10 outubro 2025

Dia 10 - outubro missionário 2025

 

Sexta-feira, 10 de Outubro de 2025

XXVII Semana do Tempo Comum – Ano Ímpar (I)

S. Daniel Comboni – MO

Jl 1, 13-15–2, 1-2; Sl 9; Lc 11, 15-26

 

O pano de fundo da primeira leitura de hoje é o facto de as colheitas terem sido devastadas por uma praga dos gafanhotos. A comida era praticamente inexistente e as pessoas não sabiam literalmente de onde viria a sua próxima refeição. O profeta viu a praga não só como um castigo pelo pecado, mas também como um aviso de que um dia Deus viria julgar. Nesse grande dia, todo o mal seria destruído.

Enquanto o povo passava fome, o profeta teve a coragem de dizer ao povo para ter uma visão mais ampla da realidade. Ele era tão corajoso e estava tão convencido da verdade que estava a dizer ao povo que a fome não era o grande mal. O verdadeiro mal era estar contra Deus. É por isso que ele os chama ao arrependimento, a voltarem-se para Deus e a serem o Seu povo fiel. Aprendei uma lição, disse o profeta, com a praga dos gafanhotos. Se achais que é mau passar fome, disse ele, será muito pior sofrer o afastamento de Deus no último dia.

É compreensível que se pense que não é necessário recorrer a tácticas de medo para manter a lealdade. No entanto, também nós podemos aprender com o profeta Malaquias. Trata-se de uma lição de perspectiva. Muitas vezes, é forte a tentação de nos concentrarmos exclusivamente nos problemas quotidianos, o que pode levar a um sentimento de desânimo. É fundamental compreender que o verdadeiro mal é o pecado que nos separa de Deus.

Nesta perspectiva, a maior parte dos nossos problemas, que não são tão graves como passar fome, deveriam parecer menos importantes. O que realmente importa é estar do lado de Deus, vivendo como filhos confiantes e amorosos de Deus.

09 outubro 2025

Dia 9 - outubro missionário 2025

 

Quinta-feira, 9 de Outubro de 2025

XXVII Semana do Tempo Comum – Ano Ímpar (I)

Ml 3, 13-20a; Sl 1; Lc 11, 5-13

 

No Evangelho de hoje, é usada a palavra “intromissão” no sentido de insistência ou mesmo de perseverança, evocando significados religiosos e morais. São Lucas aproxima a nossa discussão da realidade, citando uma palavra mais secular, “intrusão”. Embora o termo “perseverança” indique o caminho para o céu e o cumprimento fiel das obrigações morais, a sua utilização neste contexto quase parece sugerir, de forma inadequada, o significado de teimosia. É este o tom e a atitude da pequena parábola de Jesus.

De acordo com os costumes de quase todos os países do mundo, não se bate à porta do vizinho a meio da noite para pedir pão. Jesus não está a discutir o que é certo ou errado. O sentido de uma parábola revela-se sempre nas últimas linhas ou afirmações. O vizinho, motivado não pela amizade, mas pela sua intromissão, dá-lhe o que ele precisa.

Este episódio revela que a perseverança e a insistência podem gerar não só aborrecimentos e dificuldades, mas também uma fé duradoura que prevalece sobre as esperanças desfeitas. Assistimos, assim, ao aparecimento de um laço espiritual entre vizinhos que transcende as convenções da amizade.

Jesus leva a parábola um pouco mais longe. Apela ao cuidado e à atenção dos pais para com os seus filhos. Será que uma mãe oferece uma serpente quando a criança pede um peixe, ou o pai um escorpião quando a criança quer um ovo? Jesus reconhece a bondade e a fidelidade por natureza de cada ser humano, mas quer também que a nossa relação se aprofunde e seja ainda mais fiável. São Lucas adapta a história para se centrar no Espírito Santo. Deus, em resposta aos nossos pedidos insistentes, dá uma parte de Si mesmo, o Seu próprio Espírito Santo.

A perseverança permite-nos esperar o tempo suficiente para que as nossas boas acções manifestem uma bondade divina que ultrapassa as nossas expectativas e os nossos sonhos. Através do profeta Malaquias, Deus responde àqueles que tinham perdido o ânimo. Assegurou ao povo que continuava a ser a Sua propriedade especial, mais do que os filhos são para os pais. Pediu paciência, assegurando-lhes que, no final, a justiça prevaleceria.

08 outubro 2025

Dia 8 - outubro missionário 2025

 

Quarta-feira, 8 de Outubro de 2025

XXVII Semana do Tempo Comum – Ano Ímpar (I)

Jn 4, 1-11; Sl 85; Lc 11, 1-4

 

Se a história de Jonas a ser engolido por um peixe parece surreal para alguns, a sua atitude parece ainda mais irreal. Porque é que Jonas ficou «muito desgostoso e irritado» com o facto de Deus mostrar compaixão e amor para com o povo de Nínive? Porque é que ele tinha ciúmes? O seu problema é que, embora soubesse que Deus é benevolente e misericordioso, não compreendia Deus e os Seus valores.

Deus serviu-Se da planta (o rícino) que fez crescer e depois murchar para lhe dar uma lição. Jonas ficou desiludido com o facto de a planta ter morrido. O que Deus lhe quis dizer era que, se ele, Jonas, sentia pena da planta, porque é que Deus, o criador, não deveria ter pena do povo de Nínive que Ele tinha criado?

Jonas é um pouco como aquelas pessoas que pensam que o favor de Deus é algo que temos de merecer, como se pudéssemos pagar um preço a Deus pela Sua misericórdia e pelo Seu amor. Julgam Deus segundo os padrões humanos segundo os quais nós só teríamos direito àquilo por que fazemos e pelo que nos esforçamos. Não compreendem que Deus ama as pessoas gratuitamente, porque elas são parte da Sua criação.

Outra razão pela qual Deus dá o Seu amor gratuitamente está implícita no Evangelho. Quando Jesus nos ensina a chamar a Deus “Pai nosso”, está claramente implícito que nos tornámos filhos de Deus. Os bons pais amam os seus filhos, não por causa dos seus feitos, mas simplesmente porque são seus filhos. É um amor dado gratuitamente. Deus ama-nos da mesma forma. Somos mais do que criaturas de Deus, somos Seus filhos e Ele ama-nos gratuitamente pelo que somos. O Pai de Jesus é também nosso Pai, porque somos um com Jesus, parte do Seu corpo, do Seu corpo místico que é a Igreja.

07 outubro 2025

dia 7 - outubro missionário 2025

 

Terça-feira, 7 de Outubro de 2025

XXVII Semana do Tempo Comum – Ano Ímpar (I)

Virgem santa Maria do Rosário – MO

Jn 3, 1-10; Sl 129; Lc 10, 38-42

 

Embora as boas intenções possam, por vezes, levar uma pessoa a uma actividade excessiva e até a um zelo desorientado, as Escrituras defendem a importância da actividade humana e das boas obras como essenciais para a salvação. Para interpretar as leituras de hoje, é necessário ter em mente este equilíbrio saudável, reconhecendo que cada um de nós, simultaneamente, é Marta e Maria, Jonas e os ninivitas. Cada uma destas pessoas torna-se um símbolo para nós.

Jonas era um homem de acção, nem sempre agia de forma correcta, mas era certamente decidido e eficaz. Como vimos no episódio anterior, quando lhe foi ordenado que fosse a Nínive pregar o arrependimento, agiu prontamente, mas de forma errada. É essencial aprofundar as leituras para compreender melhor a situação. No Livro de Jonas, o arrependimento não se reduz simplesmente aos actos rituais de «cobrir-se de saco e sentar-se sobre a cinza». A todas as pessoas era pedido que se afastassem «do seu mau caminho», um conceito central nesta narrativa de conversão. Era necessária uma acção tanto ritual como moral.

No Evangelho, não nos surpreendemos com as palavras que Jesus dirige a Marta: «Marta, Marta, andas inquieta e preocupada com muitas coisas, quando uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada.» Verdadeiramente, Jesus dirige-se à “Maria” que devia existir em Marta e em cada pessoa. Não é bom sermos tão activos ao ponto de nos tornarmos “inquietos e preocupados”. Por isso, precisamos sempre de ser chamados à visão secreta e interior da nossa vida. Uma hora de contemplação por dia dá alma e coração às outras vinte e três horas do nosso trabalho como missionários da esperança entre todos os povos.

A profecia de Jonas chama-nos a reformar a nossa vida e a invocar o Senhor em espírito de oração. A «melhor parte», também chamada «a única necessária», não diminui em nada a outra parte, mas torna o nosso trabalho cheio de espírito e de alma, de direcção e de sabedoria, de amor e de ternura. Cada um de nós precisa de ser ao mesmo tempo Marta e Maria.

 

06 outubro 2025

Dia 6 - outubro missionário 2025

 

Segunda-feira, 6 de Outubro de 2025[1]

XXVII Semana do Tempo Comum – Ano Ímpar (I)

Jn 1, 1–2,1.11; Jn 2, 3-5.8; Lc 10, 25-37

 

O Livro de Jonas, no Antigo Testamento, tal como a Parábola do Bom Samaritano, contam histórias que nos ensinam coisas interessantes. Não é importante saber que tipo de peixe engoliu Jonas, ou se tal coisa é possível, tal como não precisamos de nos preocupar em saber o nome do samaritano que parou na estrada para ajudar a pessoa em dificuldade. O sentido das duas histórias é semelhante.

Os ninivitas não eram judeus, como Jonas; não eram crentes. Jonas tinha sido incumbido pelo próprio Deus de pregar o arrependimento ao povo de Nínive. No entanto, Jonas tentou fugir a essa missão, pois temia que o povo aceitasse a sua mensagem e recebesse a misericórdia de Deus. A sua intenção era impedir que o povo se arrependesse. Ele queria que Deus se limitasse aos judeus e, sobretudo, não queria que Deus mostrasse qualquer favor aos ninivitas, que eram inimigos dos judeus.

Jonas representa a atitude dos judeus que não podiam suportar a ideia de Deus favorecer os infiéis. Mais ainda: ele representa todos aqueles que têm preconceitos contra os outros e querem restringir o acesso à religião a um pequeno grupo de pessoas. No Evangelho de hoje, Jesus dá-nos o exemplo do samaritano que se fez próximo do seu inimigo natural, um judeu, e o ajudou na sua fragilidade.

A lição é muito clara: Jesus quis mostrar que ninguém pode ser excluído do nosso amor. Como peregrinos da esperança entre todos os povos, estamos todos em viagem de Jerusalém para Jericó. Ao longo do caminho, fomos roubados da nossa amizade com Deus por causa do pecado e acabámos na berma da estrada, despojados, espancados e quase mortos. Foi Jesus que entrou na nossa vida com a Sua encarnação e passou pelo nosso caminho na Sua própria viagem. Jesus viu-nos e respondeu às nossas necessidades. Abraçou-nos, curou as nossas feridas e trouxe-nos para a estalagem, a Igreja. Deu a Sua vida por nós, e não apenas as duas moedas de prata de que fala a parábola. É isto que se entende quando afirmamos que Jesus é o nosso Salvador, o nosso pessoal Bom Samaritano.



[1] Os comentários de 6 a 10 de Outubro foram fornecidos pelo P. Isaac Ebo-Blay, Director Nacional das OMP-Gana, a quem agradecemos.

05 outubro 2025

Dia 5 - outubro missionário 2025

 

Domingo, 5 de Outubro de 2025

XXVII Domingo do Tempo Comum – Ano C

Santa Faustina Kowalska, Apóstola da Misericórdia – MO

Hab 1, 2-3; 2, 2-4; Sl 94; 2 Tm 1, 6-8.13-14; Lc 17, 5-10

 

Fico muito surpreendido com a confiança que os Apóstolos demonstram em Jesus em tantas ocasiões. O Senhor chama-os e, sem hesitar, eles abandonam tudo e põem-se a caminho. Depois, o Senhor envia-os pelo mundo e diz-lhes: «Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demónios...» (Mt 10, 8) e eles não ficam surpreendidos!

Talvez nos falte um pouco de fé. Jesus di-lo no Evangelho que é proclamado hoje: «Se tivésseis fé como um grão de mostarda…». Sim, o Senhor está empenhado em fazer grandes coisas connosco e através de nós, mas temos de confiar n’Ele, como os Apóstolos e acreditar firmemente que Ele pode e vai realizar essas grandes e belas obras.

Nós, como os Apóstolos o fazem no Evangelho de hoje, podemos pedir ao Senhor: «Aumenta a nossa fé!» Ou como disse noutra ocasião o homem que Lhe pediu a cura do seu filho: «Acredito! Ajuda-me na minha falta de fé!» (Mc 9, 24).

Sim, o Senhor pede-nos coisas grandes, que muitas vezes ultrapassam as nossas capacidades, mas não nos deixa sozinhos, não nos abandona. Ele conhece a nossa pobreza e os nossos limites, e é por isso que vem ao nosso encontro. Porém, temos de acreditar que Ele pode fazê-lo e que tu e eu também podemos fazê-lo com Ele.

Jesus confia à Igreja uma tarefa enorme: ir por todo o mundo! Até aos confins da terra! A missão é uma aventura bela e impressionante, mas só pode ser levada a cabo confiando na graça de Deus.

O grande perigo e a grande tentação do missionário, do apóstolo, é confiar em si mesmo, colocar a esperança dos frutos nas próprias condições e nos próprios talentos, mas a salvação não está aí, mas em Cristo que nos dá tudo.

Por isso devemos pedir ao Senhor que faça de nós homens e mulheres de fé, de fé profunda. Assim, quando surgirem as dificuldades e as adversidades, que sem dúvida virão, poderemos continuar o caminho com esperança, optimismo e alegria.

São Paulo, no texto da Segunda Carta a Timóteo que hoje lemos na Santa Missa, diz-nos: «Não te envergonhes de dar testemunho de nosso Senhor. [...] Mas sofre comigo pelo Evangelho, confiando no poder de Deus.» Não tenhamos medo, mas reacendamos a nossa fé, o fogo da graça de Deus. Nada nem ninguém nos impedirá de levar a bom termo o que o Senhor nos confiou e, então, diremos, como nos ensina Jesus: «Somos inúteis servos: fizemos o que devíamos fazer» (Lc 17, 10).

04 outubro 2025

Dia 4 outubro missionário 2025

 

Sábado, 4 de Outubro de 2025

XXVI Semana do Tempo Comum – Ano Ímpar (I)

S. Francisco de Assis – MO

Br 4, 5-12.27-29; Sl 68; Lc 10, 17-24

 

Que belo texto a liturgia para este Sábado nos oferece, que coincide com a festa de um grande santo: São Francisco de Assis. Confiamo-nos a ele e pedimos-lhe que faça deste dia uma nova oportunidade para amarmos a Deus.

«Felizes os olhos que vêem o que estais a ver!» O Senhor foi bom para connosco e permitiu-nos não só vê-l’O com os olhos da fé e ouvi-l’O no nosso coração, mas permitiu-nos também participar na Sua vida divina e tornar-nos Seus filhos!

Sabendo isto, tendo experimentado o amor de Deus, tendo consciência do que o Senhor fez por nós, poderíamos calar-nos? Não, longe disso. Deus deu-nos tudo isso para que possamos fazer com que muitos outros, através da nossa vida, da nossa palavra, do nosso testemunho, do nosso serviço, descubram o que o Senhor tem em mente para eles!

Esta é a razão de ser de um missionário, aquele que vai para terras distantes e que, como nós, descobre a grandeza da sua vocação missionária atravé da sua dedicação, nas nossas nações e comunidades... Queremos que todos encontrem Jesus! Para que todos sejam felizes (como gosta de dizer o Papa Francisco: “Todos, todos, todos...”), para que vejam a misericórdia do Pai e ouçam a voz do Bom Pastor.

Esta experiência levou Jesus a dirigir uma bela oração a Deus Pai: «Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e aos inteligentes e as revelaste aos pequeninos” (Lc 10, 21). Demos graças a Deus pelo dom da fé, da esperança (neste ano jubilar, dedicado em particular a sermos missionários da esperança) e do amor de Deus. Devemos unir-nos ao Senhor nesta oração e agradecer ao Pai por nos ter escolhido, por nos ter chamado e por nos ter dado a oportunidade de sermos apóstolos do Seu amor entre os nossos irmãos e irmãs.

Confiamo-nos a São Francisco de Assis, pedindo-lhe que nos ensine a viver com simplicidade e a apreciar todas as coisas belas que Deus nos deu.

 

03 outubro 2025

Dia 3 Outubro Missionário 2025

 

Sexta-feira, 3 de Outubro de 2025

XXVI Semana do Tempo Comum – Ano Ímpar (I)

Br 1, 15-22; Sl 78; Lc 10, 13-16

 

Um missionário é uma testemunha, não um propagador de ideias bonitas ou brilhantes. Ele é uma testemunha de Cristo. Nós, como seguidores do Mestre, somos testemunhas do Seu amor e do Seu desejo de salvar toda a humanidade.

«É que nós não nos anunciamos a nós próprios, mas a Jesus Cristo, o Senhor» (2 Cor 4, 5) e Ele crucificado. Por isso, o Senhor pode dizer, sem exagero: «Quem vos escuta, escuta-Me a Mim.» Os missionários e nós nos nossos ambientes, queremos ser Suas testemunhas, mostrar o Seu rosto, como dizia o santo cardeal Newman: “Para que, quando me virem, não me vejam a mim, mas a Ti em mim.”

A vida dos missionários e de todos os santos é verdadeiramente bela! Com as suas palavras, os seus gestos, as suas preocupações, mostram-nos Deus, o Deus que os chamou, escolheu e enviou. E talvez o mais impressionante seja que aqueles que os vêem, aqueles que os escutam, aqueles que os acolhem, sabem que eles são tocados pelo amor de Deus.

Mas, por vezes, a gente não os escuta, fecha-lhes a porta do seu coração, ignora-os ou rejeita-os. É por isso que devemos rezar ao Senhor pelos missionários, para que sejam instrumentos fiéis do Evangelho de Cristo e para que sejam um verdadeiro reflexo do Deus que tem sede de Se dar aos homens. Devemos também rezar pelos povos aos quais os missionários são enviados, para que, como dizia o Papa São João Paulo II, escancarem os seus corações! Que eles abram as portas do seu coração ao Senhor! Um convite que é também para nós, como rezámos no verso de aclamação ao Evangelho: «Se hoje ouvirdes a voz do Senhor, não fecheis os vossos corações» (Sl 95, 7-8).

Jesus foi rejeitado. Não nos rejeitarão também a nós? Mas, essa possibilidade não deve desanimar-nos; pelo contrário, convida-nos a ser mais fiéis e a pedir ao Senhor que realize a Sua obra, apesar de nós!

02 outubro 2025

Dia 2 Outubro Missionário 2025

 

Quinta-feira, 2 de Outubro de 2025

XXVI Semana do Tempo Comum – Ano Ímpar (I)

Santos Anjos da Guarda – MO

Ne 8, 1-4a.5-6.7b-12 ou Ex 23, 20-23a; Sl 18 ou Sl 90; Mt 18, 1-5.10

 

Hoje, recordamos os grandes aliados daqueles que amam Jesus: os santos Anjos da Guarda. São os anjos que o Senhor colocou ao lado de cada um de nós, para nos acompanharem no nosso caminho para o céu.

Se ontem contemplámos o chamamento do Senhor a segui-l’O, hoje a liturgia recorda-nos que não fazemos este caminho de discipulado sozinhos, mas que o Senhor já nos deu os Seus ajudantes, os anjos que, como diz Jesus no Evangelho, «vêem continuamente o rosto de Meu Pai que está nos Céus». Sim, eles contemplam o rosto de Deus e falam-Lhe de nós.

Quando olho para os missionários que partem para terras distantes, vejo com que confiança partem e com que alegria abandonam o seu passado e a sua história para entrar numa outra história, muito mais bela: a história que o Senhor escreveu para cada um deles. Mas, para a poderem viver, o Senhor deu-lhes o Seu Anjo da Guarda, como ajuda, consolação, protecção. Eles dão-lhes segurança!

O Senhor também quer conduzir-nos, a mim e a ti, por caminhos de dedicação e de alegria, de serviço e de missão, onde quer que estejamos, e nunca nos deixa sozinhos! Dá-nos a Sua graça para que não falhemos e confia-nos aos cuidados daqueles anjos que, contemplando o rosto de Deus, contemplam também o nosso coração.

Tudo isto não é um conto de fadas ou uma história romântica, mas o dom de um Deus que nos conhece bem, que conhece bem as nossas fraquezas e os nossos limites, e que é o primeiro a comprometer-Se a conduzir-nos por caminhos de santidade, e que nos fornece também os meios para atingirmos a nossa meta.

O termo “anjo” significa enviado. Eles são enviados para estarem connosco e também nós, como eles, podemos e devemos ser anjos, enviados por Deus, para levar Deus aos outros, para acompanhar e apoiar todos aqueles que o Senhor colocou ao nosso lado. Santos Anjos da Guarda, rogai por nós!

01 outubro 2025

Dia 1 Outubro Missionário 2025

 

Quarta-feira, 1 de Outubro de 2025[1]

XXVI Semana do Tempo Comum – Ano Ímpar (I)

S. Teresa do Menino Jesus, virgem e doutora da Igreja – MO

Ne 2, 1-8; Sl 136; Lc 9, 57-62

 

Começou o mês de Outubro, o Mês Missionário por excelência, e não podia ter começado de melhor maneira do que celebrando Santa Teresinha do Menino Jesus, padroeira das missões e dos missionários.

A sua memória é um dom precioso para aqueles que hoje gostariam de estar num país longínquo a pregar o Evangelho. Santa Teresa ensina-nos que se pode ser missionário onde quer que se esteja, mesmo a partir da própria casa, ou da cama de um hospital ou de um lar de idosos... a oração torna-nos missionários! Ela foi missionária com a sua oração e devoção silenciosa dentro de um convento de freiras carmelitas. A sua cela era o mundo! E com o coração cheio de santos desejos chegou até aos confins da terra. Como diz o Papa Francisco: “A oração é a primeira obra missionária.”

Além disso, o Evangelho desta Quarta-feira é muito apropriado: três pessoas encontram Jesus, querem segui-l’O, e o Senhor convida-as a ir com Ele, sem reticências. Querer seguir Jesus implica ter descoberto um tesouro capaz de mudar o coração e a vida de uma pessoa. Como diz uma canção: “Não quero corações partidos... se dou o meu, dou-o inteiro!”

Cada um de nós, de acordo com a sua vocação específica – na vida consagrada, no matrimónio, nas preocupações do mundo, na vida contemplativa ou no sacerdócio – encontrou Cristo, que olhou para nós com carinho e disse: «Segue-me!» Podemos encontrar desculpas, mesmo aparentemente muito razoáveis, para atrasar ou adiar o momento de O seguir, mas Jesus vale a pena! Segui-l’O, aceitar o Seu chamamento, levar a sério a nossa vocação cristã... é a maior experiência de amor que somos chamados a viver! E isso faz-nos felizes!

Santa Teresinha do Menino Jesus descobriu a sua vocação muito cedo e nada a impediu de a realizar: se tivesse de pedir ao Papa uma autorização especial para entrar no convento, tê-lo-ia feito! Santa Teresinha, rogai por nós!



[1] Os comentários de 1 a 5 de Outubro foram fornecidos pelo Padre José Maria Calderón Castro, director nacional das OMP-Espanha, a quem agradecemos.

21 setembro 2025

Dia 21 - outubro missionário 2025

 

Terça-feira, 21 de Outubro de 2025

XXIX Semana do Tempo Comum – Ano Ímpar (I)

Rm 5, 12.15b.17-19.20b-21; Sl 39; Lc 12, 35-38

 

Na primeira leitura, São Paulo mostra a diferença entre a desobediência de Adão e a obediência de Jesus. Ele descreve como a humanidade foi negativamente afectada pelo pecado da desobediência de Adão. No entanto, sublinha que a obediência de Jesus ultrapassa de longe a desobediência de Adão. Se lermos o texto ou a passagem em grego, uma das palavras principais é polloi. Esta palavra, πολλοὶ – polloi, é traduzida como “muitos”. “Muitos” parece implicar ‘uma multidão’, o que significaria ‘todos’. Isto sugere que, através das acções desobedientes de Adão, a morte e o pecado entraram no mundo para todos os seres humanos, mas, mais importante ainda, através da vida e das acções obedientes de Jesus, a salvação foi concedida a todos.

No Evangelho, Jesus exorta os Seus discípulos e, através deles, também nós, a sermos obedientes e vigilantes enquanto aguardamos a segunda vinda do Filho do Homem. As profundas ideias de Blaise Pascal, o conhecido filósofo-teólogo francês, parecem estar em sintonia com os temas das leituras de hoje. Na sua obra seminal, “Pensées”, Pascal apresenta a sua aposta icónica, defendendo a existência de Deus e exortando os indivíduos a viverem como se Deus existisse. Esta reflexão filosófica baseia-se na ideia de que, se vivermos como se Deus existisse e depois descobrirmos que Ele existe, receberemos uma recompensa eterna. Pelo contrário, se negarmos a existência de Deus e mais tarde descobrirmos que Ele é real, incorreremos num castigo infinito.

Esta aposta de Pascal tem profundas implicações para a nossa compreensão da Segunda Vinda de Jesus. Enquanto aguardamos o regresso do Senhor, somos convidados a viver as nossas vidas num estado de prontidão, como se a Segunda Vinda fosse iminente. Ao fazê-lo, demonstramos a nossa fé e confiança na providência de Deus e abrimo-nos à possibilidade de recompensa eterna. Por outro lado, se negligenciarmos a nossa preparação espiritual, arriscamo-nos a enfrentar as consequências da nossa falta de preparação.

Neste sentido, a aposta de Pascal é um convite claro para vivermos as nossas vidas com intencionalidade, objectivo e um sentido cada vez mais profundo de fé e confiança em Deus. Ao navegarmos pelas complexidades da existência humana, podemos guiar-nos pela sabedoria da aposta de Pascal e estar sempre conscientes das consequências eternas das nossas escolhas.

04 setembro 2025

JORNADAS MISSIONÁRIAS 2025

As Jornadas Missionárias deste ano serão sobre a relação entre a Sinodalidade e a Missão. A sua finalidade é perceber, que a missão é constitutiva da Igreja e, por isso, é um dos pilares centrais da sinodalidade; e que as dinâmicas de comunhão e participação que a Igreja foi convidada a implementar devem levá-la a abrir-se à universalidade e a propor a mensagem libertadora do Evangelho e a comunhão com Jesus a todos os povos. Ou seja, “a sinodalidade é missionária”, como repetiu o Papa Francisco.

O Documento Final da Segunda Sessão da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, reafirma esta ideia ao dizer que a sinodalidade “não é um fim em si mesma, mas visa a missão que Cristo confiou à Igreja no Espírito” (No. 32). Ela supõe um modelo circular de Igreja, onde todos têm igual dignidade em virtude do seu baptismo, e em que todos, com a riqueza dos seus dons, têm um papel irrenunciável a desempenhar. Por isso, o documento afirma: “Valorizando todos os carismas e ministérios, a sinodalidade permite ao Povo de Deus anunciar e testemunhar o Evangelho aos homens e mulheres de todos os tempos e lugares” (No. 32).

Na esteira da experiência das primeiras comunidades e da nossa, percebe-se como a missão requer a “conversão de cada Igreja local e de toda a Igreja”, na perspectiva indicada na Exortação Apostólica Evangelii gaudium (cf. No. 30), que fala explicitamente de uma “conversão missionária”, da qual nem pessoas nem instituições se devem eximir.

 

TEMA: Sinodalidade e Missão

LOCAL: Anfiteatro das Irmãs Concepcionistas ao Serviço dos Pobres

(Direcção: R. Anjo de Portugal 8, 2495-415 Fátima; a poucos metros da Casa Nossa Senhora das Dores)

ALOJAMENTO: A cargo de cada inscrito/a

 

Link para as INSCRIÇÕES: https://forms.gle/5ict4Lya4jwvj5gf8

No nosso Site: https://www.opf.pt/jornadas-missionarias/

 

PROGRAMA

SÁBADO, DIA 20 de SETEMBRO

10h00 – Boas-vindas, oração e introdução aos trabalhos

10h15 – REFLEXÃO: A Palavra em caminho (Sinodalidade na Escritura) (P.e César Silva, Verbita)

11h15 – Intervalo

11h30 – REFLEXÃO: A Palavra em missão (Uma Igreja sinodal missionária) (P.e César Silva, Verbita)

12h45 – Interrupção dos trabalhos para o almoço

14h30 – REFLEXÃO: “A acção missionária é o paradigma de toda a obra da Igreja” (Evangelii Gaudium, 15) (P.e Pedro Fernandes, Espiritano)

15h30 – DEBATE

16h00 – Intervalo

16h30 – Trabalho de grupos sobre a “Conversão pastoral e missionária” da Igreja que achamos necessária

17h00 – Partilha dos grupos em plenário

17h45 – A minha experiência de missão

(Testemunhos de voluntários missionários Ad gentes)

18h45 – Interrupção dos trabalhos

19h00 – Eucaristia e jantar

21h00 – Procissão das velas no Santuário

 

DOMINGO, DIA 21 de SETEMBRO

9h00 – REFLEXÃO: “Formar um povo de discípulos missionários” (Irmã Maria de Fátima Magalhães, Teresiana)

10h30 – Fim dos trabalhos

11h00 – Eucaristia no Santuário