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07 novembro 2012
Nota episcopal para a Semana dos Seminários 2012
Vamos viver a semana dos seminários de 11 a 18 do
corrente mês de Novembro, no contexto do ano da Fé que está em curso.
Vamos pedir ao Senhor que cada sacerdote seja, de
verdade, um irmão na Fé e um servidor da Fé dos irmãos.
Sentimos que é grande o apreço do Povo de Deus pelos
sacerdotes e podemos testemunhá-lo nos muitos percursos que já fizemos e
continuamos a fazer através da nossa Diocese. Ao mesmo tempo, vamos
interpretando o sentir das comunidades sobre o que realmente esperam dos seus
padres. Esperam deles amizade, proximidade e disponibilidade, mas sobretudo o
testemunho de uma Fé autêntica, profundamente enraizada na Pessoa de Cristo e
testemunhada nas suas palavras e sobretudo na sua vida.
Para termos padres que sejam, de verdade, homens de Fé
e servidores da Fé dos irmãos, precisamos de nos empenhar todos – Bispo,
Padres, Diáconos, Comunidades Religiosas, Leigos e Povo de Deus em geral – na
promoção das vocações sacerdotais.
Precisamos depois de ter os nossos seminários com as
necessárias condições para fazerem uma séria formação sacerdotal.
De facto, os nossos dois seminários – o Seminário
Menor do Fundão e o Seminário Maior da Guarda- e o Pré-Seminário estão no
centro das preocupações da nossa Diocese, que tudo continua a fazer para lhes
garantir também as condições materiais indispensáveis, dentro do estilo de vida
simples e pobre que é recomendado a todos os sacerdotes.
Por isso, o ofertório, em todas as celebrações dominicais
realizadas na nossa Diocese, no próximo dia 18 do corrente, domingo, reverte
para a sustentação dos nossos seminários.
Esta é uma causa que merece o máximo empenho de todos
nós. À solicitude materna de Nossa Senhora confiamos todas as
iniciativas desta semana dos seminários.
Guarda e Paço Episcopal, 5 de Novembro de 2012
+Manuel R. Felício, Bispo da Guarda
19 outubro 2012
MENSAGEM DO SANTO PADRE PARA O DIA MUNDIAL DAS MISSÕES DE 2012 - 21 DE OUTUBRO 2012
86º Dia Mundial Missionário
”Chamados a fazer brilhar a Palavra da verdade” (Porta Fidei n. 6)
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FAZER BRILHAR A PALAVRA DA VERDADE
Queridos irmãos e irmãs!
Neste ano,
a celebração do Dia Mundial das Missões reveste-se dum significado
muito particular. A ocorrência do cinquentenário do inicío do Concílio
Vaticano II, a abertura do Ano da Fé e o Sínodo dos Bispos cujo tema é a nova evangelização concorrem para reafirmar a vontade da
Igreja se empenhar, com maior coragem e ardor, na missio ad gentes,
para que o Evangelho chegue até aos últimos confins da terra.
Com a participação dos Bispos católicos vindos de todos os cantos da terra, o Concílio Ecuménico Vaticano II constituiu um sinal luminoso da universalidade da Igreja pelo número tão elevado de Padres
conciliares que nele se congregou, pela primeira vez, provenientes da
Ásia, da África, da América Latina e da Oceânia. Tratava-se de Bispos missionários e Bispos autóctones, Pastores de comunidades disseminadas entre populações nãocristãs, que trouxeram para a Assembleia conciliar a imagem duma Igreja presente em todos os continentes e se fizeram intérpretes das complexas realidades do então chamado «Terceiro Mundo». Enriquecidos com a experiência própria de Pastores de Igrejas jovens e em vias de formação, apaixonados pela difusão do Reino de Deus, eles contribuíram de maneira relevante para se reafirmar a necessidade e a urgência da evangelização ad gentes e, consequentemente, colocar no centro da eclesiologia a natureza missionária da Igreja.
Eclesiologia missionária
Hoje uma tal visão não esmoreceu; antes, tem conhecido uma fecunda
reflexão teológica e pastoral e, ao mesmo tempo, repropõe-se com renovada urgência, porque aumentou o número daqueles que ainda não
conhecem Cristo. «Os homens, à espera de Cristo, constituem ainda um número imenso», afirmava o Beato João Paulo II na Encíclica Redemptoris missio sobre a validade permanente do mandato missionário; e acrescentava: «Não podemos ficar tranquilos, ao pensar nos milhões de irmãos e irmãs nossas, também eles redimidos pelo sangue de Cristo, que ignoram ainda o amor de Deus» (n. 86). Por minha vez, ao proclamar o Ano da Fé, escrevi que Cristo «hoje, como outrora, envia-nos pelas estradas do mundo para proclamar o seu Evangelho a todos os povos da terra» (Carta ap. Porta fidei, 7). E esta proclamação – como referia o Servo de Deus Paulo VI, na Exortação apostólica Evangelii nuntiandi – «não é para a Igreja uma contribuição facultativa: é um dever que lhe incumbe, por mandato do Senhor Jesus, a fim de que os homens possam acreditar e ser salvos. Sim, esta mensagem é necessária; ela é única e não poderia ser substituída» (n. 5). Por conseguinte, temos necessidade de reaver o mesmo
ímpeto apostólico das primeiras comunidades cristãs, que, apesar de pequenas e indefesas, foram capazes, com o anúncio e o testemunho, de difundir o Evangelho por todo o mundo conhecido de então.
Por isso não surpreende que tanto o Concílio Vaticano II como o Magistério sucessivo da Igreja insistam, de modo especial, sobre o mandato missionário que Cristo confiou aos seus discípulos e que deve ser empenho de todo o Povo de Deus: Bispos, sacerdotes, diáconos, religiosos, religiosas e leigos. O cuidado de anunciar o Evangelho em toda a terra compete, primariamente, aos Bispos enquanto responsáveis directos da evangelização no mundo, quer como membros do Colégio Episcopal, quer como Pastores das Igrejas particulares. Efectivamente, eles «foram consagrados não apenas para uma diocese, mas para a salvação de todo o mundo» (João Paulo II, Carta enc. Redemptoris missio, 63), sendo o Bispo «um pregador da fé, que conduz a Cristo novos discípulos» (Ad gentes, 20) e «torna presentes e como que palpáveis o espírito e o ardor missionário do Povo de Deus, de maneira que toda a diocese se torna missionária» (Ibid., 38).
A prioridade da evangelização
Assim, para um Pastor, o mandato de pregar o Evangelho não se esgota com a solicitude pela porção do Povo de Deus confiada aos seus cuidados pastorais, nem com o envio de qualquer sacerdote, leigo ou leiga fidei donum. O referido mandato deve envolver toda a actividade da Igreja particular, todos os seus sectores, em suma, todo o seu ser e operar: indicou-o claramente o Concílio Vaticano II, e o Magistério sucessivo reiterou-o com vigor. Isto exige que estilos de vida, planos pastorais e organização diocesana se adequem, constantemente, a esta dimensão fundamental de ser Igreja, sobretudo num mundo como o nosso em contínua transformação. E o mesmo vale para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica e também para os Movimentos eclesiais: todos os elementos que compõem o grande mosaico da Igreja devem sentir-se fortemente interpelados pelo mandato de pregar o
Evangelho para que Cristo seja anunciado em toda a parte. Nós, Pastores, com os religiosos, as religiosas e todos os fiéis em Cristo, devemos seguir as pegadas do apóstolo Paulo, o qual, «prisioneiro de Cristo pelos gentios» (Ef 3, 1), trabalhou, sofreu e lutou para fazer chegar o Evangelho ao meio dos gentios (cf. Col 1, 24-29), sem poupar energias, tempo e meios para dar a conhecer a Mensagem de Cristo.
Também hoje a missão ad gentes deve ser o horizonte constante e o paradigma de toda a actividade eclesial, porque a própria identidade da Igreja é constituída pela fé no Mistério de Deus, que se revelou em Cristo para nos dar a salvação, e pela missão de O testemunhar e anunciar ao mundo até ao seu regresso. Como São Paulo, devemos ser solícitos pelos que estão longe, por quantos ainda não conhecem Cristo nem experimentaram a paternidade de Deus, conscientes de que «a cooperação se alarga hoje para novas formas, não só no âmbito da ajuda económica mas também no da participação directa» na evangelização (João Paulo II, Carta enc. Redemptoris missio, 82).
A celebração do Ano da Fé e do Sínodo dos Bispos sobre a nova evangelização serão ocasiões propícias
para um relançamento da cooperação missionária, sobretudo nesta segunda dimensão.
Fé e anúncio
O anseio de anunciar Cristo impele-nos também a ler a história para nela vislumbrarmos os problemas, aspirações e esperanças da humanidade que Cristo deve sanar, purificar e colmatar com a sua presença. De facto, a sua Mensagem é sempre actual, penetra no próprio coração da história e é capaz de dar resposta às inquietações mais profundas de cada homem. Por isso a Igreja, em todos os seus componentes, deve estar ciente de que «os horizontes imensos da missão eclesial e a complexidade da situação presente requerem hoje modalidades renovadas para se poder comunicar eficazmente a Palavra de Deus» (Bento XVI, Exort. ap. pós-sinodal Verbum Domini, 97). Isto exige, antes de mais, uma renovada adesão de fé pessoal e comunitária ao Evangelho de Jesus Cristo, «num momento de profunda mudança como este que a humanidade está a viver» (Carta ap. Porta fidei, 8).
Com efeito, um dos obstáculos ao ímpeto da evangelização é a crise de fé, patente não apenas no mundo ocidental mas também em grande parte da humanidade, que no entanto tem fome e sede de Deus e deve ser convidada e guiada para o pão da vida e a água viva, como a Samaritana que vai ao poço de Jacob e fala com Cristo. Como narra o Evangelista João, o caso desta mulher é particularmente significativo (cf. Jo 4, 1-30): encontra Jesus, que começa por lhe pedir de beber mas depois fala-lhe duma água nova, capaz de apagar a sede para sempre. Inicialmente a mulher não entende, detém-se ao nível material, mas lentamente é guiada pelo Senhor fazendo um caminho de fé que a leva a reconhecê-Lo como o Messias. E a este propósito afirma Santo Agostinho: «Depois de ter acolhido no coração Cristo Senhor, que mais poderia fazer [aquela mulher] senão deixar ali o cântaro e correr a anunciar a boa nova?» (In Ioannis Ev.,15, 30). O encontro com Cristo como Pessoa viva que sacia a sede do coração só pode levar ao desejo de partilhar com os outros a alegria desta presença e de a dar a conhecer para que todos a possam experimentar. É preciso reavivar o entusiasmo da comunicação da fé, para se promover uma nova evangelização das comunidades e dos países de antiga tradição cristã que estão a perder a referência a Deus, e deste modo voltarem a descobrir a alegria de crer. A preocupação de evangelizar não deve jamais ficar à margem da actividade eclesial e da vida pessoal do cristão, mas há-de caracterizá-la intensamente, cientes de sermos destinatários e ao mesmo tempo missionários do Evangelho. O ponto central do anúncio permanece sempre o mesmo: o Kerigma de Cristo morto e ressuscitado pela salvação do mundo, o Kerigma do amor absoluto e total de Deus por cada homem e
cada mulher, cujo ponto culminante se situa no envio do Filho eterno e unigénito, o Senhor Jesus, que não desdenhou assumir a pobreza da nossa natureza humana, amando-a e resgatando-a do pecado e da morte por meio da oferta de Si mesmo na cruz. A fé em Deus, neste desígnio de amor realizado em Cristo é, antes de mais, um dom e um mistério que se há-de acolher no coração e na vida e pelo qual se deve agradecer sempre ao Senhor. Mas a fé é um dom que nos foi concedido para ser partilhado; é um talento recebido para que dê fruto; é uma luz que não deve ficar escondida, mas iluminar toda a casa. É o dom
mais importante que recebemos na nossa vida e que não podemos guardar para nós mesmos.
O anúncio faz-se caridade
«Ai de mim, se eu não evangelizar!»: dizia o apóstolo Paulo (1 Cor 9, 16).
Esta frase ressoa, com força, aos ouvidos de cada cristão e de cada comunidade cristã em todos os Continentes. Mesmo nas Igrejas dos territórios de missão, Igrejas em grande parte jovens e frequentemente de recente fundação, já se tornou uma dimensão conatural a missionariedade, apesar de elas mesmas precisarem ainda de missionários. Muitos sacerdotes, religiosos e religiosas, de todas as partes do mundo, numerosos leigos e até mesmo famílias inteiras deixam os seus próprios países, as suas comunidades locais e vão para outras Igrejas testemunhar e anunciar o Nome de Cristo, no qual encontra a salvação a humanidade. Trata-se duma expressão de profunda comunhão, partilha e caridade entre as Igrejas, para que cada homem possa ouvir, pela primeira vez ou de novo, o anúncio que cura e aproximar-se dos Sacramentos, fonte da verdadeira vida.
Associadas com este sinal sublime da fé que se transforma em caridade, estão as Pontifícias Obras Missionárias, instrumento ao serviço da cooperação na missão universal da Igreja no mundo, que recordo e agradeço. Através da sua acção, o anúncio do Evangelho torna-se também intervenção a favor do próximo, justiça para com os mais pobres, possibilidade de instrução nas aldeias mais distantes, assistência médica em lugares remotos, emancipação da miséria, reabilitação de quem vive marginalizado, apoio ao desenvolvimento dos povos, superação das divisões étnicas, respeito pela vida em todas as suas fases.
Queridos irmãos e irmãs, invoco sobre a obra de evangelização ad gentes, e de modo particular sobre os seus obreiros, a efusão do Espírito Santo, para que a Graça de Deus a faça avançar mais decididamente
na história do mundo. Apraz-me rezar assim com o Beato John Henry
Newman: «Acompanhai, Senhor, os vossos missionários nas terras a
evangelizar, colocai as palavras certas nos seus lábios, tornai frutuosa a sua fadiga».
Que a Virgem Maria, Mãe da Igreja e Estrela da Evangelização, acompanhe todos os missionários do Evangelho.
Vaticano, 6 de Janeiro – Solenidade da Epifania do Senhor – de 2012.
BENEDICTUS PP. XVI
18 outubro 2012
Intervenção no Sínodo dos Bispos de D. António Couto, presidente da Comissão Missão e Nova Evangelização, no nosso país
Fidelidade renovada (n.º 158)
Igreja sinodal, próxima, fraterna e afectuosa
+ António José DA ROCHA COUTO
1. Viver «em sínodo» é a vocação e a missão da Igreja peregrina
e paroquial, casa de família fraterna e acolhedora no meio das casas
dos filhos e filhas de Deus, no belo dizer do Beato Papa João Paulo II, Catechesi tradendae [1979], n.º 67; Christifideles Laici [1988], n.º 26.
2. É também o retrato da Igreja-mãe de Jerusalém, saído da
paleta de tintas do Autor do Livro dos Actos dos Apóstolos (2,42-47;
4,32-35; 5,12-15), que nos mostra uma comunidade cristã bem assente em
quatro colunas: o ensino dos Apóstolos (1), a comunhão fraterna (2), a
fracção do pão (3) e a oração (4), e com ramificações em todas as casas e
em todos os corações. Trata-se de uma comunidade bela que, dia após
dia, crescia, crescia, crescia. Não admira. Era uma comunidade jovem, leve e bela, tão jovem, leve e bela, que as pessoas lutavam por entrar nela!
Igreja da anunciação
3. A vocação e missão da Igreja não é coisa própria sua, mas radica, como exemplarmente deixou escrito o Concílio Vaticano II, no seu Decreto Ad Gentes, no amor fontal do Pai, que enviou em missão o Filho e o Espírito Santo (n.º 2). É nesta missão que se enxerta a missão da Igreja, pelo que não compete à Igreja
inventar a missão ou decidir em que consista a missão. Na verdade, o
rosto da missão tem os traços do rosto de Jesus Cristo e já foi nele
luminosamente manifestado. Temos, pois, uma memória viva a fazer, viver e guardar todos os dias.
Abrindo o Evangelho de Marcos, reparamos logo que o primeiro afazer de Jesus não é pregar ou ensinar, mas ANUNCIAR, que traduz o verbo grego kêrýssô: anunciar o Evangelho
(Mc 1,14). E qual é a primeira nota que soa quando Jesus se diz com o
verbo ANUNCIAR? É, sem dúvida, a sua completa vinculação ao Pai, de quem
é o Arauto, o Mensageiro, o ANUNCIADOR (kêryx). Pura
transparência do Pai, de quem diz o que ouviu dizer (Jo 7,16-17;
8,26.38.40; 14,24; 17,8) e faz o que viu fazer (Jo 5,19; 17,4).
Recebendo todo o amor fontal do Pai, bebendo da torrente cristalina do
amor fontal do Pai (Sl 110,7), Jesus, o Filho, é pura transparência do
Pai, e pode, com toda a verdade dizer a Filipe: «Filipe […], quem me vê,
vê o Pai» (Jo 14,9).
4. Tudo, no arauto, na mensagem que transmite (kêrygma) e no estilo com que o faz, remete para o seu Senhor. A primeira nota de todo o ANUNCIADOR ou arauto ou mensageiro consiste na sua FIDELIDADE Àquele que lhe confia a mensagem que deve anunciar. É em Seu Nome que diz o que diz; é em Seu Nome que diz como diz.
5. O missionário só tem autoridade na medida em que é fiel a
Cristo e como Ele obediente, nada dizendo ou fazendo por sua conta e
risco. Só pode dizer e fazer aquilo que, por graça, lhe foi dado ouvir, aquilo que, por graça, lhe foi dado ver fazer. O missionário não pode deixar de estar vinculado a Cristo, nele configurado e transfigurado. O Papa Bento XVI disse-o assim: «Tudo se define a partir de Cristo, quanto à origem e à eficácia da missão». E acrescentou este singular desabafo: «Quanto tempo perdido, quanto trabalho adiado, por inadvertência deste ponto» (Homilia da Santa Missa, Grande Praça da Avenida dos Aliados, Porto [Portugal], 14 de Maio de 2010).
Igreja da fidelidade
6. Impõe-se ainda dizer, é mesmo necessário ainda dizer, em
jeito de conclusão ou de introdução, que aquilo que me parece ser mais
importante na expressão «nova evangelização» não é tanto a novidade de métodos, expressões ou estratégias, mas a FIDELIDADE da Igreja ao Senhor Jesus (Paulo VI, Evangelii Nuntiandi [1975], n.º 41), ao seu estilo, ao seu modo de viver, de fazer e de dizer: Dom total de si mesmo num estilo de vida pobre, humilde, despojado, feliz, apaixonado, ousado, próximo e dedicado. Passa por aqui sempre o caminho e o rosto da Igreja, que tem de fazer a memória do seu Senhor, configurando-se com o seu Senhor e transfigurando-se no seu Senhor. Impõe-se, portanto, uma verdadeira conversão do coração, e não apenas uma mudança de verniz. Sim, temos necessidade de anunciadores do Evangelho sem ouro, nem prata, nem cobre, nem bolsas, nem duas túnicas (Mt 19,9-10; Mc 6,6-8; Lc 9,3-4)… Sim, é de conversão que falo, e pergunto: por que será que os Santos se esforçaram tanto, e com tanta alegria,
por ser pobres e humildes, e nós nos esforçamos tanto, e com tristeza
(Mt 19,22; Mc 10,22; Lc 18,23), por ser ricos e importantes?
+ António José DA ROCHA COUTO
12 outubro 2012
Nota Pastoral para o Ano da Fé (III a V partes)
3.Transmitir a Fé num mundo secularizado
Este Ano da Fé pede-nos também que procuremos formas de transmitir a outros, porventura baptizados mas mais ou menos esquecidos deste bem fundamental, de novo, a inquietação do encontro com Deus revelado na pessoa do Seu Filho único Nosso Senhor Jesus Cristo, ressuscitado e vivo no meio de nós. De facto, nós sentimos que vivemos numa sociedade marcadamente voltada para a resolução dos problemas imediatos, onde às pessoas falta tempo e disponibilidade de energias para se fixarem nas dimensões mais importantes da vida; uma sociedade onde se prometeu o Céu na terra e só a partir dos seus recursos materiais. O certo é que este Céu prometido nunca veio nem nunca virá, porque dele se retira o que é essencial à realização do ser humano – a sua relação com Deus e nele a gratuidade das relações humanas. Quando tudo na vida se subordina à satisfação de necessidades materiais e imediatas, onde as relações humanas, a começar pelas relações familiares, são prejudicadas por modelos de vida baseados só na procura do bem estar material do individuo e na competição desenfreada que daqui resulta, necessariamente faltam o tempo e as energias para o que é mais importante na vida das pessoas e consequentemente geram-se situações onde cresce a sua insatisfação e a falta de esperança, até atingir limites de angústia que não são de estranhar. Perante esta generalizada situação muito característica da cultura actual, que, todavia, não consegue desfazer a sede de Deus, entendemos a recomendação que nos faz o Santo Padre na sua carta apostólica, ao dizer: “A Igreja no seu conjunto, e os pastores nela, como Cristo, devem pôr-se a caminho para conduzirem os homens, fora do deserto, para lugares da vida, da amizade com o Filho de Deus, para Aquele que dá a Vida, a Vida em plenitude”. É este saborear da vida em plenitude, da vida que não se esgota no consumo de bens materiais e tudo o que deles se espera, como são o poder e o prazer, que de facto está a fazer falta às pessoas. E esse é o grande dom inerente à Fé em Nosso Senhor Jesus Cristo.
4. A coragem da Fé numa cultura sem Deus.
Acontece que o mundo de hoje marcado por forte tendência para a secularidade, pretende esquecer esta fundamental dimensão da existência humana. Através de processos variados, os modelos de vida hoje na moda pretendem prescindir de Deus e do valor fundamental da Fé. E de tal maneira estão a impor-se às sociedades, sobretudo as de tipo europeu ocidental, como a nossa, que o Santo Padre sente necessidade de nos pôr de sobreaviso quanto a considerarmos a Fé como um pressuposto, passando a preocupar-nos só com as suas consequências. De facto, avisa-nos ele, “esse pressuposto não só deixou de existir como frequentemente acaba por ser negado” (ver Porta Fidei, nº 2). É também isto mesmo que a observação atenta de muitos dos nossos ambientes acaba por nos confirmar. Deus e a Fé, para crescente número de pessoas e várias compreensões do mundo, são realidades irrelevantes e, portanto, dispensáveis, chegando mesmo, algumas vezes, a serem consideradas um obstáculo para a completa autonomia da pessoa humana e para o desenvolvimento enquanto tal.
Esta atitude de recusa de Deus e da Fé que alguns tomam e em número crescente – em Portugal, segundo dados de inquérito sociológico recente, esse número atinge os 4,5% da população – não consegue, todavia, abafar a sede e a fome de Deus, que continuam a marcar a realidade do homem contemporâneo. E, por isso, havemos de estar preparados e, quanto possível, criar as condições necessárias para que também os homens e mulheres de hoje possam, como a Samaritana, abeirar-se do poço de Jacob e encontrarem em Cristo aquela água viva que eles, na realidade procuram e lhes pode matar a sede de uma vez para sempre. (Ver Porta Fidei, nº 3) O nosso contributo de cristãos baptizados e discípulos de Cristo para isso poder acontecer está principalmente em fortalecermos a nossa Fé pessoal e comunitária, alimentando-nos da Palavra de Deus e da Eucaristia. Viver com entusiasmo a relação com Deus, em Cristo, é a melhor maneira de abrirmos caminho para que outros descubram também a riqueza decisiva da Fé para as suas vidas. Queremos, também para isso, redescobrir, ao longo deste ano, a alegria de crer e reencontrar o entusiasmo de comunicar a nossa Fé.
5. Recomendações
O Santo Padre para este Ano da Fé pede-nos a todos nós, membros da Igreja, a começar pelos Bispos e outros pastores, principalmente o seguinte: que intensifiquemos a reflexão sobre a nossa Fé, concretamente sobre cada um dos artigos do símbolo dos Apóstolos; que ajudemos todos os fiéis a tornarem mais consciente e a revigorarem a sua adesão ao Evangelho, em hora de tão profundas mudanças sociais como aquela que actualmente estamos a viver; que escolhamos momentos fortes para professarmos conjuntamente a nossa Fé, seja nas catedrais e nas igrejas, seja nas casas e nas famílias.
Ora, sabemos que a Fé Cristã não é fruto somente do exercício da inteligência e da faculdade da razão, como também não resulta espontaneamente do simples exercício da ciência e da técnica.
A Fé consiste essencialmente no dom que Deus faz de si mesmo às nossas pessoas, no quadro da vida em Igreja. Ao dar-se a Si mesmo, o próprio Deus também nos comunica, com garantias da sua própria autoridade, um conjunto de verdades que são importantes para a compreensão da nossa vida pessoal e da vida do mundo. Mesmo antes de acolherem este dom de Deus nas suas próprias vidas, há muitas pessoas que, dizendo-se embora sem Fé, vivem em busca sincera do sentido último e da verdade definitiva acerca da sua existência e do mundo. Podemos considerar esta procura um verdadeiro preâmbulo da Fé.
É nossa obrigação estarmos atentos a todos os sinais da Fé e da procura de Deus que possamos descobrir na vida das pessoas para as ajudarmos, quanto possível, a seguir o caminho que as poderá levar a saborear o autêntico encontro salvador com o Senhor das nossas vidas.
É de grande significado que o Santo Padre tenha escolhido a celebração do cinquentenário da abertura do Concílio Vaticano II para convocar o Ano da Fé. Com isso ele quer dizer-nos que o Concilio não só não perdeu atualidade, mas sobretudo que nós precisamos de repensar as formas de viver a Fé, tanto a nível pessoal como das nossas comunidades, para as pôr de acordo com o mesmo Concílio.
E nós desejamos acolher este apelo do Santo Padre, na vida da nossa Diocese, e fazemo-lo, antes de mais, continuando o empenho de promover nos fiéis e nas comunidades o verdadeiro encontro com a Palavra de Deus para fortalecermos e purificarmos a nossa Fé.
Desejamos também iniciar, neste ano, um esforço especial para a receção do Concílio Vaticano II na nossa vida pessoal e na vida das nossas comunidades. Este esforço queremos prolongá-lo para além do Ano da Fé, promovendo o máximo envolvimento das comunidades cristãs, a começar pelos seus párocos e demais cooperadores pastorais, no processo de melhorar a nossa vivência da Fé e virmos a definir orientações próprias para as nossas comunidades nos próximos tempos, segundo as diretrizes do Concílio.
Que Nosso Senhor Jesus Cristo e Sua Mãe Maria Santíssima estejam connosco nesta caminhada de renovação da Fé. Com a sua ajuda, vamos procurar responder, da melhor maneira, ao apelo do Santo Padre para aprofundarmos e revigorarmos a nossa fé pessoal, para promovermos em outros o entusiasmo pela Pessoa de Jesus e o Seu Evangelho, para professarmos, com novo vigor, a nossa Fé e a testemunharmos no meio do mundo.
Guarda, 21 de Setembro de 2012
+ Manuel da Rocha Felício, Bispo da Guarda
11 outubro 2012
Nota Pastoral para o Ano da Fé
Cultivar e viver a Fé num mundo seduzido pela secularidade
1.O que pretende o Ano da Fé
O Santo Padre Bento XVI convida-nos a viver o Ano da Fé desde este
mês de Outubro até Novembro de 2013. É um convite sem trazer anexo
qualquer programa especial, mas tão só para todos fazermos esforço no
sentido de renovar e revitalizar a nossa fé em Jesus Cristo.
Oportunidade deste convite é a celebração do cinquentenário do início do
Concílio Vaticano II que, longe de ter perdido atualidade, quando
lido e bem entendido, ou seja sendo nós guiados por uma justa
hermenêutica, nas palavras do Papa, constitui, de facto, preciosa ajuda
para a renovação da vida interna da Igreja, mas também para a
fecundidade do seu diálogo e cooperação com o mundo (ver nº 5 da carta Porta Fidei).
Por sua vez, querendo nós relembrar os conteúdos da nossa Fé e
compreender mais profundamente o seu significado, sobretudo no resumo
que dele nos faz o credo ou símbolo dos Apóstolos, uma boa ajuda no
Catecismo da Igreja Católica, ele também fruto do dinamismo do Concílio e
publicado pelo Papa João Paulo II em 1992, passados trinta anos após o
início do mesmo Concílio.
2. O decisivo da Fé – encontro com Cristo vivo
Lembra-nos o Papa Bento XVI, na sua Carta Apostólica Porta Fidei,
com a qual convoca este Ano de Fé, publicada há um ano atrás, que com a
nossa Fé como que se abre à nossa frente uma porta e, a seguir, se nos
mostra um horizonte maravilhoso, em que toda a realidade vista e
experimentada ganha novo valor , novo sentido, nova beleza a partir da
meta do Reino de Deus e da vida nova inaugurada pela Ressurreição de
Nosso Senhor Jesus Cristo. Essa porta introduz-nos também numa longa
caminhada – a caminhada da Fé, que nos vai ocupar ao longo de toda a
nossa existência na terra, desde o Baptismo até à passagem através da
morte para a vida eterna.
Nessa caminhada, mais ou menos longa, conforme os dias que nos for
dado viver, há um objetivo prioritário, e, de alguma maneira, único,
que pretendemos atingir: é o encontro com Cristo vivo e ressuscitado.
Algumas vezes a própria história da transmissão e do ensino de Fé tem
esquecido este ponto que lhe é essencial. Transmitem-se muitas
histórias, muitos conhecimentos e muitas verdades sobre a Igreja, sobre o
mundo, sobre a vida do próprio ser humano, incluindo a moral que o
há-de regular, mas esquece-se, com alguma frequência, que tudo isso só
tem valor na medida da sua relação com a Pessoa de Jesus Cristo
Ressuscitado e presente na Sua Igreja para serviço das pessoas e da
sociedade. Temos de procurar, ao longo do Ano da Fé, retomar e
refrescar esta verdade fundamental do encontro com Cristo Ressuscitado e
Vivo.
O próprio Catecismo da Igreja Católica procura, na sua organização e
métodos, colocar a relação com Cristo vivo no centro dos conteúdos da
Fé e, a partir dela, apresentar a Fé celebrada, mas também a Fé professada, segundo o seu resumo no credo, a Fé rezada no Pai nosso e nas outras formas de oração e depois a Fé vivida, como expressão moral do dinamismo de Cristo Ressuscitado (ver Porta Fidei,
n. 9). É esta experiência feliz do encontro com Cristo ressuscitado e
vivo, que somos convidados a refazer e aprofundar, como cristãos
baptizados e empenhados na vivência da Fé, ao longo deste ano.
09 outubro 2012
Liga dos Servos de Jesus - nova coordenadora geral
A Liga dos Servos de Jesus é uma associação pública de fiéis da Diocese da Guarda. Recentemente expandiu a sua missão para Angola, na Diocese do Sumbe, por isso parece-me relevante também aqui deixar algumas notícias acerca da Missão desta Liga. No passado fim-de-semana, a Liga dos
Servos de Jesus teve a sua Assembleia Geral, na qual foi eleita a nova
Coordenadora Geral. Sucede à Irmã Adelaide a Irmã Maria da Graça Afonso.
Mulher de espírito sereno e desde cedo empenhada em fazer com que Jesus
reine nos corações de todos os que a rodeiam. Não só o seu sorriso, mas
os dons com que Deus a cumulou até hoje, são um testemunho vivo e real
de Jesus Cristo. Atualmente a fazer parte da comunidade de Serva na Casa
de Santa Luzia e sendo professora no Colégio da Cerdeira, a Irmã graça
assume funções no dia 21 de Outubro (Dia Mundial das Missões). O
Arciprestado do Rochoso, que tem duas casas onde a liga dos Servos de
Jesus presta serviço às comunidades - Rochoso e Cerdeira, reza ao Pai do
Céu para que a encha de espírito de sabedoria e inteligência e a
fortaleça com a coragem que é própria de quem confia no Senhor.
Pe Ângelo Martins
01 outubro 2012
Oração pelos missionários
Ó Santa Teresinha,
sois exemplo de simplicidade e de humildade
e sempre vos colocastes nas mãos do Pai.
Intercedei junto a Deus
Intercedei junto a Deus
para que os homens compreendam
o vosso caminho,
que leva ao Céu,
para que vencendo o egoísmo e o orgulho,
possam construir um mundo melhor
e conquistem os povos para o Reino de Cristo
pelo amor, justiça e paz.
Fazei com que os homens
Fazei com que os homens
compreendam a mensagem do Evangelho
e sejam atraídos a viverem o ideal cristão do amor
pelo espírito de desapego e doação.
Santa Teresinha do Menino Jesus,
Santa Teresinha do Menino Jesus,
padroeira das missões,
rogai por nós e protegei os missionários.
Amém.
25 setembro 2012
18 setembro 2012
Conclusões das Jornadas Missionárias 2012
Jornadas missionárias 2012 - Conclusões
Vaticano II: 50 anos, Missão, Memória e Profecia.
Nos dias 14 a 16 de setembro, reuniram-se no Centro Pastoral Paulo VI em Fátima, cerca de 300 pessoas nas Jornadas Missionárias Nacionais.
O tema escolhido, “Vaticano II, 50 anos, Missão, Memória e Profecia”, pretendeu ajudar a viver o Ano da Fé numa perspetiva missionária.
A alma da Missão é o dom total de si mesmo, ao estilo e plenamente configurado com a Missão de Jesus. Ao missionário e à Igreja pede-se contemplação, fidelidade e entrega total ao anúncio do evangelho a todos.
O Concílio Vaticano II, convocado há 50 anos pelo beato João XXIII, foi uma lufada de ar fresco e apresentou à Igreja um documento ousado sobre a Missão. Um dos autores foi o jovem teólogo Ratzinger, atual papa Bento XVI. O Decreto Ad Gentes afirma que a Igreja é por natureza missionária (AG2) e, talvez por isso, todos os documentos do Concílio ganharam esta dimensão. Tal significou uma nova fundamentação teológica no amor fontal da Trindade que gerou uma mudança de paradigma da missão.
O documento que melhor traduz a receção do Decreto Ad Gentes em Portugal é a Carta Pastoral dos Bispos de 2010, “Como Eu vos fiz, fazei vós também”. Nela se retomam as intuições essenciais do Vaticano II: a Igreja existe para evangelizar e deve dar testemunho do evangelho; a Igreja local é a protagonista da evangelização junto de todos, batizados e não batizados; o contributo dos leigos é fundamental nas áreas onde só eles podem intervir e no voluntariado; o testemunho, o diálogo, o anúncio e a profecia são o novo rosto da Igreja missionária num mundo multicultural, multirreligioso e fragmentado social e economicamente; há necessidade de uma espiritualidade missionária que alimente uma atitude de vida de quem está disponível para ser enviado e partir.
A Missão hoje ajuda a construir uma Igreja testemunha do Evangelho, despojada de poder, assente no diálogo e na opção pelos mais pobres. Iniciativas como as geminações, voluntariado missionário, missões populares devem envolver crianças, jovens, adultos e idosos. É dando que se recebe e abrindo-se ao outro que se impede a asfixia das nossas comunidades cristãs.
D. Henri Teissier, bispo emérito da Argélia, testemunhou de viva voz e experiência feita a missão da Igreja num contexto 100% muçulmano. Falou da riqueza que é anunciar o Evangelho mesmo àqueles que não se querem converter. Partilhou experiências de testemunho radical como o dos monges trapistas de Tibhirine, martirizados em 1996, na Argélia. A Missão de presença e partilha de vida permite acolher o que os outros têm para nos dar da parte de Deus. O maior testemunho é dar a vida pelos não cristãos.
Esperamos que o próximo Sínodo sobre a Nova Evangelização traga à Igreja um novo dinamismo missionário.
Realizaram-se quatro workshop's, em simultâneo, sobre Missão e infância, Missão e Juventude, Missão e voluntariado, Missão e Igreja Local.
Foi dada a sugestão de que o domingo das Jornadas se torne progressivamente a Peregrinação Nacional da Missão.
Solidarizamo-nos com o papa Bento XVI em visita pastoral ao Líbano.
As próximas Jornadas Missionárias Nacionais decorrerão nos dias 20, 21 e 22 de setembro de 2013.
Fátima, 15 de setembro de 2012, memória de Nossa Senhora das Dores
06 julho 2012
Intenção missionária - julho 2012
Voluntários cristãos
Para que todos os voluntários cristãos, presentes nos territórios de missão, saibam dar testemunho da caridade de Cristo.
Para que todos os voluntários cristãos, presentes nos territórios de missão, saibam dar testemunho da caridade de Cristo.
08 junho 2012
Novo Bispo Auxiliar de Braga é António Moiteiro Ramos da Diocese da Guarda
No dia da nomeação de D. António Manuel Moiteiro Ramos
para Bispo Auxiliar de Braga
E Deus resolveu passar, mais uma vez, pelo nosso
Presbitério!
Agora para chamar
um de nós, o Rev.do Padre António Manuel Moiteiro Ramos, para o Ministério
Episcopal, que vai exercer como Bispo Auxiliar de Braga e titular da sede de
Cabarsussi.
Demos abundantes graças ao Senhor que olhou para o
nosso Presbitério e decidiu chamar um dos nossos para o exercício deste importante
serviço na vida da Igreja.
Todos sabemos que ao Rev.do Padre António Manuel Moiteiro
Ramos não faltam qualidades para o exercício deste importante múnus, também
elas dom do Espírito Santo. Conhecemos o seu amor à Igreja, a sua entrega sem
reservas às causas do Reino de Deus, pelos serviços prestados ao longo dos
seus 30 anos de Padre, na nossa Diocese,
quer como responsável pela formação e pela catequese, quer como orientador
espiritual, nomeadamente ao serviço do Seminário, quer como pastor à frente de
comunidades paroquiais, a última das quais a Sé e também S. Vicente, quer ainda
pelo seu empenho na renovação da Liga dos Servos de Jesus e em particular na
condução do processo de beatificação e canonização do Sr. D. João de Oliveira
Matos. Também o Sr. D. João de Oliveira Matos, um dia, foi chamado a partir
desta nossa Diocese para a Arquidiocese de Braga, acompanhando o Sr. D. Manuel
Vieira de Matos e aí permaneceu durante cinco anos.
O último sacerdote do nosso Presbitério a ser chamado para
o exercício do Ministério Episcopal foi o Sr. D. João Saraiva, eleito Bispo
Auxiliar de Évora em Setembro de 1965. Foi Bispo do Funchal e depois Bispo de
Coimbra até 1976. Esta última chamada aconteceu há quase 47 anos. Por sua vez,
a última Ordenação Episcopal na nossa Catedral da Guarda foi a do Sr. D. João
de Oliveira Matos, em Julho de 1923. Esperamos voltar à nossa Sé, em 12 de
Agosto próximo, para viver mais uma Ordenação Episcopal, desta vez a do nosso
D. António Manuel Moiteiro Ramos
Desejamos que esta passagem do Senhor pelo nosso
Presbitério seja nova motivação para todos nós sacerdotes sermos mais
sacerdotes, na fidelidade aprofundada à nossa vocação. Seja novo impulso ao
nosso empenho pela promoção das vocações sacerdotais, na nossa Diocese, que tem
invejável tradição em fazer despertar vocações para os seus seminários, mas
também para os seminários de outras dioceses do país e para as Ordens
Religiosas missionarias.
Desejamos, nesta hora, acompanhar D. António Manuel
Moiteiro Ramos com a nossa persistente oração, a fim de que ele, para as novas
responsabilidades episcopais, leve consigo o entusiasmo sacerdotal que lhe
conhecemos e possa, agora na Arquidiocese de Braga, que saudamos na pessoa do
seu Arcebispo D. Jorge da Costa Ferreira Ortiga, ser o “Bispo servidor do
Evangelho e da esperança no mundo” (JOÃO PAULO II – Exortação Apostólica pós-sinodal Pastores
Gregis, 2003, n. 5).
Guarda e Paço Episcopal, 08. 06. 2012
+Manuel R. Felício, Bispo da Guarda
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