23 outubro 2008

93 707 PORTUGUESES LEVANTARAM-SE CONTRA A POBREZA


Último balanço oficial do «Levanta-te e Actua» dá conta da participação de mais de 116 milhões pessoas em todo o mundo

93 707 pessoas levantaram-se em Portugal contra a Pobreza. É este o balanço oficial da organização da iniciativa «Levanta-te e Actua» 2008.

A edição de 2008 teve início à meia-noite de 17 de Outubro, dia Internacional para a Erradicação da Pobreza e terminou às 23h59 do dia 19.

Num comunicado enviado à Agência ECCLESIA, a organização manifesta que “um novo recorde do Guinness foi estabelecido a nível mundial com 116 993 629 pessoas”. Mais de cem milhões de vozes recordaram aos líderes mundiais que a cada dia que passa 50 mil pessoas morrem de pobreza extrema e o fosso entre ricos e pobres é cada vez maior. “Tamanha mobilização é acima de tudo uma demonstração clara do impacto que pode ter uma acção local e global da sociedade civil”.

O «Levanta-te e actua contra a Pobreza e pelos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio» é um apelo global para que as pessoas se levantem exigindo que os seus governos cumpram as promessas de acabar com a pobreza extrema e que se alcancem os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM) até 2015.

“Foi um momento alto na consciencialização de tanta gente, demonstrando uma grande força organizativa para amplificar o pedido claro que se alterem e melhorem as políticas sociais, económicas e culturais no mundo, porque cerca de metade da população mundial vive em situação de pobreza”.

A organização sublinha que “o desafio para que a erradicação da Pobreza deve ser uma preocupação diária, que não se esgote mas se inspire no dia 17 Outubro”, e que, pró-activamente, “todos se continuem a unir e a contribuir de uma forma sustentável para que toda a gente tenha uma vida digna e independente”.

INTENÇÃO MISSIONÁRIA DE NOVEMBRO 2008


Para que as comunidades cristãs da Ásia, contemplando a face de Cristo, saibam encontrar os caminhos mais propícios para anunciá-Lo às populações deste vasto continente, rico de cultura e de antigas formas de espiritualidade, na plena fidelidade ao Evangelho.

21 outubro 2008

POR UMA IGREJA MAIS MISSIONÁRIA



D. António Couto, presidente da Comissão Episcopal das Missões, defende, em entrevista publicada na edição especial do semanário Agência ECCLESIA, a necessidade de um maior compromisso missionário de todos os católicos e advoga mudanças na forma de encarar a acção pastoral das comunidades.Anunciar o Evangelho porquê e para quê? Num mundo cada vez mais plural, são muitas as novas fronteiras da Missão, que desafiam modelos tradicionais de pensamento e acção, por parte da Igreja.

Diálogo e anúncio são caminhos diversos na relação com os não-cristãos ou podem estar em sintonia?

É claro que estão em sintonia, completando- se mutuamente. Bastará ler com atenção a Instrução «Diálogo e anúncio: reflexões e referências sobre o anúncio do Evangelho e o diálogo inter-religioso», de 19 de Maio de 1991, do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso e da Congregação para a Evangelização dos Povos. O Diálogo é um caminho que se deve cultivar sempre. Aproxima as pessoas, cria laços de amizade, faz-nos ver que todos temos coisas belas e ricas a transmitir e a receber. Também o amor aos irmãos nos fará muitas vezes entrar pela via do diálogo. O anúncio leva-nos a dizer claramente Cristo, a nossa riqueza fundamental.

Encontramos, por vezes, belas surpresas. Refiro o caso do velho missionário americano Bob McCahill, dos Padres de Maryknoll. Trabalha no Bangladesh há mais de 30 anos, e, como o próprio confessa, nunca anunciou publicamente o Evangelho. O Bangladesh é um país de extrema pobreza e com uma população maioritariamente muçulmana. Bob McCahill faz a sua oração da manhã e celebra a Eucaristia sozinho, na sua barraca, e depois pega na bicicleta e vai ao encontro das pessoas: fala com todos, mas presta particular atenção aos doentes. Muda de terra de três em três anos. No primeiro ano, as pessoas olham este americano com alguma desconfiança. No segundo ano, já o olham com simpatia. No terceiro ano, cria-se um clima de grande simpatia e perguntam-lhe a razão de querer viver no meio deles. É então que ele fala de Jesus Cristo.


Faz sentido quantificar/qualificar o trabalho missionário pelo número de conversões?

Faz sentido ver o trabalho missionário pela intensidade da nossa dedicação e testemunho. De resto, diz o Evangelho, desmentindo a estatística, que se deve procurar e encontrar com afinco a ovelha perdida. É uma só, mas conta tanto como milhões. A estatística, todavia, pode servir para sabermos melhor os terrenos que pisamos.

Em 1965, o Concílio calculava em dois mil milhões (2.000.000.000) o número de não-cristãos (AG, n.º 10). Vinte e cinco anos depois, em 1990, João Paulo II refere que este número quase duplicou (RM, n.º 3). É sempre útil consultar os números referidos no "International Bulletin of Missionary Research", que calculava para esse ano de 1990 três mil quatrocentos e quarenta e nove milhões e oitenta e quatro mil (3.449.084.000) não-cristãos, e para o ano 2000 o número de quatro mil e sessenta e nove milhões e seiscentos e setenta e dois mil (4.069.672.000) não-cristãos. Em 2006 esse número subia para quatro mil e trezentos e setenta e três milhões e setenta e seis mil (4.373.076.000) não-cristãos.

As estimativas apontam para 2025 uma população mundial de 7.851.455.000, com 2.630.559.000 cristãos (1.334.338.000 católicos), e 5.220.896.000 não-cristãos. Isto, sim, deve deixar-nos interrogados e levar-nos a tomar uma consciência mais viva do testemunho cristão que damos.


Que lugar tem o anúncio da Verdade num mundo cada vez mais plural e multifacetado?

A velha questão de Pilatos - «O que é a verdade?» - é mesmo uma questão velha, mal formulada e ultrapassada. Por isso, Jesus não respondeu. Nós não perguntamos «O que é a verdade?», mas «Quem é a verdade?». A verdade não é uma coisa ou uma ideia, mas uma pessoa que ama até ao fim. Esta verdade pessoal, é óbvio que devemos cultivá-la e testemunhá-la sempre, sejam quais forem as coordenadas geográficas, religiosas ou culturais em que vivamos. Seja o mundo plural ou singular. Amar o outro, diferente de mim, até ao fi m, é a verdade. E é verdadeiramente esta a atitude que conta. Não se trata, vê-se bem, de querer impor qualquer coisa seja a quem for.


As novas formas de Missão são uma forma «light» do compromisso para toda a vida de outros tempos?

Pode fazer-se turismo toda a vida ou apenas algum tempo. A Missão é dedicação total, com toda a intensidade, seja por toda a vida ou apenas por um dia. A Missão verdadeiramente vivida nunca é «light»; se é «light», não é missão. Compreendo que a pergunta tenha a ver com os jovens que, generosamente, querem dedicar algum tempo da sua vida ao serviço dos seus irmãos diferentes e mais pobres. Quem o faz por amor, um dia que seja, terá encontrado a alegria do Reino de Deus. Basta um simples copo de água com amor, diz bem o Evangelho. É óbvio que o mundo está a mudar e a missão também.

Haverá sempre missionários ad vitam (para toda a vida, ndr). A missão temporária é do nosso tempo e vai aumentar. Lembremo-nos que há um século atrás só os homens (padres e religiosos) iam em missão. Hoje, 80 % do pessoal missionário são mulheres! A medida será sempre a medida do amor! Seja muita ou pouca gente, muito ou pouco tempo!


É preciso investir mais no anúncio aos que já ouviram falar de Jesus e não o acharam relevante?

É preciso investir sempre tudo para todos. Para os que ouviram e para os que não ouviram. Os que ouviram, se não o acharam relevante, é porque não ouviram. Ou talvez porque nós não soubemos transmitir. Os judeus piedosos ainda hoje dizem: «se amanhã os meus filhos não seguirem a nossa religião, a culpa não é deles; a culpa é nossa, porque não soubemos transmitir-lhes toda a beleza do judaísmo». O mesmo podemos dizer do cristianismo. O mal não está sempre nos outros. Também está em nós. É, portanto, necessário amar este mundo e as pessoas e anunciar-lhes ou testemunhar-lhes Cristo, que não é uma ideia ou uma causa morta, mas uma pessoa viva no meio de nós. Não há primeiro anúncio e segundo ou terceiro anúncio. O anúncio, para ser verdadeiro e se é verdadeiro, é sempre primeiro! Começa por fazer estragos em nós! O segundo ou terceiro é requentado: não empenha quem o faz nem quem o recebe!

Como classifica a situação missionária da Igreja em Portugal?

É inegável que os Institutos Missionários continuam a escrever páginas selectas de vigor missionário, arrastando atrás de si muitos jovens e cooperadores. No que diz respeito às nossas dioceses e paróquias, a situação parece-me bastante sossegada, no mau sentido, como quem diz que isso não é connosco. É imperioso e absolutamente urgente que a Igreja portuguesa se empenhe, no seu todo, numa vastíssima campanha de verdadeira formação de evangelizadores, para que se possa, logo que possível mas de forma sistemática, levar o Evangelho a todas as camadas da população portuguesa (crianças, jovens, adultos e idosos) e pelo mundo fora.

Não podemos mais ficar tranquilamente dentro das igrejas, sacristias e salões paroquiais, de braços cruzados, à espera que as pessoas venham ter connosco. Somos nós que devemos ir ao encontro das pessoas. E o paradigma é o anúncio ad gentes, e não uma pastoral de manutenção. Rasgar horizontes significa não ficar a olhar apenas para o umbigo, mas abrir-se ao diferente. Aprender outra vez a viver e a anunciar o Evangelho. Sei lá, vejo que as nossas paróquias assentam quase todas as baterias nas crianças, para as quais se orienta uma parte substancial dos esforços pastorais. A comparação pode ajudar. É como se, em Portugal, 90% dos médicos fossem pediatras. Restavam 10 % para a população adulta! Vê-se bem que temos de mudar bastantes coisas.

O que se pode esperar do Congresso Missionário recentemente realizado?

Esperar? Por quem ou por quê? É claro que são precisas directrizes. Vamos prepará-las. Mas eu acredito e sei que a aragem do Espírito anda por aí. O assunto diz respeito a todos os baptizados, que não precisam de pedir licenças para evangelizar. Sobretudo os fiéis leigos, cuja acção pode e vai chegar a todos os recantos onde nasce e cresce a vida: na família, no bairro, na escola, na fábrica, no hospital… É importante sensibilizar os sacerdotes. Mas eu concordo com D. Francesco Lambiasi, bispo de Rimini, na Itália, que disse (eu ouvi) e escreveu (eu li): «A evangelização, ou a fazem os leigos ou não se faz». Eles estão e chegam melhor ao coração do mundo. Antevejo uma grande seara em movimento.

19 outubro 2008

82.º DIA MISSIONÁRIO MUNDIAL


Espírito Santo,

que desceste sobre os Apóstolos
e os fizeste anunciadores do Evangelho:

derrama os teus dons sobre cada um de nós
e torna-nos sensíveis aos apelos
e às necessidades dos nossos irmãos;

desperta em muitos corações
(crianças, jovens e adultos...)
o ideal missionário;

dá força e coragem a todos quantos
se entregaram totalmente
ao serviço da MISSÃO.

Amen

16 outubro 2008

PORTUGAL TEM DE INVESTIR NA FORMAÇÃO MISSIONÁRIA

A Agência Ecclesia fez a entrevista que se encontra no seu site e que nós também aqui deixamos para partilhar.
A análise ao compromisso missionário da Igreja Católica em Portugal dá o mote a esta entrevista ao P. Manuel Durães Barbosa, Director das Obras Missionárias Pontifícias no nosso país, que deixa vários alertas às comunidades e aos responsáveis pela sua formação e dinamização.

Agência ECCLESIA (AE) – Outubro é conhecido como o mês missionário. Não há o perigo de nos lembrarmos das missões somente neste mês?

Pe. Durães Barbosa (DB) - A tentação é essa, mas acreditamos que com os diversos elementos fornecidos pelas Obras Missionárias Pontifícias (OMP) e, ultimamente, com o Congresso Missionário a dimensão missionária não se resuma só a este mês. Queremos que seja todo o ano. No entanto, reconhecemos que as forças se concentram no mês de Outubro.

AE – O que fazer para que a dinamização missionária seja uma realidade ao longo dos 12 meses do ano?

DB - Na «Infância missionária» fornecemos elementos para que as crianças vivenciem este espírito. Durante a preparação para o Natal e, depois, na Epifania as crianças vibram de forma muito intensa esta dimensão. Estamos a pensar preparar um guião para a Quaresma, onde será recordado o aspecto missionário da Igreja. Com as conclusões do Congresso Missionário, espero que surjam novas iniciativas e novidades na vivência do Espírito Missionário da Igreja em Portugal.

AE – É a passagem do papel para a práxis pastoral?

DB - Durante o Congresso foi pedido ao Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), D. Jorge Ortiga, e ao Presidente da Comissão Episcopal das Missões, D. António Couto, para não deixarem cair em «saco roto» toda esta vivência, força e dinâmica. Com cerca de 1000 participantes, o Congresso foi uma experiência rica. Espero que a Comissão Episcopal das Missões prepare um documento, «estilo» Carta Pastoral, a aprovar pela CEP, que dê orientações nesta área. É fundamental dinamizar as conclusões do congresso na Igreja em Portugal.

AE – Qual é o ponto prioritário e a concretizar urgentemente?

DB - Criar círculos missionários nas dioceses e espalhá-los depois às paróquias. É necessário que exista um secretariado diocesano que dinamize e irradie toda esta força para as paróquias. Em cada diocese há um responsável pela dinamização missionária, mas é essencial que haja uma equipa que envolva toda a pastoral da diocese. Se tal não acontecer, as coisas não funcionam.

AE – Então pretende estender a dinamização missionária até às paróquias. Criar ramificações do serviço diocesano até às comunidades...

DB - Sim, mas não queremos criar uma casa pelo telhado. Antes de mais, desejamos um secretariado dinâmico que envolva toda a pastoral em cada diocese. Só depois irradiar para as próprias paróquias.

AE – A gesta missionária de Portugal é conhecida. No entanto, assistimos a uma Europa secularizada enquanto o continente africano dá passos na cristianização. Ainda faz sentido enviar missionários para o continente africano?

DB - A Teologia da Missão não tem geografia. A Missão começa com o baptismo e pela vivência da nossa fé. Há uma missão «ad intra» (dentro do próprio país) e uma missão «ad gentes» que continua a ser urgente e prioritária. Bento XVI fala-nos disso na mensagem para o Dia Mundial das Missões. O aspecto «ad gentes» continua prioritário, se bem que a missão inclua trabalhos no próprio país. Podemos encontrar situações «Ad Gentes» no próprio país.

AE – As Congregações Religiosas têm no seu horizonte a Missão «Ad Gentes». O clero Secular também está mobilizado para esta realidade missionária?

DB - Antigamente havia mais formação missionária e uma preocupação maior de criar círculos missionários no próprio seminário. Na diocese de Braga animei (Pe. Durães Barbosa é missionário Espiritano) uma academia missionária que existia dentro do próprio seminário. Actualmente, este aspecto é um pouco esquecido na formação, apesar de termos – com o apoio das Obras Missionárias Pontifícias (OMP) e dos Institutos Missionários Ad Gentes (IMAG) – um curso de Missiologia bienal, durante o mês de Agosto, com professores da Universidade Católica Portuguesa (UCP), mas não pode substituir uma formação missionária. Este curso não é suficiente. Tenho a impressão que este aspecto é descurado, apesar de Portugal ter uma responsabilidade histórica.

AE – Então era conveniente que a UCP leccionasse uma disciplina nesta área?

DB - Quando era Provincial da Congregação do Espírito Santo - apoiado por colegas dos IMAG - pedimos à UCP uma cadeira nesta área. Essa disciplina foi colocada, mas como opção. Verificámos que somente os alunos dos Institutos Missionários frequentavam essa cadeira, mas esses já respiravam o ambiente missionário. Esta disciplina não apanhou aqueles que necessitavam dessa formação. Passados alguns anos, o curso terminou. Temos que envolver mais os bispos para que esta dinâmica cative mais os seminaristas e os responsáveis dos seminários.

AE – A solução passa por uma nova metodologia com o intuito de devolver essa respiração missionária nas várias faixas etárias do povo português?

DB - Ela deve atravessar todas as faixas etárias. A Infância Missionária deve ser mais desenvolvida porque as crianças vibram com esta dimensão. Os jovens são muito sensíveis e abertos às experiências de voluntariado. Os adultos deverão ser alertados, tal como todas as camadas da Igreja com responsabilidade. Todos devem estar imbuídos deste espírito.

AE – A juventude portuguesa tem mostrado disponibilidade, através do voluntariado missionário.

DB - Os jovens estão disponíveis para dar algo mais aos outros. Experiências que se prolongam no tempo...

AE – Então há um florescimento vocacional nas congregações religiosas?

DB - Há bastante entusiasmo na juventude. Só que fazer uma ou duas experiências missionárias não é o mesmo que doar o resto da sua vida pelas missões. Apesar de alguns descobrirem a sua vocação nestas experiências.

AE – Se essa opção radical é difícil não deveriam apostar no marketing missionário?

DB - É necessária muita imaginação.

14 outubro 2008

Mendagem para o Dia Mundial das Missões 2008


"SERVOS E APÓSTOLOS DE JESUS CRISTO"


Queridos irmãos e irmãs


Por ocasião do Dia Missionário Mundial, gostaria de vos convidar a reflectir acerca da urgência que subsiste em anunciar o Evangelho inclusivamente nesta nossa época. O mandato missionário continua a constituir uma prioridade absoluta para todos os baptizados, chamados a ser "servos e apóstolos de Jesus Cristo" neste início de milénio. O meu venerado Predecessor, o Servo de Deus Paulo VI, já afirmava na Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandii, que "evangelizar constitui, de facto, a graça e a vocação própria da Igreja, a sua mais profunda identidade" (n. 14). Como modelo deste compromisso apostólico, apraz-me indicar particularmente São Paulo, o Apóstolo das nações, uma vez que no corrente ano celebramos um Jubileu especial a ele dedicado. Trata-se do Ano Paulino, que nos oferece a oportunidade de nos familiarizar com este insigne Apóstolo, que recebeu a vocação de proclamar o Evangelho aos gentios, em conformidade com o que o Senhor lhe tinha anunciado: "Vai! Porque te envio para longe, para junto dos pagãos" (Act 22, 21). Como deixar de aproveitar a oportunidade oferecida por este Jubileu especial às Igrejas locais, às comunidades cristãs e a cada um dos fiéis separadamente, para propagar até aos extremos confins do mundo "o anúncio do Evangelho, força de Deus para a salvação de todo aquele que acredita" (cf. Rm 1, 16)?


1. A humanidade tem necessidade de libertação A humanidade tem necessidade de ser libertada e redimida. A própria criação, afirma São Paulo, sofre e nutre a esperança de entrar na liberdade dos filhos de Deus (cf. Rm 8, 19-22). Estas palavras são verdadeiras também no mundo de hoje. A criação sofre. A humanidade sofre e espera a verdadeira liberdade, aguarda um mundo diferente, melhor; espera a "redenção". E, em última análise, sabe que este novo mundo, esperado, supõe um homem novo, supõe "filhos de Deus". Vejamos mais de perto a situação do mundo de hoje. Se, por um lado, o panorama internacional apresenta perspectivas de um desenvolvimento económico e social promissor, por outro, chama a nossa atenção para algumas graves preocupações no que diz respeito ao próprio porvir do homem. Em muitos casos, a violência caracteriza os relacionamentos entre os indivíduos e os povos; a pobreza oprime milhões de habitantes; as discriminações e às vezes até as perseguições por motivos raciais, culturais e religiosos impelem numerosas pessoas a fugir dos seus países para procurar refúgio e salvaguarda noutras paragens. Quando não tem como finalidade a dignidade e o bem do homem, quando não tem em vista um desenvolvimento solidário, o progresso tecnológico perde a sua potencialidade de factor de esperança e, pelo contrário, corre o risco de agravar os desequilíbrios e as injustiças já existentes. Além disso, há uma ameaça constante no que se refere à relação homem-meio ambiente, devido ao uso indiscriminado dos recursos, com repercussões sobre a própria saúde física e mental do ser humano. Depois, o futuro do homem é posto em risco pelos atentados contra a sua vida, atentados estes que adquirem várias formas e modalidades. Diante deste cenário, "sentimos o peso da inquietação, agitados entre a esperança e a angústia" (Constituição Guadium et Spes, 4) e, preocupados, interrogamo-nos: o que será da humanidade e da criação? Existe esperança para o futuro, ou melhor, há um futuro para a humanidade? E como será este futuro? A resposta a estas interrogações vem-nos do Evangelho. Cristo é o nosso futuro e, como escrevi na Carta Encíclica Spe Salvi,o seu Evangelho é a comunicação que "transforma a vida", incute a esperança, abre de par em par as portas obscuras do tempo e ilumina o porvir da humanidade e do universo (cf. n. 2). São Paulo compreendeu bem que somente em Cristo a humanidade pode encontrar a redenção e a esperança. Por isso, sentia ser premente e urgente a missão de "anunciar a promessa da vida em Jesus Cristo" (2 Tm 1, 1), "nossa esperança" (1 Tm 1, 1), a fim de que todos os povos possam partilhar a mesma herança e tornar-se participantes da promessa por meio do Evangelho (cf. Ef 3, 6). Ele estava consciente de que, desprovida de Cristo, a humanidade permanece "sem esperança e sem Deus no mundo (Ef 2, 12) sem esperança porque sem Deus" (Spe Salvi, 3). Com efeito, "quem não conhece Deus, mesmo que possa ter muitas esperanças, no fundo está sem esperança, sem a grande esperança que sustenta toda a vida (cf. Ef 2, 12)" (Ibid., n. 27).


2. A Missão é uma questão de amor Por conseguinte, anunciar Cristo e a sua mensagem salvífica constitui um dever premente para todos. "Ai de mim, afirmava São Paulo, se eu não anunciar o Evangelho!" (1 Cor 9, 16). No caminho de Damasco, ele tinha experimentado e compreendido que a redenção e a missão são obra de Deus e do seu amor. O amor de Cristo levou-o a percorrer os caminhos do Império Romano como arauto, apóstolo, anunciador e mestre do Evangelho, do qual se proclamava "embaixador aprisionado" (Ef 6, 20). A caridade divina tornou-o "tudo para todos, a fim de salvar alguns a qualquer custo" (1 Cor 9, 22). Considerando a experiência de São Paulo, compreendemos que a actividade missionária é a resposta ao amor com que Deus nos ama. O seu amor redime-nos e impele-nos rumo à missio ad gentes; é a energia espiritual, capaz de fazer crescer na família humana a harmonia, a justiça, a comunhão entre as pessoas, as raças e os povos, à qual todos aspiram (cf. Carta Encíclica Deus caritas est 12). Portanto é Deus, que é amor, quem conduz a Igreja rumo às fronteiras da humanidade e quem chama os evangelizadores a beberem "da fonte primeira e originária que é Jesus Cristo, de cujo Coração trespassado brota o amor de Deus" (Deus caritas est, 7). Somente deste manancial se podem haurir a atenção, a ternura, a compaixão, o acolhimento, a disponibilidade e o interesse pelos problemas das pessoas, assim como aquelas outras virtudes necessárias para que os mensageiros do Evangelho deixem tudo e se dediquem completa e incondicionalmente a difundir no mundo o perfume da caridade de Cristo.


3. Evangelizar sempre Enquanto a primeira evangelização em não muitas regiões do mundo permanece necessária e urgente, a escassez de clero e a falta de vocações afligem hoje várias Dioceses e Institutos de vida consagrada. É importante reiterar que, mesmo na presença de dificuldades crescentes, o mandato de Cristo de evangelizar todos os povos permanece uma prioridade. Nenhuma razão pode justificar uma sua diminuição ou uma sua interrupção, dado que "a tarefa de evangelizar todos os homens constitui a missão essencial da Igreja" (Paulo VI, Exortação Apostólica Evangelii Nutiandii,14). Esta missão "ainda está no começo e devemos empenhar-nos com todas as forças no seu serviço" (João Paulo II, Carta Encíclica Redemptoris Missio 1). Como deixar de pensar aqui no macedónio que, tendo aparecido em sonhos a Paulo, clamava: "Vem à Macedónia e ajuda-nos"? Hoje são inúmeros aqueles que esperam o anúncio do Evangelho, aqueles que se sentem sequiosos de esperança e de amor. Quantos se deixam interpelar profundamente por este pedido de ajuda que se eleva da humanidade: abandonam tudo por Cristo e transmitem aos homens a fé e o amor por Ele! (cf. Spe Salvi, 8).


4. "Ai de mim se eu não anunciar o Evangelho!" (1 Cor 9, 16) Caros irmãos e irmãs, "duc in altum"! Façamo-nos ao largo no vasto mar do mundo e, aceitando o convite de Jesus, lancemos as redes sem temor, confiantes na sua ajuda constante. São Paulo recorda-nos que anunciar o Evangelho não é um título de glória (cf. 1 Cor 9, 16), mas uma tarefa e uma alegria. Estimados irmãos Bispos, seguindo o exemplo de Paulo, cada um se sinta "prisioneiro de Cristo em favor dos pagãos" (Ef 3, 1), consciente de que nas dificuldades e nas provações pode contar com a força que dele provém. O Bispo é consagrado não apenas para a sua diocese, mas para a salvação do mundo inteiro (cf. Carta Encíclica Redemptoris Missio 63). Como o Apóstolo Paulo, ele é chamado a ir ao encontro daqueles que estão distantes, dos que ainda não conhecem Cristo, ou que ainda não experimentaram o seu amor libertador; o seu compromisso consiste em tornar missionária toda a comunidade diocesana, contribuindo de bom grado, em conformidade com as possibilidades, para destinar presbíteros e leigos a outras Igrejas, para o serviço da evangelização. Assim, a missio ad gentes torna-se o princípio unificador e convergente de toda a sua actividade pastoral e caritativa. Vós, queridos presbíteros, primeiros colaboradores dos Bispos, sede pastores generosos e evangelizadores entusiastas! Não poucos de vós, ao longo destas décadas, partiram para os territórios de missão, a seguir à Carta Encíclica Fidei Donum, cujo 50º aniversário há pouco comemorámos, e com a qual o meu venerado Predecessor o Servo de Deus Pio XII deu impulso à cooperação entre as Igrejas. Formulo votos para que não esmoreça o ânimo missionário nas Igrejas locais, apesar da escassez de clero que aflige não poucas delas. E vós, amados religiosos e religiosas, caracterizados, dada a vossa vocação por uma forte conotação missionária, levai o anúncio do Evangelho a todos, especialmente aos que estão distantes, mediante um testemunho coerente de Cristo e um seguimento radical do seu Evangelho. Todos vós, prezados fiéis leigos que trabalhais nos diversos âmbitos da sociedade, sois chamados a participar na difusão do Evangelho de maneira cada vez mais relevante. Assim, abre-se diante de vós um areópago complexo e multifacetado a ser evangelizado: o Mundo. Dai testemunho, com a vossa própria vida, do facto de que os cristãos "pertencem a uma sociedade nova, rumo à qual caminham e que, na sua peregrinação, é antecipada" (Spe Salvi 4).


5. Conclusão Caros irmãos e irmãs, que a celebração do Dia Missionário Mundial encoraje todos vós a tomar uma renovada consciência da urgente necessidade de anunciar o Evangelho. Não posso deixar de destacar, com profundo apreço, a contribuição das Pontifícias Obras Missionárias para a acção evangelizadora da Igreja. Agradeço-lhes o apoio que oferecem a todas as Comunidades, de maneira especial às mais jovens. Elas constituem um válido instrumento para animar e formar missionariamente o Povo de Deus, e alimentam a comunhão de pessoas e de bens entre os vários membros do Corpo místico de Cristo. A colecta, que no Dia Missionário Mundial se realiza em todas as paróquias, seja um sinal de comunhão e de solicitude recíproca entre as Igrejas. Enfim, que no povo cristão se intensifique cada vez mais a oração, meio espiritual indispensável para difundir no meio de todos os povos a luz de Cristo, "a luz por antonomásia" que resplandece sobre "as trevas da história" (Spe Salvi, 49). Enquanto confio ao Senhor a obra apostólica dos missionários, das Igrejas espalhadas pelo mundo e dos fiéis comprometidos em várias actividades missionárias, invocando a intercessão do Apóstolo Paulo e de Maria Santíssima, "Arca da Aliança viva", Estrela da evangelização e da esperança, concedo a todos a Bênção apostólica.

Vaticano, 11 de Maio de 2008.

BENTO XVI

01 outubro 2008

SANTA TERESINHA DO MENINO JESUS, Padroeira das Missões


A Vós, Santa Teresinha
Através das Vossas súplicas e do Vosso exemplo de santidade,
Intercedeis para que fiquemos sempre mais perto do Senhor Jesus,
E fazeis com que as vossas preces, sempre tão agradáveis ao Menino Jesus,
Descortine nossa visão, para que possamos contemplar a face do Justo Senhor
E para que, assim, sejamos abençoados em nossa caminhada de fé.
Assiste-nos, meiga e afetuosa eleita, para que o Senhor Jesus,
Estendendo sobre nós a resignação dos justos,
Faça prosperar em nossas almas a virtude do amor.
Rogamos, ainda, que pela força do nosso clamor,
Sejamos amparados pelo teu obsequioso auxílio
Que o Senhor Jesus, com a vossa insigne intervenção,
Mantenha-se a controlar nossas alegrias e aflições,
Dando-nos o firme impulso para a nossa vocação missionária.

Amém.