Outubro Missionário - Dia 21

 

Lúcio Américo (autor)

Segunda-feira, 21 de Outubro de 2024

XXIX Semana do Tempo Comum – Ano B

Ef 2, 1-10; Sal 99; Lc 12, 13-21

 

Estamos na Semana Missionária e os ensinamentos de Jesus continuam a iluminar o nosso ser e agir como discípulos missionários. Os textos de hoje, convidam-nos a abandonar “o modo de ser deste mundo”, que nos submetia “aos desejos da nossa carne, satisfazendo os caprichos dos instintos e da imaginação” e convidam-nos a aceitar Cristo e “a abundante riqueza da Sua graça e da Sua bondade para connosco, em Jesus Cristo.” (primeira leitura). O episódio evangélico é uma excelente ocasião para Jesus nos reorientar segundo os critérios que emanam da misericórdia e do amor manifestados por Deus em Cristo.

 

No Evangelho, uma pessoa na rua aproxima-se de Jesus para Lhe pedir que medeie um conflito familiar. É o irmão mais novo que reclama a herança que lhe pertence ao irmão mais velho que parece tê-la tomado (cf. Lc 12, 13).

 

Jesus recusa-Se a intervir na disputa (cf. Lc 12, 14). Com as Suas palavras, dá a entender que não Lhe foi conferido o poder judicial para resolver a questão, mas sobretudo tem outro argumento que já tinha aparecido no debate com os fariseus: “Vede bem, guardai-vos de toda a avareza” (Lc 12, 15; cf. Lc 11, 39). A cobiça é um indicador de que se vive segundo “o modo de ser deste mundo”. Além disso, como diz São Paulo, “a cobiça do dinheiro é a raiz de todos os males” (1 Tm 6, 10).

 

A cobiça, o amor ao dinheiro, exprime-se no desejo, por vezes compulsivo, de encher-se de coisas, de viver na abundância dos bens (Lc 12, 15b). É aqui que entra em jogo o tema da “vida”. O que é que “assegura” a vida, ou seja, o que é que lhe dá conteúdo, alegria, plenitude, o que é que a sustenta aqui e o que é que nos dá segurança no fim, após a morte biológica?

 

O rico insensato da parábola é um homem que deseja ardentemente “viver”, mas que, na realidade, vai na direcção oposta às suas intenções: vai para a ruína.

 

O homem rico pensa que está a fazer um exercício inteligente quando pensa no que fazer para preservar a sua colheita e ter uma vida segura para o futuro: demolir, construir, armazenar tudo o que tem e viver uma boa vida, seguro de que tem boas reservas. Este é um exercício de planeamento empresarial sustentável. Mas o homem que se julgava esperto na gestão dos seus recursos acabou por fazer uma loucura: esqueceu-se de que a sua vida é um dom e que a “vida boa” é um dom que vem de Deus e não dos bens acumulados.

 

Os critérios de Deus são diferentes:

– Os bens não são para uma só pessoa, mas para serem partilhados. É necessário superar a “avareza”.

– Os bens materiais não “asseguram” a vida; só Deus a pode dar e conservar.

– A vida terrena é limitada e finita, por isso Deus “restituiu-nos à vida com Cristo e com Ele nos ressuscitou e com Ele nos fez sentar nos Céus”. O planeamento mais inteligente que podemos fazer é o do nosso futuro na eternidade de Deus.

 

O bom discípulo é aquele que se enriquece diante de Deus (12, 21), reconhecendo os bens materiais como necessários, mas relativos ao destino último da vida. Tudo é um dom de Deus. Por isso, tornamo-nos ricos “dando”, mesmo “dando na nossa pobreza”, e “fazendo o bem que Deus nos mandou fazer”. Deste modo, o nosso coração torna-se semelhante ao de Deus, com quem queremos viver em comunhão eterna.

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