26 fevereiro 2024

Mensagem do Bispo da Guarda - Dia Nacional da Caritas - 03 março 2024


Celebramos o Dia Nacional da Caritas no III Domingo da Quaresma, este ano, dia 3 de março.

Nesse dia e durante a semana que o precede, vamos lembrar a nós e às nossas comunidades, em espírito de verdadeira conversão quaresmal, o que Evangelho nos diz – “Só o amor transforma”.

Esta iniciativa junta toda a rede Caritas em Portugal e pretende, a partir deste tema bíblico de fundo e comum a todos, chamar a nossa atenção para a ação social e as atividades pastorais que lhe dão suporte; e, ao mesmo tempo, promover angariação de fundos para os programas que a rede Caritas em Portugal está a desenvolver. O objetivo é sensibilizar as pessoas e motivar as comunidades para o cuidado que devem ter com os que se encontram em situações mais difíceis.

Todos temos obrigação de cuidar bem uns dos outros e as comunidades têm de saber  colocar esta mesma obrigação no centro das suas preocupações e programas.

Ora,  há indicadores de que o número de pessoas em Portugal que precisam de ajuda para obviar à suas necessidades primárias não só não tem diminuído, mas, pelo contrário,  aumentou significativamente nos últimos 4 anos,  comparativamente com os 4 anos anteriores. Isto mesmo nos diz um estudo desenvolvido, no âmbito do Observatório Caritas, de que resultou o documento “Pobreza e exclusão social em Portugal”, que vai ser publicado durante a próxima semana, a  Semana Nacional da Caritas.

Segundo este estudo, mais de 500 mil pessoas em Portugal estão em “privação material severa”, dados confirmados pelo instituto Nacional de Estatística. Mais de 240 mil pessoas não têm para a sua alimentação primária, mais de 700m mil não têm pata adquirir roupa e mais de 2 milhões têm de suportar o frio do inverno, sem meios para o combater. O número dos sem abrigo, particularmente nos grandes centros urbanos, não pára de crescer, como também é preocupante a situação dos que vivem em alojamento precário.

Ora, esta Semana da Caritas há de servir, pro um lado,  para lembrarmos às comunidades a obrigação de cuidar bem dos mais carenciados, através da instituição Caritas ou de outras formas; por outro, para lembrar à sociedade em geral e aos seus poderes públicos que precisamos de políticas mais exigentes e determinadas para ajudar os mais vulneráveis. O esforço por erradicar  a pobreza mais extrema é única maneira de levar a sério a preconizada “Estratégia Nacional de Combate à Pobreza 2021-30”.

Falando para as nossas comunidades, a certeza do Evangelho de que só o amor transforma obriga-nos a ser criativos, na procura dos melhores caminhos para lhe dar cumprimento. E essa criatividade tem de ser de todos, pois nenhuma comunidade pode estar satisfeita enquanto não encontrar formas organizadas de identificar os que mais precisam para depois cuidar bem deles.

Que esta semana a todos nos desperte para sabermos cuidar bem uns dos outros.

24.2.2024

+Manuel da Rocha Felício, Bispo da Guarda

 


14 fevereiro 2024

Mensagem da Quaresma 2024 do Bispo da Guarda, D. Manuel Felício

 

Foto: web, Pe Hugo Martins

A Quaresma - Caminhada de Fé rumo à liberdade

 

A Quaresma é sempre um forte apelo à responsabilidade das pessoas e das comunidades para reverem as suas vidas, reconhecerem os seus percursos errados e lhes darem o rumo certo.

Para nos orientar e motivar neste esforço de travessia do deserto, contamos com a iniciativa do próprio Deus, que vem ao nosso encontro, na Pessoa de Jesus e na luz e força do Espírito Santo.

Como nos lembra o Papa na sua Mensagem, a Quaresma é tempo de graça em que o deserto volta a ser o lugar do primeiro amor (Os. 2,16-17).

É tempo para revivermos o cuidado que Deus tem por todos e cada um de nós, pois Ele vem, uma e outra vez, e surpreende-nos com a sua presença e com os caminhos novos que nos aponta; e também para despertarmos em nós a obrigação de cuidarmos bem uns dos outros e da própria casa comum que habitamos. Essa mesma obrigação nos lembra o Papa, na sua Mensagem, quando convida para “o cuidado com a criação e a inclusão de quem não é visto ou marginalizado”.

Precisamos, por isso, de cultivar a vigilância sobre as nossas pessoas e sobre a vida da Igreja e do próprio mundo, quer para sentirmos o cuidado de Deus, quer para reforçarmos o nosso.

 

O encontro mais intenso com a Palavra de Deus e a oração, assim como o cuidado dos outros, especialmente quando os outros são os mais fracos e vulneráveis, têm de fazer parte do nosso programa quaresmal.

Por sua vez, a revisão de vida, através do exame de consciência mais apurado e a procura do perdão do Senhor no Sacramento da Reconciliação, são igualmente caminho que não podemos dispensar, como nos lembra este tempo forte da Quaresma. Ajudam-nos momentos de paragem, para leitura da nossa vida pessoal e comunitária, à luz da Palavra de Deus. E os retiros, recoleções e outros momentos de reflexão e oração propostos pelos programas quaresmais das comunidades, sejam de paróquias, de arciprestado ou outros, constituem oportunidades que temos de saber aproveitar.

A tradição do jejum, da oração e da esmola não perdeu nenhuma atualidade e continua a ser método válido para progredirmos na prática da caridade e, em geral, na nossa conversão. Assim nos iremos preparando para que a Páscoa seja, de verdade, a vida nova de Cristo Ressuscitado a espelhar-se, o mais possível, nas nossas vidas.

Por sua vez, as promessas batismais, que renovaremos na Noite Pascal, queremos que sejam o ponto de chegada deste percurso de renovação da Fé a que a Quaresma nos convida. Com elas professamos também a verdadeira liberdade dos filhos de Deus.

Estamos já habituados a fazer renúncia quaresmal em favor de alguma necessidade que nos é recomendada. Este ano, tendo em conta que a Liga dos Servos de Jesus celebra o seu centenário, vamos dirigir a nossa renúncia quaresmal para o centro missionário que a mesma Liga criou em Angola. Este centro missionário consta de uma escola do ensino básico que, agora sob orientação do Bispo Diocesano local, acolhe 500 alunos. Ao lado, há um centro de espiritualidade, que a pandemia obrigou a fechar. É especialmente para a reabertura deste centro missionário de espiritualidade que queremos dirigir o nosso contributo da renúncia quaresmal, contando com a cooperação dos missionários da Boa Nova.

Com a bênção de Deus e a companhia carinhosa e maternal de Nossa Senhora, procuremos viver, com muita esperança, a caminhada desta Quaresma, no espírito sinodal que nos é recomendado.

Guarda, 9.2.2024

+Manuel da Rocha Felício, Bispo da Guarda

08 fevereiro 2024

32.º Dia Mundial do Doente - 11 fevereiro 2024 - Mensagem do Papa Francisco


 «Não é conveniente que o homem esteja só».

Cuidar do doente, cuidando das relações

 

«Não é conveniente que o homem esteja só» (Gn 2, 18). Desde o início, Deus, que é amor, criou o ser humano para a comunhão, inscrevendo no seu íntimo a dimensão das relações. Assim a nossa vida, plasmada à imagem da Trindade, é chamada a realizar-se plenamente no dinamismo das relações, da amizade e do amor mútuo. Fomos criados para estar juntos, não sozinhos. E precisamente porque este projeto de comunhão está inscrito tão profundamente no coração humano, a experiência do abandono e da solidão atemoriza-nos e olhamo-la como dolorosa e até desumana. E isto agrava-se ainda mais no tempo da fragilidade, da incerteza e da insegurança, causadas muitas vezes pelo aparecimento dalguma doença grave.

Penso, por exemplo, em todos aqueles que permaneceram terrivelmente sós durante a pandemia de Covid-19: pacientes que não podiam receber visitas, mas também enfermeiros, médicos e pessoal auxiliar, todos sobrecarregados de trabalho e confinados em repartições isoladas. E não esqueçamos quantos tiveram de enfrentar sozinhos a hora da morte, assistidos pelos profissionais de saúde, mas longe das suas famílias.

Ao mesmo tempo associo-me, pesaroso, à condição de sofrimento e solidão de quantos, por causa da guerra e suas trágicas consequências, se encontram sem apoio nem assistência: a guerra é a mais terrível das doenças sociais e as pessoas mais frágeis pagam-lhe o preço mais alto.

Contudo, é preciso assinalar que, mesmo nos países que gozam da paz e de maiores recursos, o tempo da velhice e da doença é vivido frequentemente na solidão e, por vezes, até no abandono. Esta triste realidade é consequência sobretudo da cultura do individualismo, que exalta a produção a todo o custo e cultiva o mito da eficiência, tornando-se indiferente e até implacável quando as pessoas já não têm as forças necessárias para lhe seguir o passo. Torna-se então cultura do descarte, na qual «as pessoas já não são vistas como um valor primário a respeitar e tutelar, especialmente se são pobres ou deficientes, se “ainda não servem” (como os nascituros) ou “já não servem” (como os idosos)» (Francisco, Carta enc. Fratelli tutti, 18). Esta lógica permeia também, infelizmente, certas opções políticas, que não conseguem colocar no centro a dignidade da pessoa humana com as suas carências e nem sempre proporcionam as estratégias e recursos necessários para garantir a todo o ser humano o direito fundamental à saúde e o acesso aos cuidados médicos. Ao mesmo tempo, o abandono das pessoas frágeis e a sua solidão acabam favorecidos ainda pela redução dos cuidados médicos apenas aos serviços de saúde, sem serem sapientemente acompanhados por uma «aliança terapêutica» entre médico, paciente e familiar.

Faz-nos bem voltar a ouvir esta frase bíblica: «não é conveniente que o homem esteja só». É pronunciada por Deus ao início da criação, revelando-nos assim o significado profundo do seu projeto para a humanidade, mas ao mesmo tempo também a ferida mortal do pecado, que se introduz gerando suspeitas, fraturas, divisões e consequente isolamento. Este atinge a pessoa em todas as suas relações: com Deus, consigo mesma, com o outro, com a criação. Tal isolamento faz-nos perder o significado da existência, tira-nos a alegria do amor e faz-nos provar uma sensação opressiva de solidão nas sucessivas passagens cruciais da vida.

Irmãos e irmãs, o primeiro cuidado de que necessitamos na doença é uma proximidade cheia de compaixão e ternura. Por isso, cuidar do doente significa, antes de mais nada, cuidar das suas relações, de todas as suas relações: com Deus, com os outros – familiares, amigos, profissionais de saúde –, com a criação, consigo mesmo. É possível? Sim, é possível; e todos somos chamados a empenhar-nos para que tal aconteça. Olhemos para o ícone do Bom Samaritano (cf. Lc 10, 25-37), contemplemos a sua capacidade de parar e aproximar-se, a ternura com que trata as feridas do irmão que sofre.

Recordemos esta verdade central da nossa vida: viemos ao mundo porque alguém nos acolheu, somos feitos para o amor, somos chamados à comunhão e à fraternidade. Esta dimensão do nosso ser sustém-nos sobretudo no tempo da doença e da fragilidade, e é a primeira terapia que todos, juntos, devemos adotar para curar as doenças da sociedade em que vivemos.

A vós que vos encontrais na doença, passageira ou crónica, quero dizer-vos: Não tenhais vergonha do vosso desejo de proximidade e ternura. Não o escondais e nunca penseis que sois um peso para os outros. A condição dos doentes convida-nos a todos a abrandar os ritmos exasperados em que estamos imersos e a reentrar em nós mesmos.

Nesta mudança de época que vivemos, especialmente nós, cristãos, somos chamados a adotar o olhar compassivo de Jesus. Cuidemos de quem sofre e está sozinho, porventura marginalizado e descartado. Com o amor mútuo que Cristo Senhor nos oferece na oração, especialmente na Eucaristia, tratemos das feridas da solidão e do isolamento. E deste modo cooperamos para contrastar a cultura do individualismo, da indiferença, do descarte e fazer crescer a cultura da ternura e da compaixão.

Os doentes, os frágeis, os pobres estão no coração da Igreja e devem estar também no centro das nossas solicitudes humanas e cuidados pastorais. Não o esqueçamos! E confiemo-nos a Maria Santíssima, Saúde dos Enfermos, pedindo-Lhe que interceda por nós e nos ajude a ser artífices de proximidade e de relações fraternas.

Roma – São João de Latrão, 10 de janeiro de 2024.

FRANCISCO

26 janeiro 2024

Liga dos Servos de Jesus - 100 anos

A Liga dos Servos de Jesus completa 100 anos de Fundação. Fica um testemunho que pode servir de entusiasmo no convite de participar na celebração do Centenário no dia 18 de fevereiro às 16h00m na Sé da Guarda. 

"É preciso que Jesus reine"

Tens deixado que Jesus reine na tua vida?

Vê e ouve este vídeo que partilhamos.



25 janeiro 2024

Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2024 - oitavo dia


 

Jesus lhe disse: “Vai e faze tu a mesma coisa” (Lc 10, 37)

 

Passagens adicionais da Escritura

Rm 12, 9-13

Sal 41, 1-2

 

Reflexão

Por meio dessas palavras – “Vai e faze tu a mesma coisa” – Jesus envia cada um de nós, e cada uma de nossas igrejas, a viver o seu mandamento de amar. Inspirados pelo Espírito Santo, somos enviados para sermos “outros Cristos”, alcançando a humanidade sofredora com compaixão e misericórdia. Como o Bom Samaritano em relação ao homem ferido, podemos escolher não rejeitar aqueles que são diferentes, mas, em vez disso, cultivar uma cultura de proximidade e de boa vontade. Como o convite de Jesus para “ir e fazer o mesmo” se aplica à minha vida? O que esse chamado de Cristo implica no meu relacionamento com os membros de outras igrejas? Como podemos dar juntos o testemunho caridoso do amor de Deus? Como embaixadores de Cristo (cf. 2 Cor 5:20), somos chamados a nos reconciliar com Deus e uns com os outros, para que a comunhão crie raízes e cresça em nossas igrejas e nas áreas afetadas por conflitos intercomunitários, como a região do Sahel. À medida que a confiança mútua aumentar, estaremos mais dispostos a revelar nossas feridas, inclusive as eclesiais, para que o amor de Cristo possa nos visitar e nos curar por meio do amor e do cuidado uns dos outros. Empenhar-se juntos pela unidade dos cristãos ajuda a reconstruir laços mútuos, de modo que a violência possa dar lugar à solidariedade e à paz.

 

Oração

Pai Celeste, nós vos agradecemos pelo dom do Espírito Santo, o doador da vida, que nos torna mais abertos uns aos outros, resolve os conflitos e fortalece os nossos laços de comunhão. Que possamos crescer em estima recíproca e no desejo de anunciar a mensagem do Evangelho com mais fidelidade, para que o mundo possa recompor-se em unidade e acolher o Príncipe da Paz. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

24 janeiro 2024

Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2024 - sétimo dia

 

Disse Jesus: “Na tua opinião, qual dos três foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?” (Lc 10,36)

Passagens adicionais da Escritura

Fil 2, 1-5

Sal 10, 17-18

 

Reflexão

No final da parábola, Jesus perguntou ao doutor da lei: quem era o próximo do homem atacado pelos ladrões? O doutor da lei respondeu: “aquele que usou de misericórdia para com ele”. Ele não disse “o samaritano” e podemos imaginar que a hostilidade entre samaritanos e judeus tornou essa resposta difícil de admitir. Muitas vezes, descobrimos o próximo nas pessoas mais inesperadas, até mesmo naquelas cujo nome ou origem achamos difícil de pronunciar. No mundo de hoje, onde a política polarizada muitas vezes coloca aqueles de diferentes identidades religiosas uns contra os outros, Jesus nos desafia por meio dessa parábola a ver a importância da nossa vocação para poder cruzar as fronteiras e os muros de separação. Assim como aconteceu com o doutor da lei, somos desafiados a refletir sobre como vivemos as nossas vidas, não apenas em termos de fazer o bem ou não, mas se, assim como o sacerdote e o levita da parábola, estamos deixando de agir com misericórdia.

 

Oração

Deus Santo, O vosso Filho Jesus Cristo veio habitar entre nós para nos mostrar o caminho da compaixão. Ajudai-nos, por meio do vosso Espírito, a seguir o seu exemplo, para atender às necessidades de todos os vossos filhos, e assim dar um unido testemunho cristão dos seus caminhos de amor e de misericórdia. Nós vos pedimos por Cristo, nosso Senhor. Amém.

23 janeiro 2024

Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2024 - sexto dia

 

Colocou-o em seu próprio animal e o levou a uma pensão, onde cuidou dele (Lc 10, 34)

 

Passagens adicionais da escritura

Gn 18, 4-5

Sal 5, 11-12

 

Reflexão

O homem que caiu nas mãos dos ladrões foi atendido por um samaritano. O samaritano enxergou além do preconceito ou da parcialidade. Ele viu alguém em necessidade e o levou a uma estalagem. “No dia seguinte, pegou dois denários e entregou-os ao dono da pensão, recomendando: ‘Toma conta dele! Quando eu voltar, pagarei o que tiveres gasto a mais’” (Lc 10, 35). Em qualquer sociedade humana, a hospitalidade e a solidariedade são essenciais. Elas exigem o acolhimento de estranhos, estrangeiros, migrantes e pessoas sem-teto. Entretanto, quando nos deparamos com a insegurança, a suspeita e a violência, tendemos a desconfiar dos nossos próximos. A hospitalidade é um importante testemunho do Evangelho, especialmente em contextos de pluralismo religioso e cultural. Acolher “o outro” e ser acolhido, por sua vez, está no centro do diálogo ecumênico. Os cristãos são desafiados a transformar as nossas igrejas em pousadas onde nossos próximos possam encontrar a Cristo. Essa hospitalidade é um sinal do amor que as nossas igrejas têm umas pelas outras e por todos. Quando nós, como seguidores de Cristo, vamos mais além de nossas tradições confessionais e escolhemos praticar a hospitalidade ecumênica, deixamos de ser estranhos e passamos a ser próximos.

 

Oração

Pai de amor, Em Jesus, Vós nos mostrastes o significado da hospitalidade, cuidando da nossa frágil humanidade. Ajudai-nos a nos tornar uma comunidade que acolhe aqueles que se sentem abandonados e perdidos, construindo uma morada onde todos sejam bem-vindos. Que possamos nos aproximar uns dos outros ao oferecermos ao mundo o vosso amor incondicional. Nós vos pedimos na unidade do Espírito Santo. Amém.

22 janeiro 2024

Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2024 - quinto dia

 


Aproximou-se dele e tratou-lhe as feridas, derramando nelas óleo e vinho (Lc 10, 34)

 

Passagens adicionais da Escritura

Jl 2, 23-27

Sal 104, 14-15; 27-30

 

Reflexão

O bom samaritano fez o que pôde com seus próprios recursos: derramou vinho e óleo, enfaixou as feridas do homem e o colocou sobre seu próprio animal. Ele foi ainda mais longe, prometendo pagar por seus cuidados. Quando vemos o mundo com os olhos do samaritano, toda situação pode ser uma oportunidade para ajudar aos necessitados. É aí que o amor se manifesta. O exemplo do Bom Samaritano nos motiva a nos perguntarmos como responder ao nosso próximo. Ele deu vinho e óleo, restaurando o homem e dando-lhe esperança. O que podemos doar, para que possamos fazer parte da obra de Deus de curar um mundo despedaçado? Esse despedaçamento se manifesta no nosso mundo por meio da insegurança, do medo, da desconfiança e da divisão. Tristemente, essas divisões também existem entre os cristãos. Embora celebremos sacramentos ou outros rituais de cura, reconciliação e consolo, muitas vezes usando óleo e vinho, persistimos em divisões que ferem o Corpo de Cristo. A cura das nossas divisões cristãs promoverá a cura das nações.

 

Oração

Deus de toda graça, Vós que sois a fonte de todo amor e bondade: permiti-nos ver as necessidades de nosso próximo. Mostrai-nos o que podemos fazer para promover a cura. Transformai-nos para que possamos amar a todos os nossos irmãos e irmãs. Ajudai-nos a superar os obstáculos da divisão, para que possamos construir um mundo de paz para o bem comum. Nós vos agradecemos por renovar a vossa Criação e por nos conduzir a um futuro cheio de esperança: Vós sois o Senhor de todas as coisas, ontem, hoje e para sempre. Amém.


21 janeiro 2024

Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2024 - quarto dia

 


Quando viu o homem, seguiu adiante, pelo outro lado (Lc 10, 31)

 

Passagens adicionais da Escritura

Is 58, 6-9ª

Sal 34, 15-22

 

Reflexão

O sacerdote e o levita que passavam do outro lado podem ter tido boas razões religiosas para não ajudar: talvez estivessem prontos para realizar certos rituais religiosos e poderiam ter se arriscado a se contaminar se o homem estivesse morto. No entanto, em muitas ocasiões, Jesus critica a liderança religiosa por colocar as regras da religião acima da obrigação de sempre fazer o bem. O início do texto da Semana de Oração nos mostra como o doutor da lei queria se justificar. O sacerdote e o levita da parábola teriam se sentido justificados pelo que haviam feito. Como cristãos, até que ponto estamos preparados para ir além das convenções? Às vezes, nossa miopia eclesial e culturalmente condicionada pode nos impedir de ver o que está sendo revelado pela vida e pelo testemunho de irmãs e irmãos de outras tradições cristãs. Quando abrimos os nossos olhos para ver como o amor de Deus é revelado através dos nossos condiscípulos cristãos, somos atraídos para mais perto deles e, portanto, para uma união mais profunda com eles. Essa parábola de Jesus não apenas nos desafia a fazer o bem, mas também a ampliar a nossa visão. Não aprendemos o que é bom e santo apenas com aqueles que compartilham nossa visão de mundo confessional ou religiosa, mas muitas vezes com aqueles que são diferentes de nós. O Bom Samaritano geralmente é aquele que não esperamos.

 

Oração

Senhor Jesus Cristo, Enquanto caminhamos convosco rumo à unidade, que nossos olhos não desviem o olhar, mas estejam bem abertos para o mundo. Ao viajarmos pela vida, que possamos parar e estender a mão, curar os feridos e, ao fazê-lo, experimentemos a vossa presença neles: Vós que viveis e reinais pelos séculos dos séculos. Amém.

20 janeiro 2024

Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2024 - terceiro dia


 “Quem é o meu próximo?” (Lc 10, 29)

Senhor, abri os nossos corações para aqueles que não vemos

 

Passagens adicionais da Escritura

Rm 13, 8-10

Sal 119, 57-63

 

Reflexão

O doutor da lei queria se justificar, esperando que o próximo a quem ele é chamado a amar fosse alguém de sua própria fé e de seu próprio povo. Esse é um instinto humano natural. Quando convidamos pessoas para nossa casa, geralmente são pessoas que compartilham nosso status social, nossa visão da vida e nossos valores. Há um instinto humano de preferir lugares de familiaridade. Isso também se aplica às nossas comunidades eclesiásticas. Mas Jesus conduz o doutor da lei, e o seu público mais amplo, para além da sua própria tradição, lembrando-os da obrigação de acolher e amar a todos, independentemente da religião, da cultura ou do status social. O Evangelho ensina que amar aqueles que são como nós não é algo extraordinário. Jesus nos orienta para uma visão radical do que significa ser humano. A parábola ilustra de maneira muito visível o que Cristo espera de nós - que abramos nossos corações e caminhemos no seu caminho, amando os outros como ele nos ama. De fato, Jesus responde ao doutor da lei com outra pergunta: não é “quem é meu próximo”, mas “quem provou ser um próximo para o homem necessitado?” Nossos tempos de insegurança e de medo nos confrontam com uma realidade na qual a desconfiança e a incerteza estão em primeiro plano nos relacionamentos. Esse é o desafio da parábola de hoje: para quem eu sou um próximo?

 

Oração

Deus de amor, que infundis o amor em nossos corações, dai-nos a coragem de olhar além de nós mesmos e ver o próximo naqueles que são diferentes de nós, para que possamos realmente seguir a Jesus Cristo, nosso irmão e nosso amigo, que é Deus, pelos séculos dos séculos. Amém.

19 janeiro 2024

Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2024 - segundo dia


Jesus respondeu: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e com toda a tua alma, com toda a tua força e com todo o teu entendimento; e a teu próximo como a ti mesmo” (Lc 10, 27) 


Passagens adicionais da Escritura 

Dt 10, 12-13 

Sal 133 


Reflexão 

A resposta que Jesus dá ao doutor da lei pode parecer simples, extraída dos conhecidos mandamentos de Deus. Entretanto, amar a Deus dessa forma e ao próximo como a nós mesmos pode ser difícil. O mandamento de Deus de amá-Lo exige um compromisso profundo e significa abandonar-nos totalmente, oferecendo o nosso coração e a nossa mente para servir à vontade de Deus. Podemos pedir a graça de seguir o exemplo de Cristo, que se ofereceu totalmente e disse: “Não seja feita a minha vontade, mas a tua” (Lc 22, 42). Ele também manifestou seu grande amor por todos, inclusive pelos seus inimigos. Não podemos escolher os nossos próximos. Amá-los significa estar atento às suas necessidades, aceitar as suas imperfeições e animar as suas esperanças e aspirações. A mesma atitude é necessária no caminho da unidade dos cristãos, com relação às diferentes tradições de cada um. O chamado para amar o próximo “como a si mesmo” nos lembra da necessidade de nos aceitarmos como somos, conscientes do olhar compassivo de Deus sobre nós, sempre pronto a nos perdoar. Considere que somos a criação amada de Deus. Respeite a si mesmo. Busque a paz consigo mesmo. Da mesma forma, cada um de nós pode pedir a graça de amar e aceitar nossa própria igreja ou comunidade, com suas falhas, confiando todas as coisas ao Pai, que nos restaura por meio do Espírito Santo. 


Oração 

Senhor, dai-nos a graça de vos conhecer mais profundamente, para vos amar com todo o nosso ser. Concedei-nos um coração puro, para amarmos o próximo como a nós mesmos. Que o dom do vosso Espírito Santo nos permita ver a vossa presença em nossos irmãos e irmãs, para que possamos amar uns aos outros com o mesmo amor incondicional com que Vós nos amais. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.


consultar em: https://www.oikoumene.org/sites/default/files/2023-06/PT%20SOUC%202024.pdf

18 janeiro 2024

Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2024 - primeiro dia


Um doutor da Lei se levantou e, querendo experimentar Jesus, perguntou: “Mestre, que devo fazer para possuir a vida eterna?” (Lc 10, 25) 


Passagens adicionais da Escritura 

Rm 14, 8-9 

Sal 103, 13-18 


Reflexão 

“Que devo fazer para herdar a vida eterna?” Essa pergunta crucial feita a Jesus por um doutor da lei desafia todo aquele que acredita em Deus. Ela afeta o significado de nossa vida na Terra e na eternidade. Em outra parte da Bíblia, Jesus nos dá a definição suprema de vida eterna: “... que conheçam a ti, o Deus único e verdadeiro, e a Jesus Cristo, aquele que enviaste” (Jo 17, 3). Conhecer a Deus significa descobrir e fazer a Sua vontade na nossa vida. Toda pessoa deseja uma vida de plenitude e verdade, e Deus também deseja isso para nós (cf. Jo 10, 10). Santo Irineu disse: A glória de Deus é o homem vivente”. As realidades existenciais da vida, com divisões, egoísmo e sofrimento, muitas vezes nos distanciam da busca por Deus. Jesus viveu o mistério da comunhão íntima com o Pai, que deseja preencher todos os seus filhos com a plenitude de sua vida eterna. Jesus é “o Caminho” que nos leva ao Pai, nosso destino final. Assim, nossa busca pela vida eterna nos aproxima de Jesus e, ao fazê-lo, nos aproxima uns dos outros, fortalecendo a nossa proximidade no caminho para a unidade dos cristãos. Estejamos abertos à amizade e à colaboração com os cristãos de todas as igrejas, orando pelo dia em que todos nós poderemos nos sentar juntos à Mesa do Senhor. 


Oração 

Deus da vida, Vós nos criastes para termos vida, e vida em toda a sua plenitude. Que possamos reconhecer nos nossos irmãos e irmãs o seu desejo de vida eterna. Ao seguirmos o caminho de Jesus com determinação, que possamos levar outras pessoas a Vós. Nós vos pedimos em nome de Cristo, nosso Senhor. Amém.


consultar em: https://www.oikoumene.org/sites/default/files/2023-06/PT%20SOUC%202024.pdf

26 outubro 2023

Dia 26

 


“Disse Jesus aos Seus discípulos: ‘Eu vim lançar fogo sobre a terra; e como gostaria que ele já se tivesse ateado! Tenho de receber um batismo, e que angústias as Minhas até que ele se realize!’” (Lc 12, 49-50)

– Senhor, que eu seja capaz de valorizar o meu batismo, recordando a Tua Páscoa. Que saiba ver, nos sinais de dor e aflição das pessoas, um convite pessoal a viver em mim a Páscoa.

– No dia de hoje, vou procurar ser fiel ao Teu caminho.