17 dezembro 2010

Mensagem de Natal 2010 do Bispo da Guarda, D. Manuel Felício


"Natal de esperança em tempos de crise"

Vamos celebrar o Natal de 2010, em tempos marcados pela crise, sem fim à vista, e que está a fazer sofrer muitas pessoas.

Não temos a pretensão de identificar todas as causas desta crise, mas não podemos deixar de lembrar as mais visíveis e que estão a pedir mudanças de comportamento corajosas. Entre essas, estão os jogos de interesse que continuam a fazer-se nas costas do povo, envolvendo sobretudo decisões políticas, económicas e financeiras. Estão também as atitudes egoístas de muitos que só procuram defender os seus interesses e do seu grupo, sem respeito pelo bem comum e pelos direitos de todos. Igualmente temos de denunciar a falsidade do princípio, para muitos indiscutível, de que o bem-estar das pessoas coincide com o elevado consumo de bens materiais. Há ainda muita falta de sentido de responsabilidade relativamente ao uso dos recursos materiais que se têm e mesmo que se não têm, o que está a provocar níveis desastrosos de endividamento das pessoas, das famílias e mesmo do país. Acrescem a estas os baixos níveis de educação para a cidadania que nós temos e o facto de as iniciativas de participação no desenvolvimento pelo trabalho não serem elevadas. Lembremos que as nossas escolas ainda conseguem transmitir alguns bons níveis de informação, mas quando se trata de ajudar os alunos a elaborar boas decisões e levarem-nas à prática, com eficácia, revelam muita dificuldade. Por sua vez, o facto de sermos o país da Europa em que a percentagem de jovens licenciados à procura de emprego é das mais elevadas, se não mesmo a mais elevada, não nos ajuda.

E continua a ser verdade que o factor mais decisivo para o desenvolvimento das sociedades são as pessoas, pessoas bem preparadas e com carácter, capazes de estabelecerem objectivos bem definidos e procurarem os meios indispensáveis para os atingir, incluindo a capacidade de sacrifício.

Preocupa-nos que seja alto e em crescendo o número de pessoas que estão fora do trabalho. Isto porque o trabalho, mais do que um meio de produção material, é o lugar por excelência da realização de cada pessoa e da sua integração na vida da sociedade.

Temos conhecimento do grande número de pessoas que passam necessidade e não têm os bens considerados essenciais.

De olhos postos no Presépio de Belém e no Menino Jesus, rosto visível de Deus que, sendo rico, Se fez pobre para nos ajudar a combater todas as formas de pobreza, queremos estar ao lado dessas pessoas.

E sentimos que hoje há novas formas de pobreza e também novos pobres, devido às mudanças rápidas da situação social introduzidas pela crise que continua a afectar-nos e de que maneira.

Para pormos em prática as lições do Presépio, queremos, neste Natal, como cristãos e discípulos do Menino de Belém:

Procurar conhecer melhor a situação real das pessoas que precisam, sobretudo através da relação de proximidade com elas;

Que, em cada Paróquia e em cada povoação ou bairro, haja grupos paroquiais de acção social, para exercerem a prática da proximidade e da caridade;

Conhecer e identificar bem as situações de pobreza mais gritantes, nos nossos meios, para, umas vezes, directamente, outras vezes recorrendo a instituições, como é o caso do Fundo Social Solidário recentemente criado pela Conferência Episcopal, lhes podermos dar resposta pronta;

Queremos, finalmente, marcar a nossa atenção de caridade para com os outros, partilhando do muito ou pouco que temos com os que mais precisam.

Por isso, lembro o pedido que foi dirigido oportunamente aos cristãos portugueses pelo Presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social para que doassem, com esta finalidade, 20% do seu vencimento mensal. Este apelo desejo também fazê-lo, neste Natal, aos membros do clero e aos leigos da nossa Diocese e aponto como destino desta entrega a nossa Caritas Diocesana ou o Fundo Social Solidário promovido pela Conferência Episcopal.

Que a luz de Cristo, presente no Coração do Natal, nos ilumine naquelas decisões e naqueles gestos que podem contribuir para encontrar os novos caminhos capazes de dar novos rumos à Sociedade actual e ajudar a superar a crise global que persiste e continua a fazer sofrer muita gente.

Guarda, 15 de Dezembro de 2010

+ Manuel Felício, Bispo da Guarda

12 dezembro 2010

Faleceu D. José Garcia

Bispo emérito de Porto Amélia (Pemba)Moçambique, tinha 97 anos. Missa exequial na Segunda-feira, às 15 horas, em Cucujães, Oliveira de Azeméis

Faleceu ontem, com 97 anos de idade, D. José dos Santos Garcia, bispo emérito de Porto Amélia (Pemba), em Moçambique.

D. José Garcia nasceu na Aldeia do Souto, Covilhã, a 16-04-1913. Foi ordenado presbítero a 25.07.1938. Tendo sido nomeado bispo de Porto Amélia (Pemba), em Moçambique, foi ordenado Bispo, em Nampula, a 16.06.1957.

A Missa exequial tem lugar na Segunda-feira, dia 13, às 15 horas, na Igreja Paroquial de Cucujães, Oliveira de Azeméis, que fica ao lado do Seminário das Missões.

No passado dia 12 de Maio, o falecido bispo participou nas Vésperas com Bento XVI tento oportunidade de o saudar pessoalmente e de receber a sua bênção no fim a celebração na Igreja da Santíssima Trindade, Fátima.

D. José Garcia esteve nestes últimos dias no Seminário da Imaculada Conceição da Guarda tendo sido levado para Cucujães nas últimas horas da sua vida.

Em 2007, por ocasião das suas bodas de ouro episcopais, o prelado foi entrevistado pela Agência ECCLESIA, tendo passado em revista uma vida ao serviço da Igreja.

D. José dos Santos Garcia trabalhou, enquanto jovem padre, nos seminários de Portugal. Foi enviad, em 1955, para Moçambique, onde cheguou a 31 de Dezembro.

Na antiga colónia portuguesa foi um grande obreiro da «Missão do Mutuáli», Diocese de Nampula, onde construiu a Igreja, internatos masculino e feminino e centro de saúde.

D. José recordava-se que foi professor dos "primeiros padres nativos daquele país". E acentuou: "a «Missão de Mutuáli» foi classificada, por dois inspectores, como a mais pobre de Moçambique".

Nomeado Bispo de Porto Amélia, hoje Pemba, em 1957, promoveu uma pastoral planeada em que eram prioridades a formação do clero, dos leigos e de religiosas moçambicanas. Para isso criou os Seminários, a Escola de Professores Catequistas e a primeira congregação religiosa de Moçambique, Filhas do Coração Imaculado de Maria. "Recordo com saudade aqueles tempos" - afirmou o prelado.

Promoveu a evangelização e dotou as missões de esmerada estrutura. Sofreu com a divisão da sua diocese nos tempos da luta pela independência quando não podia visitar todos os cristãos.

Voltando a Portugal em 1974, colaborou com a Diocese da Guarda naquilo que lhe foi pedido e ele faz questão de destacar as "aulas de missionologia aos seminaristas". Veio "muito doente de África" e "ajudava naquilo que podia".

Depois dos 85 anos dedicou-se a reformar a Igreja e as capelas da sua terra natal, Aldeia do Souto e a escrever livros: «Alicerce e Construção duma Igreja Africana»; «Diário do Mutuáli»; «Evangelização de Cabo Delgado» e «Notas para a História da Paróquia de Aldeia do Souto».

Este dois últimos foram oferecidos aos amigos no dia da festa dos 90 anos. Além de reflexões pessoais, os três primeiros são documentos para história da Igreja em Moçambique.

Em Outubro de 2006, nas celebrações do dia da cidade da Covilhã, a edilidade local concedeu-lhe a medalha de ouro da cidade. Homenagens justas ao «homem das longas barbas brancas» que deixou saudades em terras africanas.

in Agência ecclesia

03 dezembro 2010

Seminário Fé e Cooperação

A FEC, Fundação Evangelização e Culturas, que este ano comemora o seu 20º aniversário, convida V. Exa. para o Seminário Fé e Cooperação a realizar-se no próximo dia 13 de Dezembro, a partir das 9 horas, no Auditório 3 da Fundação Calouste Gulbenkian com o Alto Patrocínio da Presidência da República.

Convidamo-lo ainda a participar a partir das 18 horas no lançamento do livro "Recortes da História da Guiné-Bissau" da autora Catarina Lopes.

Por favor, confirme a sua presença até ao dia 6 de Dezembro, através do seguintes contactos:
Tlf: (+351) 218 861 710
Email: seminario20anos@fecongd.org

S. Francisco Xavier

No dia da celebração do Padroeiro das Missões,
fica uma oração de invocação do Santo e de pedido de intercessão.


Amabilíssimo santo,
todo cheio de caridade e zelo;
convosco, respeitosamente,
adoro a divina majestade e,
porque singularmente me comprazo
no pensamento dos dons especiais da graça
com que fostes enriquecido em vida
e na glória de vossa majestade,
rendo-lhe por eles as mais fervorosas acções de graças
e suplico-vos, com todo o meu coração,
que me alcanceis, por vossa poderosa intercessão,
a graça tão importante de viver e morrer santamente.

Suplico-vos, também que me alcanceis a graça (pedido)
e, se o que peço não é para a glória de Deus
e maior bem da minha alma,
alcançai-me o que mais conforme for a uma e outra coisa.
Assim seja.

07 novembro 2010

Oração para a Semana dos Seminários 2010


Jesus Cristo, Bom Pastor
que dás a vida pelas Tuas ovelhas.
Tu és o Filho muito amado do Pai,
Tu és o nosso Mestre e Salvador.
Faz dos nossos seminários
Comunidades de discípulos,
Sementeiras de Amor,
de serviço e de entrega radical pelo Teu Reino;
sinais de esperança de um futuro de vida verdadeira,
em abundância para todos.
Fortalece e ilumina
no discernimento vocacional os nossos seminaristas;
confirma nos dons do Espírito Santo os seus formadores;
enche de generosidade e espírito de serviço
os auxiliares que com eles trabalham.
Recompensa e abençoa os benfeitores,
que com a oração e partilha de bens, zelam pela missão;
ampara o nosso Bispo e os nossos párocos,
para que sejam sempre fiéis ao dom do seu sacerdócio;
desperta a generosidade e a coragem dos nossos jovens
para Te seguirem e concede às nossas famílias o dom de
Te proporem como caminho, verdade e vida...
Nós Te pedimos por intercessão de Nossa Senhora,
Tua e nossa mãe…

19 outubro 2010

ORAÇÃO MISSIONÁRIA


Espírito Santo,

que desceste sobre os Apóstolos e os fizeste anunciadores do Evangelho:

derrama os teus dons sobre cada um de nós e torna-nos sensíveis aos apelos e às necessidades dos nossos irmãos;

desperta em muitos corações (crianças, jovens e adultos...) o ideal missionário;

dá força e coragem a todos quantos se entregam totalmente ao serviço da MISSÃO.

Amen

Dia do Voluntário Missionário 2010

Contra a pobreza, TU podes ser a diferença!
Leiria, 23|Outubro|2010

10h00 Acolhimento
10h30 Palestra: “Promover o desenvolvimento humano integral: do local ao global” - Prof. Alfredo Bruto da Costa - Presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz
12h00 Lançamento Agenda FEC 2011: Voluntariado Missionário – por uma responsabilidade global
12h30 Piquenique solidário
14h00 Peddy papper com workshops: “Os diferentes rostos da pobreza: iniciativas locais de desenvolvimento humano”:
Pedro Krupenski – Amnistia Internacional
André Costa Jorge – Serviço Jesuíta aos Refugiados
Henrique Pinto – CAIS
Caritas Diocesana de Leiria
16h00 Conclusões
16h30 Preparação da Eucaristia
17h00 Celebração da Eucaristia, presidida por D. Serafim Ferreira e Silva, Bispo Emérito de Leiria-Fátima

Carta aos Clero da Guarda 2010/2011

Após as Jornadas Missionárias de 2010, o SDM destaca algumas das suas conclusões: « 1. saudar a iniciativa do caminho sinodal “Repensar juntos a Pastoral da Igreja em Portugal ” e sugerir que se tenha em consideração a carta pastoral sobre a Missão; 2. Pedir às Dioceses e Paróquias que promovam as estruturas dinamizadoras da Missão, previstas na carta pastoral: Centros Missionários Diocesanos e Grupos Missionários Paroquiais; 3. Fomentar, na Igreja, iniciativas de formação que levem à experiência do encontro com Cristo vivo e formem discípulos fiéis e missionários apaixonados; 4. Promover, junto dos seminaristas e dos sacerdotes diocesanos, formação e experiências missionárias em Igrejas irmãs de outros países. Incentivar os Institutos Missionários e as Obras Missionárias Pontifícias a facilitar estas experiências e a formação missionária ad gentes.».

Todas as paróquias já receberam o “Guião Outubro Missionário” (enviado pelas Obras Missionárias Pontifícias), envia-se agora o resto de documentação que chegou ao SDM. O Guião pode ser usado durante o mês de Outubro, mas também sempre que as comunidades o possam fazer, por isso envio mais um exemplar e fica a disponibilidade para requisitar mais.

Relembro os párocos o pedido feito com alguma insistência ao longo do últimos anos: enviar a este Secretariado os nomes e direcções de missionários e missionárias oriundos das paróquias que lhe estão confiadas.

Finalmente, e não menos importante, o Guard’África (voluntariado missionário da Diocese) está a dar início à Formação de “missionários”. As condições começam a modificar-se um pouco, por isso peço aos meus estimados colegas que se souberem de alguém que queira fazer parte deste projecto entre em contacto connosco o mais rapidamente possível. (www.guardafrica.blogspot.com / guardafrica@gmail.com )

Grato pela atenção prestada, “estamos juntos”! Até breve!

Guarda, 13 de Outubro de 2010

O Director Diocesano do SDM


20 setembro 2010

Conclusões das Jornadas Missionárias 2010

Marcados pelo dinamismo do Ano Sacerdotal, a recente visita do Papa Bento XVI a Portugal e pela publicação da Carta Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa “Para um rosto missionário da Igreja em Portugal”, reuniram-se, em Fátima, entre os dias 17 a 19 Setembro, aproximadamente 450 pessoas, oriundas de quase todas as dioceses, institutos missionários e movimentos de Portugal, para celebrar as Jornadas Missionárias e aprofundar o tema: Espírito Santo e Missão.

O Espírito Santo é o primeiro agente da Missão. É Ele que dinamiza a comunhão entre Deus e a humanidade, entre o evangelizador e o evangelizado. O Espírito assegura a continuidade da Missão do Pai, que envia o seu Filho, e de Jesus, que envia os seus discípulos. A História está cheia de exemplos que manifestam a acção do Espírito: o dinamismo missionário da Igreja nascente, o testemunho dos mártires e dos consagrados, os diversos movimentos evangelizadores ao longo da história. O tempo presente está grávido de sinais da acção do Espírito. Destes, destacamos, em Portugal, a Missão 2010 no Porto e o voluntariado missionário. No mundo, realçamos a preocupação da ONU pelo apoio à cooperação e a concretização dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, em 2015.

S. Lucas apresenta-nos a missão como uma necessidade teológica ao lado das afirmações centrais da fé: Cristo tinha de sofrer, ressuscitar e ser anunciado a todos os povos (Lc 24,44-47). Os discípulos são enviados (“Ide”) a ir ao encontro das pessoas (Lc 10,3) e não a esperar passivamente que elas venham ter com eles. A Igreja, com o seu testemunho evangélico, é como uma luz que brilha para os que estão fora e os leva a entrar (Lc 8,16). Maria e Paulo são, para Lucas, os dois ícones de evangelizadores que anunciam livre e jubilosamente a boa nova de Jesus.

O sujeito da Missão é a Igreja local. O bispo, os párocos, os consagrados e os leigos devem ser os grandes promotores da dimensão missionária da Igreja. As preocupações com a pastoral e a diminuição dos sacerdotes dificultam a comunhão e a abertura à Missão ad gentes. Há o perigo de se esquecer que a Igreja é, por essência e vocação, missionária. Por isso, a Igreja local deve criar dinamismos internos e formativos que manifestem melhor a sua natureza missionária.

Por isso, nós, participantes nestas Jornadas Missionárias, decidimos:

Agradecer à Conferência Episcopal a publicação da Carta Pastoral “Para um rosto missionário da Igreja em Portugal”, em Junho de 2010, no seguimento do que foi pedido pelo Congresso Missionário de 2008;

  1. Saudar a iniciativa do caminho sinodal “Repensar juntos a Pastoral da Igreja em Portugal ” e sugerir que se tenha em consideração a carta pastoral sobre a Missão;
  2. Pedir às Dioceses e Paróquias que promovam as estruturas dinamizadoras da Missão, previstas na carta pastoral: Centros Missionários Diocesanos e Grupos Missionários Paroquiais;
  3. Fomentar, na Igreja, iniciativas de formação que levem à experiência do encontro com Cristo vivo e formem discípulos fiéis e missionários apaixonados.
  4. Promover, junto dos seminaristas e dos sacerdotes diocesanos, formação e experiências missionárias em Igrejas irmãs de outros países. Incentivar os Institutos Missionários e as Obras Missionárias Pontifícias a facilitar estas experiências e a formação missionária ad gentes.
  5. Animar os institutos missionários a integrarem-se na dinâmica pastoral da Igreja local, com a riqueza dos seus carismas, procurando metodologias de acção renovadas.
  6. Estimular a alegria e a generosidade dos leigos, especialmente dos jovens, que todos os anos, e cada vez em maior número, doam um pouco da sua vida ao mundo missionário.
  7. Apoiar a iniciativa da Rede Fé e Desenvolvimento, coordenada pela FEC, em promover a oração e o acompanhamento da Cimeira da ONU sobre os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, de 20 a 22 de Setembro de 2010, em Nova Iorque.

As próximas Jornadas Missionárias acontecerão, em Fátima, nos dias 16, 17 e 18 de Setembro de 2011.

Fátima, 19 de Setembro de 2010

Os participantes

07 setembro 2010

Mensagem do Santo Padre para o Dia Mundioal das Missões 2010

A construção da comunhão eclesial é a chave da missão


Prezados irmãos e irmãs!

Com a celebração do Dia Missionário Mundial, o mês de Outubro oferece às Comunidades diocesanas e paroquiais, aos Institutos de Vida Consagrada, aos Movimentos Eclesiais, a todo o Povo de Deus, a ocasião para renovar o compromisso de anunciar o Evangelho e dar às actividades pastorais um ímpeto missionário mais amplo. Este encontro anual convida-nos a viver intensamente os percursos litúrgicos e catequéticos, caritativos e culturais, mediante os quais Jesus Cristo nos convoca à mesa da sua Palavra e da Eucaristia, para saborear o dom da sua Presença, formar-nos na sua escola e viver cada vez mais conscientemente unidos a Ele, Mestre e Senhor. É Ele mesmo quem nos diz: "Aquele que me ama será amado por meu Pai: Eu amá-lo-ei e manifestar-me-ei a ele" (Jo 14, 21). Só a partir deste encontro com o Amor de Deus, que muda a existência, podemos viver em comunhão com Ele e entre nós, e oferecer aos irmãos um testemunho credível, explicando a razão da nossa esperança (cf. 1 Pd 3, 15). Uma fé adulta, capaz de se confiar totalmente a Deus com atitude filial, alimentada pela oração, pela meditação da Palavra de Deus e pelo estudo das verdades da fé, é uma condição para poder promover um novo humanismo, fundamentado no Evangelho de Jesus.

Além disso, em Outubro, em muitos países retomam-se as várias actividades eclesiais depois da pausa de Verão, e a Igreja convida-nos a aprender de Maria, mediante a oração do Santo Rosário, a contemplar o desígnio de amor do Pai sobre a humanidade, para a amar como Ele a ama. Não é porventura este o sentido da missão?

Com efeito, o Pai chama-nos a ser filhos amados no seu Filho, o Amado, e a reconhecer-nos todos irmãos naquele que é Dom de Salvação para a humanidade dividida pela discórdia e pelo pecado, e Revelador do verdadeiro Rosto daquele Deus que "amou de tal modo o mundo, que lhe deu o seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo 3, 16).

"Queremos ver Jesus" (Jo 12, 21), é o pedido que, no Evangelho de João, alguns gregos que chegaram a Jerusalém para a peregrinação pascal, dirigem ao Apóstolo Filipe. Ele ressoa também no nosso coração neste mês de Outubro, que nos recorda como o compromisso do anúncio evangélico compete a toda a Igreja, "missionária por sua própria natureza" (Ad gentes, 2), convidando-nos a tornarmo-nos promotores da novidade de vida, feita de relacionamentos autênticos, em comunidades fundadas no Evangelho. Numa sociedade multiétnica que experimenta cada vez mais formas preocupantes de solidão e de indiferença, os cristãos devem aprender a oferecer sinais de esperança e a tornar-se irmãos universais, cultivando os grandes ideais que transformam a história e, sem falsas ilusões nem medos inúteis, comprometer-se para fazer com que o planeta seja a casa de todos os povos.

Como os peregrinos gregos de há dois mil anos, também os homens do nosso tempo, talvez nem sempre conscientemente, pedem aos crentes não só que "falem" de Jesus, mas que "façam ver" Jesus, façam resplandecer o Rosto do Redentor em cada ângulo da terra diante das gerações do novo milénio e sobretudo diante dos jovens de cada continente, destinatários privilegiados e agentes do anúncio evangélico. Eles devem sentir que os cristãos levam a Palavra de Cristo porque Ele é a Verdade, porque n'Ele encontraram o sentido, a verdade para a sua vida.

Estas considerações remetem para o mandamento missionário que todos os baptizados e a Igreja inteira receberam, mas que não se pode realizar de maneira credível sem uma profunda conversão pessoal, comunitária e pastoral. De facto, a consciência da chamada a anunciar o Evangelho estimula não só cada fiel individualmente, mas todas as Comunidades diocesanas e paroquiais a uma renovação integral e a abrir-se cada vez mais à cooperação missionária entre as Igrejas, para promover o anúncio do Evangelho no coração de cada pessoa, de cada povo, cultura, raça, nacionalidade, em todas as latitudes. Esta consciência alimenta-se através da obra de Sacerdotes Fidei Donum, de Consagrados, de Catequistas, de Leigos missionários, numa busca constante de promover a comunhão eclesial, de modo que também o fenómeno da "interculturalidade" possa integrar-se num modelo de unidade, no qual o Evangelho seja fermento de liberdade e de progresso, fonte de fraternidade, de humildade e de paz (cf. Ad gentes, 8). De facto, a Igreja "é em Cristo como que sacramento, ou seja, sinal e instrumento da união íntima com Deus e da unidade de todo o género humano" (Lumen gentium, 1).

A comunhão eclesial nasce do encontro com o Filho de Deus, Jesus Cristo que, no anúncio da Igreja, alcança os homens e cria comunhão com Ele próprio e por conseguinte, com o Pai e com o Espírito Santo (cf. 1 Jo 1, 3). Cristo estabelece a nova relação entre o homem e Deus. "É Ele quem nos revela "que Deus é caridade" (1 Jo 4, 8) e, ao mesmo tempo, nos ensina que a lei fundamental da perfeição humana e, portanto, da transformação do mundo, é o mandamento novo do amor. Assim, aos que crêem no amor divino dá-lhes a certeza de que abrir o caminho do amor a todos os homens e instaurar a fraternidade universal não são coisas vãs" (Gaudium et spes, 38).

A Igreja torna-se "comunhão" a partir da Eucaristia, na qual Cristo, presente no pão e no vinho, com o seu sacrifício de amor edifica a Igreja como seu corpo, unindo-nos ao Deus uno e trino e entre nós (cf. 1 Cor 10, 16ss). Na Exortação apostólica Sacramentum caritatis escrevi: "não podemos reservar para nós o amor que celebramos neste sacramento: por sua natureza, pede para ser comunicado a todos. Aquilo de que o mundo tem necessidade é do amor de Deus, é de encontrar Cristo e acreditar n'Ele" (n. 84). Por esta razão a Eucaristia não é só fonte e ápice da vida da Igreja, mas também da sua missão: "Uma Igreja autenticamente eucarística é uma Igreja missionária" (Ibid.), capaz de levar todos à comunhão com Deus, anunciando com convicção: "o que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também vós tenhais comunhão connosco" (1 Jo 1, 3).

Caríssimos, neste Dia Missionário Mundial no qual o olhar do coração se dilata sobre os imensos espaços da missão, sintamo-nos todos protagonistas do compromisso da Igreja de anunciar o Evangelho. O estímulo missionário foi sempre sinal de vitalidade para as nossas Igrejas (cf. Carta enc. Redemptoris missio, 2) e a sua cooperação é testemunho singular de unidade, de fraternidade e de solidariedade, que nos torna críveis anunciadores do Amor que salva!

Por conseguinte, renovo a todos o convite à oração e, não obstante as dificuldades económicas, ao compromisso da ajuda fraterna e concreta em apoio das jovens Igrejas. Este gesto de amor e de partilha, que o serviço precioso das Pontifícias Obras Missionárias, à qual manifesto a minha gratidão, providenciará à distribuição, apoiará a formação de sacerdotes, seminaristas e catequistas nas terras de missão mais distantes e encorajará as jovens comunidades eclesiais.

Na conclusão da mensagem anual para o Dia Missionário Mundial, desejo expressar, com particular afecto, o meu reconhecimento aos missionários e às missionárias, que testemunham nos lugares mais distantes e difíceis, muitas vezes com a vida, o advento do Reino de Deus. A eles, que representam as vanguardas do anúncio do Evangelho, vai a amizade, a proximidade e o apoio de cada crente. "Deus (que) ama quem doa com alegria" (2 Cor 9, 7) os encha de fervor espiritual e de alegria profunda.

Como o "sim" de Maria, cada resposta generosa da Comunidade eclesial ao convite divino ao amor dos irmãos suscitará uma nova maternidade apostólica e eclesial (cf. Gl 4, 4.19.26), que deixando-se surpreender pelo mistério de Deus amor, o qual "ao chegar a plenitude dos tempos, enviou o Seu Filho, nascido de mulher" (Gl 4, 4), dará confiança e audácia a novos apóstolos. Esta resposta tornará todos os crentes capazes de ser "jubilosos na esperança" (Rm 12, 12) ao realizar o projecto de Deus, que deseja "que todo o género humano constitua um só Povo de Deus, se congregue num só Corpo de Cristo, e se edifique num só templo do Espírito Santo" (Ad gentes, 7).

Vaticano, 6 de Fevereiro de 2010.


BENEDICTUS PP. XVI

Agenda do Voluntariado Missionário

PLANO ANUAL DA FORMAÇÃO DO VOLUNTARIADO MISSIONÁRIO
1. Formação de Formadores, Fátima, 13 Novembro (10h às 17h)
Projectos de Cooperação para o Desenvolvimento.
2. 1.ª Sessão, Lisboa, 20 e 21 Novembro
Voluntariado Missionário e Espiritualidade
3. 2.ª Sessão, Fátima, 8 e 9 Janeiro
Voluntariado e Projectos de Cooperação para o Desenvolvimento
4. 3.ª Sessão, Leiria, 26 e 27 Fevereiro
Teologia Missionária e Diálogo Inter-religioso
5. 4.ª Sessão, Coimbra, 2 e 3 Abril
Relações Humanas e vida em grupo
6. 5.ª Sessão, Aveiro, 21 e 22 Maio
De partida para...
OUTRAS DATAS IMPORTANTES...
Jornadas Missionárias 2010 - Fátima, 17-19 de Setembro 2010
XI Dia do Voluntariado Missionário - Leira - 23 de Outubro 2010
Dia Mundial das Missões - 24 Outubro 2010
Formação de Formadores de VM - Leiria - 13 Novembro 2010 (10h-17)
Reunião Geral das Entidades de Voluntariado Missionário - Leiria - 13 Novembro 2010 (17h30m-19h)
Congresso Nacional do Voluntariado - Lisboa - 4 e 5 de Dezembro 2010
Dia da Infância Missionária - 2 Janeiro 2011
Lançamento dos dados estatísticos - 30 Junho 2011
Curso de Missionologia - 22 a 27 Agosto 2011
XII Dia do Voluntariado Missionário - 29 Outubro 2011 - em local a definir

101 dias de oração pela paz no Sudão

RUMBEK, terça-feira, 17 de agosto de 2010 (ZENIT.org) – A diocese católica sudanesa de Rumbek, no sul do país, realiza uma série de iniciativas pela paz – os chamados "101 dias de oração pela paz" – antes do referendo do próximo 9 de Janeiro, em que se decidirá sobre a independência do sul do Sudão.
Segundo informa a agência africana CISA, esta iniciativa de oração tem como objectivo “unir as diferentes comunidades do sul do Sudão para rezar por um referendo justo, limpo e pacífico”, em consonância com a mensagem dos bispos do Sudão do último dia 22 de Julho.

Naquela ocasião, após uma reunião em Juba, capital administrativa da região autónoma do sul, os bispos convidaram todo o país a um forte compromisso para que o processo de consulta possa-se realizar de “forma transparente e frutífera”, para contribuir ao bem comum do país.

Entre actos a se celebrarem, destaca-se uma Eucaristia pela Paz, a 19 de Setembro, e um Rosário Mútuo a 7 de Outubro. Outros momentos de destaque serão a festa de Cristo Rei, a 21 de Novembro, uma jornada de adoração e jejum a 3 de Dezembro e o Dia Mundial da Paz (1º de janeiro).

Esta iniciativa responde ao apelo dos bispos aos católicos sudaneses para estarem constantemente presentes “no trabalho de construção da paz e de reconciliação, em colaboração com as outras partes e juntamente com a Doutrina Social da Igreja”.


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Publicada por Secção portuguesa da Rede cristã AEFJN em AEFJNPORTUGAL a 9/02/2010 12:33:00 AM

Petição Pública acerca dos ODM's

No Dia Internacional da Solidariedade, reflectimos sobre a importância dos pequenos passos que podemos tomar para mudar o mundo! Lançamos uma petição para pedir aos nossos governantes que na reunião das Nações Unidas liderem um forte ataque para que se cumpram os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio!

http://www.peticaopublica.com/?pi=Pobreza0

Temos até 20 de Setembro para Sensibilizar o Governo Português para que seja líder e assuma de vez os seus compromissos na Assembleia das Nações Unidas sobre os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio.

Precisamos da tua cumplicidade!

Subscreve a petição e divulga-a pelos teus contactos.

26 agosto 2010

Centro de Animassão Missionária a nascer na Arquidiocese de Braga


Até agora, a sensibilização das comunidades católicas para a importância da transmissão da mensagem evangélica em territórios que a desconheciam ou onde estava pouco enraizada – a chamada “Missão” – era promovida por congregações missionárias.

A estratégia, que vigorou na Igreja portuguesa durante muitos anos, está prestes a mudar. Em Braga, o Arcebispo D. Jorge Ortiga quer que a abordagem ao trabalho missionário parta das estruturas diocesanas, sem deixar de contar com o apoio dos institutos religiosos.

Os Animadores Missionários Ad Gentes (ANIMAG), organismo constituído por congregações masculinas e femininas dedicadas ao anúncio do cristianismo, propuseram ao prelado uma parceria para a dinamização da actividade missionária na arquidiocese.

D. Jorge Ortiga aceitou a colaboração mas decidiu que deve ser a diocese a assumir a “Missão”, uma mudança de perspectiva que foi bem acolhida pelos religiosos.

“Antes, os missionários deixavam a semente na diocese. Mas ela é que tem que ter a iniciativa, ela é que tem de ser o ponto de partida”, salientou à Agência ECCLESIA Fr. José Dias de Lima.

O trabalho que os membros do ANIMAG têm realizado através de encontros com paróquias e grupos em todo o país “podia dar a ideia de ser desgarrado das dioceses, embora tudo o que fazemos seja em comunhão com os bispos”, disse o religioso franciscano, que é responsável pelo memorando da criação do Centro Missionário Diocesano Bracarense.

No entender de Fr. José Lima, um dos religiosos empenhados na criação deste novo organismo, a diocese “é que tem que ser missionária de si própria”, pelo que esta estrutura “é para que o bispo seja o primeiro missionário de todos os diocesanos”.

Resposta às orientações dos bispos

A ideia começou a germinar em Janeiro de 2010, durante um encontro que reuniu o arcebispo de Braga e delegados de Institutos Missionários masculinos e femininos presentes naquela circunscrição eclesiástica.

Os propósitos do Centro foram confirmados pela Carta Pastoral subscrita pelos bispos de Portugal a 17 de Junho último.

O documento, intitulado “Para um rosto missionário da Igreja em Portugal”, determina a constituição de “Grupos Missionários Paroquiais” que trabalhem com as Obras Missionárias Pontifícias e os Institutos Missionários”, com o objectivo de “fazer com que a missão universal ganhe corpo em todos os âmbitos da pastoral e da vida cristã”.

De acordo com Fr. José Lima, o Departamento pretende que os fiéis da arquidiocese tomem consciência de que “todo o cristão é missionário” e que esta dimensão, adquirida no sacramento do Crisma, não pertence apenas “aos padres e freiras”.

A nova estrutura quer também que os fiéis ganhem consciência de que “a terra de missão não é somente fora de fronteiras. Portugal e a diocese de Braga também são territórios de missão por causa da desertificação das aldeias e a falta de vocações”, afirmou o religioso.

Neste sentido, prosseguiu, “o primeiro objectivo do Centro Missionário não é tratar das missões ad extra [noutros países ou regiões], porque para isso existem os institutos missionários. A prioridade é começar por evangelizar a própria diocese. Só depois é que é possível começar a enviar padres, religiosos e leigos para outros territórios, porque ninguém pode dar o que não tem”.

O Centro Missionário vai incluir representantes de Institutos e Congregações religiosas de todos os carismas, clero diocesano e leigos – quatro membros por cada um destes grupos –, devendo ter um máximo de 15 pessoas.

Para Fr. José Dias de Lima, o novo organismo, “mais do que estar fechado em si próprio”, deve partilhar ideias com as estruturas análogas das outras dioceses, de forma a respeitar as prioridades que se impõem na realidade local e, ao mesmo tempo, ser capaz de manifestar “a unidade como Igreja, a nível do episcopado português”.

A escolha dos membros que vão integrar o Centro e a redacção dos estatutos serão as etapas seguintes na constituição desta estrutura diocesana.

Europa a morrer em termos vocacionais

O conceito de “terra de missão”, tradicionalmente ligado à difusão do cristianismo fora da Europa, acabou por se alargar a este território.

Fr. José Lima considera que o Velho Continente “está a morrer vocacionalmente” e confessa a sua “tristeza” por ver colegas seus a abandonar a consagração religiosa.

“Nesta crise vocacional, em que há poucos a entrar e alguns a abandonar, a verdade é que o ar fresco da Igreja está a vir da Ásia e de África”, constata o frade franciscano.

“É urgente – acrescenta – que a diocese se torne missionária, para começarmos a dar aos nossos jovens motivos para deixarem de ir tanto à discoteca e frequentarem mais a igreja; de deixarem de procurar na moda, no desporto e na música os seus orientadores de vida e descubram que Cristo é o modelo dos modelos.”

Voltando o seu olhar para a realidade portuguesa, o Franciscano mostra-se convicto de que “parte das nossas dioceses está morta”: “A vida de muitas delas é vegetativa. Não é uma vida cristã activa e comprometida”.

Este religioso considera que as estruturas diocesanas têm sido, quase sempre, espectadoras passivas do trabalho de sensibilização missionária realizado pelas congregações religiosas, limitando o seu envolvimento à celebração do Dia Mundial das Missões, em Outubro.

E se é verdade que os bispos “não assumem muito a tarefa missionária”, também é certo que “nunca nos negaram o apoio, confiaram sempre em nós e deixaram-nos abrir as suas paróquias à missão”, reconheceu Fr. José Lima.

“Não houve um compromisso directo” por parte dos prelados, mas indirectamente, no apoio dado aos institutos missionários os senhores bispos têm manifestado muito carinho pelas missões”, conclui.

in Agência Ecclesia

Papa lembra 100.º aniversário do nascimento da Beata de Calcutá


Bento XVI assinalou hoje o 100.º aniversário do nascimento de Madre Teresa de Calcutá com uma mensagem, na qual apresenta a Beata como um “dom inestimável” para a Igreja e o mundo.

O Papa escreveu à Superiora Geral das Missionários da Caridade, a Irmã Mary Prema, unindo-se “espiritualmente” às celebrações.

Para Bento XVI, o aniversário deste dia 26 de Agosto é uma oportunidade para manifestar “alegre gratidão a Deus pelo dom inestimável que a Madre Teresa foi durante a sua vida”.

A mensagem foi lida durante uma Missa celebrada na casa-mãe da congregação fundada pela Beata, em Calcutá (Índia), presidida pelo Arcebispo local, D. Lucas Sirkar.

O texto assinado pelo Papa pede que as Missionárias da Caridade continuem o trabalho de Madre Teresa, “aproximando-se da pessoa de Jesus, cuja sede de almas é saciada pelo vosso ministério junto dos mais pobres dos pobres”.

Bento XVI convida as religiosas a "doar-se generosamente a Jesus, que vedes e servis nos pobres, nos doentes, nos sós e abandonados".

"Encorajo-vos a aprender constantemente da espiritualidade e do exemplo de Madre Teresa e, nos seus passos, aceitar o convite de Cristo: «Vem, sê a minha luz»", acrescenta.

Considerada uma das mulheres mais influentes do século XX, Agnes Gonxha Bojaxhiu nasceu na actual Skopje, capital da Macedónia (à época Üsküb, integrada no império Otomano), a 26 de Agosto de 1910. Deixou a sua terra natal em Setembro de 1928, entrando no convento de Rathfarnam (Dublin), Irlanda. Ali foi acolhida como postulante no dia 12 de Outubro e recebeu o nome de Teresa, como a sua padroeira, Santa Teresa de Lisieux.

Foi enviada pela congregação do Loreto para a Índia e chegou a Calcutá no dia 6 de Janeiro de 1929, com 19 anos. Fez a profissão perpétua a 24 de Maio de 1937 e daquele dia em diante foi chamada Madre Teresa.

No dia 10 de Setembro de 1946, no comboio que a conduzia de Calcutá para Darjeeling, Madre Tereza recebeu aquilo que ela chamou “chamamento no chamamento”, que teria feito nascer a família dos Missionários da Caridade.

Ao longo dos anos 50 e no início dos anos 60, Madre Teresa estendeu a obra das Missionárias da Caridade seja internamente dentro Calcutá, seja em toda a Índia. No dia 1 de Fevereiro de 1965, Paulo VI concedeu à Congregação o “Decretum Laudis”, elevando-a a direito pontifício.

Em 1979, Madre Teresa recebeu o Prémio Nobel da Paz, como reconhecimento pelo seu trabalho.

No final dos anos 80 e durante os anos 90, não obstante os crescentes problemas de saúde, Madre Teresa continuou a viajar pelo mundo para a profissão das noviças, para abrir novas casas de missão e para servir os pobres e aqueles que tinham sido atingidos por diversas calamidades.

Às 9h30 da noite do dia 5 de Setembro de 1997, morreu na Casa Geral. No dia 13 de Setembro teve um funeral de Estado e o seu corpo foi conduzido num longo cortejo através as estradas de Calcutá.

Foi beatificada por João Paulo II a 19 de Outubro de 2003, após o Papa polaco ter dispensado o período de espera de 5 anos para a abertura da Causa de Canonização.

in Agência Ecclesia

24 agosto 2010

Resolver lacunas na pastoral missionária

Começou em Fátima, a edição 2010 do Curso de Missiologia, uma iniciativa dos Institutos Missionários Ad Gentes (IMAG) e das Obras Missionárias Pontifícias (OMP), e que tem como objectivo dar a conhecer, a todos os baptizados, quais são os fundamentos da missão, em Igreja.

Trata-se de um curso bienal, que tem sempre lugar na última semana de Agosto, nas instalações dos Missionários da Consolata, em Fátima.

A organização tem procurado, ao longo dos anos, preparar o curso para que ele preencha uma lacuna da Igreja, ao nível da pastoral missionária.

Segundo o padre Albino Brás, responsável pelo curso, “a Igreja, em Portugal, coloca a dimensão missionária quase como se fosse um parente pobre e da exclusiva responsabilidade dos institutos missionários”.

Algo que, para aquele sacerdote, “não tem sentido, porque a dimensão missionária tem a mesma dignidade e deveria ter a mesma densidade, no dinamismo pastoral da Igreja, como têm as dimensões catequética, bíblica ou litúrgica, sócio-caritativa ou a pastoral juvenil”.

“Quando a Igreja deixa de ser missionária passa a ser um corpo amorfo que não dinamiza, não parte em missão, não evangeliza”, reforça o mesmo responsável.

O padre Albino Brás demonstra essa lacuna olhando para os 41 inscritos no curso, onde “apenas se encontra um sacerdote diocesano”.

Por outro lado, é com agrado que vê “um bom número de leigos inscritos”, ligados a várias congregações missionárias e a outros grupos e movimentos paroquiais.

“Graças a Deus, eu creio que o dinamismo da Igreja, ultimamente, está exactamente aí, na força e no protagonismo dos leigos”, refere o sacerdote.

O IMAG olha com esperança para as conclusões saídas da última assembleia dos bispos de Portugal, em Junho, onde foi aprovada a Carta Pastoral sobre o Rosto Missionário da Igreja.

“Vai ser discernido na assembleia anual do IMAG, agora em Novembro, e vamos procurar esmiuçar o documento para transformá-lo em directrizes da acção pastoral, tentando mudar um bocado esta realidade da Igreja portuguesa”, revela o padre Albino Brás.

O Curso de Missiologia termina no próximo dia 28 e vai incidir sobre os fundamentos bíblicos e históricos da missão, apoiando-se na leitura das cartas de São Paulo, dos evangelhos, nas grandes figuras missionárias e nas encíclicas papais, que foram abordando a temática ao longo dos tempos.

Outra grande parte do curso será dedicada aos desafios da evangelização e do encontro de culturas. A figura da mulher, enquanto sujeito e destinatário de missão e a natureza do seu papel na Igreja, vai ser outro assunto em destaque.

O padre Albino Brás explica esta grande diversidade de assuntos com o facto de “a missão, hoje em dia, já não ser exclusivamente um lugar geográfico”, como acontecia no início. “É o próprio espaço do coração, daquele que vai ao encontro e que acolhe o outro nas suas diferenças”, explica o sacerdote.

Por isso, pretende-se que os participantes do curso fiquem não apenas com noções de teologia, mas também com ideias claras ao nível da antropologia, da cultura, dos direitos humanos, para que possam compreender melhor os povos que visitem em missão.


in Agência Ecclesia

23 agosto 2010

Homilia de encerramento da Peregrinação Diocesana a Fátima 2010

Sr.Reitor do Santuário,

Sr.s Padres, diáconos e outros ministros do altar,

Irmãos e irmãs,

Peregrinos,

Estamos em peregrinação ao Santuário de Fátima e a Diocese da Guarda cumpre uma tradição que é mais do que cinquentenária.

De início peregrinação a pão e água, agora queremos que continue a ser verdadeiramente peregrinação, feita de penitência e oração, como recomenda a mensagem de Fátima.

Fazemos a nossa peregrinação no dia em que se cumpre o aniversário da quarta aparição de Nossa Senhora, como ouvimos na introdução feita a esta celebração. Escutamos, à distância de 93 anos, o apelo feito por Nossa Senhora aos três pastorinhos, pedindo-lhes que rezassem, rezassem muito pela conversão dos pecadores. E acrescentou: “Há muitas almas que vão para o inferno por não haver quem reze e se sacrifique por elas”.

O pedido de oração e penitência não perdeu nenhuma actualidade e nós estamos aqui, em peregrinação, para lhe dar cumprimento.

Peregrinamos ao Santuário de Fátima também três meses depois da visita que nos fez o Santo Padre Bento XVI. Continua muito presente neste Santuário o seu apelo para vivermos a sério a Fé e a Missão em que ela nos compromete.

E quando nos falava em missão, o Papa sublinhava que agora o critério decisivo para definirmos o que são terras de missão já não é a geografria. Ou seja, terras de missão não são apenas aquelas que estão longe de nós e onde nunca se ouviu falar de Jesus Cristo. Ao contrário, há ambientes muito próximos de nós que um dia foram tocados pelo Evangelho e ainda permanecem com muita simbologia e muitas tradições de Fé, mas agora se encontram realmente afastadas de Cristo. Sobretudo há muitas pessoas que um dia foram baptizadas, fizeram o seu percurso de Fé durante a infância, mas depois se afastaram do Evangelho. Terrenos de missão são para nós hoje também estas pessoas e estes ambientes, o que nos obriga a, de forna criativa, procurar os caminhos mais indicados para promover o seu reencontro com a Fé. É isto a nova evangelização que a Igreja nos recomenda.

A este apelo do Papa quer responder a Igreja em Portugal com coragem e determinação. Por isso, a Conferência Episcopal Portuguesa já desencadeou um processo que pretendemos seja participado pelo maior número de cristãos e instâncias decisórias das distintas comunidades cristãs, a que chamou “Repensar a pastoral da Igreja em Portugal”. Duas notas estão à partida a marcar este processo de reflexão e decisão: uma delas é que precisamos de renovar a Fé em nós e nas nossas comunidades; a outra é que da Fé faz parte a missão.

Também nós queremos hoje colocar aos pés de Nossa Senhora esta grande preocupação da Igreja em Portugal e procurar que seja cada vez mais a grande preocupação de cada um de nós.

Escutámos o Evangelho que hoje nos convida a acolher a Palavra de Deus e a pô-la em prática. Esse é o exemplo e o apelo de Nossa Senhora. Ela é de facto a primeira discípula de Cristo e o modelo de quem acolhe a Palavra Eterna de Deus, na Pessoa de Seu Filho Nosso Senhor Jesus Cristo Salvador.

Também nós queremos sentir como Maria que a Palvra de Deus nos congrega e nos envia. Podemos fazer a experiência da escuta da Palavra individualmente; mas o que nos é pedido é que o façamos em comunidade, em grupos de escuta, de partilha e de discernimento dos caminhos por onde há-de ser conduzida a missão em que a mesma Palavra também nos compromete.

Para isso é importante que as nossas paróquias ou mesmo unidades pastorais sejam progressivamente comunhão de comunidades mais pequenas. Comunidades onde as pessoas se conhecem, se relacionam intensamente, se ajudam a superar dificuldades e a viver a vida com esperança.

Ao mesmo tempo é necessário promover também a comunhão de serviços e a valorização dos carismas para que todas e cada uma das pessoas se sintam bem a participar na vida da comunidade.

A Palavra de Deus, estando no centro da vida das pessoas e das comunidades, é a luz e a força que nos há-de ajudar a encontrar os caminhos da renovação da Fé, contribuindo, assim, também para uma vida social onde há lugar para todos e ninguém se sente à margem.

Ao iniciarmos um novo ano pastoral, queremos pedir a Nossa Senhora que coloque sobre todos nós e nossas comunidades o seu olhar de Mãe e o seu manto de protecção.

Assim, com o modelo de Maria à nossa frente, queremos que este ano pastoral nos ajude a progredir na nossa condição de discípulos missionários.

Igreja da Santíssima Trindade, 19 de Agosto de 2010

+Manuel R. Felício, Bispo da Guarda