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À noite ao tentar fechar os olhos, o meu pensamento foi invadido por inúmeros grãos de areia que habitavam no meu sonho, há minha volta nada mais existia a não ser areia. Já tinha lido e visto algumas reportagens sobre o deserto, recordei-me então da dureza do clima e da sensação de ausência.
Estava sozinha! Por vezes precisamos de estar sozinhos, de descobrir um caminho, de amadurecer um estilo de vida, dar volta à nossa história, deixar o supérfluo e ir ao essencial, rodar os ponteiros do relógio e descobrir um tempo favorável que nos renove, que nos recicle por dentro, que permita projectar e sonhar para onde vamos.
A primeira pegada deste trajecto deixa marcas no solo, estas vão mover a posição dos grãos de areia e consequentemente, nem que seja por breves momentos a fisionomia do solo. Esta pegada pode ser uma porta aberta, um marco que sirva de orientação, para ti. Como peregrina, quero aceitar este desafio, atravessar o deserto, mergulhar na minha própria renovação, deixar as necessidades que o mundo inteiro me cria e procurar eu própria o meu mundo de Bem-Aventuranças. Trocar o verbo ter pelo verbo ser... Tornar-me cada vez mais aquilo que sou, partilhando com o outro um pouco de mim, sem medo de ficar perdida no meu próprio vazio. Criar uma linguagem que me faça compreender, educar o olhar, construir novos sons, guardar o cheiro deste lugar e tocar na sua essência, afastando tudo o que me tira a comunhão, assumindo-me assim como corpo místico que sou.
É essencial que o homem caminhe, que atravesse o deserto, que consiga crescer, exercitando a lógica do dar-se mais, sair de si próprio para amar o outro, trilhar a busca continua do equilíbrio, sempre numa entrega de amor. Não é uma mera travessia, tem uma mistologia, um ensinamento vivido, um desligamento das nossas prisões interiores, restituindo a dignidade, o valor, o sentido.
Reciclar, converter, arrepiar caminho do que nos torna menores e não nos permite ser e dar.
Foi durante quarenta dias que Jesus se recolheu no deserto e foi precisamente neste lugar inóspito que decidiu o seu caminho de Missão. A Quaresma nasce pela necessidade de celebrar a Páscoa, reciclar a alegria de Cristo ressuscitado, centrada na eucaristia, buscando a comunhão. Quando pensamos na Quaresma, e na quantidade de exercícios que ela nos vai exigindo, o tempo de caminhada parece sombrio, mas não é! Existem raios de luz que nos permitem compreender que o importante não é apenas “despejar o saco”, mas enchê-lo daquilo que nos faz falta, tempo para ver o que queremos alterar, sempre com a certeza de queremos viver em Cristo ressuscitado.
O mesmo repetira já o papa João Paulo II à saciedade, ao afirmar o carácter irreversível do caminho ecuménico. O mesmo é-nos reafirmado por Bento XVI e o mesmo foi o sentir dos delegados presentes em Sibiu. Os caminhos aí apontados revelaram as inúmeras possibilidades de construção e de vivência desta unidade no concreto da vida das Igrejas e de cada cristão: empenho social, luta pela integridade da criação, defesa dos direitos humanos, procura de uma civilização mais justa e fraterna, acolhimento do outro na sua diferença e na sua riqueza… Mas este Oitavário remete-nos para o essencial: não há unidade dos cristãos sem reconciliação, e esta é obra do Espírito em nós. Aqui, a oração converte-nos ao desejo que o Espírito grita em nós, abre-nos os horizontes para perceber a urgência da prece de Jesus para que "todos sejam um", cria em nós a capacidade de irmos ao encontro do outro numa atitude de verdade e de bondade. Tradicionalmente, a Semana de oração pela unidade dos cristãos é celebrada de 18 a 25 de Janeiro. Esta data foi proposta em 1908 por Paul Wattson de maneira que elas se realizassem no período entre a festa de São Pedro e a de São Paulo. Assim sendo, esta escolha tem um significado simbólico. No hemisfério Sul, onde o mês de Janeiro é o período das férias de Verão, preferiu-se adoptar uma outra data, por exemplo, uma semana próxima do Pentecostes (sugestão feita pelo movimento Fé e Constituição em 1926), que constitui uma data simbólica para a unidade da Igreja. A passagem bíblica escolhida para a celebração do centésimo aniversário da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos é extraída da 1ª Carta aos Tessalonicenses. A exortação “orai sem cessar” (1Tes 5,17) sublinha o papel essencial da oração na vida da comunidade dos fiéis. Pois ela permite aos seus membros aprofundar a sua relação com Cristo e com os demais irmãos na fé. Esta passagem faz parte de uma série de “imperativos” e declarações através das quais Paulo encoraja a comunidade a viver da unidade que Deus nos dá em Cristo, a ser na prática o que ela é em princípio : o Corpo único de Cristo, visivelmente unido num mesmo lugar. Paulo nutria grandes esperanças para a Igreja de Tessalónica: a fé, a esperança e a caridade que não cessavam de crescer nesta cidade, a maneira com que ela havia acolhido a Palavra apesar dos sofrimentos, e a alegria que ela expressava no Espírito Santo, tudo concorria para suscitar sua admiração e seus louvores (1Tes 1,2-10). Todavia ele estava preocupado. A sua saída precipitada não lhe tinha deixado tempo de consolidar a obra que tinha começado e rumores inquietantes chegavam até ele. Certos desafios provinham do exterior, sobretudo a perseguição da comunidade e dos seus membros (1Tes 2,14). Outros eram de natureza interna: alguns membros da comunidade continuavam a ter comportamentos cada vez mais marcados pela cultura ambiente do que pela nova vida em Cristo (4,1-8) ; outros criticavam os responsáveis que exerciam a autoridade e, em consequência o próprio Paulo (cf. 2,3-7,10) ; outros ainda desesperavam-se da sorte reservada aos que morriam antes do regresso de Cristo. Um dos principais objectivos de Paulo era edificar esta comunidade na unidade. Nem mesmo a morte pode cortar os laços que a unem enquanto único corpo de Cristo. Jesus foi morto e ressuscitou por todos. Assim, quando o Senhor voltar, tanto os que já adormeceram quanto os que ainda vivem, «vivamos então unidos a ele» (5,10). Isto conduz Paulo a pronunciar os imperativos que figuram em 1Tes 5,13-18 e formam uma lista de exortações das quais uma parte foi escolhida para servir de base à Semana de oração deste ano. Esta passagem se inicia pela exortação que Paulo dirige aos membros da comunidade : “Vivei em paz entre vós” (5,13b) – paz que não significa simplesmente a ausência de conflitos, mas a harmonia na qual os dons de cada membro da comunidade contribuem à sua prosperidade e crescimento. É interessante notar que Paulo não dá nenhum ensinamento teológico abstracto, nem faz alusão às emoções e aos sentimentos. O apelo “orai sem cessar” (5,17) faz parte desta lista de imperativos. Isto nos lembra que a vida numa comunidade cristã só é possível através de uma vida de oração. Paulo mostra ainda que a oração é parte integrante da vida dos cristãos, precisamente quando eles procuram manifestar a unidade que lhes é dada em Cristo – uma unidade que não se limita aos acordos doutrinais e às declarações oficiais, mas que se exprime em “tudo o que contribui à paz” – através de acções concretas que testemunham a unidade em Cristo, e entre si e que a fazem crescer.Pedimos-te
um pouco mais de amor
para todas as crianças do mundo;
um olhar de ternura
para esta humanidade,
que teu Filho tanto amou
e por quem deu a própria vida.
Amen.
COMPROMISSO
Hoje aceito, com alegria,
os pequenos sofrimentos
que a vida me apresenta.
Jesus, nosso Salvador,
a cruz, que carregaste por nós,
continha o peso de todos
os sofrimentos do mundo.
Faz que cada criança missionária
saiba caminhar junto a ti,
a fim de partilhar as fadigas,
as dores, as preocupações
dos nossos irmãos grandes
e pequenos.
Torna-nos samaritanos de esperança
neste mundo que ainda não conhece
o teu amor.
Acolhe as dores dos pequenos
e abre à humanidade novos caminhos
de fraternidade, de paz e de acolhimento.
Amen.
Jesus, irmão universal,
o teu amor pelos pequeninos
é infinito.
Por isso, hoje te confio:
as crianças alegres e as crianças tristes,
as crianças felizes e as angustiadas,
as crianças saciadas e as famintas,
as crianças sadias e as doentes,
as crianças que brincam e as que participam
na guerra,
as crianças que estudam e as que trabalham,
as crianças que obedecem e as teimosas.
Olha com amor as crianças que rezam
e as que não te conhecem,
as crianças da escola e as analfabetas,
as crianças com família unida
e as que sofrem a separação dos pais,
as crianças que vivem numa casa
e as que vivem pelas estradas,
todas as crianças de boa vontade,
que desejam ajudar a construir
um mundo novo.
Amen.

O dia de um nascimento é motivo para nos alegrarmos. Sempre que nasce alguém para este mundo todas as famílias se juntam e em conjunto fazem a festa do natal.
Os cristãos reúnem-se com alegria para celebrar todos os anos o nascimento de Jesus. Muitos são os sentimentos que preenchem a nossa alma neste momento do ano, mas os votos de paz, amor, hamonia e esperança para todos são os que mais preenchem as nossas bocas.
Mas sabemos que temos de ir muito mais além. Tudo o que desejamos temos de viver e de sentir, pois para oferecer e desejar é preciso saber o que se dá. Mais uma vez fica o convite para ti e para mim de fazermos do Natal de Jesus o momento das nossas vidas em que vivemos o que desejamos, em que sentimos o que oferecemos.
Não tenhamos medo de ser diferentes pela maneira como vivemos a fraternidade e o amor. São os presentes de Deus que todos temos de agarrar com força e assumi-los no dia-a-dia! Ser cristão é ser um eterno amante de Deus e do mundo!!!
Nasceu para nós,...
Ama-nos sempre...
Tem-nos nos seus braços...
Acolhe-nos no seu regaço...
Lembra-nos junto do Pai!...
Feliz 2008 !
Pe Ângelo Martins

