26 agosto 2010

Centro de Animassão Missionária a nascer na Arquidiocese de Braga


Até agora, a sensibilização das comunidades católicas para a importância da transmissão da mensagem evangélica em territórios que a desconheciam ou onde estava pouco enraizada – a chamada “Missão” – era promovida por congregações missionárias.

A estratégia, que vigorou na Igreja portuguesa durante muitos anos, está prestes a mudar. Em Braga, o Arcebispo D. Jorge Ortiga quer que a abordagem ao trabalho missionário parta das estruturas diocesanas, sem deixar de contar com o apoio dos institutos religiosos.

Os Animadores Missionários Ad Gentes (ANIMAG), organismo constituído por congregações masculinas e femininas dedicadas ao anúncio do cristianismo, propuseram ao prelado uma parceria para a dinamização da actividade missionária na arquidiocese.

D. Jorge Ortiga aceitou a colaboração mas decidiu que deve ser a diocese a assumir a “Missão”, uma mudança de perspectiva que foi bem acolhida pelos religiosos.

“Antes, os missionários deixavam a semente na diocese. Mas ela é que tem que ter a iniciativa, ela é que tem de ser o ponto de partida”, salientou à Agência ECCLESIA Fr. José Dias de Lima.

O trabalho que os membros do ANIMAG têm realizado através de encontros com paróquias e grupos em todo o país “podia dar a ideia de ser desgarrado das dioceses, embora tudo o que fazemos seja em comunhão com os bispos”, disse o religioso franciscano, que é responsável pelo memorando da criação do Centro Missionário Diocesano Bracarense.

No entender de Fr. José Lima, um dos religiosos empenhados na criação deste novo organismo, a diocese “é que tem que ser missionária de si própria”, pelo que esta estrutura “é para que o bispo seja o primeiro missionário de todos os diocesanos”.

Resposta às orientações dos bispos

A ideia começou a germinar em Janeiro de 2010, durante um encontro que reuniu o arcebispo de Braga e delegados de Institutos Missionários masculinos e femininos presentes naquela circunscrição eclesiástica.

Os propósitos do Centro foram confirmados pela Carta Pastoral subscrita pelos bispos de Portugal a 17 de Junho último.

O documento, intitulado “Para um rosto missionário da Igreja em Portugal”, determina a constituição de “Grupos Missionários Paroquiais” que trabalhem com as Obras Missionárias Pontifícias e os Institutos Missionários”, com o objectivo de “fazer com que a missão universal ganhe corpo em todos os âmbitos da pastoral e da vida cristã”.

De acordo com Fr. José Lima, o Departamento pretende que os fiéis da arquidiocese tomem consciência de que “todo o cristão é missionário” e que esta dimensão, adquirida no sacramento do Crisma, não pertence apenas “aos padres e freiras”.

A nova estrutura quer também que os fiéis ganhem consciência de que “a terra de missão não é somente fora de fronteiras. Portugal e a diocese de Braga também são territórios de missão por causa da desertificação das aldeias e a falta de vocações”, afirmou o religioso.

Neste sentido, prosseguiu, “o primeiro objectivo do Centro Missionário não é tratar das missões ad extra [noutros países ou regiões], porque para isso existem os institutos missionários. A prioridade é começar por evangelizar a própria diocese. Só depois é que é possível começar a enviar padres, religiosos e leigos para outros territórios, porque ninguém pode dar o que não tem”.

O Centro Missionário vai incluir representantes de Institutos e Congregações religiosas de todos os carismas, clero diocesano e leigos – quatro membros por cada um destes grupos –, devendo ter um máximo de 15 pessoas.

Para Fr. José Dias de Lima, o novo organismo, “mais do que estar fechado em si próprio”, deve partilhar ideias com as estruturas análogas das outras dioceses, de forma a respeitar as prioridades que se impõem na realidade local e, ao mesmo tempo, ser capaz de manifestar “a unidade como Igreja, a nível do episcopado português”.

A escolha dos membros que vão integrar o Centro e a redacção dos estatutos serão as etapas seguintes na constituição desta estrutura diocesana.

Europa a morrer em termos vocacionais

O conceito de “terra de missão”, tradicionalmente ligado à difusão do cristianismo fora da Europa, acabou por se alargar a este território.

Fr. José Lima considera que o Velho Continente “está a morrer vocacionalmente” e confessa a sua “tristeza” por ver colegas seus a abandonar a consagração religiosa.

“Nesta crise vocacional, em que há poucos a entrar e alguns a abandonar, a verdade é que o ar fresco da Igreja está a vir da Ásia e de África”, constata o frade franciscano.

“É urgente – acrescenta – que a diocese se torne missionária, para começarmos a dar aos nossos jovens motivos para deixarem de ir tanto à discoteca e frequentarem mais a igreja; de deixarem de procurar na moda, no desporto e na música os seus orientadores de vida e descubram que Cristo é o modelo dos modelos.”

Voltando o seu olhar para a realidade portuguesa, o Franciscano mostra-se convicto de que “parte das nossas dioceses está morta”: “A vida de muitas delas é vegetativa. Não é uma vida cristã activa e comprometida”.

Este religioso considera que as estruturas diocesanas têm sido, quase sempre, espectadoras passivas do trabalho de sensibilização missionária realizado pelas congregações religiosas, limitando o seu envolvimento à celebração do Dia Mundial das Missões, em Outubro.

E se é verdade que os bispos “não assumem muito a tarefa missionária”, também é certo que “nunca nos negaram o apoio, confiaram sempre em nós e deixaram-nos abrir as suas paróquias à missão”, reconheceu Fr. José Lima.

“Não houve um compromisso directo” por parte dos prelados, mas indirectamente, no apoio dado aos institutos missionários os senhores bispos têm manifestado muito carinho pelas missões”, conclui.

in Agência Ecclesia

Papa lembra 100.º aniversário do nascimento da Beata de Calcutá


Bento XVI assinalou hoje o 100.º aniversário do nascimento de Madre Teresa de Calcutá com uma mensagem, na qual apresenta a Beata como um “dom inestimável” para a Igreja e o mundo.

O Papa escreveu à Superiora Geral das Missionários da Caridade, a Irmã Mary Prema, unindo-se “espiritualmente” às celebrações.

Para Bento XVI, o aniversário deste dia 26 de Agosto é uma oportunidade para manifestar “alegre gratidão a Deus pelo dom inestimável que a Madre Teresa foi durante a sua vida”.

A mensagem foi lida durante uma Missa celebrada na casa-mãe da congregação fundada pela Beata, em Calcutá (Índia), presidida pelo Arcebispo local, D. Lucas Sirkar.

O texto assinado pelo Papa pede que as Missionárias da Caridade continuem o trabalho de Madre Teresa, “aproximando-se da pessoa de Jesus, cuja sede de almas é saciada pelo vosso ministério junto dos mais pobres dos pobres”.

Bento XVI convida as religiosas a "doar-se generosamente a Jesus, que vedes e servis nos pobres, nos doentes, nos sós e abandonados".

"Encorajo-vos a aprender constantemente da espiritualidade e do exemplo de Madre Teresa e, nos seus passos, aceitar o convite de Cristo: «Vem, sê a minha luz»", acrescenta.

Considerada uma das mulheres mais influentes do século XX, Agnes Gonxha Bojaxhiu nasceu na actual Skopje, capital da Macedónia (à época Üsküb, integrada no império Otomano), a 26 de Agosto de 1910. Deixou a sua terra natal em Setembro de 1928, entrando no convento de Rathfarnam (Dublin), Irlanda. Ali foi acolhida como postulante no dia 12 de Outubro e recebeu o nome de Teresa, como a sua padroeira, Santa Teresa de Lisieux.

Foi enviada pela congregação do Loreto para a Índia e chegou a Calcutá no dia 6 de Janeiro de 1929, com 19 anos. Fez a profissão perpétua a 24 de Maio de 1937 e daquele dia em diante foi chamada Madre Teresa.

No dia 10 de Setembro de 1946, no comboio que a conduzia de Calcutá para Darjeeling, Madre Tereza recebeu aquilo que ela chamou “chamamento no chamamento”, que teria feito nascer a família dos Missionários da Caridade.

Ao longo dos anos 50 e no início dos anos 60, Madre Teresa estendeu a obra das Missionárias da Caridade seja internamente dentro Calcutá, seja em toda a Índia. No dia 1 de Fevereiro de 1965, Paulo VI concedeu à Congregação o “Decretum Laudis”, elevando-a a direito pontifício.

Em 1979, Madre Teresa recebeu o Prémio Nobel da Paz, como reconhecimento pelo seu trabalho.

No final dos anos 80 e durante os anos 90, não obstante os crescentes problemas de saúde, Madre Teresa continuou a viajar pelo mundo para a profissão das noviças, para abrir novas casas de missão e para servir os pobres e aqueles que tinham sido atingidos por diversas calamidades.

Às 9h30 da noite do dia 5 de Setembro de 1997, morreu na Casa Geral. No dia 13 de Setembro teve um funeral de Estado e o seu corpo foi conduzido num longo cortejo através as estradas de Calcutá.

Foi beatificada por João Paulo II a 19 de Outubro de 2003, após o Papa polaco ter dispensado o período de espera de 5 anos para a abertura da Causa de Canonização.

in Agência Ecclesia

24 agosto 2010

Resolver lacunas na pastoral missionária

Começou em Fátima, a edição 2010 do Curso de Missiologia, uma iniciativa dos Institutos Missionários Ad Gentes (IMAG) e das Obras Missionárias Pontifícias (OMP), e que tem como objectivo dar a conhecer, a todos os baptizados, quais são os fundamentos da missão, em Igreja.

Trata-se de um curso bienal, que tem sempre lugar na última semana de Agosto, nas instalações dos Missionários da Consolata, em Fátima.

A organização tem procurado, ao longo dos anos, preparar o curso para que ele preencha uma lacuna da Igreja, ao nível da pastoral missionária.

Segundo o padre Albino Brás, responsável pelo curso, “a Igreja, em Portugal, coloca a dimensão missionária quase como se fosse um parente pobre e da exclusiva responsabilidade dos institutos missionários”.

Algo que, para aquele sacerdote, “não tem sentido, porque a dimensão missionária tem a mesma dignidade e deveria ter a mesma densidade, no dinamismo pastoral da Igreja, como têm as dimensões catequética, bíblica ou litúrgica, sócio-caritativa ou a pastoral juvenil”.

“Quando a Igreja deixa de ser missionária passa a ser um corpo amorfo que não dinamiza, não parte em missão, não evangeliza”, reforça o mesmo responsável.

O padre Albino Brás demonstra essa lacuna olhando para os 41 inscritos no curso, onde “apenas se encontra um sacerdote diocesano”.

Por outro lado, é com agrado que vê “um bom número de leigos inscritos”, ligados a várias congregações missionárias e a outros grupos e movimentos paroquiais.

“Graças a Deus, eu creio que o dinamismo da Igreja, ultimamente, está exactamente aí, na força e no protagonismo dos leigos”, refere o sacerdote.

O IMAG olha com esperança para as conclusões saídas da última assembleia dos bispos de Portugal, em Junho, onde foi aprovada a Carta Pastoral sobre o Rosto Missionário da Igreja.

“Vai ser discernido na assembleia anual do IMAG, agora em Novembro, e vamos procurar esmiuçar o documento para transformá-lo em directrizes da acção pastoral, tentando mudar um bocado esta realidade da Igreja portuguesa”, revela o padre Albino Brás.

O Curso de Missiologia termina no próximo dia 28 e vai incidir sobre os fundamentos bíblicos e históricos da missão, apoiando-se na leitura das cartas de São Paulo, dos evangelhos, nas grandes figuras missionárias e nas encíclicas papais, que foram abordando a temática ao longo dos tempos.

Outra grande parte do curso será dedicada aos desafios da evangelização e do encontro de culturas. A figura da mulher, enquanto sujeito e destinatário de missão e a natureza do seu papel na Igreja, vai ser outro assunto em destaque.

O padre Albino Brás explica esta grande diversidade de assuntos com o facto de “a missão, hoje em dia, já não ser exclusivamente um lugar geográfico”, como acontecia no início. “É o próprio espaço do coração, daquele que vai ao encontro e que acolhe o outro nas suas diferenças”, explica o sacerdote.

Por isso, pretende-se que os participantes do curso fiquem não apenas com noções de teologia, mas também com ideias claras ao nível da antropologia, da cultura, dos direitos humanos, para que possam compreender melhor os povos que visitem em missão.


in Agência Ecclesia

23 agosto 2010

Homilia de encerramento da Peregrinação Diocesana a Fátima 2010

Sr.Reitor do Santuário,

Sr.s Padres, diáconos e outros ministros do altar,

Irmãos e irmãs,

Peregrinos,

Estamos em peregrinação ao Santuário de Fátima e a Diocese da Guarda cumpre uma tradição que é mais do que cinquentenária.

De início peregrinação a pão e água, agora queremos que continue a ser verdadeiramente peregrinação, feita de penitência e oração, como recomenda a mensagem de Fátima.

Fazemos a nossa peregrinação no dia em que se cumpre o aniversário da quarta aparição de Nossa Senhora, como ouvimos na introdução feita a esta celebração. Escutamos, à distância de 93 anos, o apelo feito por Nossa Senhora aos três pastorinhos, pedindo-lhes que rezassem, rezassem muito pela conversão dos pecadores. E acrescentou: “Há muitas almas que vão para o inferno por não haver quem reze e se sacrifique por elas”.

O pedido de oração e penitência não perdeu nenhuma actualidade e nós estamos aqui, em peregrinação, para lhe dar cumprimento.

Peregrinamos ao Santuário de Fátima também três meses depois da visita que nos fez o Santo Padre Bento XVI. Continua muito presente neste Santuário o seu apelo para vivermos a sério a Fé e a Missão em que ela nos compromete.

E quando nos falava em missão, o Papa sublinhava que agora o critério decisivo para definirmos o que são terras de missão já não é a geografria. Ou seja, terras de missão não são apenas aquelas que estão longe de nós e onde nunca se ouviu falar de Jesus Cristo. Ao contrário, há ambientes muito próximos de nós que um dia foram tocados pelo Evangelho e ainda permanecem com muita simbologia e muitas tradições de Fé, mas agora se encontram realmente afastadas de Cristo. Sobretudo há muitas pessoas que um dia foram baptizadas, fizeram o seu percurso de Fé durante a infância, mas depois se afastaram do Evangelho. Terrenos de missão são para nós hoje também estas pessoas e estes ambientes, o que nos obriga a, de forna criativa, procurar os caminhos mais indicados para promover o seu reencontro com a Fé. É isto a nova evangelização que a Igreja nos recomenda.

A este apelo do Papa quer responder a Igreja em Portugal com coragem e determinação. Por isso, a Conferência Episcopal Portuguesa já desencadeou um processo que pretendemos seja participado pelo maior número de cristãos e instâncias decisórias das distintas comunidades cristãs, a que chamou “Repensar a pastoral da Igreja em Portugal”. Duas notas estão à partida a marcar este processo de reflexão e decisão: uma delas é que precisamos de renovar a Fé em nós e nas nossas comunidades; a outra é que da Fé faz parte a missão.

Também nós queremos hoje colocar aos pés de Nossa Senhora esta grande preocupação da Igreja em Portugal e procurar que seja cada vez mais a grande preocupação de cada um de nós.

Escutámos o Evangelho que hoje nos convida a acolher a Palavra de Deus e a pô-la em prática. Esse é o exemplo e o apelo de Nossa Senhora. Ela é de facto a primeira discípula de Cristo e o modelo de quem acolhe a Palavra Eterna de Deus, na Pessoa de Seu Filho Nosso Senhor Jesus Cristo Salvador.

Também nós queremos sentir como Maria que a Palvra de Deus nos congrega e nos envia. Podemos fazer a experiência da escuta da Palavra individualmente; mas o que nos é pedido é que o façamos em comunidade, em grupos de escuta, de partilha e de discernimento dos caminhos por onde há-de ser conduzida a missão em que a mesma Palavra também nos compromete.

Para isso é importante que as nossas paróquias ou mesmo unidades pastorais sejam progressivamente comunhão de comunidades mais pequenas. Comunidades onde as pessoas se conhecem, se relacionam intensamente, se ajudam a superar dificuldades e a viver a vida com esperança.

Ao mesmo tempo é necessário promover também a comunhão de serviços e a valorização dos carismas para que todas e cada uma das pessoas se sintam bem a participar na vida da comunidade.

A Palavra de Deus, estando no centro da vida das pessoas e das comunidades, é a luz e a força que nos há-de ajudar a encontrar os caminhos da renovação da Fé, contribuindo, assim, também para uma vida social onde há lugar para todos e ninguém se sente à margem.

Ao iniciarmos um novo ano pastoral, queremos pedir a Nossa Senhora que coloque sobre todos nós e nossas comunidades o seu olhar de Mãe e o seu manto de protecção.

Assim, com o modelo de Maria à nossa frente, queremos que este ano pastoral nos ajude a progredir na nossa condição de discípulos missionários.

Igreja da Santíssima Trindade, 19 de Agosto de 2010

+Manuel R. Felício, Bispo da Guarda

17 agosto 2010

Papa propõe “ecumenismo da santidade” do Irmão Roger

No 70º aniversário da fundação de Taizé e 5º de falecimento do seu fundador

Bento XVI desejou que o testemunho "de um ecumenismo da santidade" do fundador de Taizé, o Irmão Roger, "nos inspire em nosso caminho rumo à unidade".

Este foi o destaque de uma mensagem enviada pelo atual prior da comunidade de Taizé, o Irmão Alois, por ocasião do duplo aniversário - dos 70 anos da fundação da comunidade de Taizé e dos 5 anos da morte do seu fundador, o Irmão Roger.

Cerca de 5 mil pessoas comemoraram os eventos em Taizé, no último dia 14 de agosto, com a entrada de um novo irmão na comunidade, uma oração e uma peregrinação, segundo informou a comunidade de Taizé.

O ato começou às 19h30, em um grande campo, ao lado do povoado francês de Taizé, com a celebração, ao ar livre, da oração comum.

Um jovem italiano que havia entrado há algum tempo na comunidade, vestiu o hábito branco dos irmãos desta comunidade ecumênica.

A oração foi enriquecida com cantos, um texto bíblico lido em vários idiomas por jovens de diversos continentes e um momento de silêncio.

A seguir, os irmãos e os milhares de jovens de 70 países, que acabavam de passar uma semana em Taizé, assim como algumas crianças, atravessaram o pequeno povoado em peregrinação.

Passaram na frente do cemitério da pequena igreja românica onde descansam os restos mortais do Irmão Roger e onde foi colocado, para a ocasião, o ícone egípcio da amizade, que era muito querido pelo fundador da comunidade.

E se dirigiram à igreja da Reconciliação, onde foi lida a passagem da Ressurreição; e os participantes acenderam milhares de pequenas velas, como símbolo da esperança na ressurreição.

O Irmão Alois pronunciou as únicas palavras do ato: uma oração na qual agradeceu "pela vida entregue do nosso Irmão Roger, que nos deixou há 5 anos e que há 70 chegou sozinho a este povoado de Taizé".

A oração recordou alguns aspectos do fundador de Taizé: "Ele procurava viver ardentemente da vossa confiança e transmitir vossa bondade infinita a cada ser humano".

"Nessa confiança, Vós lhe concedestes encontrar a fonte da alegria e da paz; a paz do coração, que foi o que fez dele um criador de paz entre os homens", continuou o prior.

"Como São João Batista, ele só queria preparar os caminhos de Cristo e reunir vosso povo para dizer a todos que 'Deus está muito perto de vós'", acrescentou.

Entre outras coisas, recordou que o Irmão Roger, "ainda que pobre e vulnerável - usando suas próprias expressões -, escolheu amar com todas as suas forças".

"Amava a Igreja, que reúne os crentes em uma única comunhão, muito além de todas as fronteiras políticas, sociais ou culturais - afirmou. Este era, para ele, o sinal de esperança de uma humanidade reconciliada."

Por ocasião do aniversário, numerosas personalidades enviaram mensagens à comunidade de Taizé, entre elas o Papa Bento XVI, os patriarcas de Constantinopla e de Moscou, o arcebispo da Cantuária e os responsáveis luteranos reformados.

16 agosto 2010

Para um rosto missionário da Igreja em Portugal V (conclusão)

Fiéis leigos: contributo indispensável no coração do mundo


24. Em 1975, dez anos após a realização do Concílio, Paulo VI saudava, com particular afecto, os fiéis leigos envolvidos na actividade missionária: «Devemos também a nossa particular estima a todos os fiéis leigos que aceitam dedicar uma parte do seu tempo, das suas energias, e, por vezes, a vida inteira, ao serviço das missões»[55]. E João Paulo II salientava, com inteira justiça, em 1990, entre os «muitos frutos missionários do Concílio», «o empenhamento dos leigos no serviço da evangelização, que está a mudar a vida eclesial»[56]. O mesmo podemos constatar em Portugal, sobretudo através dos jovens que todos os anos, e cada vez em maior número, doam, com alegria e generosidade, um pouco da sua vida ao mundo missionário, e que regressam com novo entusiasmo, que temos de saber acolher, estimular e multiplicar, e nunca ignorar, esquecer ou reprimir. Mas já o Decreto Ad Gentes salientava a seu tempo a importância da presença imprescindível dos fiéis leigos, do testemunho que devem dar, e o cuidado que se deve pôr na sua formação: «A Igreja não está fundada verdadeiramente, nem vive plenamente, nem é o sinal perfeito de Cristo entre os homens se, com a hierarquia, não existe e trabalha um laicado autêntico. De facto, sem a presença activa dos leigos, o Evangelho não pode gravar-se profundamente nos espíritos, na vida e no trabalho de um povo. Por isso, é necessário desde a fundação da Igreja prestar grande atenção à formação de um laicado cristão amadurecido (…). O principal dever deles, homens e mulheres, é o testemunho de Cristo, que eles têm obrigação de dar, pela sua vida e palavras, na família, no grupo social, no meio profissional»[57].

25. E Paulo VI, na Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi, salienta bem algumas áreas sensíveis, onde a acção evangelizadora dos fiéis leigos pode ser determinante: «O campo próprio da sua actividade evangelizadora é o mundo vasto e complicado da política, da realidade social e da economia, mas também da cultura, das ciências e das artes, da vida internacional, dos “mass media”, e ainda outras realidades abertas à evangelização, como são o amor, a família, a educação das crianças e dos adolescentes, o trabalho profissional e o sofrimento»[58]. E Bento XVI lembrou aos Bispos portugueses que «os tempos em que vivemos exigem um novo vigor missionário dos cristãos, chamados a formar um laicado maduro, identificado com a Igreja e solidário com a complexa transformação do mundo», e insistiu em que «há necessidade de verdadeiras testemunhas de Jesus Cristo, sobretudo nos meios humanos onde o silêncio da fé é mais amplo e profundo», e salientou a propósito os meios «políticos, intelectuais e dos profissionais da comunicação»[59]. É, portanto, imperioso constituir, preparar e formar grupos consistentes de evangelização, também por áreas profissionais, uma verdadeira rede de evangelização, que, no coração do mundo, sinta a alegria de levar o Evangelho a todos os sectores da vida, desde a família, à escola, ao trabalho, aos tempos livres, à solidão, à dor.

26. É urgente saber aproveitar todas as oportunidades, mas também saber provocá-las, e lançar mão de capacidades e aptidões, mas também saber cultivá-las, para oferecer o Evangelho ao nosso mundo. Neste domínio, as crianças e os jovens, quando devidamente preparados e estimulados, parecem particularmente aptos para criar relações de simpatia e de acolhimento, de modo a saberem dar o Evangelho juntamente com a sua própria vida (cf. 1 Ts 2,8), estabelecendo relações significativas com as pessoas que frequentam a Igreja, com as que estão «à porta», e também no caminho ou na estrada. Neste sentido, as crianças e os jovens podem tornar-se os mais eficazes evangelizadores das crianças e dos jovens, mas também dos adultos e idosos, dado o seu interesse pelos outros e por tudo o que é novo. Neste sentido, também os jovens ouviram palavras de estímulo do Papa Bento XVI: «Jovens amigos […], testemunhai a alegria desta sua [de Jesus Cristo] presença forte e suave, a todos, a começar pelos da vossa idade. Dizei-lhes que é belo ser amigo de Jesus e que vale a pena segui-l’O[60]». A altura em que recebem o sacramento da Confirmação constitui uma oportunidade especial para serem familiarizados com o mandato missionário da Igreja, e para lhes serem confiadas tarefas missionárias que sejam capazes de assumir.

27. E, porque levamos ainda connosco, com amor, os traços mais salientes da memória viva do Ano Paulino, não podemos deixar de evocar e invocar, e, se possível, imitar, essa figura ímpar do «maior missionário de todos os tempos»[61] e «modelo de cada evangelizador»[62], que se dedicou ao Evangelho a tempo inteiro e de corpo inteiro, adscrevendo muitas vezes ao seu nome os títulos de «servo» e «apóstolo». A sua dedicação total, gerando comunidades (1 Cor 4,14-15; Flm 10), dando-as à luz (Gl 4,19), velando zelosamente por elas (2 Cor 11,2; 12,14-15), acalentando-as e exortando-as, como uma mãe ou um pai (1 Ts 2,2-12)[63], e rodeando-se de uma vasta rede de muitos e bons e bem formados cooperadores, deve continuar a iluminar os nossos passos.

28. Que Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe, Senhora da Anunciação e da Saudação, vele por nós, nos molde no seu jeito maternal e evangelizador, e abençoe os nossos trabalhos e propósitos.

Senhora da Anunciação,
que corres ligeira sobre os montes,
vela por nós,
fica à nossa beira.
É bom ter a esperança como companheira.

Contigo rezamos ao Senhor:
Dá-nos, Senhor,
um coração sensível e fraterno,
capaz de escutar
e de recomeçar.

Mantém-nos reunidos, Senhor,
à volta do pão e da palavra.
Ajuda-nos a discernir
os rumos a seguir
nos caminhos sinuosos deste tempo,
por Ti semeado e por Ti redimido.

Ensina-nos a tornar a tua Igreja toda missionária,
e a fazer de cada paróquia,
que é a Igreja a residir no meio das casas dos teus filhos e filhas,
uma Casa grande, aberta e feliz,
átrio de fraternidade,
de onde se possa sempre ver o céu,
e o céu nos possa sempre ver a nós.


Fátima, 17 de Junho de 2010


[55] PAULO VI, Evangelii Nuntiandi, 73.

[56] JOÃO PAULO II, Redemptoris Missio, 2.

[57] CONCÍLIO VATICANO II, Ad Gentes, 21.

[58] PAULO VI, Evangelii Nuntiandi, 70; ver também, no mesmo espírito, CONSELHO EPISCOPAL LATINO-AMERICANO, Documento de Aparecida, 174 e 210.

[59] BENTO XVI, Discurso no Encontro com os Bispos de Portugal, Fátima, 13 de Maio de 2010.

[60] BENTO XVI, Homilia da Santa Missa, Praça do Terreiro do Paço, Lisboa, 11 de Maio de 2010.

[61] O Papa Bento XVI consagra esta expressão na sua Mensagem para o 45.º Dia Mundial de Oração pelas Vocações (13 de Abril de 2008), 3. A Mensagem traz a data de 3 de Dezembro e 2007.

[62] PAULO VI, Evangelii Nuntiandi, 79.

[63] PAULO VI, Evangelii Nuntiandi, 79.

13 agosto 2010

Para um rosto missionário da Igreja em Portugal IV

Todos evangelizados, todos evangelizadores


12. Sendo o mandato de evangelizar todas as pessoas a missão essencial de toda a Igreja[19], que, por isso, vem antes de tudo e está acima de tudo, então a missão não pode ser apenas o ponto conclusivo dos nossos programas pastorais, mas o seu horizonte permanente e o seu paradigma por excelência, a alma de toda a programação e de todos os itinerários de formação cristã. Não nos podemos mais contentar em evangelizar alguém apenas até um certo ponto. É imperioso e urgente sentir e viver a necessidade de evangelizar o outro até que ele sinta a necessidade de se transformar ele próprio em evangelizador. Chegou o tempo de se «oferecer a todos os fiéis uma iniciação cristã exigente e atractiva, comunicadora da integridade da fé e da espiritualidade radicada no Evangelho, formadora de agentes livres no meio da vida pública»[20]. Então sim, evangelizar será a nossa maneira de ser, porque é a nossa identidade mais profunda, graça e vocação recebidas, vividas, correspondidas. Paulo VI assentou bem estes fundamentos e lembrou-nos que «a Igreja existe para Evangelizar»[21], e a Congregação para o Clero explicita que «[a Igreja] existe mesmo só para esta tarefa»[22]. São luminosas as palavras de João Paulo II: «A missão renova a Igreja, revigora a sua fé e identidade, dá-lhe novo entusiasmo e novas motivações. A fé fortalece-se, dando-a»[23]. E o Papa Bento XVI acaba de recordar «às Igrejas antigas como às de recente fundação» que «a missão ad gentes deve ser a prioridade dos seus planos pastorais»[24]. Não é uma perca, mas um enriquecimento para a pastoral, uma ajuda às comunidades em ordem à conversão de objectivos, métodos, organização e em responder com confiança ao mal-estar que muitas vezes se experimenta.

13. A Declaração Final do III Congresso Americano Missionário lembrou a propósito que esta maneira de ver «implica conversão pessoal e mudança de estruturas pastorais de modo que o Evangelho possa chegar a todos os homens e mulheres sedentos de Deus»[25]. Já o Concílio Vaticano II tinha deixado expresso que «a comunidade local não deve ocupar-se apenas dos seus próprios fiéis; deve ter espírito missionário e abrir o caminho a todos os homens para Cristo»[26]. Impõe-se, portanto, uma profunda renovação interior e de estruturas pastorais. Recuperando e dando sentido pleno àquele «como Eu vos fiz…» (Jo 13,15), «como Eu vos amei…» (Jo 13,34; 15,12), «como o Pai me enviou…» (Jo 20,21), «a Igreja necessita de uma forte “comoção”, que a impeça de se instalar na comodidade, na estagnação e na indiferença, à margem do sofrimento dos pobres»[27], dos excluídos, dos explorados, dos marginalizados. Precisamos de deixar muitas coisas: ouro, prata, cobre, bolsas, túnicas, sandálias, bastão (cf. Mt 10,9-10). Ir ao encontro do Senhor em cada irmão (cf. Mt 25,40 e 45) terá de ser a nossa única ocupação e a nossa única maneira de viver.

14. E aí está a nova metodologia, que afinal é a primeira metodologia da missão: a partir de Cristo, com Cristo, como Cristo. Para a fiel realização deste mandato, refere o Papa Bento XVI apontando o Concílio, o cristão «deve seguir o mesmo caminho de Cristo: o caminho da pobreza, da obediência, do serviço e da imolação até à morte, de que Ele saiu vencedor pela sua ressurreição»[28]. E continua: «Sim! Somos chamados a servir a humanidade do nosso tempo, confiando unicamente em Jesus, deixando-nos iluminar pela sua Palavra: “Não fostes vós que Me escolhestes; fui Eu que vos escolhi e destinei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça” (Jo 15,16). E deixa este desabafo: «Quanto tempo perdido, quanto trabalho adiado, por inadvertência deste ponto!». E conclui: «Tudo se define a partir de Cristo, quanto à origem e à eficácia da missão»[29].

15. E aproveitando a dinâmica evangelizadora de São Paulo que o «Ano Paulino» despertou em nós, não podemos esquecer a sua metodologia personalizada, vivida, afectiva e apaixonada, maternal e paternal, com dedicação total, de corpo inteiro e a tempo inteiro (1 Ts 2,7b-12), bem como o facto de se ter sabido rodear de muitos e bons cooperadores, com uma pluralidade de dons e ministérios, que apresenta na Carta aos Romanos (16,1-16) como uma rede de fraternidade para o Senhor e o Evangelho[30]. Paulo compreendeu bem que Cristo cria fraternidade e comunhão, e que, por isso, «Evangelizar nunca é para ninguém um acto individual e isolado, mas profundamente eclesial»[31]. A experiência evangelizadora de São Paulo permanece exemplar e paradigmática para todos os que, em qualquer tempo e lugar, acreditam em Cristo.


Igrejas locais, sujeito primeiro da missão


16. «A Igreja universal incarna nas Igrejas particulares» ou locais[32]. A Igreja local é o sujeito primeiro da missão, deve ter o seu centro na comunicação da fé e no primeiro anúncio como sinal da sua fecundidade e fidelidade à sua própria origem e nascimento histórico: Igreja em estado de missão, «Igreja-Missão»[33], como lhe chamou maravilhosamente Bento XVI. A missão está no âmago da Igreja, deve co-responsabilizar todos os seus membros, e não pode ser delegada apenas em alguns[34]. Não há missão eficaz sem um estilo de comunhão. É, portanto, urgente que a Igreja local se organize numa vasta rede de ministérios em verdadeira comunhão, uma vez que «a comunhão e a missão estão profundamente ligadas entre si (…): a comunhão é missionária e a missão é para a comunhão»[35].

17. Afirmando que «cada uma das Igrejas leva em si a solicitude por todas as outras», o Concílio lembra que o Bispo, que é «consagrado não só em benefício de uma diocese, mas para salvação de todo o mundo», «ao suscitar, promover e dirigir a obra missionária, torna presentes e como que palpáveis o espírito e o ardor missionário do Povo de Deus, de maneira que toda a diocese se torna missionária»[36]. Afirma exemplarmente o Documento «Diálogo e Missão»: «Cada Igreja particular é responsável de toda a missão. E mesmo cada cristão, em virtude do baptismo, é chamado a exercitá-la toda de algum modo»[37]. E o Papa Bento XVI, na sua Mensagem para o Dia Missionário Mundial de 2008 (19 de Outubro), não deixa de lembrar aos Bispos que o «seu compromisso consiste em tornar missionária toda a comunidade diocesana»[38].

18. Com a Igreja local a assumir-se como sujeito primeiro da missão, os Institutos Missionários não passam para a margem, mas continuam bem no centro, assumindo o seu compromisso missionário ad vitam como um dom que pertence a toda a Igreja, e, concretamente à Igreja particular em que professam, celebram e vivem a sua fé. Imenso dom, doações radicais e totais, paradigma do compromisso missionário da Igreja[39]. Por isso, acentua João Paulo II: «sintam-se parte viva da comunidade eclesial e trabalhem em comunhão com ela»[40], e a Congregação para o Clero lembra às Conferências Episcopais que devem «intensificar cada vez mais as relações com os Institutos Missionários»[41], na linha, de resto, das normas para a aplicação do Decreto Ad Gentes, patentes na Carta Apostólica “Motu Proprio” Ecclesiae Sanctae, de Paulo VI[42]. Os Institutos Missionários, bem inseridos no coração das Igrejas locais, devem contribuir para fazer chegar a animação missionária às estruturas fundamentais do povo de Deus, que são as dioceses e paróquias, ajudando a dar corpo à intenção formulada por João Paulo II de que é preciso «inserir a animação missionária como elemento fulcral na pastoral ordinária das dioceses e paróquias, das associações e grupos, especialmente juvenis»[43].

19. É sabido que a animação missionária frutifica na cooperação missionária, que é um direito e um dever de todos os baptizados[44]. Para efeitos práticos, as iniciativas e actividades da cooperação missionária são dirigidas e coordenadas em toda a parte, por mandato do Sumo Pontífice, pela Congregação para a Evangelização dos Povos, cabendo às Igrejas locais, quer a nível nacional, através das Comissões Episcopais das Missões, quer a nível diocesano, na pessoa do próprio Bispo, tarefas semelhantes[45]. Para levar a efeito, de forma eficaz, o mandato que lhe foi atribuído pelo Papa, a Congregação para a Evangelização dos Povos serve-se especialmente das quatro Obras Missionárias Pontifícias (OMP) [Propagação da Fé, Infância Missionária, São Pedro Apóstolo, União Missionária], que, «sendo as Obras do Papa, são-no também do Episcopado inteiro e de todo o Povo de Deus»[46], devendo dar-se-lhes, com todo o direito, o primeiro lugar[47].

20. Para se dar à animação e cooperação missionária o lugar a que têm direito, torna-se necessário fazer surgir também na Igreja portuguesa Centros Missionários Diocesanos (CMD) e Grupos Missionários Paroquiais (GMP), laboratórios missionários, células paroquiais de evangelização, que, em consonância com as OMP e os Centros de animação missionária dos Institutos Missionários, possam fazer com que a missão universal ganhe corpo em todos os âmbitos da pastoral e da vida cristã. O Decreto Ad Gentes e outros documentos subsequentes lembram bem a responsabilidade dos Bispos e Conferências Episcopais em favorecerem as vocações missionárias de jovens e se ocuparem também do clero diocesano que devem dedicar à evangelização do mundo, e de favorecerem este importante serviço com os meios necessários[48]. Em Ano Sacerdotal, não podemos esquecer a indicação oportuna do Papa Bento XVI que nos lembra que «a dimensão missionária está especial e intimamente ligada à vocação sacerdotal»[49].

21. Aconselha-se vivamente que o CMD seja constituído em todas as Dioceses de Portugal. Nele devem convergir todas as forças missionárias a operar na Diocese, integrando sacerdotes, religiosos, religiosas e leigos. O Director do CMD será nomeado pelo Bispo, que é o primeiro responsável da vida missionária na Diocese. O Director do CMD poderá ser também o Director Diocesano das OMP, e fará parte do Conselho Pastoral da Diocese[50]. O CMD deverá ser o principal Centro propulsor da consciência e do empenho missionário da Igreja Diocesana, ajudando-a a viver a sua identidade missionária traduzida no empenho específico do anúncio do Evangelho a todas as pessoas, em toda a parte. Saberá interagir com os outros organismos pastorais da Diocese em ordem a imprimir uma dinâmica missionária a toda a actividade diocesana. Dará a conhecer e estimulará a participação nas iniciativas missionárias já em curso, assegurará o mais fecundo relacionamento entre a comunidade local e os seus missionários e velará pela boa implantação das OMP no espaço diocesano.

22. Vê-se bem que o rosto missionário da Igreja requer um coração sensível e fraterno, em ordem a um serviço verdadeiramente cristão. Este serviço concertado e em rede por parte das Igrejas particulares foi objecto de viva exortação de João Paulo II, no início do novo milénio: «É nas Igrejas locais que se podem estabelecer as linhas programáticas concretas – objectivos e métodos de trabalho, formação e valorização dos agentes da pastoral, busca dos meios necessários – que permitam levar o anúncio de Cristo às pessoas, plasmar as comunidades, permear em profundidade a sociedade e a cultura através do testemunho dos valores evangélicos. Por isso, exorto vivamente os Pastores das Igrejas particulares, valendo-se do contributo das diversas componentes do povo de Deus, a delinear com confiança as etapas do caminho futuro, sintonizando as opções de cada comunidade diocesana com as das Igrejas limítrofes e as da Igreja universal»[51].

23. As consequências práticas para a vida eclesial e paroquial são profundas e intensas, requerendo uma nova sensibilidade evangelizadora obrigatória e não arbitrária. Alertou bem o Papa João Paulo II que nenhuma Igreja particular, de antiga ou de recente tradição, «se deve fechar em si própria», adiantando logo que «a tendência para se fechar em si próprio pode ser forte». E, no que se refere às Igrejas antigas, advertiu que, «preocupadas com a nova evangelização, podem ser levadas a pensar que agora devem realizar a missão em casa, correndo assim o risco de refrear o ímpeto para o mundo não cristão, sendo pouca a vontade de dar vocações aos Institutos Missionários». A estas Igrejas, o Papa lembra que «é dando generosamente que se recebe»[52]. E a Congregação para o Clero já tinha advertido alguns anos antes que «a Igreja particular não pode fechar-se em si mesma, mas, como parte viva da Igreja Universal, deve abrir-se às necessidades das outras Igrejas. Portanto, a sua participação na missão evangelizadora universal não é deixada ao seu arbítrio, ainda que generoso, mas deve considerar-se como uma lei fundamental de vida; diminuiria, de facto, a sua energia vital se, concentrando-se unicamente sobre os próprios problemas, se fechasse às necessidades das outras Igrejas»[53]. E o Papa Bento XVI acaba de nos advertir que «nada nos dispensa de ir ao encontro dos outros», pelo que «temos de vencer a tentação de nos limitarmos ao que ainda temos, ou julgamos ter, de nosso e seguro», lembrando-nos ainda que isso «seria morrer a prazo, enquanto presença da Igreja no mundo, que, aliás, só pode ser missionária»[54].


[19] CONCÍLIO VATICANO II, Ad Gentes, 29 e 35; PAULO VI, Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi (8 de Dezembro de 1975), 14 e 59; JOÃO PAULO II, Redemptoris Missio, 63; BENTO XVI, «As nações caminharão à sua luz» (Ap 21,24), Mensagem para o 83.º Dia Missionário Mundial (18 de Outubro de 2009), 3. A Mensagem traz a data de 29 de Junho de 2009.

[20] BENTO XVI, Discurso no Encontro com os Bispos de Portugal, Fátima, 13 de Maio de 2010.

[21] PAULO VI, Evangelii Nuntiandi, 14.

[22] CONGREGAÇÃO PARA O CLERO, Instrução Postquam Apostoli (25 de Março de 1980), 3.

[23] JOÃO PAULO II, Redemptoris Missio, 2.

[24] BENTO XVI, «As nações caminharão à sua luz» (Ap 21,24), 4.

[25] TERCER CONGRESO AMERICANO MISIONERO (CAM 3) e OCTAVO CONGRESO MISIONERO LATINO-AMERICANO (COMLA 8), (Quito, 12-17 de Agosto de 2008), Declaración Final (18 de Agosto de 2008), 1.

[26] CONCÍLIO VATICANO II, Decreto Presbyterorum Ordinis (7 de Dezembro de 1965), 6.

[27] Ver CONSELHO EPISCOPAL LATINO-AMERICANO, Documento de Aparecida. Texto conclusivo da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe (13-31 de Maio de 2007), São Paulo, CNBB – Paulinas – Paulus, 2007, 362. Além do sentido de forte transformação que o termo “comoção” tem no Documento de Aparecida, sobrepomos-lhe aqui um sentido novo assente naquele “como” que implica a imitação de Jesus.

[28] CONCÍLIO VATICANO II, Ad Gentes, 5.

[29] BENTO XVI, Homilia da Santa Missa, Grande Praça da Avenida dos Aliados, Porto, 14 de Maio de 2010.

[30] CONCÍLIO VATICANO II, Constituição Dogmática Lumen Gentium (21 de Novembro de 1964), 33.

[31] PAULO VI, Evangelii Nuntiandi, 60.

[32] PAULO VI, Evangelii Nuntiandi, 62.

[33] BENTO XVI, As vocações ao serviço da Igreja-Missão, Mensagem para o 45.º Dia Mundial de Oração pelas Vocações (13 de Abril de 2008). A Mensagem tem a data de 3 de Dezembro de 2007.

[34] JOÃO PAULO II, Redemptoris Missio, 32; JOÃO PAULO II, Novo Millennio Ineunte, 40.

[35] JOÃO PAULO II, Christifideles Laici, 32.

[36] CONCÍLIO VATICANO II, Ad Gentes, 38; cf. Lumen Gentium, 23.

[37] SECRETARIADO PARA OS NÃO-CRISTÃOS, Documento L’atteggiamento della Chiesa di fronte ai seguaci di altre religioni. Riflessioni e orientamenti su dialogo e missione (10 de Junho de 1984), 14.

[38] BENTO XVI, Servos e Apóstolos de Jesus Cristo, Mensagem para o Dia Missionário Mundial 2008 (19 de Outubro), 4. A Mensagem traz a data de 11 de Maio de 2008.

[39] JOÃO PAULO II, Redemptoris Missio, 66; CONGREGAÇÃO PARA A EVANGELIZAÇÃO DOS POVOS, Instrução Cooperatio missionalis (1 de Outubro de 1998), 11. f); BENTO XVI, As vocações ao serviço da Igreja-Missão, 4.

[40] JOÃO PAULO II, Redemptoris Missio, 66.

[41] CONGREGAÇÃO PARA O CLERO, Postquam Apostoli, 19.

[42] PAULO VI, Carta Apostólica “Motu proprio” Ecclesiae Sanctae (6 de Agosto de 1966), Secção III, 11.

[43] JOÃO PAULO II, Redemptoris Missio, 83.

[44] CONGREGAÇÃO PARA A EVANGELIZAÇÃO DOS POVOS, Cooperatio missionalis, 2.

[45] CONGREGAÇÃO PARA A EVANGELIZAÇÃO DOS POVOS, Cooperatio missionalis, 3.

[46] PAULO VI, Mensagem para o Dia Missionário Mundial de 1968 (20 de Outubro); PAULO VI, Mensagem para o Dia Missionário Mundial de 1976 (24 de Outubro).

[47] CONCÍLIO VATICANO II, Ad Gentes, 38.

[48] CONCÍLIO VATICANO II, Ad Gentes, 38; PAULO VI, Ecclesiae Sanctae, Secção III, 6; CONGREGAÇÃO PARA O CLERO, Postquam Apostoli, 18-19.

[49] BENTO XVI, As vocações ao serviço da Igreja-Missão, 1.

[50] PAULO VI, Ecclesiae Sanctae, Secção III, 4; CONGREGAÇÃO PARA A EVANGELIZAÇÃO DOS POVOS, Cooperatio Missionalis, 9 e 13.

[51] JOÃO PAULO II, Novo Millennio Ineunte, 29.

[52] JOÃO PAULO II, Redemptoris Missio, 85.

[53] CONGREGAÇÃO PARA O CLERO, Postquam Apostoli, 14.

[54] BENTO XVI, Homilia da Santa Missa, Grande Praça da Avenida dos Aliados, Porto, 14 de Maio de 2010.