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31 outubro 2025

Dia 31 - outubro missionário 2025

 

Sexta-feira, 31 de Outubro de 2025

XXX Semana do Tempo Comum – Ano Ímpar (I)

Rm 9, 1-5; Sl 147; Lc 14, 1-6

 

São Paulo, escrevendo aos Romanos, exprime uma dor profunda e permanente, uma angústia constante no seu coração pelo seu povo, os israelitas. Ele conta os imensos privilégios que lhes foram concedidos: a adopção como filhos, a glória divina, as alianças, a promulgação da lei, o culto e as promessas. No entanto, apesar de tudo isto, muitos não tinham reconhecido o Messias, Jesus Cristo, que provinha da sua linhagem.

A dor de Paulo é palpável. É uma dor que não nasce de um julgamento, mas de um amor profundo e de um desejo ardente pela sua salvação. Esta passagem recorda-nos que a missão não é um exercício clínico e distanciado. Nasce de um coração que se preocupa profundamente, um coração que sofre por aqueles que ainda não encontraram o amor transformador de Cristo. Chama-nos a olhar para além da nossa zona de conforto e a sentir a fome espiritual dos que nos rodeiam, próximos e distantes.

No Evangelho de Lucas (14, 1-6), conta-se a história de um homem que sofre de hidropisia e que Jesus encontra num Sábado. Os chefes religiosos observam-n’O atentamente, ansiosos por encontrar falhas. Mas, Jesus, com a Sua compaixão e sabedoria características, faz uma pergunta simples, mas profunda: «É lícito ou não curar ao sábado?» O silêncio dos doutores da lei e dos fariseus é eloquente. Jesus cura então o homem, demonstrando que os actos de misericórdia e compaixão transcendem até as mais rigorosas interpretações da lei. Isto recorda-nos que os missionários da esperança quebram diariamente as barreiras da indiferença e do legalismo para trazer a cura e a plenitude.

Os missionários da esperança não se limitam a proclamar grandes verdades teológicas, mas a encarnar o amor de Cristo de forma tangível. São chamados a ver o sofrimento do próximo e a responder com compaixão, mesmo quando isso é incómodo ou desafia o status quo.

Ao concluirmos este Mês Missionário, levemos estas reflexões nos nossos corações. Todos nós somos chamados a ser missionários da esperança. Esta não é uma tarefa reservada aos padres, às religiosas ou àqueles que viajam para terras distantes. É a vocação de cada cristão baptizado.

Saímos desta Missa renovados no nosso compromisso de sermos missionários da esperança entre todos os povos. Que as nossas palavras e acções reflictam o amor e a compaixão de Cristo. Sejamos portadores da luz na escuridão, oferecendo uma razão de esperança a um mundo que dela necessita desesperadamente.

Que o Senhor nos abençoe e nos fortaleça na nossa missão. Amén.

30 outubro 2025

Dia 30 - outubro missionário 2025

 Quinta-feira, 30 de Outubro de 2025

XXX Semana do Tempo Comum- Ano Ímpar (I)

Rm 8, 31b-39; Sl 108; Lc 13, 31-35

 

Na sua Carta aos Romanos, Paulo coloca uma questão importante: «Se Deus está por nós, quem estará contra nós?» (Rm 8, 31). Pensemos nisto por um momento. Perante os desafios implacáveis da vida, os sussurros da dúvida, o aguilhão da traição, o medo do desconhecido, Paulo recorda-nos uma verdade fundamental: Deus está do nosso lado. «Deus, que não poupou o Seu próprio Filho, mas O entregou à morte por todos nós, como não havia de nos dar, com Ele, todas as coisas?» Talvez alguns de nós se sintam hoje como o salmista que grita angustiado, vulnerável, negligenciado, abandonado, esquecido, marginalizado, enquanto outros carregam pesados fardos financeiros e económicos nas suas vidas.

Sim, é verdade! Também Jesus enfrentou ameaças e dores semelhantes, como nos diz o Evangelho de hoje. No entanto, o Salmista dá um belo passo atrás quando diz: «Agradecerei bem alto ao Senhor, louvá-l’O-ei no meio da multidão, porque Ele Se coloca à direita do pobre, para o salvar dos que o condenam” (Sl 108). Mesmo nas profundezas do desespero, o Salmista e Jesus recordam-nos o amor e o poder inabaláveis de Deus. Encontramos o desejo profundo de um coração apaixonado que encontra resistência, uma recordação pungente de que nem mesmo o amor divino consegue forçar a sua entrada.

A mensagem central para nós hoje é a passagem do desespero à alegria, da dúvida à certeza. Seja qual for a nossa posição na vida, sejam quais forem os desafios que estejamos a enfrentar, sejam quais forem as dúvidas que estejam a toldar as nossas mentes, lembremo-nos da afirmação retumbante de Paulo: «Na verdade, eu estou certo de que nem a morte nem a vida, nem os Anjos nem os Principados, nem o presente nem o futuro, nem as Potestades nem a altura nem a profundidade nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que se manifestou em Cristo Jesus, nosso Senhor» (Rm 8, 38-39). Deixemos que estas palavras penetrem profundamente nas nossas almas. Que elas sejam uma âncora nas tempestades da vida. Reconheçamos que, mesmo quando nos sentimos mais sós, mais vulneráveis, o amor de Deus rodeia-nos, protege-nos e dá-nos força. Como uma galinha que protege os seus pintainhos, Deus deseja o nosso bem, oferecendo-nos conforto e força.

Voltemos, pois, o nosso coração para Jesus, que é o coração inabalável do amor. Ofereçamos as nossas ansiedades e alegrias, os nossos triunfos e fracassos, Àquele que já venceu tudo. Confiemos na Sua presença infalível e deixemos que o Seu amor seja a força orientadora das nossas vidas. Porque no Seu amor encontramos a nossa verdadeira força, a nossa esperança duradoura e a nossa paz eterna. Amén.

29 outubro 2025

Dia 29 - outubro missionário 2025

 Quarta-feira, 29 de Outubro de 2025

XXX Semana do Tempo Comum – Ano Ímpar (I)

Rm 8, 26-30; Sl 12; Lc 13, 22-30

 

Irmãos e irmãs, amados filhos de Deus, olhai à vossa volta. Vede os rostos cheios de esperança, de saudade, da força tranquila que nos faz avançar todos os dias. Sintam o bater dos vossos corações, um ritmo de vida que vos foi dado como um dom precioso. Hoje, estamos na presença da maravilha, olhando para o coração sem limites do nosso Criador. Que as palavras que acabámos de ouvir nas leituras deste dia não soem apenas nos nossos ouvidos, mas ressoem nas profundezas do nosso ser, despertando um sentido de maravilha que mudará para sempre a forma como vemos o mundo e o nosso papel no contexto do Ano Jubilar da Esperança, durante o qual somos convidados a ser missionários de esperança.

Neste ano jubilar de esperança, estes suspiros assumem uma nova dimensão. Não são apenas o eco das nossas lutas individuais, mas também do anseio colectivo da humanidade pela cura, pela reconciliação, pelo cumprimento das promessas de Deus. Este momento é um convite a escutarmos mais intensamente essa voz interior, os sussurros do Espírito que nos guiam para uma maior esperança, para uma compreensão mais profunda da vontade de Deus, para as nossas vidas e para o nosso mundo. Este ano recorda-nos que, mesmo quando nos sentimos sem voz perante desafios esmagadores, o Espírito de esperança intercede por nós, levando os nossos desejos mais profundos ao coração de Deus.

O convite do Evangelho de Lucas a “esforçarmo-nos” incita-nos a não sermos complacentes, a não tomarmos este ano de graça como garantido. Lembra-nos que a esperança não é uma espera passiva, mas um compromisso activo com a vontade de Deus. Somos chamados a avaliar as nossas vidas, para nos assegurarmos de que estamos verdadeiramente a percorrer o caminho da rectidão, do amor e da justiça. A «porta estreita» pode ser vista como o esforço concentrado necessário para abraçar o poder transformador deste Jubileu, para abandonar velhos hábitos e abraçar as novas possibilidades que Deus nos oferece.

Deixemos que a admiração suscitada pelas leituras se instale profundamente em nós. Deixemos que os gemidos indizíveis do Espírito nos recordem a presença íntima de Deus. Deixemos que a viagem do salmista, do desespero à alegria, acenda a nossa confiança no amor infalível de Deus. E que a visão de Jesus do Reino universal nos inspire a esforçarmo-nos com todo o nosso ser para entrar pela «porta estreita», com os nossos corações abertos a todos, reconhecendo que no Reino de Deus os últimos podem de facto ser os primeiros. Amén.

28 outubro 2025

Dia 28 - outubro missionário 2025

 

Terça-feira, 28 de Outubro de 2025

XXX Semana do Tempo Comum – Ano Ímpar (I)

Santos Simão e Judas, apóstolos – FESTA

Ef 2, 19-22; Sl 18; Lc 6, 12-16

 

[1]Por ocasião da festa dos Santos Simão e Judas, as leituras de hoje pintam um quadro belo e poderoso daquilo que somos chamados a ser, não como indivíduos isolados, mas como uma comunidade viva, que respira, construída sobre o fundamento da fé. Tal como o universo proclama silenciosamente a glória de Deus, também nós somos chamados a deixar que as nossas vidas falem do Seu amor, não só dentro dos muros da nossa igreja, mas em todos os cantos das nossas vidas, chegando àqueles que ainda não ouviram a Boa Nova.

No Evangelho, Jesus, depois de uma noite de oração, fonte da Sua missão, escolhe os Seus doze Apóstolos, entre os quais estão Simão e Judas. Este acto sublinha a verdade fundamental de que a missão é comunhão.

É importante notar que os doze Apóstolos não eram pessoas perfeitas: eram pescadores, cobradores de impostos, indivíduos com diferentes origens e, certamente, com opiniões muito diferentes. No entanto, Jesus viu neles o potencial para serem os pilares da Sua nova comunidade, uma comunidade que levaria a Sua mensagem de amor e salvação até aos confins da terra.

Isto leva-nos ao discipulado missionário, pelo qual somos chamados e enviados a partilhar a Boa Nova, não como pregadores perfeitos, mas sendo nós próprios, procurando mostrar o amor e a bondade. Não somos enviados sozinhos. Fazemos parte de uma comunidade maior, o Corpo de Cristo, e a nossa missão é reforçada e sustentada pela nossa comunhão com Deus e uns com os outros. As nossas paróquias, as nossas pequenas comunidades cristãs, as nossas famílias são as redes vitais em que nos apoiamos e encorajamos mutuamente na nossa missão partilhada. Avançamos juntos, testemunhando o amor de Deus através das nossas palavras e acções, da nossa oração partilhada e do nosso apoio mútuo.

Por isso, assumamos o nosso papel de pedras vivas, imitando os santos Simão e Judas que hoje celebramos, que partilharam o amor de Deus de formas únicas, apoiando-se mutuamente, em comunhão, e sempre com a alegre esperança de que Deus está a construir algo de belo. Lembremo-nos de que cada acto de bondade, cada palavra de encorajamento, cada esforço para construir a justiça e a paz é um tijolo na casa de Deus, um testemunho da esperança que nos anima. Vamos em frente, inspirados pelo exemplo de Jesus e capacitados pelo Espírito Santo, para sermos discípulos missionários que, através das nossas vidas vividas em comunhão, levam a luz de Cristo e a esperança inabalável do Evangelho a todos. Amén.

 



[1] Os comentários de 28 a 31 de Outubro foram fornecidos pelo P. Bonaventure S. M. Luchidio, director nacional das OMP-Quénia, a quem agradecemos.

27 outubro 2025

Dia 27 - outubro missionário 2025

 Segunda-feira, 27 de Outubro de 2025

XXX Semana do Tempo Comum – Ano Ímpar (I)

Rm 8, 12-17; Sl 67; Lc 13, 10-17

 

O Evangelho apresenta o grande drama de uma mulher que estava doente havia 18 anos. O seu sofrimento era duplo: não era apenas físico, mas também espiritual. Ela era uma escrava do espírito de desamparo, acorrentada por ele e dobrada sobre si mesma. Em vez do Espírito de Deus, ela estava curvada pelo o espírito daquele que tenta a todo o custo destruir em nós a imagem e semelhança de Deus. Por isso, a pobre mulher não conseguia endireitar-se e olhar para o céu. Ela estava curvada sobre si mesma e sobre as suas coisas mundanas. A liberdade está somente no Espírito de Deus: só Ele pode libertar-nos do medo, da angústia e da depressão espiritual. Só o Espírito Santo nos permite olhar para o céu com a alegria e a liberdade de filhos de Deus.

Jesus libertou a mulher da sua enfermidade e restaurou a sua dignidade. Mas, nem todos gostaram do bem que Ele fez. As frias regras da Lei queriam prevalecer sobre uma atitude humana e natural do coração: ajudar os outros. Jesus não Se envolveu na discussão com o chefe da sinagoga. Ele demonstrou a sua hipocrisia com argumentos simples, e as Suas palavras alcançaram aqueles que murmuraram e O criticavam vergonhosamente.

Um discípulo missionário é aquele que olha para o céu, que se foca em Deus e não em si mesmo, e com a ajuda da Sua graça é capaz de mostrar às pessoas a verdade do Evangelho que ele testemunha por meio de um discurso calmo e de actos de bondade. O discípulo missionário não esquece a sua dignidade de filho de Deus e procura lembrá-la e devolvê-la aos outros. Hoje, no mundo há muitos escravos do próprio egoísmo, do desejo de poder, de posse e de dinheiro. Eles esqueceram-se de quem são verdadeiramente e só olham para o ter. O nosso trabalho é levar-lhes o espírito do Evangelho de Deus. Não é uma tarefa fácil, mas não estamos sozinhos. Ao nosso lado está o E

26 outubro 2025

Dia 26 - outubro missionário 2025

 

Domingo, 26 de Outubro de 2025

XXX Domingo do Tempo Comum – Ano C

Sir 35, 15b-17.20-22a; Sl 33; 2 Tm 4, 6-8.16-18; Lc 18, 9-14

 

O ensinamento do sábio Ben Sirá, herdeiro da milenar doutrina profética da justiça e do amor preferencial de Deus pelos pobres e oprimidos, conduz aos cumes da verdadeira espiritualidade bíblica. O Deuteronómio advertiu-nos de que Deus «não faz acepção de pessoas» e «não favorece ninguém em prejuízo do pobre» (Dt 10, 17), ao contrário dos homens, que têm os seus favoritismos baseados em preconceitos sociais, raciais ou ideológicos, prejudicando a vida dos humildes. Esta doutrina será largamente aplicada por Jesus na Sua práxis de pregação e de libertação, tal como pelos apóstolos e pelos evangelistas, que a registaram nos seus escritos e a difundiram universalmente. Na Sua infinita misericórdia, Deus nunca falta ao encontro com todos aqueles que, conscientes dos seus próprios defeitos e debilidades, procuram a Sua ajuda e o Seu perdão. Aos soberbos, pelo contrário, deixa-os vaguear, confusos, nos orgulhosos pensamentos do seu coração.

A parábola que Jesus contou a propósito do publicano e do fariseu mostra a Sua maneira de ver as pessoas, que é a forma correcta do olhar de Deus, porque Ele não julga pelas aparências nem com base em preconceitos, mas por aquilo que vê com clareza nas profundezas do coração humano, discernindo a verdadeira motivação que gera as acções e as orações das pessoas.

Com efeito, encontramos pela primeira vez a declaração do sábio Ben Sirá, segundo o qual «Deus não faz acepção de pessoas», na boca dos adversários de Jesus que, embora estivessem a conspirar contra Ele, tiveram de reconhecer publicamente a Sua perfeita integridade moral, dizendo: «Mestre, sabemos que falas e ensinas com rectidão e não tens em consideração as aparências, mas ensinas o caminho de Deus de acordo com a verdade» (Lc 20, 21; cf. Mt 22, 16). É este o caminho de Deus, que Jesus praticou e ensinou. É uma práxis evidente, não só na forma como Ele Se aproxima das pessoas humildes e daquelas que são excluídas e marginalizadas por serem consideradas pecadoras, como as prostitutas e os publicanos, ou impuras e malditas, como os leprosos, mas que se distingue em toda a sua acção evangelizadora, abatendo todas as barreiras da discriminação, quer religiosa quer social ou racial. Jesus, com efeito, aceita escutar o humilde pedido do centurião romano e vai a sua casa curar o seu servo. Além disso, nas Suas viagens contínuas como Mestre itinerante, visita a região dos samaritanos e muitas vezes os elogia. Entrando nos territórios pagãos, chega à região de Tiro e cura a filha de uma mulher siro-fenícia. Atravessando para o outro lado do lago de Tiberíades, encaminha-Se para a Decápole e cura pessoas atingidas por várias doenças. As repetidas travessias do lago da Galileia revelam o poder de Jesus sobre a realidade, simbolicamente significada pelo mar: Ele é capaz de acalmar a sua força ameaçadora e de caminhar sobre o seu abismo. O mar aterrador, símbolo das forças do mal, deixa de ter uma função de separação, transformando-se numa ponte e, através do ministério de Jesus, realiza a reconciliação das duas partes: a judaica e a pagã.

Na sinagoga de Nazaré – onde tinha apresentado o programa do Seu ministério –, Jesus tinha desafiado os Seus ouvintes sobre a posição de Israel em relação aos outros povos considerados não-eleitos. Com efeito, os presentes tinham reagido de forma negativa, condenando a Sua afirmação sobre o cumprimento das profecias. O exemplo de Elias, que foi enviado à viúva fenícia, e de Eliseu, que curou o leproso sírio, Naamã, foram suficientes para demonstrar que Deus não faz acepção de pessoas, mas que todas as criaturas são preciosas aos Seus olhos. Como diz o salmista: «O Senhor é muito bom para todos, a Sua ternura abraça toda a criatura. Ele está próximo de todos aqueles que O invocam com sinceridade (cf. Sl 145, 17-18). O salmista não menciona qualquer raça ou nacionalidade específica nem o estado ou a cor da pele. Se o amor de Deus permeia todas as criaturas, é porque todas elas são obra Sua e, portanto, o Seu amor é um amor universal, cheio de solicitude para com todos os seres humanos, sem discriminação alguma.

Isso não nega o facto de Israel ter sido escolhido por Deus para entrar numa relação especial de aliança com Ele. Essa eleição, porém, estava em função de uma missão específica em favor de todos os povos, como testemunho da presença do Deus vivo na história como libertador dos oprimidos e salvador do ser humano em toda a sua realidade: «Vós sois as Minhas testemunhas – oráculo do SENHOR, os meus servos, a quem Eu escolhi, para Me conhecerdes e acreditardes em Mim e para compreenderdes que Eu sou o mesmo! Antes de Mim não foi formado qualquer deus e depois de Mim também não existirá» (Is 43, 10) Com efeito, Deus não só escolheu o Seu servo, mas também o constituiu e instruiu: «Eu, o SENHOR, chamei-te na justiça e segurei-te pela mão; formei-te e estabeleci-te como aliança do povo e luz dos povos, para abrir os olhos dos cegos, para fazer sair da prisão os prisioneiros e da masmorra os que moram nas trevas» (Is 42, 6-7) Analisando mais a fundo o ensinamento de Jesus na parábola do publicano e do fariseu no Templo, apercebemo-nos de que o que faz a diferença é precisamente aquilo que se encontra no coração humano posto a nu pela presença de Deus na oração.

Seja como for, é com a intenção de rezar que o publicano e o fariseu se dirigem ao Templo, partilhando assim, por uns instantes, o mesmo lugar sagrado. No entanto, será o modo particular como cada um deles concretizará essa intenção que determinará o seu destino respectivo e o seu estado espiritual final. O publicano, tendo tido a humildade e a sinceridade de reconhecer a sua indignidade e o seu pecado e de implorar o perdão de Deus, regressa a casa como um homem melhor, interiormente transformado, reconciliado: frente à sua oração autêntica, a graça divina não se fez esperar. Mais uma vez se verificou que «todo aquele que se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado» (Lc 18, 14b).

O fariseu, pelo contrário, é prisioneiro da sua torre de orgulho espiritual. Demasiado consciente das suas próprias obras pias meritórias e da excelência da sua classe sócio-religiosa, julga-se superior e melhor do que todos os outros, levantando barreiras entre si e eles, insultando-os e desprezando-os. Ele talvez fosse bom e piedoso até àquele momento, mas a atitude manifestada revelou a arrogância presente no seu coração, minando a sua suposta virtude a partir do seu interior.

Por isso, não nos devemos colocar diante de Deus, no Templo, para nos auto-celebrarmos e contemplarmos numa postura auto-referencial, olhando os outros de cima para baixo. Devemos colocar-nos diante d’Ele para um encontro de amor e para encontrarmos os outros n’Ele. Nesse sentido, a oração é contemplação do Senhor, celebração das maravilhas que a Sua graça realiza em cada dia no seio da fragilidade humana, celebração da Sua incansável misericórdia, que reanima aquele que está caído e que deseja levantar-se.

Escutando esta parábola, a tentação imediata poderia ser metermo-nos na pele do publicano, simplesmente porque ele é visto numa luz positiva. E se isso acontecesse, seria sinal da enganosa mania humana de tranquilizar a consciência. Por outro lado, a parábola convida-nos a olhar para dentro de nós, a fim de removermos toda a nossa auto-suficiência e todo o nosso desprezo pelos outros, a fim de reencontrarmos um coração simples, humilde e fraterno, que saiba pousar sobre si próprio e sobre os outros um olhar misericordioso e cheio de esperança. Nesse sentido, devemos interrogar-nos com frequência sobre o modo como rezamos. O que nos revela o mesmo sobre a profundidade e a qualidade do nosso coração? O que nos revela sobre nós próprios, sobre a maneira como nos relacionamos com os outros, como os vemos espontaneamente na sua relação connosco? O que nos revela da nossa relação com Deus e com a Sua salvação?

O Papa Francisco recorda-nos frequentemente a centralidade da oração para a Igreja e para a sua missão. A oração é a alma da missão: quase como se dissesse que a eficácia do encontro pessoal com Cristo, a justa medida da relação consigo mesmo e com o mundo à luz do Espírito Santo, estão na raiz da experiência da verdade que salva. O discípulo missionário, graças à oração, inclui-se sempre a si próprio no número daqueles que necessitam da salvação que é chamado a anunciar e dos sacramentos que deve comunicar. A verdade é que a missão de evangelização que nos é confiada enquanto Igreja não poderia ser conduzida com verdade se adoptássemos uma atitude dominadora no encontro com os outros, seguros e convencidos da nossa superioridade moral e religiosa. A missão deve ser uma humilde proposta da amizade de Cristo, no respeito infinito pela liberdade religiosa dos homens e das mulheres da nossa época, das suas culturas e da sua história. Verdadeira humildade nunca é ausência de verdade. É, antes, presença eficaz de uma verdade que julga, perdoa e salva quem anuncia e os seus interlocutores.

 

23 outubro 2025

Dia 23 - outubro missionário 2025

 

Quinta-feira, 23 de Outubro de 2025

XXIX Semana do Tempo Comum – Ano Ímpar (I)

Rm 6, 19-23; Sl 1; Lc 12, 49-53

 

Na passagem do Evangelho de hoje, Jesus fala metaforicamente de incendiar a terra. Diz: «Eu vim trazer o fogo à terra e que quero Eu senão que ele se acenda?» De que está Ele a falar? É compreensível que muitas pessoas fiquem impressionadas com as palavras de Jesus sobre incendiar a terra. Que tipo de fogo poderia Jesus ter em mente? Como todos sabemos, o fogo dá luz, calor, purifica e limpa; pode polir metais e muito mais. Nos tempos bíblicos, o fogo estava simbolicamente associado à presença e à acção de Deus no mundo e na vida do Seu povo.

Por exemplo, no Antigo Testamento, Deus manifestou por vezes a Sua presença através do fogo, como no caso da sarça ardente que não se consumiu quando Deus falou a Moisés (Ex 3, 2). A imagem do fogo foi também utilizada para simbolizar a glória de Deus (Ez 1, 4.13), a Sua presença protectora (2 Rs 6, 17), a Sua santidade (Dt 4, 24), o Seu justo juízo (Zc 13, 9), a Sua ira contra o pecado (Is 66, 15-16), e a Sua palavra foi também comparada ao fogo (Jr 23, 29). Também no Novo Testamento, a influência do Espírito Santo é comparada a um fogo (Mt 3, 11) e a Sua descida tem sido associada ao aparecimento de línguas como fogo (Act 2, 3).

O Evangelho de hoje diz-nos o que Jesus quer que façamos concretamente. Ele quer que nos ‘incendiemos’ com o Seu amor e a Sua presença na nossa vida, porque o Seu fogo de amor queima todas as impurezas do pecado, purifica-nos e torna-nos santos. O amor é a Sua expressão máxima, como o prova a Sua paixão e a Sua morte.

E assim, através deste fogo de amor e de presença, Jesus quer transformar-nos de meros frequentadores de igrejas e observadores passivos em cristãos totalmente empenhados e activos, dispostos e abertos a segui-l’O e a imitá-l’O, sendo ao mesmo tempo obedientes a Deus e trabalhando para Ele e até morrendo por Ele como discípulos no mundo. Ele também quer tornar as nossas vidas instrumentos visíveis do Seu amor, bondade, compaixão e salvação para todo o mundo.

Rezemos para que, através do amor e da presença de Cristo nas nossas vidas, possamos ter uma mente que pense como Jesus, uma mão que trabalhe como Jesus, um coração que ame como Jesus, um olho que veja as pessoas em necessidade como Jesus, uma boca que diga palavras como Jesus e uma vida que seja exactamente como a de Jesus. Que este fogo acenda o nosso zelo pela missão.

18 outubro 2025

Dia 18 - outubro missionário 2025

 

Sábado, 18 de Outubro de 2025

XXVIII Semana do Tempo Comum – Ano Ímpar (I)

São Lucas, evangelista – FESTA

2 Tm 4, 10-17b; Sl 144; Lc 10, 1-9

 

A Igreja celebra hoje a festa de S. Lucas evangelista, um médico natural de Antioquia, na Síria. Convertido ao cristianismo, tornou-se um colaborador de S. Paulo, a quem acompanha nas suas viagens missionárias, enquanto outros o tinham abandonado, por cansaço ou por medo, como lemos na carta de Paulo a Timóteo. Lucas foi o autor do terceiro evangelho e dos Actos dos Apóstolos, e também um dos responsáveis pela acção missionária nos primeiros tempos da Igreja.

O Evangelho narra o envio em missão – para preparar a chegada de Jesus – dos setenta e dois discípulos, um episódio que aparece apenas em S. Lucas. Jesus, depois de ter enviado os Doze em missão (Lc 9, 1ss), envia também estes 72 discípulos, a quem dá instruções claras de como hão-de fazer e ser missão. Jesus pede-lhes que vão pobremente de modo que experimentem a sua dependência, aceitando a hospitalidade que lhes é oferecida, e confiem apenas na força da mensagem que levam – e não no poder dos meios que eventualmente possam ter.

Lucas une a missão dos setenta e dois discípulos à oração, quando diz: «A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, portanto, ao dono da messe que mande trabalhadores para a Sua messe». A missão começa com a oração; sem oração não há missão. Ao pedirmos a Deus mais trabalhadores para a Sua missão, abrimo-nos à Sua inspiração e impulso, que são os meios indispensáveis para nos tornarmos nos colaboradores que Ele precisa. Por isso, a oração é a primeira acção missionária, como nos recordou o Papa Francisco.

A missão é uma das grandes preocupações de S. Lucas. Ele é o evangelista da oração, da misericórdia e do perdão. Apresenta Jesus como o amigo dos pecadores e o consolador dos que sofrem. A salvação destina-se a todos, mas preferencialmente aos pobres, doentes, excluídos, pecadores, mulheres e crianças, pois Jesus «veio procurar e salvar o que estava perdido» (Lc 19, 10). Nos Actos dos Apóstolos, Lucas narra como a salvação de Jesus, de Jerusalém chega aos confins da terra, graças ao testemunho dos Apóstolos e dos primeiros cristãos e à força do Espírito Santo, o grande protagonista da missão.

Nós, discípulos de hoje, continuamos esta missão de salvação, ao fazermos o que podemos para que o perfume de Cristo e do seu Evangelho chegue a todos.

14 outubro 2025

Dia 14 - outubro missionário 2025

 Terça-feira, 14 de Outubro de 2025

XXVIII Semana do Tempo Comum – Ano Ímpar (I)

Rm 1, 16-25; Sl 18; Lc 11, 37-41

 

Jesus revela o Seu amor misericordioso especialmente àqueles que ainda não compreendem plenamente o significado da Sua missão. Ele é Aquele que Se aproxima, que ama incondicionalmente e que convida a pessoa a uma nova maneira de viver. No Evangelho de Lucas 11, 37-41, vemos essa realidade expressa quando Jesus aceita o convite de um fariseu para jantar em sua casa. Esse gesto demonstra a abrangência do Seu amor, que não exclui ninguém, nem mesmo aqueles que O questionam ou que ainda não compreendem a Sua mensagem universal de salvação.

Durante a refeição na casa do fariseu, Jesus é criticado por não realizar o ritual de purificação das mãos, uma prática valorizada por esse grupo religioso. No entanto, Ele aproveita a ocasião para transmitir uma verdade essencial: a verdadeira pureza não está nos ritos externos, mas na transformação do coração. Jesus repreende os fariseus por darem excessiva importância à aparência e à limpeza exterior, enquanto os seus corações permanecem cheios de ganância e maldade. Ele adverte-os: «Vós, os fariseus, limpais o exterior do copo e do prato, mas o vosso interior está cheio de rapina e perversidade» (11, 39). A lição de Jesus também nos ensina a evitar julgamentos precipitados. Assim como os fariseus se prendiam às aparências e condenavam os que não seguiam as suas tradições, podemos cair na armadilha de julgar os outros sem olhar para as nossas próprias imperfeições. O verdadeiro caminho para Deus passa pela sinceridade do coração, pela humildade e pelo amor ao próximo, que nos levam a uma transformação autêntica.

O amor misericordioso de Jesus supera todo o tipo de mal. É um amor que acolhe a todos, independentemente das suas limitações, dúvidas ou falhas. É um amor que não apenas perdoa, mas que transforma, renovando o coração humano e conduzindo-o a uma nova maneira de viver. Jesus não faz distinção entre aqueles que O compreendem plenamente e os que ainda resistem à Sua mensagem. Ele aproxima-Se dialoga, ensina e, sobretudo, ama incondicionalmente, oferecendo a cada um a possibilidade de uma verdadeira conversão.

Jesus está sempre a convidar-nos à conversão verdadeira, à mudança de vida e ao compromisso com o Reino de Deus. Nesse caminho, somos chamados a não julgar, mas a sermos instrumentos da Sua misericórdia, partilhando generosamente com os mais necessitados: «Dai antes de esmola o que está dentro e tudo para vós ficará limpo» (Lc 11, 41). Neste mês das missões, deixemo-nos impulsionar por Jesus para sermos testemunhas vivas do Seu amor. Que a nossa fé transborde em gestos concretos de solidariedade, justiça e compaixão. Que como discípulos missionários levemos a Luz de Cristo aos que estão à margem, anunciando com alegria e coragem que a salvação é para todos. Que nossa vida reflicta o ardor missionário e o desejo de fazer Cristo conhecido e amado em cada coração.

14 setembro 2016

Novo Ano Pastoral 2016.2017

Para dialogar sobre o novo ano pastoral que está a começar e sobre o impulso que nos é dado pelo mês de Outubro (Mês das Missões), que a equipa do SDM/CMD se vai encontrar no próximo dia 15 de Setembro, no Seminário Maior da Guarda, às 21h. Se queres fazer parte desta equipa vem ter connosco porque juntos a Missão avança melhor.
UNIDOS NA MISSÃO

25 outubro 2007

um a um


ANA MARGARIDA

Uma jovem sorridente e de uma simplicidade e organização excepcionais. Professora, também já fez uma experiência de voluntariado em Angola. Desenrascada. Só não faz o que realmente não pode. É sempre a nossa "campainha" quando estamos a desviar-nos demasiado dos assuntos e que nos chama a atenção para sermos concretos e objectivos. Sem a sua capacidade de síntese e organização andaríamos um pouco à deriva. Sempre bem disposta e com um sorriso contagiante.

07 outubro 2007

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ZÉLIA BOTAS

Uma jovem rapariga com um coração cheio de amor de Deus para dar. Sempre com um "SIM" pronto para dar. Raramente está indisponível para estender os seus braços. Chamamos por ela e ela aparece. É mais um rosto visível de que Deus ama e quer amar através dos homens. Professora de Música também já esteve em Angola doando algum tempo em favor de quem precisava do seu imenso sorriso. Sorrir é com ela.

20 setembro 2007

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MARIA DO CARMO

Uma jovem que nos ilumina com a sua sabedoria, com a sua experiência de vida, a sua fé , o seu sorriso bem disposto, mas também partilha connosco o seu tempo de Missão em Angola (Leigos para o Desenvolvimento). Membro da Liga dos Servos de Jesus, está no Colégio da Cerdeira e, para além de professora de Ciências, este ano tem lá a missão de acompanhar o 5.º ano.

11 setembro 2007

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SILVIE AZEVEDO


Uma jovem cheia de boa disposição que se pode carecterizar pela sua extrema simplicidade e disponibilidade. Sempre com um sorriso na sua face para dar a qualquer uma das crianças da Aldeia SOS da Guarda (onde actualmente está a exercer). Já esteve em Missão em Moçambique, experiência esta que fica marcada por muitas coisas, mas também pela solicitude em pretar todos os cuidados necessários à Ana Castro.

08 setembro 2007

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ANA CASTRO

Uma jovem que para além da sua simpatia, deixa transparecer a presença de Jesus na sua vida. Passou pelo grupo de Jovens "A mensagem" na Guarda, é também uma jovem hospitaleira e no momento está a colaborar com o seu sorriso e com as suas mãos na Cáritas da Guarda. Ela já esteve drutante dois meses em Moçambique, tendo sofrido a provação da doença (malária cerebral), mas apesar de tudo continua a dar o seu sorriso às Missões.

06 setembro 2007

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PEDRO MANGANA

Jovem simpático, empenhado, e muitas mais coisas que ele saberá dizer a seu tempo. Professor no Ensino Básico, acabou agora também de fazer uma formação em Língua Gestual. Sempre disponível peara fazer mais em nome d'Ele, aceitou este desafio! Também já esteve durante dois meses em Angola (luanda) a fazer voluntarido missionário.