo é negativo, reconheceram os prelados, pois alguns desses jovens descobrem ou redescobrem sua fé nos países de acolhida.

Da vida religiosa à prostituição
Um dos prelados denunciou a situação de jovens católicas africanas que, movidas por uma curiosidade vocacional pela vida religiosa, vão à Europa para discernir seu futuro no seio de algum mosteiro ou comunidade religiosa.
Houve um caso, denunciado por um dos padres sinodais, em que uma jovem não se integrou à vida religiosa, abandonando a comunidade e ficando por conta própria em algum país europeu desconhecido, caindo depois nas redes da prostituição.
Por este motivo, explicou-se na sala, na República Democrática do Congo, a Conferência Episcopal estabeleceu que as jovens que queiram entrar em alguma comunidade religiosa só poderão fazê-lo se tal comunidade contar com uma presença e comunidade neste país.
Desta maneira, sempre se manterá um contato com a realidade do próprio país, no caso de que a jovem não continue na vida religiosa. Em outros países da África, os bispos aconselham esta prática, ainda que não a tenham assumido como obrigatória.
De qualquer forma, quando uma jovem viaja para a Europa para entrar em uma comunidade religiosa, dá-se um processo de permissões da autoridade eclesiástica para evitar, na medida do possível, esse tipo de problemas.

Organizações não muito humanitárias
Outro dos bispos denunciou que algumas ONGs, tão admiradas no Ocidente, na verdade se convertem em máscaras de agendas escondidas ou inclusive secretas.
Estão invadindo o continente africano com o pretexto de oferecer ajuda humanitária, mas na verdade o que procuram é promover ideologias, afirmou-se.
Dom Ballong Wen Mewuda explicou que os bispos não foram explícitos na hora de desmascarar estas ideologias, mas considerou que poderiam referir-se às ONGs que buscam promover a "saúde reprodutiva" (aborto) ou que são coberturas das seitas.
Neste sentido, um padre sinodal fez referência a um artigo publicado pela revista Jeune Afrique, no qual se revela que existem gurus de seitas que se convertem em conselheiros políticos ou inclusive presidentes e que contribuíram para a adoção de decisões nefastas.

Multinacionais exploradoras
Vários bispos - pelo menos quatro - pediram também que o sínodo levante a voz contra os abusos de multinacionais presentes na África que exploram de forma abusiva os recursos minerais, os bosques e contaminam a água, provocando danos graves nas populações locais.
Em algumas regiões às quais estas empresas chegaram, exploram os recursos, mas não fazem nada por criar escolas, hospitais ou água potável, constatou-se.
Os padres sinodais pediram que se denunciasse não somente estas multinacionais, mas também os políticos locais, que permitiram sua implantação ou a atraíram sem levar em consideração os danos que os africanos sofrem agora por causa disso.
Denunciaram também a crescente invasão da China, que está construindo estradas e obras públicas em numerosos Estados africanos em troca de requeridas matérias-primas, com equipes chinesas que vivem praticamente em condições de escravidão.

Bom humor
Como acontece com frequência na África, todos estes dramas não eliminam a esperança dos bispos nem seu bom humor.
Os presidentes delegados da assembleia, em particular o cardeal Francis Arinze, prefeito emérito da Congregação para o Culto Divino, e o cardeal Wilfrid Fox Napier, O.F.M., arcebispo de Durban (África do Sul), costumam arrancar risadas dos presentes, com seus comentários de transição antes de dar a palavra a algum bispo.
Quando um bispo é breve e acaba sua intervenção antes do tempo designado, é acolhido por um sonoro aplauso, que não só é um prémio, mas também um incentivo para que o seguinte também seja o mais breve possível.
Ocorrem divertidas cenas da vida quotidiana, como, por exemplo, quando se pediu que o bispo que perdeu seu solidéu ou a faixa passasse para pegá-los na secretaria.
O Papa sorri nestas ocasiões e, respeitando a metodologia do sínodo, só intervém para oferecer sua primeira meditação sem papéis e para uma saudação espontânea de despedida no final das sessões.


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Publicada por Secção portuguesa da Rede cristã AEFJN em AEFJNPORTUGAL a 10/08/2009 01:54:00 AM

06 outubro 2009

D. António Couto - Por uma Igreja Missionária

Em entrevista à Agência Ecclesia o Presidente da Comissão Episcopal das Missões do nosso país faz uma reflexão acerca do estado missionário em Portugal.

Agência ECCLESIA (AE) – Depois do Congresso Missionário de 2008, qual foi a dinâmica que se criou na Igreja portuguesa a partir desse encontro?

D. António Couto (AC) – Duas dinâmicas saíram do Congresso: uma prática e imediata, e outra de fundo, a requerer estudo, e, portanto, a médio prazo.

A primeira nasce no seio do próprio Congresso, entre os participantes, e naquilo que cada um levou consigo. Quem participou no Congresso levou consigo naturalmente algumas motivações e provocações. Estiveram presentes bispos, sacerdotes e leigos, estes em maior número. E talvez seja no sector dos leigos que se esteja a operar, já de há uns tempos a esta parte, e no bom sentido, a maior viragem.

A segunda, que ficou assinalada nas conclusões do Congresso, foi a solicitação à Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) da elaboração de um documento-base para a missão em Portugal.

Esse pedido foi considerado no plenário da CEP, em Novembro de 2008, logo após a realização do Congresso. A CEP aceitou o pedido por unanimidade e incumbiu a Comissão Episcopal das Missões da elaboração do referido documento.

A Comissão Episcopal das Missões e o Conselho Nacional das Missões acordaram as linhas fundamentais desse documento, que já recebeu duas redacções, e está actualmente em apreciação por todos os envolvidos. Na próxima Assembleia Plenária da CEP, marcada para Novembro, o documento poderá ser apresentado para discussão.

Este documento, acredito, poderá criar novas dinâmicas na Igreja em Portugal, em especial no âmbito das dioceses e paróquias, mas também nos Institutos Missionários e de todos quantos vivem o problema missionário. Esta dinâmica tem de chegar às paróquias. Como disse muito bem João Paulo II, as paróquias são a Igreja no meio dos seus filhos e das suas filhas, e é lá, nesse humaníssimo chão, que se podem estabeler relações novas, próximas e acolhedoras.

AE - A Igreja está à espera deste documento para criar um novo dinamismo? O envolvimento pessoal não correspondeu às expectativas criadas?

AC - Houve o envolvimento possível. Do Congresso Missionário não saiu nenhuma organização concreta. Saíram desafios que podem estimular as organizações que já existiam, e que podem eventualmente gerar novas dinâmicas. As organizações já existentes passam pelo voluntariado, que cada vez contagia mais jovens, sobretudo nos meios universitários, e também pelos grupos que andam associados aos diferentes Institutos missionários. Estes dinamismos já existiam, portanto. O que desejamos é que a dinâmica missionária chegue a mais gente, atingindo também o coração das Dioceses e Paróquias.

No que diz respeito ao documento, é preciso ter a noção realista de que leva o seu tempo de discussão, análise e elaboração. Acredito que poderá ajudar a dinamizar a Igreja, aos seus diversos níveis, não deixando ninguém indiferente.

Intuições de S. Paulo para a missão hoje

AE - Na intervenção nas Jornadas Missionárias, D. António Couto focou as grandes intuições da missão em São Paulo. Que intuições são essas, e, sobretudo, de que forma se podem reflectir na Igreja contemporânea?

AC - A primeira intuição paulina é a pessoa de Cristo. S. Paulo indica que Cristo é o fundamento e mostra que devemos estar a tempo inteiro tomados por Cristo, com ele ocupados, por ele conduzidos. Só assim, vivendo de Cristo, com Cristo e para Cristo, o podemos levar às pessoas. Esta é a intuição de fundo, que resulta da própria experiência de S. Paulo. Não podemos fazer missão cristã, esquecendo Cristo.

A segunda intuição refere-se à metodologia da missão. Se eu vivo de Cristo e se Cristo é a minha vida, impõe-se então que eu leve Cristo aos meus irmãos. Que metodologia usar? No tempo de Paulo havia, na bacia do Mediterrâneo, uma forte missionação por parte do judaísmo, mas também por parte dos pregadores dos diferentes deuses pagãos. Usavam uma metodologia assente numa retórica altissonante, além de os mover o lucro e o sucesso. Ao contrário, S. Paulo apresenta-se com uma metodologia muito simples, maternal, paternal, personalizada e a tempo inteiro. Não foi, portanto, com retórica que São Paulo levou Cristo às pessoas, mas debruçando-se sobre elas com carinho, com uma atenção personalizada e a tempo inteiro.

Da segunda intuição desdobra-se naturalmente a terceira. Com a metodologia personalizada e dedicada atrás apresentada, S. Paulo não conseguia chegar ao coração de muita gente. S. Paulo percebeu assim que precisava de muitos e bons cooperadores. S. Paulo não mudou de metodologia, mas rodeou-se de uma vasta rede de cooperadores. É a terceira grande intuição.

Estas duas linhas metodológicas de S. Paulo são geniais, e constituem ainda hoje desafios actualíssimos para a nossa Igreja. Se a Igreja de hoje as adoptar, encontrará uma verdadeira mina de ouro.

A quarta intuição paulina são as cidades. No tempo de Paulo o mundo greco-romano tinha grandes cidades e grandes estradas. O sonho de Paulo era chegar a Roma o quanto antes, para chegar ao coração do mundo. S. Paulo queria chegar ao local onde nasce o mundo cultural, social, humano, tal como acontece hoje. Quando um dia entrou na famosa via Egnatia, à saída do porto de Neápolis, antes de chegar a Filipos, Paulo começou a ver Roma no horizonte. Seguiria, com seguiu para Tessalónica. Daí seguiria para Dirráquio, na costa Adriática. Atravessava o mar Adriático de barco e desembarcava em Brundísium. Seguia então a via Ápia até Roma. Mas, estando em Tessalónica, quis o Espírito que descesse à Acaia, permanecendo algum tempo em Corinto. Paulo sabia que, evangelizando o coração do mundo, que bate nas cidades, evangelizava o mundo.

É olhando maravilhado para este “Paulo de Cristo”, que o Papa Paulo VI, em 1975, na Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi, aponta Paulo como “modelo de cada evangelizador”. E para redigir a Evangelii Nuntiandi, a primeira grande Encíclica missionária depois do Concílio, a dez anos do Concílio, Paulo VI teve de citar mais de 100 vezes as Cartas de S. Paulo. A 25 anos do Concílio, em 1990, João Paulo II publica outra grande Encíclica missionária, a Redemptoris Missio. E também não o consegue fazer sem citar mais de 30 vezes as Cartas de S. Paulo, além de se referir muitas outras vezes à Evangelii Nuntiandi, que já citava muitíssimas vezes S. Paulo. Por último, também Bento XVI, na Mensagem para o Dia Mundial de Oração pelas Vocações de 2008, consagrou Paulo como “o maior missionário de todos os tempos”.

AE - Fazendo um retrato da Igreja em Portugal, como é que ela se situa nessas prioridades?

AC – A Igreja em Portugal ainda não se sente afectada, no seu todo, por estas linhas de rumo. Porém, alguma coisa se vai fazendo aqui e ali, iniciativas esporádicas. Mas acredito que vai chegar o tempo da graça para todos, em que todos viveremos a alegria de sermos evangelizadores. E haverá lugar para todos. É mesmo necessária uma rede de verdadeiros evangelizadores. Acredito que a missão há-de vir a fazer parte, como primeira prioridade, dos programas pastorais das nossas Dioceses e Paróquias.

Parece-me que temos ficado muitas vezes de braços cruzados, vendo o nosso mundo a deslizar tranquilamente para o paganismo. Se a nossa paixão é Cristo, como sucedia com Paulo, não podemos permanecer mais nessa atitude. Temos de anunciar Cristo com génio, paixão e coração. Não podemos sequer contentar-nos em fazer o que podemos. Temos de nos gastar e ser gastos, dando a vida por esta causa. Experimentaremos então, como refere João Paulo II, que a fé se fortalece, dando-a.

AE - Sobre a inteira ocupação de Cristo, a primeira intuição?

AC - Esse é o problema de fundo. Quem vive de Cristo e foi encontrado por Cristo, não pode guardá-lo para si. Tem de o anunciar. E é com alegria que tenho de dizer que muitas pessoas que sentem esta necessidade e este amor. Mas temos de aumentar esta fogueira.

Pois é igualmente verdade que muitos dos que se dizem cristãos de há muito vivem à margem de Cristo, deixando de se relacionar pessoalmente com Cristo. As solicitações deste tempo levam as crianças, os jovens e os pais para outras paragens. Não podemos continuar a lançar sobre eles a culpa, como se eles fossem os maus e nós os bons. Se acreditamos em quem acreditamos, então talvez compreendamos que a culpa impende sobre nós, que não soubemos, à imagem do Bom Pastor, ir à procura deles com amor e total dedicação.

AE - Esse contacto vital centra-se em quê?

AC – Não em quê, mas em quem. Em Cristo, obviamente. Numa relação pessoal com Cristo vivo, hoje. Não numa mera visão histórica do que se passou há dois mil anos. É o Senhor Ressuscitado, vivo e presente para sempre no meio de nós, que temos de levar às pessoas. Saiba-o ou não, é de Cristo que as pessoas necessitam verdadeiramente. É preciso abrir espaços na nossa vida, para que Cristo possa entrar em nossa casa.

Este encontro pessoal é fundamental. Só depois começam as perguntas e as respostas, os relatos da nossa vida iluminada por Cristo. É o tempo de uma mais aprofundada relação e formação.

Estudar a Missão

AE – Qual a importância das Jornadas Missionárias?

AC - As Jornadas, organizadas anualmente, são um ponto de encontro e um ponto de partida. Uma verdadeira plataforma de múltiplos encontros que atinge pessoas envolvidas no trabalho missionário, dentro e fora de Portugal, mas que acolhe também muitos que chegam pela primeira vez. Uns trazidos por amigos, outros para ver o que é e como é, outros porque, sabendo-o ou não, Deus os enviou para cá. É um belo tempo de encontros e partilhas. Só por isto, já seria importante a sua realização. Mas há também desafios e provocações, sementes que são lançadas, não para o ar, mas para o coração das pessoas. É a oração, a música, a reflexão feita, que hão-de deixar novos dinamismos em quem vem.

AE - É possível ser missionário sem se sair de casa?

AC – Sim, é possível. Basta ter um coração aberto ao mundo e amar. Santa Teresinha do Menino Jesus foi proclamada padroeira das missões, e nunca saiu do convento. Mas tinha um coração à dimensão de Deus e de todos os irmãos do mundo. Escreveu: “No coração da Igreja, minha mãe, eu serei o amor”. Escreveu em papel e na vida.

Um missionário não se mede pelas inúmeras viagens que possa fazer. Um cristão que não esteja em comunhão com as pessoas do mundo e apenas se preocupe com a sua paróquia, obviamente vive na cadeia. É preciso viajar também por dentro. Fazer viagens intransitivas, rasgar avenidas no próprio coração.

Depois, não há dicotomia entre ser cristão e ser missionário. Às vezes somos levados pensar que somos muitos cristãos, mas que há poucos missionários, porque pensamos que são duas coisas diferentes. Ora, temos de tomar consciência de que não duas vocações: primeira e fundamental, a vocação cristã, a que se pode vir, porventura, um dia a acrescentar a missionária. Trata-se de uma visão incorrecta, embora muito difundida. Na verdade, há apenas uma única vocação, pois ser cristão e ser missionário é a mesma coisa.

AE - A missão era entendida como ir para outros Continentes, mas cada vez se fala mais de uma missão na Europa…

AC – Durante muito tempo, passou-se a ideia os missionários eram os que deixavam a sua terra e partiam para outras paragens. A missão era levada a cabo por especialistas, uma espécie de super-homens, que integravam Institutos Missionários. Nesse tempo, a Igreja local, a diocese e a paróquia, mal conhecia, mal via os missionários, e pensava que a missão era só para essa espécie de super-homens. Não era tarefa da Igreja local e do cristão comum. A Igreja local e o cristão comum, quando muito, contribuíam com a sua esmola, no Dia Missionário Mundial, para apoiar os missionários lá longe.

O II Concílio do Vaticano alterou em muito esta concepção, fazendo ver que o sujeito primeiro da missão é a Igreja local ou particular. Entenda-se: somos missionários e todos somos responsáveis pela missão. A mudança veio dizer que a missão não é obra de especialistas, mas que a diocese e a paróquia são missionárias. E que todos os cristãos, por motivo do seu baptismo, são igualmente missionários. É óbvio que, se espaço da Diocese e da Paróquia, há missionários por toda a vida, de doação radical e total, então é toda a Diocese e Paróquia que serão também enriquecidas com esse dom. Mas esse dom está integrado na Igreja local, e não à margem dela.

É assim que cada Igreja local ou particular se torna sujeito primeiro da missionação. Missão inadiável e não delegável.

01 outubro 2009

Dia 1 de Outubro, DIa de Santa Teresinha do Menino Jesus, PADROEIRA DAS MISSÕES


A santa das rosas

Por que Santa Teresinha é conhecida mundialmente como "A Santa das Rosas"?

No dia 11 de março de 1873, não sabendo mais o que fazer para curar sua pequena Thérése de uma atroz gastroenterite, Zélie Martin resolveu ir a Sémaillé, um vilarejo próximo a Alençon, à procura de uma senhora chamada Rose Taillé para ser a ama-de-leite de sua caçula.

Assim, de 16 de março de 1873 a 2 de abril de 1874, Teresa viveu nesse lugar onde os habitantes tinham um belo costume: presentearem-se, por qualquer motivo, com flores. É provável que a precoce convivência com esses odores tenha acendido em nossa santa uma paixão que jamais a abandonará: as flores, especialmente as rosas.

Sentia-se feliz quando podia lançar pétalas de rosas para o alto quando passava o ostensório com o Santíssimo Sacramento. Madre Inês, sua irmã de sangue, relata que, no dia 14 de setembro de 1897, Teresinha ganhou uma rosa e a desfolhou sobre o crucifixo de forma muito carinhosa. Algumas pétalas caíram no chão da enfermaria. Muito seriamente, a santa teria afirmado: "Ajuntai bem estas pétalas, minhas irmãzinhas, elas vos servirão a dar alegrias, mais tarde... Não percam nenhuma..."

Seu prazer era atirar flores no grande crucifixo do pátio do Carmelo. Gostava de cobrir o seu crucifixo de rosas de forma muito cuidadosa, afastando as pétalas murchas. No entanto, não lançava flores em ninguém. Madre Inês conta que certa vez colocou-lhe rosas nas mãos, pedindo-lhe que as atirasse em alguém, como sinal de afeto. A santa recusou-se a fazê-lo. Ela só desfolhava e lançava rosas para seu amado Jesus.

Santa Teresinha aproveita a imagem da rosa para explicar um elemento importante de sua "Pequena Via": "Compreendi que o brilho da rosa... não tira o perfume da pequena violeta... Compreendi que, se todas as florzinhas quisessem ser rosas, a natureza perderia seu enfeite primaveril..." Por isso, ela conclui, Deus criou " os grandes santos que podem ser comparados.... às rosas". No jardim da vida há lugar para as humildes flores, as frágeis violetas, que não possuem o vigor e o perfume das rosas, mas mesmo assim enfeitam o mundo. As rosas são os gigantes da fé. As violetas são as almas pequenas que trilham o pequeno caminho.

Quem tanto amava as rosas, vai prometer, quase ao fim da vida, que fará chover rosas sobre o mundo. Com esta promessa estava se prontificando a interceder pela humanidade junto a Deus. Haveria de conseguir muitas graças e bênçãos junto ao Pai. Após sua morte os milagres irão se multiplicar. Ela prometeu continuar sua missão no céu, trabalhando para o bem das almas e não frustrou os que confiam em sua oração. Ainda hoje são muitos os relatos de curas, milagres e conversões realizados por intermédio da humilde carmelita.