13 outubro 2024

Outubro Missionário - Dia 13

 


Domingo, 13 de Outubro de 2024

XXVIII Domingo do Tempo Comum – Ano B

Sb 7, 7-11; Sal 89; Heb 4,1 2-13; Mc 10, 17-30

 

Neste Mês Missionário, o apelo de Cristo a segui-l’O, a deixar tudo pelo Evangelho e pela vida eterna, chama-nos. Ele quer pessoas pobres de coração, que procurem apenas as riquezas da Sua Palavra para viver dela, que rezem para receber e irradiar a Sua sabedoria. Ser discípulo-missionário leva-nos a renunciar às riquezas deste mundo e a escolher a única riqueza que pode satisfazer o nosso coração: a riqueza do amor do Senhor, como pede o Salmo de hoje: “Enchei-nos da Vossa misericórdia: será ela a nossa alegria” (Salmo 89).

 

O Papa Francisco trouxe o exemplo de Madeleine Delbrêl, uma buscadora de Deus que viveu no agnosticismo até aos vinte anos. Depois partiu em busca de Deus com uma sede profunda e um “vazio que nela gritava a sua angústia”. O seu caminho de fé leva-a a escolher uma vida totalmente dedicada a Deus, no coração da Igreja e do mundo. Deslumbrada com o seu encontro com o Senhor, escreveu: “Uma vez que conhecemos a palavra de Deus, não temos o direito de não a receber; quando a recebemos, não temos o direito de não a deixar encarnar-se em nós; quando se encarna em nós, não temos o direito de a conservar para nós: a partir daquele momento, pertencemos àqueles que a esperam” (La santità della gente comune, Milão 2020, 71)” (Catequese 25. A paixão pela evangelização). Não é isto que testemunha a Carta aos Hebreus deste Domingo? A Palavra de Deus é viva e eficaz (cf. Heb 4, 12) e encarna-se em nós para que a possamos testemunhar aos outros.

 

Outro discípulo-missionário que deixou tudo para seguir Cristo e testemunhar o Seu Evangelho é São Carlos de Foucauld. “Depois de ter vivido uma juventude longe de Deus, sem acreditar em nada, a não ser na busca desordenada do prazer, ele confia-o a um amigo não crente, a quem, depois de se ter convertido aceitando a graça do perdão de Deus na Confissão, revela a razão da sua vida. Escreve: «Perdi o meu coração por Jesus de Nazaré». Assim, o Irmão Carlos recorda-nos que o primeiro passo para evangelizar é ter Jesus dentro do coração, é “perder a cabeça” por Ele. Se isso não acontecer, dificilmente conseguiremos mostrá-l’O com a vida. Ao contrário, corremos o risco de falar de nós próprios, do nosso grupo de pertença, de uma moral ou, pior ainda, de um conjunto de regras, mas não de Jesus, do Seu amor, da Sua misericórdia” (Catequese 23. A paixão pela evangelização).

 

O discípulo-missionário encontrou o tesouro de que Jesus fala no Evangelho de hoje. Continuando a sua catequese sobre Charles de Foucauld, o Papa Francisco fala deste tesouro: “À medida que cada um de nós conhece mais Jesus, nasce o desejo de O dar a conhecer, de partilhar este tesouro. Comentando a narração da visita de Nossa Senhora a Santa Isabel, leva-o a dizer: «Ofereci-me ao mundo... levai-me ao mundo!». Sim, mas como fazê-lo? Como Maria, no mistério da Visitação: «Em silêncio, com o exemplo, com a vida». Com a vida, porque «toda a nossa existência – escreve o Irmão Carlos – deve gritar o Evangelho». E muitas vezes a nossa existência grita mundanidade, grita tantas coisas estúpidas, coisas estranhas, e ele diz: “Não, toda a nossa existência deve gritar o Evangelho.”

 

“Então, ele decide estabelecer-se em regiões longínquas para gritar o Evangelho no silêncio, vivendo no espírito de Nazaré, em pobreza e escondimento. Vai para o deserto do Sahara, entre os não-cristãos, e chega lá como amigo e irmão, levando a mansidão de Jesus-Eucaristia” (Catequese 23).

 

A promessa de Jesus a quem deixar tudo por amor a Ele e ao Evangelho é entrar na vida eterna, no Reino! Isto é impossível para o homem, mas possível para Deus! Neste Mês Missionário, celebramos a contínua exortação de Deus a todos para que O sigam e se entreguem pelo Evangelho e pelo Reino. Por fim, deixamos que Deus torne possível o nosso desejo de abraçar a missão com todo o coração. Este apelo reflecte-se também no tema do próximo Domingo, Dia Mundial das Missões: Ide e convidai a todos para o banquete (cf. Mt 22, 9).

 

No “Vem e segue-Me”, como no “Ide e convidai a todos”, há um apelo a ir. Voltemos ao testemunho de Madeleine Delbrêl: “Para estar contigo no Teu caminho, é preciso ir, até quando a nossa preguiça nos suplica que fiquemos. Escolheste-nos para estar num estranho equilíbrio, um equilíbrio que só pode ser estabelecido e mantido em movimento, só num impulso. Um pouco como uma bicicleta, que não consegue ficar de pé sem estar em movimento [...] Só podemos estar de pé avançando, movendo-nos, num ímpeto de caridade». É aquilo a que ela chama a “espiritualidade da bicicleta” (Umorismo nell’Amore. Meditazioni e poesie, Milão 2011, 56). Só a caminho, correndo, vivemos no equilíbrio da fé, que é um desequilíbrio, mas é assim: como a bicicleta. Se pararmos, ela não fica em pé” (Catequese 25: A paixão pela evangelização).

 

No Evangelho, o rico que procurou a vida eterna não encontrou a alegria, mas a tristeza do materialismo. Para aqueles que, pelo contrário, encontraram a verdadeira alegria ao dar tudo e escolher Jesus, o Papa Francisco recorda-nos que hoje é um momento oportuno para anunciar Jesus e a alegria do Evangelho: “Assim, como os dois de Emaús, volta-se à vida de todos os dias com o ímpeto de quem encontrou um tesouro: aqueles dois eram jubilosos, porque tinham encontrado Jesus, e isto mudou as suas vidas. E descobre-se que a humanidade está repleta de irmãos e irmãs que aguardam uma palavra de esperança. O Evangelho é esperado até hoje: o homem de hoje é como o homem de todos os tempos, precisa dele, inclusive a civilização da incredulidade programada e da secularidade institucionalizada; aliás, sobretudo a sociedade que deixa vazios os espaços do sentido religioso, precisa de Jesus. Este é o momento favorável para o anúncio de Jesus. Por isso, gostaria de dizer novamente a todos: «A alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, a alegria nasce e renasce sem cessar» (ibid., 1) (Catequese 26).

 

Por fim, juntemo-nos ao Papa Francisco para agradecer, neste Mês Missionário, a todos aqueles que responderam ao apelo de deixar tudo pelo anúncio do Evangelho: “Aproveito o momento para agradecer aos missionários e missionárias que, respondendo ao chamamento de Cristo, deixaram tudo e partiram para longe da sua pátria a fim de levar a Boa Nova aonde o povo ainda não a recebera ou só recentemente é que a conheceu. Irmãs e irmãos muito amados, a vossa generosa dedicação é expressão tangível do compromisso da missão ad gentes que Jesus confiou aos Seus discípulos: «Ide e fazei discípulos de todos os povos» (Mt 28, 19). Por isso continuamos a rezar e a agradecer a Deus pelas novas e numerosas vocações missionárias para esta obra de evangelização até aos confins da terra” (Mensagem para o Dia Mundial das Missões 2024).

12 outubro 2024

Outubro Missionário - Dia 12

 


Sábado, 12 de Outubro de 2024

XXVII Semana do Tempo Comum – Ano B

Gl 3, 22-29; Sal 104; Lc 11, 27-28

 

Que dizer da nossa devoção a Maria, Mãe de Deus? É um fenómeno psicológico normal: se somos “fãs” de alguém, desenvolvemos automaticamente uma devoção pela mãe. Por outras palavras, quando o filho se torna uma estrela, isso afecta automaticamente a mãe, como mostra a história familiar de Elvis Presley, Michael Jackson ou Elton John...

 

Mas o nosso Senhor e Salvador não queria ser um “Jesus Cristo Superstar” ao estilo de Andrew Lloyd Webber, nem queria isso da Sua mãe ou dos Seus discípulos. Ser adorado exteriormente foi sempre muito pouco para Ele. No entanto, não o rejeitou porque não veio para combater os fenómenos psicológicos naturais, mas elevá-los ao sobrenatural. Por isso, não Se defende da adoração pessoal, da simpatia e da “adulação” que Lhe são dirigidas. Deixa que a multidão O acolha como um herói quando entra em Jerusalém. Mas a razão pela qual vai a Jerusalém não é para estabelecer um culto estelar à sua volta, mas para fazer com que o soldado que Lhe trespassou o coração na cruz diga: “Verdadeiramente este homem era o Filho de Deus!” (Mc 15, 39). E, a partir desse momento, milhões e milhares de milhões de pessoas professarão a fé n’Ele.

 

Podemos e devemos amar Maria com todas as nossas forças. O feminino e o maternal também desempenham um papel importante, porque cada pessoa tem uma relação especial e naturalmente terna com a sua mãe. Isso é permitido! Sim, o seu ventre é abençoado, porque lhe foi permitido carregar dentro de si o que os céus não podem conter. Sim, o seu ventre é abençoado porque lhe foi permitido amamentar com o seu leite materno Aquele que quer tornar-Se alimento para todos nós na Eucaristia. Jesus encarnou para poder acariciar esta mulher como uma criança, que mais tarde nos daria como mãe na cruz. O Vaticano II diz d’Ele: “Trabalhou com mãos humanas, pensou com uma inteligência humana, agiu com uma vontade humana, amou com um coração humano” (Gaudium et spes, 22).

 

O natural é a condição prévia do sobrenatural. Se amamos Jesus, amamos automaticamente aquela que tornou possível a Sua incarnação e que O serviu como nenhum outro ser humano. Mas uma “adoração” de Maria seria muito pouco. Jesus quer o discipulado, Jesus quer a imitação. São Bernardo de Claraval (+1153) diz: “Nos perigos, nas angústias, nas dúvidas, pensa em Maria, invoca Maria. Que ela não se afaste dos teus lábios, não se afaste de teu coração.”

11 outubro 2024

Outubro Missionário - Dia 11


Sexta-feira, 11 de Outubro de 2024

XXVII Semana do Tempo Comum – Ano B

Gl 3, 7-14; Sal 110; Lc 11, 15-26

Estamos no Mês Missionário de Outubro, cujo ponto alto é o Dia Mundial das Missões. A Igreja celebra-o desde 1926, quando o mundo e a Igreja viviam um período ‘demoníaco’. Os demónios do nacionalismo tinham conduzido à Primeira Grande Guerra Mundial e, com o seu fim, os demónios não tinham de modo algum desaparecido, mas tinham-se tornado ainda mais ferozes, alimentados por terríveis crises económicas. Durante este período, o Papa Pio XI (1922-1939) opôs às hostilidades e rivalidades entre as nações o domínio de Cristo. O seu lema é programático e diz: “Pax Christi in regno Christi – A paz de Cristo no reino de Cristo!”

Um dos exorcismos do seu tempo foi a fundação das Obras Missionárias Pontifícias em 1922, onde transformou as três sociedades missionárias nacionais francesas existentes numa organização universal e “papal”. A Igreja foi, desde o seu início, um actor global, transcendendo todas as fronteiras raciais, étnicas e políticas. Isto é evidenciado pela lista de 17 (!) grupos étnicos (Act 2, 9-11) que se reuniram à volta de Pedro e dos discípulos cheios do Espírito no Pentecostes.

No Evangelho de hoje, Jesus fala da expulsão dos demónios. Diz de Si próprio: “Se Eu expulso os demónios pelo dedo de Deus, então quer dizer que o reino de Deus chegou até vós” (Lc 11, 20). Não cometamos o erro dos séculos anteriores, em que a Igreja, com as suas instituições, hierarquias e órgãos, era praticamente identificada com o Reino de Deus. A Igreja não é o reino de Deus. Mas serve o reino de Deus, o Seu reino no coração dos homens e a união dos povos.

Pio XI não só fundou as Obras Missionárias Pontifícias em 1922, como também introduziu o Dia Mundial das Missões em Outubro de 1926, então em preparação para a festa de Cristo Rei, que era celebrada no último Domingo de Outubro. Trata-se da solidariedade mundial entre os cristãos católicos que rezam com e pelos outros. Trata-se de solidariedade, de recolha de fundos em todas as Igrejas do mundo e de criar um equilíbrio justo no seio da Igreja. O Dia Mundial das Missões expulsa de nós, católicos, os demónios da “auto-referencialidade” (Papa Francisco). Abre os nossos corações à solidariedade global. Hoje, em particular, o Dia Mundial das Missões é um contributo importante para assegurar que “a paz de Cristo reine no reino de Cristo” (Pio XI).

10 outubro 2024

Outubro Missionário - Dia 10

 Quinta-feira, 10 de Outubro de 2024 

XXVII Semana do Tempo Comum – Ano B

Memória facultativa de S. Daniel Comboni, Bispo e fundador

Gal 3, 1-5; Lc 1, 69-75; Lc 11, 5-13


Há dezenas de passagens do Evangelho em que Jesus promove intensamente a oração de petição. Hoje, Jesus motiva-nos não só a rezar com insistência, mas também a não ter medo de incomodar Deus com as nossas petições.


A lição que Jesus nos ensina hoje foi precedida de um episódio: os Seus discípulos pediram-Lhe que os ensinasse a rezar. Jesus ensina-lhes uma oração, uma oração de petição: o Pai Nosso consiste apenas em pedir. Jesus não lhes ensina o louvor, a acção de graças, a adoração... Sem dúvida que quer que nós façamos o mesmo, porque Ele próprio pratica todas as formas de oração. Mas ensina-lhes sobretudo a fazer grandes súplicas a Deus! E garante-nos com firmeza que seremos ouvidos. É por isso que a Igreja ensina também que todas as nossas orações serão atendidas! Naturalmente, sempre de acordo com a vontade de Deus, porque só Ele sabe o que é melhor para nós.


Para Ele, é importante que a nossa oração seja “persistente”. Atenção: quando pedimos a Deus, não devemos esperar que Ele seja uma máquina de venda automática de refrigerantes, na qual eu insiro as minhas orações como se fosse uma moeda de dois euros e a lata de Coca-Cola ou outra bebida sai imediatamente... Perseverança significa que tenho de me envolver numa espécie de luta com Deus, em quem tenho de depositar toda a minha confiança. Isto requer tempo, paciência, perseverança, até mesmo teimosia.


Houve uma mulher no passado que rezava persistentemente e era também uma “missionária”. A “missão” de Santa Mónica era levar o seu filho Agostinho a Cristo. Rezou e sofreu por ele durante muitos anos. Podemos modificar a resposta que um sacerdote lhe deu: “Vai em paz, um filho de muitas lágrimas não se perde!”: “Uma pessoa por quem se reza muito não se perde.”


Jesus quer motivar-nos a rezar tanto que nos exorta mesmo a incomodar Deus, a sermos insistentes! Isto significa que nunca é demais pedir, nunca é demais rezar! Isto é particularmente importante para a missão no mundo, porque muitas vezes excluímos as pessoas. Corremos o risco de nos resignarmos simplesmente ao facto de que tantas pessoas neste planeta ainda não conhecem Cristo e que tantas pessoas baptizadas vivem como pagãs. Não, esta resignação não é cristã. Voltemos a bater à porta de Deus, nosso Pai que está nos céus, e peçamos-Lhe encarecidamente que todas as pessoas possam experimenta


r a salvação.

09 outubro 2024

Outubro Missionário - Dia 9


Quarta-feira, 9 de Outubro de 2024

XXVII Semana do Tempo Comum – Ano B

Gl 2, 1-2.7-14; Sal 116; Lc 11, 1-4

 

Os discípulos pedem a Jesus que os ensine a rezar. Jesus responde imediatamente e de bom grado. E ensina-lhes uma breve oração de súplica a Deus, Seu Pai, que é também “nosso Pai”. É de notar que esta é, de facto, a única oração que Jesus ensina pessoalmente aos Seus apóstolos, incluindo a nós.

 

Os judeus conheciam muitas formas de oração: de acção de graças, de louvor, de súplica, de adoração, etc. Os Salmos oferecem um vasto leque de orações. Por isso, é ainda mais interessante o facto de Jesus ensinar aos discípulos uma oração de petição. No Evangelho de Mateus, o Pai Nosso é composto por sete petições; aqui, em Lucas, encontramos cinco.

 

Nos últimos anos, a oração de petição entrou em crise. É filosoficamente difícil compreender por que razão uma pessoa deve pedir algo a Deus, que sabe e pode fazer tudo como quer... Que sentido tem? Sob a influência da religiosidade oriental, que se tornou cada vez mais popular entre nós nos últimos 50 anos, “rezar” passou a ser entendido mais como uma auto-absolvição subjectiva. A “oração” como algo que é acima de tudo “bom para mim”. Através da oração, não pressiono Deus a fazer algo, mas mudo-me a mim próprio.

 

Trata-se, de facto, um ateísmo latente, porque já não temos fé em Deus para fazer nada neste mundo. A oração de súplica só tem sentido em mim, na mudança das minhas atitudes, dos meus estados de espírito. Mas será que Jesus só ensinou aos Seus discípulos estas grandes petições do Pai Nosso para que eles se tranquilizassem? É evidente que não! Jesus espera tudo de Deus, Seu Pai, e quer que nós façamos o mesmo. É claro que Deus não precisa das nossas orações! Mas deseja-as. É por isso que Jesus diz: “Pedi e dar-se-vos-á, procurai e encontrareis, batei e abrir-se-vos-á” (Mt 7, 7).

 

No Mês Missionário de Outubro, devemos rezar conscientemente o Pai Nosso pelas missões do mundo. Todas as petições do Pai Nosso têm uma dimensão missionária: missão significa querer que o nome de Deus seja santificado, que o Reino de Deus surja no coração dos homens, que todos vivam com justiça e tenham o pão necessário, que venha o perdão misericordioso e que Deus acabe com a guerra, a discriminação, a fome, a violência e a destruição do nosso habitat, a terra…

08 outubro 2024

Outubro Missionário - Dia 8


Terça-feira, 8 de Outubro de 2024

XXVII Semana do Tempo Comum – Ano B

Gl 1, 13-24; Sal 138; Lc 10, 38-42

Recordemo-nos: Deus é o Senhor da história e nela opera a Sua salvação. Ele espera a nossa colaboração, mas seria absolutamente errado se pensássemos que somos nós que temos de redimir e salvar o mundo. Hoje, todos corremos o risco de cair na falsa doutrina de Pelágio, que, no século IV, pensava que bastava arregaçar as mangas e salvar o mundo e a Igreja por nós próprios. Sem a graça. Santo Agostinho, que já tinha experimentado a superioridade da graça aquando da sua conversão, criticou Pelágio. E com razão!

Podemos mudar o mundo só com a ajuda de Deus, só confiando na Sua obra, na Sua ajuda, na Sua graça. O “Sim, nós podemos!” que os políticos têm usado como slogan motivacional nos últimos anos deve ser urgentemente complementado numa perspectiva cristã: “Sim, nós podemos – com a ajuda de Deus!”

Ontem foi a festa do Rosário e recordámos que a missão precisa de oração. Mais uma vez: não somos os donos do mundo, somos apenas colaboradores na obra de Deus. Precisamos daquele Deus a quem os Salmos já reconhecem o domínio sobre toda a terra.

Os Padres da Igreja são unânimes em afirmar que o Evangelho de hoje nunca deve ser interpretado no sentido de que Marta tenha feito algo de errado ou mesmo de mau. Marta trabalha por amor: cozinha, cuida, faz o bem ao Seu hóspede, a Jesus. Maria, pelo contrário, senta-se simplesmente aos pés de Jesus e escuta-O; está completamente concentrada n’Ele, o divino Salvador. A lição que Jesus dá a Marta é uma lição que dá também a nós, pelagianos de hoje, que pensamos que podemos fazer e resolver as coisas sozinhos.

Em Outubro, Mês das Missões, temos muitas ideias, muitas iniciativas, muitos eventos para tratar do futuro da Igreja. Isso é bom. Mas também é necessário “relaxar”. Não somos nós que criamos o futuro da Igreja, mas o próprio Senhor.

Sem os ministérios de Marta, é claro, a Igreja não funcionará, mas se faltar a prioridade da escuta e da fé em Jesus, não teremos sucesso.

07 outubro 2024

Outubro Missionário - Dia 7

 


Segunda-feira, 7 de Outubro de 2024

XXVII Semana do Tempo Comum – Ano B

Memória da Bem-Aventurada Virgem do Rosário

Act 1, 12-14; Lc 1, 46-55; Lc 1, 26-38

 

Outubro é o mês da missão no mundo. E é o mês do santo Rosário. Originalmente, o Rosário era uma oração meditativa inventada nos mosteiros para contemplar a vida de Jesus. Sendo uma oração muito simples, em que apenas se repetem as orações básicas “Pai Nosso”, “Avé Maria” e “Glória ao Pai”, depressa se tornou muito popular entre os Irmãos leigos. Depois, os Dominicanos difundiram a oração do Terço também entre os fiéis comuns. O cordão de oração que logo surgiu é uma ajuda e um lembrete para rezar regularmente.

 

É uma coincidência que o tema “Rosário” e “Missão no Mundo” coincidam em Outubro. Missão não é colonização; missão não é a expansão imperial de uma ideologia religiosa que se sente superior a outras. A missão é o convite humilde a abrirmo-nos a Deus, que nos quer redimir e curar. Maria abre-se a este convite, que o Anjo Gabriel lhe dirige: “Eis a serva do Senhor: faça-se em mim segundo a Tua palavra” (Lc 1, 38).

 

Em 1822, a Beata Paulina Maria Jaricot (1799-1862) fundou uma associação chamada “Obra da Propagação da Fé”. Ela queria promover a oração e recolher donativos para as missões. Em 1826, fundou o “Rosário Vivo” e, até ao fim da sua vida, reuniu mais de dois milhões de franceses que rezavam diariamente uma dezena do Terço pelas missões de todo o mundo. A obra da Beata Paulina Maria Jaricot foi elevada a “Pontifícia” pelo Papa Pio XI em 1922. É surpreendente que as Obras do Papa para as missões do mundo não tenham tido origem numa estratégia do Vaticano, mas na iniciativa de oração de uma jovem mulher, uma leiga!

 

Se queremos ajudar as missões no mundo, então temos de rezar! Sem oração não há missão, porque o Espírito Santo é – como repete o Papa Francisco – o motor da missão. Também a nossa oração do Terço se torna “cintilante” quando a recitamos com espírito missionário, quer pelos muitos que ainda não conhecem Cristo, quer por nós na Europa, especialmente os jovens, para que reconheçam o sentido último e a razão da sua vida naquele Deus a quem Maria declara: “Faça-se em mim segundo a Tua palavra” (Lc 1, 38).

06 outubro 2024

Outubro Missionário - Dia 6

 


Domingo, 6 de Outubro de 2024 

XXVII Domingo do Tempo Comum – Ano B

Gn 2, 18-24; Sal 127; Heb 2, 9-11; Mc 10, 2-16


Neste primeiro Domingo Missionário de Outubro, reconhecemos as bênçãos que o Senhor nos quis dar desde a criação do mundo! A bênção dos esposos que se ajudam mutuamente (1ª leitura); a bênção da vida familiar e a felicidade de caminhar nos caminhos do Senhor (Salmo); a bênção da santificação trazida por Jesus Cristo que nos conduz pelo caminho do amor (2ª leitura); e, por fim, a bênção do coração dos filhos que acolhem a vida do Reino (Evangelho).


Neste Mês Missionário, celebramos, portanto, os abençoados pelo Senhor que, na sua vida consagrada ao Senhor, bem como na vida dos casais e das famílias, se empenham, em nome da sua fé, na construção do Reino de justiça, de fraternidade, de entreajuda, de caridade e de solidariedade. Através deles, Deus actua para unir os povos e ajudar os mais pobres e necessitados. Juntos, e não sozinhos, aprendemos a superar o individualismo, o egocentrismo e a dureza de coração, e a crescer no amor, na partilha, no esquecimento e no dom de nós mesmos. Estamos habituados a ver sacerdotes e comunidades religiosas empenhados na causa do Reino de Deus; o nosso tempo oferece-nos a graça de casais e famílias missionárias, e mesmo de movimentos que assumem o desafio missionário: “Ide, fazei discípulos todos os povos” (Mt 28, 19), Ide e convidai a todos para o banquete (cf. Mt 22, 9) (tema do DMM 2024). Comentando o tema escolhido pelo Santo Padre, ele disse: 


“Há dois verbos que expressam o núcleo da missão: «ide» e chamai, «convidai». Quanto ao primeiro verbo, convém recordar que antes os servos tinham sido já enviados para transmitir a mensagem do rei aos convidados (cf. 22, 3-4). Daqui se deduz que a missão é ida incansável rumo a toda a humanidade para a convidar ao encontro e à comunhão com Deus. Incansável! Deus, grande no amor e rico de misericórdia, está sempre em saída ao encontro de cada ser humano para o chamar à felicidade do Seu Reino, apesar da indiferença ou da recusa.” (Mensagem para o Dia Mundial das Missões 2024).


Da sétima catequese do Papa Francisco sobre A paixão pela evangelização, recordamos o seguinte: “O Concílio diz: «A vocação cristã [...] é também, por sua própria natureza, vocação ao

apostolado» (Decr. Apostolicam actuositatem [AA], 2). Trata-se de uma chamada que é comum,

«assim como comum é a dignidade dos membros pela sua regeneração em Cristo, comum é a

graça da adopção filial, comum é a vocação à perfeição; só existe uma salvação, uma esperança e

uma caridade sem divisões» (LG, 32). É um chamamento que diz respeito tanto aos que receberam o sacramento da Ordem, como às pessoas consagradas e a todos os fiéis leigos, homens ou mulheres, é uma chamada a todos.”


A missão é uma questão de coração que acolhe o Reino. A Beata Paulina Jaricot descobriu-o na sua vida de oração e resumiu-o muito bem: “A oração é o Reino de Deus em nós. Que o nosso coração seja invadido pelo amor infinito de Jesus Cristo!” A missão é também uma questão de anunciar o Reino de Deus, que está sempre próximo e é amoroso e misericordioso.


“Jesus diz: «Pregai, anunciando que o reino dos céus está próximo» (v. 7). Eis o que se deve dizer, antes de tudo e em tudo: Deus está próximo. Mas, nunca esqueçamos isto: Deus esteve sempre próximo do povo, Ele próprio o recordou ao povo, Disse assim: “Vede, que Deus está tão próximo das nações como Eu estou próximo de vós?”. A proximidade é uma das coisas mais importantes de Deus. Há três aspectos importantes: proximidade, misericórdia e ternura.” (Catequese 4. A paixão pela evangelização).


Rezemos para que cada pessoa, cada casal, cada família encontre a bênção e a beleza do projecto de amor sobre si. Se acolhermos o Reino de Deus em nós, os nossos corações de filhos de Deus darão frutos de amor, de entreajuda, de comunhão e de unidade, e veremos a felicidade, como diz o Salmista. Que Santa Teresinha do Menino Jesus nos guie na missão de todos os baptizados durante este Mês Missionário. O Papa Francisco, inspirado por ela, diz-nos: 


“Com efeito, os missionários, dos quais Teresa é padroeira, não são apenas aqueles que vão longe, aprendem novas línguas, fazem boas obras e são bons anunciadores; não, missionário é também todo aquele que vive, onde está, como instrumento do amor de Deus; que faz tudo para que, através do seu testemunho, da sua oração, da sua intercessão, Jesus passe. Este é o zelo apostólico que, recordemos sempre, nunca se realiza por proselitismo – nunca! – ou por constrição – nunca – mas por atracção: a fé nasce por atracção, não nos tornamos cristãos por sermos forçados por alguém, não, mas por sermos tocados pelo amor” (Catequese 16. A paixão pela evangelização).


O Papa Francisco apresenta o testemunho de um leigo venezuelano que foi missionário e instrumento do amor de Deus por onde passou: o Beato José Gregório Hernández Cisneros: “Nasceu em 1864 e aprendeu a fé sobretudo com a mãe, como ele disse: «A minha mãe ensinou-me a virtude desde o berço, fez-me crescer no conhecimento de Deus e deu-me a caridade como guia». Prestemos atenção: são as mães que transmitem a fé. A fé transmite-se em dialecto, ou seja, com a linguagem das mães, aquele dialecto que as mães sabem falar com os filhos. E a vós, mães: tende o cuidado de transmitir a fé no dialecto materno.


“A caridade foi, de facto, a estrela polar que orientou a existência do Beato José Gregório: pessoa boa e afável, de temperamento alegre, era dotado de uma inteligência perspicaz; tornou-se médico, professor universitário e cientista. Mas foi sobretudo um médico próximo dos mais fracos, a ponto de ser conhecido na sua terra natal como “o médico dos pobres”. Cuidou dos pobres, sempre. À riqueza do dinheiro preferiu a riqueza do Evangelho, gastando a sua vida para ajudar os necessitados. Nos pobres, nos doentes, nos migrantes, nos que sofrem, José Gregório via Jesus. E o sucesso que nunca procurou no mundo recebeu-o, e continua a recebê-lo, do povo, que lhe chama “santo do povo”, “apóstolo da caridade”, “missionário da esperança”. Belos nomes: “Santo do povo”, “apóstolo da caridade”, “missionário da esperança”» (Catequese 20).


Ele prova que, como proclama a antífona do Evangelho deste Domingo, “se nos amamos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o Seu amor em nós é perfeito” (1 Jo 4, 12).

05 outubro 2024

Outubro Missionário - dia 5

Sábado, 5 de Outubro de 2024 


XXVI Semana do Tempo Comum – Ano B

Memória facultativa de Santa Faustina Kowalska, Apóstola da Misericórdia

Gb 42, 1-3.5-6.12-17; Sal 118; Lc 10, 17-24


Eis, de novo, os 72 que o Senhor enviou. Não foram apenas os 12 Apóstolos, cujos nomes são bem conhecidos por nós e que honramos como a fundação da Igreja e a origem do ministério dos bispos e sacerdotes. Não, regressaram mais 60 discípulos anónimos. Estes anónimos e desconhecidos são todos os baptizados, independentemente do facto de terem responsabilidades especiais através da ordenação ou de uma vocação religiosa ou mesmo de um ministério eclesiástico. Cada baptizado é enviado, como sublinha repetidamente o Papa Francisco!


E os 72 têm boas notícias, porque os poderes do mal obedecem-lhes assim que dizem o nome de Jesus. Se quisermos tornar-nos uma Igreja missionária, temos de tomar consciência urgentemente: NÓS não determinamos o futuro da Igreja, somos apenas instrumentos. NÓS somos apenas instrumentos. O Senhor do céu e da terra é o nosso Salvador Jesus Cristo. Quando confiamos apenas nas nossas próprias forças, só podem acontecer coisas miseráveis e fracas! Os homens só podem produzir coisas humanas, mas Deus pode produzir coisas divinas!


Jesus concede aos Seus discípulos um poder que não vem deles, mas da Sua presença neles. Por isso, é bom recordar a santa de hoje: Santa Faustina Kowalska tinha apenas 35 anos; era uma mulher frágil, conhecida apenas por esta razão: “Tenho de me ligar completamente a Jesus, entregar-me completamente a Ele.” E assim, no seu retiro em Varsóvia, foi escolhida por Jesus para se tornar missionária da misericórdia. Ela queria que todos os homens, especialmente os afastados de Deus e os pecadores, experimentassem os raios de graça da misericórdia divina. Por isso, viveu, trabalhou, rezou e sacrificou a sua jovem vida.


Façamos um exame de consciência: estou suficientemente “apegado” a Jesus? É importante para mim que Ele seja anunciado? Desejo que todos as pessoas experimentem o amor misericordioso de Deus?

04 outubro 2024

Outubro Missionário - dia 4

 Sexta-feira, 4 de Outubro de 2024 

XXVI Semana do Tempo Comum – Ano B

Festa de São Francisco de Assis, padroeiro da Itália

Gb 38, 1.12-21; 40, 3-5; Sal 138; Lc 10, 13-16


Para nós, cristãos de hoje, não é difícil admirar São Francisco, o humilde “Poverello”. O empenhamento a favor dos pobres, dos doentes e dos deserdados é geralmente apreciado. Mesmo as pessoas que estão longe da fé e que criticam a Igreja respeitam os cristãos que lutam pelos fracos e pelos pobres.


Se não queremos apenas “admirar” Francisco exteriormente, então devemos primeiro olhar para o seu amor por Cristo. Madre Teresa, uma versão feminina de Francisco, mostrou-nos este amor por Jesus: em adoração, diante do Santíssimo Sacramento, olhando para o Filho de Deus, encontrou a força para cuidar dos moribundos que jaziam como lixo malcheiroso nas ruas de Calcutá. Francisco era tão apaixonado pelo seu amor a Jesus que chegou a ganhar estigmas no seu corpo. A oração e a Eucaristia não são um fim em si mesmas; é a forma como nos ligamos a Jesus e recebemos a força para amar como Ele amou.


Nenhum de nós tem uma glândula hormonal que produza “altruísmo” e “devoção”. Quando amamos Jesus, uma fonte se abre n’Ele e flui através de nós. Depois, Ele transforma-nos em amantes. Porquê? Porque o fogo que arde no coração de Jesus arde subitamente em nós. Dá-se uma identificação feita por Jesus: “Quem vos ouve a Mim ouve...” (Lc 10, 16).


E então a “missão” acontece de forma automática: porque se o amor de Jesus arde em ti, automaticamente tens o desejo de transmitir o Seu fogo. Isto significa que quem se liga a Jesus e se deixa ferir pelo Seu amor tem uma missão, é uma missão. S. Francisco sentiu-se chamado a pregar o Evangelho e a falar de Jesus às pessoas. Ele era tão “missionário” que, em 1219, foi ao Egipto e pregou o Senhor Jesus Cristo ao Sultão Malika Al Kamil.


São Francisco ensina-nos que a nossa missão tem origem no facto de estarmos ligados a Jesus. A Sua missão é o amor. E nós tornamo-nos parte da Sua missão através da caridade activa e do testemunho destemido.


03 outubro 2024

Outubro Missionário - Dia 3


Quinta-feira, 3 de Outubro de 2024 

XXVI Semana do Tempo Comum – Ano B

Jb 19, 21-27; Sal 26; Lc 10, 1-12


Jesus envia os apóstolos e notamos que aqui é mencionado um número invulgar: não são 12 apóstolos, mas 72. Todas as crianças sabem que os apóstolos eram 12. Doze representa a plenitude humana partindo das doze tribos de Israel. O número é tão importante que, após a traição e a morte de Judas, antes do Pentecostes, Matias é acrescentado como o décimo segundo. O número tem um papel importante até na Igreja actual, uma vez que o Papa assegura que haja sempre cerca de 120 cardeais com menos de 80 anos, ou seja, autorizados a eleger o Papa.


Lucas descreve o envio dos discípulos e é simplesmente surpreendente o facto de serem 72, não apenas 12, mas 5x12. É possível que o sábio Lucas esteja a aludir aos 72 sábios judeus que se diz terem traduzido a Bíblia hebraica para grego, razão pela qual esta tradução se chama simplesmente “Septuaginta”, que significa “setenta”.


72 também significa simplesmente que não são APENAS os 12 apóstolos, que são chamados por nome em muitos lugares nos Evangelhos. Isto tem a ver connosco, cristãos de hoje: é errado pensar que só os bispos, só os padres, etc. são enviados. O Magistério da Igreja, os papas, especialmente Francisco, não se cansam de dizer que TODOS os baptizados já têm uma missão em virtude do seu baptismo.


Estamos no Mês Missionário de Outubro e o Evangelho é um exame de consciência: estamos conscientes de que temos uma missão? Estamos conscientes de que dar testemunho do Evangelho pode custar-nos a honra? Pode custar-nos tempo e dinheiro? Pode custar-nos opressão? E que devemos esperar rejeição e escárnio? Deixemos de ficar de braços cruzados e de atribuir a culpa do declínio da fé cristã aos outros.


Eu próprio devo finalmente fazer alguma coisa, fui escolhido pelo Senhor desde o baptismo, sou um dos 72, a quem o Senhor continua a dizer: “Vai, Eu Te envio!”

02 outubro 2024

Dia 2 - Outubro Missionário


Quarta-feira, 2 de Outubro de 2024 

XXVI Semana do Tempo Comum – Ano B

Santos Anjos da Guarda

Ex 23, 20-23a; Sal 90; Mt 18, 1-5.10


Os primeiros vinte anos da nossa vida são passados a aprender a ser adultos. À medida que crescemos, adquirimos percepções, educação, conhecimentos e competências sem as quais este mundo não poderia funcionar. Um mundo em que só existissem crianças seria um caos e uma anarquia. O que é que Jesus quer dizer quando diz: “Se não vos tornardes como as crianças,

não entrareis no reino dos Céus” (Mt 18, 3)?


Jesus refere-Se a duas atitudes. Primeiro, a atitude de ser pequeno: não devemos imaginar nada, não devemos sentir que somos melhores do que os outros. No reino dos céus, os últimos são os primeiros e os pequenos são, na realidade, os grandes. A segunda atitude que devemos aprender com as crianças: elas deixam-se guiar. Mesmo que, por vezes, sejam teimosas e queiram fazer o que lhes apetece, sabem que precisam da ajuda da mamã e do papá, da ajuda “do alto”.


Hoje, é a Festa dos Santos Anjos da Guarda. Jesus diz das crianças que “os seus Anjos vêem continuamente o rosto de meu Pai que está nos Céus” (Mt 18, 10). A essência dos anjos é estarem centrados em Deus. A missão dos anjos para connosco é orientar-nos para Deus. A nossa mente deve estar voltada para o céu e não para a terra. O nosso olhar deve estar centrado na meta, em Deus, para que a nossa vida não se perca no labirinto da banalidade.


Como cristãos, precisamos mais do que nunca dos santos Anjos, para compreendermos melhor a nossa missão. O primeiro objectivo da Igreja deve ser o de difundir a fé em Jesus Cristo. Isto só é realizável pela Sua graça; só é possível se formos pequenos e humildes. E só podemos fazer a diferença neste mundo se nos centrarmos no verdadeiro e no essencial: no próprio Deus. Querido Anjo da Guarda, ajuda-me a tornar-me humilde e como uma criança. E, por favor, dirige todos os meus esforços para Deus!

01 outubro 2024

Outubro Missionário - Dia 1


Terça-feira, 1 de Outubro de 2024 

XXVI Semana do Tempo Comum – Ano B

Santa Teresa do Menino Jesus, Virgem e Doutora da Igreja 

Gb 3, 1-3.11-17.20-23; Sl 87; Lc 9, 51-56


Hoje, começa o Mês Missionário, que culminará no Dia Mundial das Missões. Desde há muitos anos, a “missão” é uma das principais preocupações da Igreja, dos papas e dos bispos, de muitos movimentos... A boa vontade está presente em muitos. Então porque é que se faz tão pouco? 


Talvez nos falte um pouco a determinação e a firmeza de Jesus para cumprir a Sua missão, de que ouvimos falar no Evangelho de hoje: “Aproximando-se os dias de Jesus ser levado deste mundo,

Ele tomou a decisão de Se dirigir a Jerusalém.” E prosseguiu a viagem com tenacidade, mas também com paciência para com aqueles que não compreendiam ou não partilhavam a Sua missão, bem como para com os aldeões samaritanos que se recusavam a aceitá-l’O. Ensinou assim aos Seus discípulos a nova mentalidade, a nova visão, as “coisas novas” no cumprimento da missão de Deus.


O Papa Francisco, na Evangelii Gaudium, 22, diz que tudo na Igreja deve ser missionário. E nós? Continuamos com muitas estruturas mortas, comportamo-nos como até aqui, apesar de vermos que muitas coisas estão a morrer. Quanta energia investimos nas nossas paróquias e comunidades em coisas que não têm força missionária? Coisas que eram boas e fecundas há 50 ou 30 anos, já não o são hoje. Uma Igreja missionária deve também ter a coragem de deixar morrer as coisas que estão a morrer e ousar experimentar algo novo. Recordemos o que Jesus disse a quem O queria seguir no episódio evangélico imediatamente a seguir ao de hoje: “Deixa que os mortos sepultem os seus mortos!” (cf. Lc 9, 60).


Não é por acaso que o Mês Missionário de Outubro começa com a Festa de Santa Teresa de Lisieux, que quis seguir Jesus radicalmente quando era jovem e o fez por causa do grande amor que sentia por Ele até à sua morte prematura. Para nós, não é por acaso que Outubro não é apenas o mês da Missão Mundial, mas também o mês do Santo Rosário. De facto, para aceitarmos o convite de Nosso Senhor a uma entrega radical a Ele e à Sua missão, precisamos da oração e da intercessão da mulher que disse: “Eis aqui a serva do Senhor! Coloco-me inteiramente à disposição da missão de Deus para a humanidade.”