02 outubro 2014

Outubro Missionário 2014 - dia 2



» Tudo é graça.
» Amo tanto a Deus que desejo poder dar-lhe prazer
   sem que Ele saiba que sou eu.

Santa Teresa do Menino Jesus 


01 outubro 2014

Outubro Missionário 2014 - dia 1



Para mim, a oração é um surgir do coração, um olhar simples para o céu. É um grito de gratidão e amor no meio das dificuldades como no meio das alegrias. É algo de grande, de sobrenatural que dilata a alma e me une a Jesus.
Santa Teresa do Menino Jesus (História de uma Alma)


22 setembro 2014

Conclusões Jornadas Missionárias 2014 e Jornadas Nacionais da Pastoral Juvenil

“Família, um projeto” foi o tema das Jornadas nacionais, missionárias e juvenis, promovidas pelas Obras Missionárias Pontifícias e pelo Departamento Nacional da Pastoral Juvenil, que decorreram no Centro Pastoral Paulo VI, em Fátima, nos dias 20 e 21 de Setembro de 2014, com a presença de cerca de trezentos participantes, provenientes de várias Dioceses, de Institutos de Vida Consagrada e de muitos Grupos de Leigos que se dedicam à Missão.

Na senda dos importantes acontecimentos da vida da Igreja dos próximos tempos – Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos “Desafios pastorais sobre a Família no contexto da evangelização”, Assembleia Ordinária dos Bispos, em Roma, e Encontro das Famílias, em Filadélfia – fomos chamados a fazer um caminho de discernimento para procurar encontrar os meios pastorais que ajudem as famílias a enfrentar os desafios actuais com a luz e a força do Evangelho. A opção pela família nestas Jornadas tornou-se oportuna, urgente e desafiadora porque levou a um contínuo esforço de repensar a realidade da família de hoje em ordem a uma valorização, para que esta viva como proposta activa e modelo a seguir o amor doação, total e sem limites, Jesus Cristo.

No dizer do papa Francisco “as famílias constituem o primeiro lugar onde nos formamos como pessoas e, ao mesmo tempo, são os ‘tijolos’ para a construção da sociedade”. Assim, a família é escola insubstituível de afectos, valores e virtudes humanas e sociais, é ponto de partida e de convergência para a transformação e promoção da sociedade na dinâmica dos tempos. A família é o lugar por excelência da Missão, pois nela se faz o primeiro anúncio do Evangelho, se aprende a abertura ao outro, se descobre que somos irmãos e irmãs, que vivemos num mundo criado por Deus, a Família, por excelência.

Nestas Jornadas, com um leque alargado de palestrantes versando áreas diversas e transversais, longe de se ter em mente apontar respostas, pretendeu-se levantar questões que se colocam à família hoje nos vários campos da psicologia, da educação, da comunicação e da teologia, mergulhando numa reflexão sobre a Pastoral Familiar no contexto da evangelização; como enfrentar situações difíceis: uniões de facto, recasados; jovens e namoro-descoberta vocacional; família e voluntariado missionário; abertura à vida-natalidade, fecundidade, trabalho; desafios sociais e políticas familiares, sem esquecer o Evangelho e a missão da família.

Ao desencanto que nos pode assaltar quando constatamos o baixíssimo índice de fecundidade e o tão acentuado envelhecimento da população do nosso país, contrapomos a esperança que nasce quer do desejo de tantos em inverter tais situações quer da consciência política de alguns em pôr fim a medidas desconexas e sinais contraditórios e envolver muitos em novas opções de promoção da vida.

Para que a “Família se torne aquilo que é” na expressão feliz de S. João Paulo II, pede-se à família que seja santuário de vida pois esta é a única dádiva que renova o mundo; que descubra e valorize no seu todo e em cada um dos seus membros as 7 maravilhas do mundo: ver, ouvir, tocar, provar, sentir, rir e amar; que seja criativa como o Pai é Criador; que cumpra a sua missão educativa, no ser, no agir e na coerência do testemunho; que seja plataforma que cria relações verdadeiras e afectos honestos; que se abra ao bem comum, em comunidade e em corresponsabilidade; que seja lugar de amor e de alegria e guardiã da dignidade humana e da esperança do amanhã.

Aos servidores do bem comum e responsáveis pelas decisões socais e políticas exige-se que sejam amigos da família, que apostem na renovação das gerações, que promovam a valorização das pessoas e lhes ofereçam os meios para o crescimento e o desenvolvimento saudável e sustentável, no trabalho, na educação e na segurança e que permitam boas perspectivas de futuro.

Á Igreja pede-se que seja mãe, que esteja atenta, que abra os braços, que vá ao encontro e ajude as famílias a vencer as dificuldades para que vivam o projecto de Deus; que proporcione o encontro das pessoas e se torne fonte de vida para as famílias, para que sejam elas as protagonistas da evangelização para outras famílias.

A família, como célula e um bem precioso é um projecto intentado, onde todos, como arquitectos e empreiteiros, num trabalho sempre inacabado e sempre desafiador a exigir responsabilidade, serenidade e mestria. Por vezes, esta obra de arte que é a família, é realizada no meio duma sociedade tantas vezes indiferente ou adversa ao que pensamos e queremos. Sempre, e agora mais do que nunca, em família e como família, onde todos são para todos, temos de caminhar juntos, sendo testemunhas fortes e credíveis, portadores de luz e esperança.

As próximas Jornadas serão em Fátima nos dias 19 e 20 de Setembro de 2015.

14 agosto 2014

Jornadas Missionárias 2014

Eis o programa das Jornadas Missionárias de 2014. Realizam-se nos dias 20 e 21 de Setembro e podes inscrever-te connosco ou diretamente em: www.opf.pt

PROGRAMA
Sábado, 20 de Setembro
10h.00 – Abertura
10h.30 – Painel: “Família hoje...” Margarida Cordo, Joaquim Azevedo – moderador João Aguiar
11h.30 – Intervalo
12h.00 - Debate
13h.00 – Almoço
15h.00 – Workshops:
1.Pastoral familiar no contexto da evangelização
(P. Rui Pedro Carvalho)
2.Como enfrentar situações difíceis: uniões de facto, recasados…
(P. José M. Pereira de Almeida)
3.Jovens e namoro – descoberta vocacional
(P. Nuno Amador, P. José Miguel Barata Pereira e equipa)
4.Família e voluntariado missionário
(Rita e José Maria)
5.Abertura à vida – natalidade, fecundidade, trabalho
(Dra Rita Reimão)
6.Desafios sociais e politicas familiares
(Dra Inês Teotóneo Pereira)
17h.00 – Plenário
19h.00 – Eucaristia
20h.00 – Jantar
21h.00 – Convívio Missionário (“Acordes de Fé” – Testemunhos de missionários e jovens voluntariado missionário)


Domingo, 21 de Setembro
09h.00 – Evangelho e missão da Família – D. António Couto
10h.30 – Eucaristia no Santuário
13h.00 – Almoço
15h.00 – Mesa Redonda “Família e comunicação”: Tozé Martinho, Ana Maria Magalhães, Jorge Gabriel, Dra Inês Bolinhas
16h.30 - Envio e conclusões

27 fevereiro 2014

MENSAGEM DA QUARESMA 2014 DO BISPO DA GUARDA

MENSAGEM DA QUARESMA 2014 DO BISPO DA GUARDA 
"Quaresma, tempo para experimentar o amor de Deus”

A Quaresma, que estamos prestes a iniciar, é sempre apelo renovado aos cristãos e às comunidades cristãs para retomarem o caminho de Jesus. O Caminho de Jesus mostra o amor de Deus por todos nós e também procura levar-nos a experimentar e a viver agradecidos esse amor divino. Mas a lógica do amor divino confunde-nos, porque, como diz o Apóstolo, “Jesus Cristo, sendo rico fez-se pobre para nos enriquecer com a sua pobreza (2 Cor.8,9). Esta foi a passagem bíblica escolhida pelo Papa Francisco para nos introduzir no espírito da Quaresma que se aproxima. A Quaresma é tempo especialmente favorável para nos ajudar a revestir com os sentimentos de Cristo. E entre eles está a sua opção pelo caminho da pobreza, com o objectivo de encarnar a situação dos pobres e ajudá-los a descobrir a verdadeira riqueza que só Deus pode oferecer e garantir. É esse o sentido do convite à pobreza e a levar uma vida pobre que o Evangelho nos faz. Para nos ajudar a valorizar positivamente este convite, o Papa lembra a distinção entre pobreza e miséria. A miséria é uma realidade que precisa de ser erradicada da vida humana e em sociedade. E para atingir este grande objectivo da erradicação da miséria nós queremos, com o mesmo Jesus Cristo, assumir corajosamente o caminho da pobreza. E começamos a sentir como a lógica de Deus não é a lógica do mundo, que, como lembra o Papa, cai com frequência na tentação de fazer do poder, do luxo e do dinheiro os seus ídolos, o que impede a distribuição equitativa das riquezas. Por isso, a lógica de Deus é outra. É a lógica da pobreza, que o Papa também chama a lógica do amor, da Encarnação e da Cruz. Temos à nossa frente uma Quaresma para todos procurarmos assumir o caminho da pobreza que Jesus nos propõe e que é o seu modo de nos amar, de se aproximar de nós, como fez o bom samaritano. E envolvidos na pobreza de Cristo, queremos com Ele ajudar a combater as três formas de miséria que o Papa enumera: a miséria material, a miséria moral e a miséria espiritual. A miséria material, que vulgarmente designamos como pobreza, atinge todos os que vivem privados das condições materiais mínimas exigidas para o exercício da dignidade humana, como são os bens de primeira necessidade – alimento, água, condições de higiene, trabalho, além de outros. Por sua vez, a miséria moral e a espiritual afastam as pessoas dos grandes valores que dão verdadeiro sentido à vida e sobretudo da relação com Deus. E, como diz o nosso Papa Francisco, “se julgamos que não temos necessidade de Deus, vamos a caminho da falência”. Com a nossa renúncia quaresmal, este ano, queremos fortalecer os meios de combate à miséria material, vulgarmente designada como pobreza, sem mais e por isso destinamos uma parte dela para o fundo diocesano de solidariedade; mas também queremos voltar-nos para o combate à miséria moral e espiritual, sobretudo no mundo dos nossos jovens. Por isso, destinamos a outra parte ao trabalho com jovens, principalmente na pastoral vocacional. Estamos convencidos daquilo que o Papa nos diz na sua mensagem para esta Quaresma, citando um autor de referência: “Só há uma verdadeira miséria: é não viver como filhos de Deus e irmãos de Cristo”. 

Guarda, 24 de Fevereiro de 2014 
+Manuel R. Felício, Bispo da Guarda

21 novembro 2013

Plano Pastoral Diocesano - Guarda


Mensagem do Encerramento do ano da Fé - Bispo da Guarda


Aos Fiéis e às comunidades de Fé da Diocese da Guarda

O Papa Bento XVI convocou o ano da Fé com a carta apostólica Porta Fidei (11 de Outubro de 2011). Nela nos dizia que a porta da Fé introduz na vida de comunhão com Deus e permite a entrada na Igreja (cfr. nº1). O ano da Fé foi assim um convite especial feito a todos nós para entrarmos por esta porta, na certeza de que a comunhão com Deus vivida na comunhão da Igreja cumpre  as esperanças mais fundas que atravessam o coração humano.
De facto, a Fé constitui o grande dom de Deus oferecido a cada um de nós através da Pessoa de Seu Filho Jesus Cristo; sendo a relação com Ele determinante para que se cumpra a própria vocação humana enquanto tal. Isto nos diz também o Papa Francisco, na encíclica sobre a Fé, Lumen Fidei (29.06.2013), onde nos recorda a relação do ano da Fé com o cinquentenário do Concílio Vaticano II. Este Concílio foi, de facto, um concílio sobre a Fé, por sublinhar como a nossa vida tem de mostrar sempre o primado de Deus em Cristo (cfr. Lumen Fidei, nº 6).
É este primado de Deus e da relação com Ele na Pessoa de Cristo que tem de estar sempre no centro da nossa vida pessoal e comunitária. Damos agora connosco a viver tempos em que esse primado é esquecido e frequentemente substituído por realida­des passageiras que não podem responder aos anseios mais fundos do coração humano e, por isso, geram desilusão e perda de esperança.
Sendo assim,  a grande preocupação do ano da Fé, que hoje termina – colocar Deus e a Pessoa de Cristo no coração da nossa vida pessoal e comunitária – não a poderemos esquecer neste dia 24 de Novembro. De facto, esta preocupação existe para nós já desde antes de o ano da Fé se iniciar em 11 de Outubro de 2012.
Para trás desta data fica o nosso esforço de levar toda a Diocese a reencontrar-se com o Catecismo da Igreja Católica, em cada uma das suas quatro partes, propondo para nosso estudo uma delas em cada ano (2006-10). A seguir fizemos esforço, durante três anos (2010-13) para levar toda a Diocese a voltar-se mais para o encontro com a Palavra de Deus, cuidando a relação com o Evangelista do respectivo ano litúrgico. Com o anúncio do ano da Fé em 2011 e a sua preocupação de colocar no centro a celebração do cinquentenário do Concílio Vaticano II, a nossa Diocese, através dos seus órgãos de decisão, escolheu viver os próximos quatro anos em esforço para comparar a Igreja que somos com aquela que o mesmo Concílio nos propõe. E é na prossecução deste grande objectivo que todos estamos empenhados. Esperamos ser possível, no final deste período de quatro anos, através de assembleias de representantes de todo o Povo de Deus da nossa Diocese, definir caminhos novos de vivência da Fé numa Igreja renovada segundo o Concílio Vaticano II.
Durante este ano da Fé fizemos por toda a Diocese algumas experiências que nos podem ser úteis para o futuro próximo.
Uma delas foram as assembleias arciprestais em ano da Fé e relacionados com elas os encontros dos cooperadores pastorais de cada conjunto de paróquias confiadas ao mesmo pároco com a presença do Bispo Diocesano. Estes cooperadores, quer pelo seu número quer pelas diferentes áreas da vida das comunidades que representam, são de facto uma esperança para  renovação comunitária em que estamos empenhados. Queremos sobretudo envolvê-los no esforço para fazer o confronto das comunidades paroquiais e inter-paroquiais que somos com o modelo de Igreja que Cristo deseja e o Concílio nos propõe.
Terminamos esta mensagem com uma oração em que pedimos ao Senhor a graça de fazer com que o dinamismo de entusiasmo gerado ao longo deste ano da Fé por toda a Diocese nos ajude a definir caminhos novos de vivência da mesma Fé para nós e nossas comunidades.

Guarda e Paço Episcopal, novembro de 2013


+Manuel R. Felício, Bispo da Guarda

09 outubro 2013

Mensagem para o Dia Mundial das Missões (e)


5. Queria a todos encorajar a tornarem-se anunciadores da boa notícia de Cristo e estou grato, de modo particular, aos missionários e às missionárias, aos sacerdotes Fidei Donum, aos religiosos e às religiosas, aos leigos – sempre mais numerosos – que, acolhendo o chamamento do Senhor, deixam o próprio país, para espalhar o Evangelho em terras e culturas diversas. Mas gostaria também de sublinhar como as próprias igrejas jovens se estão a empenhar generosamente no envio de missionários às igrejas que estão em dificuldade – geralmente Igrejas cristãs antigas – levando assim a frescura e o entusiasmo com as quais elas vivem a fé, que renova a vida e dá esperança. Viver neste contexto de dimensão universal, respondendo ao mandato de Jesus “Ide, pois, e fazei discípulos em todos os povos”(Mt 28, 19) é uma riqueza para cada Igreja particular, para cada comunidade. Assim, enviar missionários e missionárias não é mais visto como uma perda, mas, antes, um ganho. Faço um apelo a todos quantos sentem tal chamamento a corresponderem generosamente à voz do Espírito, segundo o seu próprio estado de vida, e a não terem medo de serem generosos com o Senhor. Convido também os Bispos, as famílias religiosas, as comunidades e todas as associações cristãs a sustentarem, com clarividência e discernimento atento, o chamamento missionário ad gentes e a ajudarem as Igrejas que têm necessidade de sacerdotes, de religiosos, de religiosas e de leigos para apoiar a comunidade cristã. E esta atenção deveria também estar presente entre as Igrejas que fazem parte de uma mesma Conferência Episcopal ou de uma Região: é importante que as Igrejas mais ricas de vocações ajudem com generosidade aquelas que sofrem com a sua escassez.
Ao mesmo tempo exorto os missionários e as missionárias, especialmente os sacerdotes fidei donum e os leigos, a viverem com alegria o seu precioso serviço nas Igrejas às quais são enviados, e a levarem a sua alegria  e a sua experiência às Igrejas da sua origem, recordando como Paulo e Barnabé no fim da sua primeira viagem missionária “contando tudo aquilo que Deus tinha feito por seu meio e como tivesse aberto as portas da fé aos pagãos" (Act 14,27) Eles podem  vir a ser um caminho para uma espécie de “restituição” da fé, levando a frescura das jovens igrejas, para que as igrejas da antiga cristandade encontrem o entusiasmo e a alegria de partilharem a fé  numa mudança que é enriquecimento recíproco no caminho de seguimento do Senhor.
A solicitude para com todas as Igrejas, que o Bispo de Roma partilha com os seus irmãos Bispos, encontra uma importante actuação no empenho das Obras Missionárias Pontifícias que têm como tarefa animarem e aprofundarem a consciência missionária de cada baptizado e de cada comunidade, quer chamando de novo para a necessidade de uma mais profunda formação missionária no interior do Povo de Deus, quer alimentando a sensibilidade da comunidade cristã para oferecer a sua ajuda na difusão do Evangelho no mundo.
Um pensamento, por fim, aos cristãos que, em várias partes do mundo, se encontram em dificuldade para professar livremente a própria fé e em verem reconhecido o direito de a viverem dignamente. São os nossos irmãos e irmãs, testemunhas corajosas – ainda mais numerosos que os mártires dos primeiros séculos – que suportam com perseverança apostólica as várias formas actuais de perseguição. Muitos arriscam também a vida para permanecerem fieis ao Evangelho de Cristo. Desejo assegurar que estou próximo, com a minha oração, junto de todas as pessoas, de todas as famílias e comunidades que sofrem violência e intolerância e quero repetir-lhes as palavras consoladoras de Jesus: “Coragem, eu venci o mundo” (Jo 16, 33).

Bento XVI exortava: ”a Palavra do Senhor avance e seja glorificada” (2Ts 3, 1). Oxalá possa neste  Ano da fé tornar sempre mais sólida a relação com Cristo Senhor, porque  só Nele há a certeza para enfrentar o futuro e a garantia de um amor autentico e duradoiro” (Carta Apos. Porta fidei, 15). É o meu augúrio para  o Dia Mundial das Missões deste ano. Abençoo, de coração, os missionários e as missionárias, todos aqueles que acompanham e asseguram esta fundamental tarefa da Igreja, para que o anúncio do Evangelho possa ressoar em todos os cantos da terra.E nós, ministros do Evangelho e missionários, experimentaremos “ a doce e confortante alegria de evangelizar” (Paulo VI, Exort. Apos. Evangelii Nuntiandi, 80).

Vaticano, 19 de Maio de 2013, Solenidade do Pentecostes


Papa Francisco

04 outubro 2013

Mensagem para o Dia Mundial das Missões (d)

4. No nosso tempo, a mobilidade aumenta e a facilidade de comunicação através dos “novos media” misturaram entre si os povos, os conhecimentos, as experiências. Por motivos de trabalho famílias inteiras deslocaram-se de um continente para o outro; os intercâmbios profissionais e culturais, em seguida, o turismo e fenómenos análogos impeliram a um amplo movimento de pessoas. Ás vezes, até se torna difícil para a comunidade paroquial conhecer de  modo seguro e certo quem está de passagem ou quem vive de forma efectiva nesse território.  Além disso, em áreas sempre mais amplas das regiões tradicionalmente cristãs, cresce o número daqueles que são estranhos à fé, indiferentes à dimensão religiosa ou animados por outras crenças. Frequentemente, alguns baptizados fazem opções de vida que os afastam da órbita da fé, tornando-os assim candidatos a uma “nova evangelização”. Acrescentar a tudo isto se verifica o facto que  ainda uma grande parte da humanidade não conhece a boa nova de Jesus Cristo. Vivemos, pois, um momento de crise que toca vários sectores da existência humana, não só o da economia, das finanças, da segurança alimentar, do ambiente, mas também o do sentido profundo da vida e dos valores fundamentais que a animam. Também as relações humanas são marcadas pelas tensões e conflitos que provocam insegurança e o cansaço para encontrar o caminho para uma paz estável. Nesta complexa situação, onde o horizonte do presente e do futuro parecem envolvidos por nuvens ameaçadoras, torna-se ainda mais urgente levar com coragem a cada realidade o Evangelho de Cristo, que é anúncio de esperança, de reconciliação, de comunhão, anúncio da proximidade de Deus, da sua misericórdia, da sua salvação, anúncio da força do amor de Deus, que é capaz de vencer as trevas do mal e de nos conduzir sobre o caminho da bem. O homem do nosso tempo tem necessidade de uma luz segura que ilumina o seu caminho e que só o encontro com Cristo pode dar. Levemos a este mundo, com o nosso testemunho, com amor, a esperança dada pela fé! A missionariedade da Igreja não é proselitismo, mas antes testemunho de vida que ilumina o caminho, que traz esperança e amor. A Igreja – repito uma vez mais – não é uma organização assistencial, uma empresa, uma Organização Não Governamental (ONG), mas é antes uma comunidade de pessoas, animada pela acção do Espírito Santo, que viveram e vivem o espanto do encontro com Jesus Cristo,  desejando partilhar esta experiência de profunda alegria, partilhar a Mensagem da salvação que o Senhor nos trouxe. É o próprio Espírito Santo que guia a Igreja neste caminho.

Papa Francisco

03 outubro 2013

Mensagem para o Dia Mundial das Missões 2013 (c)

3. Frequentemente, a obra da evangelização encontra dificuldades não só no exterior, mas também no interior da própria comunidade eclesial. Às vezes, são fracos o fervor, a alegria, a coragem, a esperança no anunciar a todos a mensagem de Cristo e em ajudar os homens do nosso tempo a encontrá-Lo.  Às vezes, também se pensa que levar a verdade do Evangelho é fazer violência à liberdade. Paulo VI tem palavras claras sobre a questão: “Seria um erro impor qualquer coisa à consciência dos nossos irmãos. Mas propor a esta consciência a verdade evangélica e a salvação de Jesus Cristo com plena clareza e com todo o respeito pelas opções livres que essa consciência fará…é uma homenagem a esta liberdade." (Exort. Ap. Evangelii Nuntiandi, 80 ). Devemos ter sempre a coragem e a alegria de propor, com respeito, o encontro com Cristo, fazendo-nos portadores do seu Evangelho. Jesus fez-se homem para nos indicar o caminho da salvação, e confiou-nos também a missão de dar a conhecer esta salvação a todos os homens, até aos confins da terra. Muitas vezes,verificamos que a violência, a mentira, o erro são propostos e colocados em evidência. É urgente mostrar ao nosso tempo a vida  do Evangelho, através do anúncio e do testemunho e isto, desde já, no interior da Igreja. Porque, nesta perspectiva, é importante nunca esquecer o principio fundamental de cada evangelizador: não se pode anunciar Cristo sem a Igreja. Evangelizar nunca é um acto isolado, individual, privado, mas sempre eclesial. Paulo VI escrevia que “quando o mais desconhecido pregador, missionário, catequista ou Pastor, anuncia o Evangelho, reúne a comunidade, transmite a fé, administra um Sacramento, ainda que o faça sozinho, realiza um acto de Igreja”. Ele não age “para atribuir a si uma missão, nem age através de uma inspiração pessoal, mas em união com a missão da Igreja e em nome dela” (ibidem) E isto dá força à missão e faz sentir, a cada missionário e evangelizador, que não está sozinho, mas é parte de um único Corpo animado pelo Espírito Santo.

Papa Francisco

02 outubro 2013

Mensagem para o Dia Mundial das Missões (b)

2. O Ano da fé, a cinquenta anos do início do Concílio Vaticano II, é um estímulo para que toda a Igreja tenha uma renovada consciência da sua presença no mundo contemporâneo, da sua missão entre os povos e nações. A missionariedade não é só uma questão de territórios geográficos, mas de povos, de culturas e de cada pessoa, porque “os confins” da fé não atravessam só lugares e tradições humanas, mas o coração de cada homem e de cada mulher. O Concílio Vaticano II sublinhou, de modo particular, como o trabalho missionário, a tarefa de alargar os confins da fé, seja próprio de cada baptizado e de todas as comunidades cristãs: “Dado que  o povo de Deus vive nas comunidades, especialmente nas dioceses e paróquias, e nelas se torna visível,  cabe também a esta comunidade ser testemunha de Cristo diante de todas as nações.” (Decr. Ad Gentes, 37). Cada comunidade é, pois, interpelada e convidada a fazer seu o mandato dado por Jesus aos apóstolos de ser suas “testemunhas em Jerusalém em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra” (Act 1, 8), não como um aspecto secundário da vida cristã,  mas como um aspecto essencial: todos somos enviados pelo mundo para caminhar com os irmãos, professando e testemunhando a nossa fé em Cristo e tornando-nos anunciadores do seu Evangelho.  Convido os Bispos, os Presbíteros, os conselhos presbiterais e pastorais, cada pessoa e cada grupo responsável na Igreja a dar o devido relevo à dimensão missionária nos programas pastorais e formativos, sentindo que o próprio empenho apostólico não é completo, se não contém o propósito de “tornar-se testemunha de Cristo diante das nações”, diante de todos os povos. A missionariedade não é somente uma dimensão programática na vida cristã, mas também uma dimensão paradigmática que diz respeito a todos os aspectos da vida cristã.

Papa Francisco

01 outubro 2013

Mensagem para o Dia Mundial das Missões 2013 (a)

1. A fé é um dom  precioso de Deus, que abre a nossa mente para que o possamos conhecer e amar. Ele quer estabelecer uma relação connosco para nos fazer participantes da sua própria vida e tornar a nossa vida com maior sentido, mais bela e melhor. Deus ama-nos! A fé, no entanto, exige ser acolhida, exige a nossa resposta pessoal, exige a coragem para nos aproximarmos de Deus, para vermos o seu amor, gratos pela sua infinita misericórdia.
É um dom, pois, que não é reservado apenas a alguns, mas que é oferecido a todos com generosidade. Todos deveriam poder experimentar a alegria de nos sentirmos amados por Deus, a alegria da Salvação! E é um dom que não se pode possuir apenas para si próprio, mas que deve ser partilhado. Se o quisermos possuir para nós próprios, tornar-nos-emos  cristãos isolados, estéreis e doentes. O anúncio do Evangelho faz parte do ser discípulo de Cristo e é um empenho constante que anima toda a vida da Igreja. “O impulso missionário é um sinal claro da maturidade de uma comunidade eclesial” (Bento XVI, Exort. Ap. Verbum Domini, 95). Cada comunidade torna-se “adulta” quando professa a fé, a celebra com alegria na liturgia, vive a caridade e anuncia sem cessar a Palavra de Deus, saindo do seu próprio espaço fechado para levá-la também à “periferia”, sobretudo a quem ainda não teve a oportunidade de conhecer Cristo. A solidez da nossa fé, a nível pessoal e comunitário, mede-se também pela capacidade de a comunicar aos outros, de a irradiar, de a viver na caridade, de a testemunhar a quantos vivem e partilham connosco o caminho da vida. 

Papa Francisco

Outubro Missionário 2013