Diocese da Guarda | Departamento da Comunhão Eclesial e Ecumenismo - Departamento das Missões - Departamento da Piedade Popular | Obras Missionárias Pontifícias
25 junho 2010
na vida do nosso mundo
24 junho 2010
Clareza e ambição para atingir os ODM

Para já, foi criada a comissão representativa dos vários Estados-membros da EU que irá preparar o Encontro das Nações Unidas dedicado aos ODM, em Setembro. Em causa está perceber se o evento irá constituir uma oportunidade para pôr em marcha um verdadeiro plano de acção ou se, pelo contrário, será mais um momento para “meras declarações políticas”.
A poucos meses do Encontro das Nações Unidas em Nova Iorque que irá rever os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, e a dois terços do final da meta traçada para os atingir (2015), a Comissão Europeia apresenta um Plano de Acção com doze pontos-chave para apoiar os ODM. A CIDSE, a Caritas e a CONCORD elaboraram um conjunto de recomendações para uma evolução “ambiciosa” desta causa, na sequência do esforço que as ONG religiosas na Europa têm vindo a fazer.Para já, foi criada a comissão representativa dos vários Estados-membros da EU que irá preparar o Encontro das Nações Unidas dedicado aos ODM, em Setembro. Em causa está perceber se o evento irá constituir uma oportunidade para pôr em marcha um verdadeiro plano de acção ou se, pelo contrário, será mais um momento para “meras declarações políticas”.
21 junho 2010
Workshop do SDM na VI Expo Social em Seia

Na passada Quinta-feira um dos Workshops, para os alunos do 8.º ano dos agrupamentos de Seia, foi orientado pelo SDM sob o título: Oito Objectivos do Milénio. No ano de 2000, 189 chefes de Estado e de Governo assinaram a Declaração do Milénio, estabelecendo 8 objectivos de desenvolvimento, a alcançar até 2015. Estes Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM), devem ser uma prioridade da agenda política de todos e cada um dos Estados signatários, entre os quais Portugal. Os ODM são: 1. Reduzir para metade a pobreza extrema e a fome, 2. Alcançar o ensino primário universal, 3. Promover a igualdade entre sexos, 4. Reduzir em 2/3 a mortalidade das crianças, 5. Reduzir em ¾ a taxa de mortalidade materna, 6. Combater a sida, a malária e outras doenças, 7. Garantir a sustentabilidade ambiental e 8. Criar uma parceria mundial para o desenvolvimento. Neste workshop foram feitas algumas dinâmicas para uma maior compreensão de cada um dos objectivos e dialogada também a experiência do Guard’África (voluntariado missionário da diocese). O nosso agradecimento à organização da VI Expo Social de Seia pelo convite.
No âmbito de dar a conhecer estes os ODM o Secretariado Diocesano das Missões continua disponível para fazer este Workshop a quem solicitar a nossa presença. Para consulta: www.sdmissoesguarda.blogspot.com e para contactar: sdmissoesguarda@gmail.com
18 junho 2010
Carta Pastoral dos Bispos de Portugal sobre a Missão
Carta Pastoral dos Bispos de Portugal sobre a Missão
16 junho 2010
Curso de Missiologia
O Curso de Missiologia é um curso de formação que visa a qualificação do missionário e, consequentemente, da Missão.Tem como objectivos:
Apresentar as bases bíblico-teológicas da missão ad gentes.
Repensar a missão à luz do Vaticano II e dos documentos recentes do Magistério.
Percorrer as etapas mais importantes da história da evangelização e da reflexão missiológica.
Apresentar exemplos concretos da praxis missionária actual e preparar para os desafios da inculturação e do diálogo do Cristianismo com outras religiões.
A quem se destina?
. Membros dos Institutos Missionários Religiosos/as
. Sacerdotes diocesanos
. Missionários em férias
. Seminaristas e estudantes de teologia
. Candidatos ao Laicado Missionário
. Voluntários da Missão
Data:
23 a 28 de Agosto de 2010
Este ano corresponde ao 1º ciclo bienal e abordará os seguintes temas:
.A missão nos actos dos apóstolos
.A espiritualidade missionária
.A evangelização na época e no espaço dos descobrimentos
.A evangelização e as culturas: Os desafios da inculturação
.A mulher: sujeito e destinatário da missão
Docentes:
.Dom António da Rocha Couto - SMBN
.Padre José Antunes da Silva - SVD
.Padre David Sampaio Barbosa - SVD
.Frei José Nunes - OP
.Irmã Miriam Rotta - FSP
O curso será ministrado através de:
.Conferências
.Trabalhos de grupo
.Debates
.Plenários
.Workshops
.Testemunhos missionários
E inclui também:
.Convívio
.Celebração da Eucaristia e da Liturgia das Horas
.Terço Missionário na Capelinha das Aparições
Qualquer informação contactar:
Secretariado do Curso de Missiologia
Museu de Arte Sacra e Etnologia
Missionários da Consolata
Rua Francisco Marto, 52
Apartado 5
2496-908 FÁTIMA
por telefone ou fax:
Tel: 249 539 470 | Fax: 249 539 479
ou ainda, via email:
cursomissiologia@consolata.pt
Dados importantes:
Inscrição: 20€
Data limite de inscrições:
18 de Agosto de 2010
Alojamento:
Fica a cargo dos participantes.
No seminário da Consolata há possibilidade limitada de alojamento.
Marque quanto antes.
Quarto individual/duplo/triplo e refeições
Também há camaratas (para grupos)
Informar que é participante do Curso de Missiologia
Tel. 249 539 430
Informações úteis:
O curso tem início no dia 23 de Agosto às 9h00.
Termina no dia 28 às 13h00 com a entrega dos diplomas.
Para mais informações úteis vá a:
www.cursodemissiologia.blogspot.com
07 junho 2010
Jornadas Missionárias 2010

Dia 17 (Sexta-Feira)
17.00h Acolhimento – Cento Paulo VI – Fátima
19.00h EUCARISTIA - Cento Paulo VI – Sala Bom Pastor
20.00h Jantar
21.30h Dinamismo e vitalidade da Igreja nas Primeiras Comunidades (Lc e Act), D. António Couto – Presidente da Comissão Episcopal Missões
Dia 18 (Sábado)
09.00h Oração da manhã
09.30h O Espírito Santo, protagonista da Missão (RM, Cap.III), Tony Neves, CSSp – Director Diocesano das OMP de Lisboa
11.00h Painel: Como estimular o espírito missionário no Clero Diocesano?, Vários convidados
13.00h Almoço
15.00h A dimensão missionária no ministério sacerdotal, António Almiro Mendes – Director Diocesano das OMP do Porto
17.00h Painel: Missão e luta contra a pobreza e exclusão, Vários convidados
19.00h EUCARISTIA
20.00h Jantar
21.00h Convívio missionário
Dia 19 (Domingo)
09.00h Oração da manhã
09.30h Painel: O Espírito no planeta jovem – representantes de alguns Movimentos Missionários Juvenis, Diversos convidados
11.00h EUCARISTIA – Conclusões
13.00h Almoço
Escola de Verão de Voluntariado
ESCOLA DE VERÃO DE VOLUNTARIADO -
INSCRIÇÕES ATÉ 18 DE JUNHO
A Fundação Eugénio de Almeida promove em 2010 a primeira edição da Escola de Verão de Voluntariado à qual se associam conceituados especialistas nacionais e internacionais, disponibilizando um conjunto sistematizado de conhecimento e informação relevantes, na perspectiva da criação de novos modelos de actuação e de melhores condições para o exercício efectivo do voluntariado.
O desenvolvimento, num curto período de tempo, de um conjunto de actividades formativas e pedagógicas, incluindo conferências, workshops e sessões de partilha de práticas, entre os diversos agentes do voluntariado provenientes de todo o território nacional, procura dar resposta à necessidade de formação e capacitação destes agentes no terreno.
Aliados aos aspectos formativos e pedagógicos, os diversos momentos de convívio previstos durante a iniciativa serão uma oportunidade única para o estabelecimento de uma rede de contactos, na área do voluntariado, entre os vários participantes e intervenientes.
Destinatários:
São destinatários os voluntários, técnicos, animadores e coordenadores de projectos de voluntariado, formadores e dirigentes de organizações privadas e públicas que desenvolvam ou venham a desenvolver projectos de voluntariado.
Clique aqui para mais informações: Banco de Voluntariado - ESCOLA DE VERÃO DE VOLUNTARIADO
Fórum Eugénio de Almeida | Évora
30 de Junho, 1 e 2 de Julho
Inscrições abertas até ao dia 18 de Junho
06 junho 2010
04 junho 2010
Mensagem ao Povo de Deus

“No início do Ano Sacerdotal, enviámos uma mensagem ao Povo Deus que vive na diocese da Guarda. Depois de realizada a Assembleia Geral do Clero, no final do mês de Abril, e aproximando-se já o termo do Ano Sacerdotal, julgamos oportuno fazer chegar uma outra mensagem, com base no que debatemos nessa Assembleia e nas propostas que foram feitas.
1. Reunimo-nos com o objectivo de servir cada vez melhor o Povo de Deus e, ao longo de dois dias, procurámos reflectir sobre as estruturas diocesanas; as actuais dificuldades da vida sacerdotal; a comunhão no presbitério e a nova evangelização; o testemunho de vida sacerdotal e as novas vocações sacerdotais; o novo modelo de Igreja, tendente a ser mais comunidade ministerial.
2. Diante do Povo de Deus, desejamos testemunhar que sentimos o Presbitério Diocesano como factor de identidade e espiritualidade sacerdotal. Inseridos afectivamente nele, queremos colocar as nossas capacidades humanas, enobrecidas pela acção do Espírito em nós, ao serviço da comunhão de toda a Igreja diocesana. O trabalho pastoral ainda não é desenvolvido em total espírito de comunhão e cooperação entre nós, presbíteros, mas desejamos progredir nesse caminho. Devemos ter a coragem de estender essa comunhão e cooperação à nossa própria sustentação material, que há-de pautar-se pela sobriedade e dignidade. Temos, aliás, dois organismos para mais facilmente a tornarmos efectiva: o Instituto Diocesano de Comunhão e Partilha e a Fundação Nun’Álvares.
3. Embora sintamos dor e tristeza face a alguns problemas conjunturais que assolam hoje em dia a Igreja de Cristo, continuaremos dispostos a construir uma Igreja fiel às orientações do Concílio Vaticano II e da Sé Apostólica, vozes do Espírito de Deus que nos convidam à comunhão e à co-responsabilidade eclesiais. Para dar maior visibilidade a este novo modelo de Igreja, é imperioso que usemos melhor as estruturas de comunhão existentes e tenhamos abertura de espírito e confiança para criarmos e acarinharmos outras necessárias para este tempo.
4. Queremos dizer ao Povo de Deus que a angariação de candidatos ao ministério sacerdotal, doravante, estará mais no centro das nossas preocupações. Por isso, iremos pedir um redobrado empenho de todos, em ordem a que cada paróquia se torne progressivamente uma comunidade consciente de ter sido chamada por Deus e que, por sua vez, chama alguns a seguirem a Cristo na condição de pastores e por eles reza assiduamente. Por outro lado, tentaremos agilizar as estruturas de acompanhamento vocacional – o Pré-Seminário e o Seminário Menor – para que o Seminário Maior disponha dum número suficiente de jovens a preparar-se para o ministério ordenado.
5. Partilhamos, agora, convosco algumas dificuldades inerentes ao exercício do nosso ministério sacerdotal, ao mesmo tempo que imploramos que continueis a rogar a Deus para que sejamos fiéis a Cristo. Constatamos que não temos conseguido implementar ainda uma verdadeira pastoral de conjunto; que somos pouco solidários na aplicação de normas pastorais; que temos sacrificado a qualidade das celebrações eucarísticas à quantidade, ainda que na recta intenção de as proporcionarmos a quase todas as comunidades cristãs em dia de Domingo; que a catequese de adultos foi uma iniciativa de resultados muito modestos; que mobilizamos poucos leigos para o serviço nas comunidades cristãs; que a distribuição do clero continua a ser pouco equitativa; e que há em nós resistências a novas e urgentes formas de organização da pastoral diocesana.
6. Particularmente neste Ano Sacerdotal, sentimos que somos interpelados a ser verdadeiramente padres fiéis ao dom recebido e entregues à missão que queremos intensificar na diocese. O Espírito nos pede e nos impele a que dêmos um testemunho alegre da fé que nos anima, e que estejamos sempre prontos a dar razões da nossa esperança, sobretudo através da caridade para com todos, crentes e descrentes.
7. Pedindo-vos perdão pelas vezes em que não fomos pastores segundo o Coração de Cristo, o único Bom Pastor, fica o nosso compromisso de nos deixarmos conduzir mais pela luz e força do Espírito Santo, imitando assim a Santíssima Virgem, e à sua maternal protecção vos confiamos”.
15 maio 2010
Homilia do Santo Padre - 13 Maio 2010, em Fátima

14 maio 2010
Palavras do Santo Padre na Celebração das Vésperas (12 Maio 2010)
«Ao chegar a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher […] para nos tornar seus filhos adoptivos» (Gal 4, 4.5). A plenitude dos tempos chegou, quando o Eterno irrompeu no tempo; por obra e graça do Espírito Santo, o Filho do Altíssimo foi concebido e fez-Se homem no seio de uma mulher: a Virgem Mãe, tipo e modelo excelso da Igreja crente. Esta não cessa de gerar novos filhos no Filho, que o Pai quis primogénito de muitos irmãos. Cada um de nós é chamado a ser, com Maria e como Maria, um sinal humilde e simples da Igreja que continuamente se oferece como esposa nas mãos do seu Senhor.12 maio 2010
Homília do Santo Padre no Terreiro do Paço

«Ide fazer discípulos de todas as nações, […] ensinai-lhes a cumprir tudo quanto vos mandei. E Eu estou sempre convosco, até ao fim dos tempos» (Mt 28, 20). Estas palavras de Cristo ressuscitado revestem-se de um significado particular nesta cidade de Lisboa, donde partiram em grande número gerações e gerações de cristãos – bispos, sacerdotes, consagrados e leigos, homens e mulheres, jovens e menos jovens –, obedecendo ao apelo do Senhor e armados simplesmente com esta certeza que lhes deixou: «Eu estou sempre convosco». Glorioso é o lugar conquistado por Portugal entre as nações pelo serviço prestado à dilatação da fé: nas cinco partes do mundo, há Igrejas locais que tiveram origem na missionação portuguesa.
Nos tempos passados, a vossa saída em demanda de outros povos não impediu nem destruiu os vínculos com o que éreis e acreditáveis, mas, com sabedoria cristã, pudestes transplantar experiências e particularidades abrindo-vos ao contributo dos outros para serdes vós próprios, em aparente debilidade que é força. Hoje, participando na edificação da Comunidade Europeia, levai o contributo da vossa identidade cultural e religiosa. De facto, Jesus Cristo, assim como Se uniu aos discípulos a caminho de Emaús, assim também caminha connosco segundo a sua promessa: «Estou sempre convosco, até ao fim dos tempos». Apesar de ser diferente da dos Apóstolos, temos também nós uma verdadeira e pessoal experiência da presença do Senhor ressuscitado. A distância dos séculos é superada e o Ressuscitado oferece-Se vivo e operante, por nós, no hoje da Igreja e do mundo. Esta é a nossa grande alegria. No rio vivo da Tradição eclesial, Cristo não está a dois mil anos de distância, mas está realmente presente entre nós e dá-nos a Verdade, dá-nos a luz que nos faz viver e encontrar a estrada para o futuro.
Presente na sua Palavra, na assembleia do Povo de Deus com os seus Pastores e, de modo eminente, no sacramento do seu Corpo e do seu Sangue, Jesus está connosco aqui. Saúdo o Senhor Cardeal-Patriarca de Lisboa, a quem agradeço as calorosas palavras que me dirigiu, no início da celebração, em nome da sua comunidade que me acolhe e que abraço nos seus quase dois milhões de filhos e filhas; a todos vós aqui presentes – amados Irmãos no episcopado e no sacerdócio, prezadas mulheres e homens consagrados e leigos comprometidos, queridas famílias e jovens, baptizados e catecúmenos – dirijo a minha saudação fraterna e amiga, que estendo a quantos estão unidos connosco através da rádio e da televisão.
Sentidamente agradeço a presença do Senhor Presidente da República e demais Autoridades, com menção particular do Presidente da Câmara de Lisboa que teve a amabilidade de honrar-me com a entrega das chaves da cidade.
Lisboa amiga, porto e abrigo de tantas esperanças que te confiava quem partia e pretendia quem te visitava, gostava hoje de usar as chaves que me entregas para alicerçar as tuas esperanças humanas na Esperança divina. Na leitura há pouco proclamada da Epístola de São Pedro, ouvimos dizer: «Eu vou pôr em Sião uma pedra angular, escolhida e preciosa. E quem nela acreditar não será confundido». E o Apóstolo explica: «Aproximai-vos do Senhor. Ele é a pedra viva, rejeitada, é certo, pelos homens, mas aos olhos de Deus escolhida e preciosa» (1 Pd 2, 6.4).
Irmãos e irmãs, quem acreditar em Jesus não será confundido: é Palavra de Deus, que não Se engana
nem pode enganar. Palavra confirmada por uma «multidão que ninguém pode contar e provém de todas as nações, tribos, povos e línguas», e que o autor do Apocalipse viu vestida de «túnicas brancas e com palmas na mão» (Ap 7, 9). Nesta multidão incontável, não estão apenas os Santos Veríssimo, Máxima e Júlia, aqui martirizados na perseguição de Diocleciano, ou São Vicente, diácono e mártir, padroeiro principal do Patriarcado; Santo António e São João de Brito que daqui partiram para semear a boa semente de Deus noutras terras e gentes, ou São Nuno de Santa Maria que, há pouco mais de um ano, inscrevi no livro dos Santos. Mas é formada pelos «servos do nosso Deus» de todos os tempos e lugares, em cuja fronte foi traçado o sinal da cruz com «o sinete de marcar do Deus vivo» (Ap 7, 2): o Espírito Santo. Trata-se do rito inicial cumprido sobre cada um de nós no sacramento do Baptismo, pelo qual a Igreja dá à luz os «santos».
Sabemos que não lhe faltam filhos insubmissos e até rebeldes, mas é nos Santos que a Igreja reconhece os seus traços característicos e, precisamente neles, saboreia a sua alegria mais profunda. Irmana-os, a todos, a vontade de encarnar na sua existência o Evangelho, sob o impulso do eterno animador do Povo de Deus que é o Espírito Santo. Fixando os seus Santos, esta Igreja local concluiu justamente que a prioridade pastoral hoje é fazer de cada mulher e homem cristão uma presença irradiante da perspectiva evangélica no meio do mundo, na família, na cultura, na economia, na política. Muitas vezes preocupamo-nos afanosamente com as consequências sociais, culturais e políticas da fé, dando por suposto que a fé existe, o que é cada vez menos realista. Colocou-se uma confiança talvez excessiva nas estruturas e nos programas eclesiais, na distribuição de poderes e funções; mas que acontece se o sal se tornar insípido?
Para isso é preciso voltar a anunciar com vigor e alegria o acontecimento da morte e ressurreição de Cristo, coração do cristianismo, fulcro e sustentáculo da nossa fé, alavanca poderosa das nossas certezas, vento impetuoso que varre qualquer medo e indecisão, qualquer dúvida e cálculo humano. A ressurreição de Cristo assegura-nos que nenhuma força adversa poderá jamais destruir a Igreja. Portanto a nossa fé tem fundamento, mas é preciso que esta fé se torne vida em cada um de nós. Assim há um vasto esforço capilar a fazer para que cada cristão se transforme em testemunha capaz de dar conta a todos e sempre da esperança que o anima (cf. 1 Pd 3, 15): só Cristo pode satisfazer plenamente os anseios profundos de cada coração humano e responder às suas questões mais inquietantes acerca do sofrimento, da injustiça e do mal, sobre a morte e a vida do Além.
11 maio 2010
Discurso do Santo Padre na sua chegada a Portugal
Senhor Presidente da República,
Ilustres Autoridades da Nação,
Venerados Irmãos no Episcopado,
Senhoras e Senhores!
Irmãos Bispos para visitar esta amada e antiga Nação, que comemora no corrente ano um século
da proclamação da República. Ao pisar o seu solo pela primeira vez desde que a Providência
divina me chamou à Sé de Pedro, sinto-me honrado e agradecido pela presença deferente e
acolhedora de todos vós. Agradeço-lhe, Senhor Presidente, as suas cordiais expressões de boasvindas,
independentemente da sua fé e religião, vai a minha saudação amiga, com um pensamento
particular para quantos não podem vir ao meu encontro. Venho como peregrino de Nossa
Senhora de Fátima, investido pelo Alto na missão de confirmar os meus irmãos que avançam na
sua peregrinação a caminho do Céu.
Logo aos alvores da nacionalidade, o povo português voltou-se para o Sucessor de Pedro
esperando na sua arbitragem para ver reconhecida a própria existência como Nação; mais tarde,
um meu Predecessor havia de honrar Portugal, na pessoa do seu Rei, com o título de fidelíssimo
(cf. Pio II, Bula Dum tuam, 25/I/1460), por altos e continuados serviços à causa do Evangelho.
Que depois, há 93 anos, o Céu se abrisse precisamente sobre Portugal – como uma janela de
esperança que Deus abre quando o homem lhe fecha a porta – para reatar, no seio da família
humana, os laços da solidariedade fraterna assente no mútuo reconhecimento de um só e mesmo
Pai, trata-se de um amoroso desígnio de Deus; não dependeu do Papa nem de qualquer outra
autoridade eclesial: «Não foi a Igreja que impôs Fátima – diria o Cardeal Manuel Cerejeira, de
veneranda memória –, mas Fátima que se impôs à Igreja».
Veio do Céu a Virgem Maria para nos recordar verdades do Evangelho que são para a
humanidade, fria de amor e desesperada de salvação, fonte de esperança. Naturalmente esta
esperança tem como dimensão primária e radical, não a relação horizontal, mas a vertical e
transcendente. A relação com Deus é constitutiva do ser humano: foi criado e ordenado para
Deus, procura a verdade na sua estrutura cognitiva, tende ao bem na esfera volitiva, é atraído
pela beleza na dimensão estética. A consciência é cristã na medida em que se abre à plenitude
da vida e da sabedoria, que temos em Jesus Cristo. A visita, que agora inicio sob o signo da
esperança, pretende ser uma proposta de sabedoria e de missão.
De uma visão sábia sobre a vida e sobre o mundo deriva o ordenamento justo da sociedade.
Situada na história, a Igreja está aberta a colaborar com quem não marginaliza nem privatiza a
essencial consideração do sentido humano da vida. Não se trata de um confronto ético entre um
sistema laico e um sistema religioso, mas de uma questão de sentido à qual se entrega a própria
liberdade. O que divide é o valor dado à problemática do sentido e a sua implicação na vida
pública. A viragem republicana, operada há cem anos em Portugal, abriu, na distinção entre
Igreja e Estado, um espaço novo de liberdade para a Igreja, que as duas Concordatas de 1940 e
2004 formalizariam, em contextos culturais e perspectivas eclesiais bem demarcados por rápida
mudança. Os sofrimentos causados pelas mutações foram enfrentados geralmente com coragem.
Viver na pluralidade de sistemas de valores e de quadros éticos exige uma viagem ao centro de
si mesmo e ao cerne do cristianismo para reforçar a qualidade do testemunho até à santidade,
inventar caminhos de missão até à radicalidade do martírio.
Queridos irmãos e amigos portugueses, agradeço-vos uma vez mais as calorosas boasvindas.
Deus abençoe a quantos aqui se encontram e todos os habitantes desta nobre e dilecta
Nação, que confio a Nossa Senhora de Fátima, imagem sublime do amor de Deus que a todos
abraça como filhos.