12 outubro 2012

Nota Pastoral para o Ano da Fé (III a V partes)

3.Transmitir a Fé num mundo secularizado
Este Ano da Fé pede-nos também que procuremos formas de transmitir a outros, porventura baptizados mas mais ou menos esquecidos deste bem fundamental, de novo, a inquietação do encontro com Deus revelado na pessoa do Seu Filho único Nosso Senhor Jesus Cristo, ressuscitado e vivo no meio de nós.  De facto, nós sentimos que vivemos numa sociedade marcadamente voltada para  a resolução dos problemas imediatos, onde  às pessoas falta tempo e disponibilidade de energias para se fixarem nas dimensões mais importantes da vida; uma sociedade onde se  prometeu o Céu na terra e só a partir dos seus recursos materiais. O certo é que este Céu prometido nunca veio nem nunca virá, porque dele se retira o que é essencial à realização do ser humano – a sua relação com Deus e nele a gratuidade das relações humanas. Quando tudo na vida se subordina à satisfação de necessidades materiais e imediatas, onde as relações humanas, a começar pelas relações familiares, são prejudicadas por modelos de vida baseados  só na procura do bem estar material do  individuo e na competição desenfreada que daqui resulta, necessariamente faltam  o tempo e as energias para o que é mais importante na vida das  pessoas e consequentemente geram-se situações onde cresce a sua insatisfação  e a falta de esperança, até atingir  limites de angústia que não são de estranhar. Perante esta generalizada situação muito característica da cultura actual, que, todavia, não consegue desfazer a sede de Deus, entendemos a recomendação que nos faz o Santo Padre na sua carta apostólica, ao dizer: “A Igreja no seu conjunto, e os pastores nela, como Cristo, devem pôr-se a caminho para conduzirem os homens, fora do deserto, para lugares da vida, da amizade  com o Filho de Deus, para Aquele que dá a Vida, a Vida em  plenitude”. É este saborear da vida em plenitude, da vida que não se esgota no consumo de bens materiais e tudo o que deles se espera, como são o poder e o prazer, que de facto está a fazer falta às pessoas. E esse é o grande dom inerente à Fé em Nosso Senhor Jesus Cristo.

4. A coragem da Fé numa cultura sem Deus.
Acontece que o mundo de hoje marcado por forte tendência para a secularidade, pretende  esquecer esta fundamental dimensão da existência humana. Através de processos variados, os modelos de vida hoje na moda  pretendem prescindir de Deus e do valor fundamental da Fé. E de tal maneira estão a impor-se às sociedades, sobretudo as de tipo europeu ocidental, como a nossa, que o Santo Padre sente necessidade de nos pôr de  sobreaviso quanto a considerarmos a Fé como  um pressuposto, passando a preocupar-nos só com as suas consequências. De facto, avisa-nos ele, “esse pressuposto não só deixou de existir como frequentemente  acaba por ser negado” (ver Porta Fidei, nº 2). É também isto mesmo que a observação atenta  de muitos  dos nossos ambientes acaba por nos confirmar. Deus e a Fé, para crescente número de pessoas e várias compreensões do mundo, são realidades irrelevantes e, portanto, dispensáveis, chegando mesmo, algumas vezes, a serem consideradas um obstáculo para a completa autonomia da pessoa humana e para o desenvolvimento enquanto tal.
Esta atitude de recusa de Deus e da Fé que alguns tomam e em número crescente – em Portugal,  segundo dados de inquérito sociológico recente, esse número atinge os 4,5% da população – não consegue, todavia,  abafar a sede e a fome de Deus, que continuam a marcar a realidade do homem contemporâneo.  E, por isso, havemos de estar preparados e, quanto possível, criar as condições necessárias para que também os homens e mulheres de hoje possam, como a Samaritana, abeirar-se do poço de Jacob e encontrarem em Cristo aquela água viva que eles, na realidade procuram e lhes pode matar a sede de uma vez para sempre. (Ver Porta Fidei, nº 3) O nosso contributo de cristãos baptizados e discípulos de Cristo para isso poder acontecer está principalmente em fortalecermos a nossa Fé pessoal e comunitária, alimentando-nos da Palavra de Deus e da Eucaristia. Viver com  entusiasmo a relação com Deus, em Cristo, é a melhor maneira de abrirmos caminho para que outros descubram também a riqueza decisiva da Fé para as suas vidas. Queremos, também para isso,  redescobrir, ao longo deste  ano,  a alegria de crer e reencontrar o entusiasmo de comunicar a nossa Fé.

5. Recomendações
O Santo Padre para este Ano da Fé pede-nos a todos  nós, membros da Igreja, a começar pelos Bispos e outros pastores, principalmente o seguinte: que intensifiquemos a reflexão sobre a nossa Fé, concretamente sobre cada um dos artigos do símbolo dos Apóstolos; que ajudemos todos os fiéis a tornarem mais consciente e a revigorarem a sua adesão ao Evangelho, em hora de tão profundas mudanças sociais como aquela que actualmente estamos a viver; que escolhamos momentos fortes para professarmos conjuntamente a nossa Fé, seja nas catedrais e nas igrejas, seja nas casas e nas famílias.

Ora, sabemos que a Fé Cristã não é fruto somente do exercício da inteligência e da faculdade da razão, como também não resulta espontaneamente do simples exercício da ciência e da técnica.
A  Fé consiste essencialmente no dom que Deus faz de si mesmo às nossas pessoas, no quadro da vida em Igreja. Ao dar-se a Si mesmo,  o próprio Deus também nos comunica, com garantias da sua própria autoridade, um conjunto de verdades que são importantes para a compreensão da nossa vida pessoal e da vida do mundo. Mesmo antes de acolherem este dom de Deus nas suas próprias vidas, há muitas pessoas que, dizendo-se embora sem Fé, vivem em busca sincera do sentido último e da  verdade definitiva acerca da sua existência e do mundo. Podemos considerar esta procura um verdadeiro preâmbulo da Fé.
É nossa obrigação estarmos atentos a todos os sinais  da  Fé e da procura de Deus que possamos descobrir na vida das pessoas para as ajudarmos, quanto possível, a seguir o caminho que as poderá levar a saborear o autêntico encontro salvador com o Senhor das nossas vidas.
É  de grande significado que o Santo Padre tenha escolhido a celebração do cinquentenário da abertura do Concílio Vaticano II para convocar o Ano da Fé. Com isso ele quer dizer-nos que  o Concilio não só não perdeu atualidade, mas sobretudo que nós precisamos de repensar as formas de viver  a  Fé, tanto a nível pessoal como das nossas comunidades, para as  pôr  de acordo com o mesmo Concílio.
E nós desejamos acolher este apelo do Santo Padre, na vida da nossa Diocese, e fazemo-lo, antes de mais, continuando o empenho de promover nos fiéis e nas comunidades o verdadeiro encontro com a Palavra de Deus para fortalecermos e purificarmos a nossa Fé.
Desejamos também iniciar, neste ano, um esforço especial para a receção  do Concílio Vaticano II na nossa vida pessoal e na vida das nossas comunidades. Este esforço  queremos prolongá-lo para além  do Ano da Fé, promovendo o máximo envolvimento das comunidades cristãs, a começar pelos seus párocos e demais cooperadores pastorais, no processo de melhorar a nossa vivência da Fé e virmos a  definir orientações próprias  para as nossas comunidades nos próximos tempos, segundo as diretrizes do Concílio.
Que Nosso Senhor Jesus Cristo e Sua Mãe Maria Santíssima estejam connosco  nesta caminhada de renovação da Fé. Com a sua ajuda, vamos procurar responder, da melhor maneira, ao apelo do Santo Padre para aprofundarmos e revigorarmos a nossa fé pessoal, para promovermos em outros o entusiasmo pela Pessoa de Jesus e o Seu Evangelho, para professarmos, com novo vigor, a nossa Fé e a testemunharmos no meio do mundo.

Guarda, 21 de Setembro de 2012

+ Manuel da Rocha Felício, Bispo da Guarda

11 outubro 2012

Nota Pastoral para o Ano da Fé

Cultivar e viver a Fé  num mundo  seduzido pela secularidade


1.O que pretende o Ano da Fé
O Santo Padre Bento XVI convida-nos a viver o Ano da Fé desde este mês de Outubro até Novembro de 2013. É um convite sem trazer anexo qualquer programa especial, mas tão só para todos fazermos esforço no sentido de renovar e revitalizar a nossa fé em Jesus Cristo. Oportunidade deste convite é a celebração do cinquentenário do início do Concílio Vaticano II que, longe de ter perdido atualidade,  quando  lido e bem entendido, ou seja  sendo nós guiados por uma justa   hermenêutica, nas palavras do Papa, constitui, de facto, preciosa ajuda para a renovação da vida interna da Igreja, mas também para a  fecundidade  do seu diálogo e cooperação com o mundo (ver nº 5 da carta Porta Fidei). Por sua vez, querendo nós relembrar os conteúdos da nossa Fé e compreender mais profundamente o seu significado, sobretudo no resumo que dele nos faz o credo ou símbolo dos Apóstolos,  uma boa  ajuda no Catecismo da Igreja Católica, ele também fruto do dinamismo do Concílio e publicado pelo Papa João Paulo II em 1992,  passados trinta anos após o início do mesmo Concílio.

2. O decisivo da Fé – encontro com Cristo vivo
Lembra-nos o Papa Bento XVI, na sua Carta Apostólica Porta Fidei, com a qual convoca este Ano de Fé, publicada há um ano atrás, que com a nossa Fé como que se abre à nossa frente uma porta e, a seguir, se nos mostra um horizonte maravilhoso, em que toda a realidade vista e  experimentada ganha novo valor , novo sentido, nova beleza a partir da meta do Reino de Deus e da vida nova inaugurada pela Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Essa porta introduz-nos também numa longa caminhada – a caminhada da Fé, que nos vai ocupar ao longo de toda a nossa existência na terra, desde o Baptismo até à passagem através da morte para a vida eterna.
Nessa caminhada, mais ou menos longa, conforme os dias que nos for dado viver, há um objetivo prioritário, e, de alguma maneira, único, que  pretendemos atingir: é o encontro com Cristo  vivo e ressuscitado. Algumas vezes a própria história da transmissão e do ensino de Fé tem esquecido este ponto que lhe é essencial. Transmitem-se muitas histórias, muitos conhecimentos e muitas verdades sobre a Igreja, sobre o mundo, sobre a vida do próprio ser humano, incluindo a moral que o há-de regular, mas esquece-se, com alguma frequência, que tudo isso só tem valor na medida da sua relação com a Pessoa de Jesus Cristo Ressuscitado e presente na Sua Igreja para serviço das pessoas e da  sociedade. Temos de procurar, ao longo do Ano da Fé, retomar  e refrescar esta verdade fundamental do encontro com Cristo Ressuscitado e Vivo.
O próprio Catecismo da Igreja Católica procura,  na sua organização e métodos, colocar a relação com Cristo  vivo no centro dos conteúdos da Fé e,  a partir dela, apresentar a Fé celebrada, mas também a Fé professada, segundo o seu resumo no credo, a Fé rezada no Pai nosso e nas outras formas de oração e depois a Fé vivida, como expressão moral do dinamismo de Cristo Ressuscitado (ver Porta Fidei, n. 9). É esta experiência feliz do encontro com Cristo ressuscitado e vivo, que somos convidados a refazer e aprofundar, como cristãos baptizados e empenhados na vivência da Fé, ao longo deste ano.

09 outubro 2012

Liga dos Servos de Jesus - nova coordenadora geral

A Liga dos Servos de Jesus é uma associação pública de fiéis da Diocese da Guarda. Recentemente expandiu a sua missão para Angola, na Diocese do Sumbe, por isso parece-me relevante também aqui deixar algumas notícias acerca da Missão desta Liga. No passado fim-de-semana, a Liga dos Servos de Jesus teve a sua Assembleia Geral, na qual foi eleita a nova Coordenadora Geral. Sucede à Irmã Adelaide a Irmã Maria da Graça Afonso. Mulher de espírito sereno e desde cedo empenhada em fazer com que Jesus reine nos corações de todos os que a rodeiam. Não só o seu sorriso, mas os dons com que Deus a cumulou até hoje, são um testemunho vivo e real de Jesus Cristo. Atualmente a fazer parte da comunidade de Serva na Casa de Santa Luzia e sendo professora no Colégio da Cerdeira, a Irmã graça assume funções no dia 21 de Outubro (Dia Mundial das Missões). O Arciprestado do Rochoso, que tem duas casas onde a liga dos Servos de Jesus presta serviço às comunidades - Rochoso e Cerdeira, reza ao Pai do Céu para que a encha de espírito de sabedoria e inteligência e a fortaleça com a coragem que é própria de quem confia no Senhor.
Pe Ângelo Martins

01 outubro 2012

Oração pelos missionários




Ó Santa Teresinha, 
sois exemplo de simplicidade e de humildade 
 e sempre vos colocastes nas mãos do Pai.
Intercedei junto a Deus
 para que os homens compreendam o vosso caminho,
que leva ao Céu, 
para que vencendo o egoísmo e o orgulho, 
possam construir um mundo melhor 
e conquistem os povos para o Reino de Cristo
 pelo amor, justiça e paz.
Fazei com que os homens 
compreendam a mensagem do Evangelho 
e sejam atraídos a viverem o ideal cristão do amor 
 pelo espírito de desapego e doação.
Santa Teresinha do Menino Jesus, 
padroeira das missões, 
 rogai por nós e protegei os missionários.
Amém.

18 setembro 2012

Conclusões das Jornadas Missionárias 2012


Jornadas missionárias 2012 - Conclusões
Vaticano II: 50 anos, Missão, Memória e Profecia.

Nos dias 14 a 16 de setembro, reuniram-se no Centro Pastoral Paulo VI em Fátima, cerca de 300 pessoas nas Jornadas Missionárias Nacionais.
O tema escolhido, “Vaticano II, 50 anos, Missão, Memória e Profecia”, pretendeu ajudar a viver o  Ano da Fé numa perspetiva missionária.
A alma da Missão é o dom total de si mesmo, ao estilo e plenamente configurado com a Missão de Jesus. Ao missionário e à Igreja pede-se contemplação, fidelidade e entrega total ao anúncio do evangelho a todos.
O Concílio Vaticano II, convocado há 50 anos pelo beato João XXIII, foi uma lufada de ar fresco e apresentou à Igreja um documento ousado sobre a Missão. Um dos autores foi o jovem teólogo Ratzinger, atual papa Bento XVI. O Decreto Ad Gentes afirma que a Igreja é por natureza missionária (AG2) e, talvez por isso, todos os documentos do Concílio ganharam esta dimensão. Tal significou uma nova fundamentação teológica no amor fontal da Trindade que gerou uma mudança de paradigma da missão.
O documento que melhor traduz a receção do Decreto Ad Gentes em Portugal é a Carta Pastoral dos Bispos de 2010, “Como Eu vos fiz, fazei vós também”. Nela se retomam as intuições essenciais do Vaticano II: a Igreja existe para evangelizar e deve dar testemunho do evangelho; a Igreja local é a protagonista da evangelização junto de todos, batizados e não batizados; o contributo dos leigos é fundamental nas áreas onde só eles podem intervir e no voluntariado; o testemunho, o diálogo, o anúncio e a profecia são o novo rosto da Igreja missionária num mundo multicultural, multirreligioso e fragmentado social e economicamente; há necessidade de uma espiritualidade missionária que alimente uma atitude de vida de quem está disponível para ser enviado e partir.
A Missão hoje ajuda a construir uma Igreja testemunha do Evangelho, despojada de poder, assente no diálogo e na opção pelos mais pobres. Iniciativas como as geminações, voluntariado missionário, missões populares devem envolver crianças, jovens, adultos e idosos. É dando que se recebe e abrindo-se ao outro que se impede a asfixia das nossas comunidades cristãs.
D. Henri Teissier, bispo emérito da Argélia, testemunhou de viva voz e experiência feita a missão da Igreja num contexto 100% muçulmano. Falou da riqueza que é anunciar o Evangelho mesmo àqueles que não se querem converter. Partilhou experiências de testemunho radical como o dos monges trapistas de Tibhirine, martirizados em 1996, na Argélia. A Missão de presença e partilha de vida permite acolher o que os outros têm para nos dar da parte de Deus. O maior testemunho é dar a vida pelos não cristãos.
Esperamos que o próximo Sínodo sobre a Nova Evangelização traga à Igreja um novo dinamismo missionário.
Realizaram-se quatro workshop's, em simultâneo, sobre Missão e infância, Missão e Juventude, Missão e voluntariado, Missão e Igreja Local.
Foi dada a sugestão de que o domingo das Jornadas se torne progressivamente a Peregrinação Nacional da Missão.
Solidarizamo-nos com o papa Bento XVI em visita pastoral ao Líbano.
As próximas Jornadas Missionárias Nacionais decorrerão nos dias 20, 21 e 22 de setembro de 2013.

Fátima, 15 de setembro de 2012, memória de Nossa Senhora das Dores

06 julho 2012

Intenção missionária - julho 2012

Voluntários cristãos
Para que todos os voluntários cristãos, presentes nos territórios de missão, saibam dar testemunho da caridade de Cristo.

08 junho 2012

Novo Bispo Auxiliar de Braga é António Moiteiro Ramos da Diocese da Guarda

Mensagem ao Presbitério da Diocese da Guarda
No dia da nomeação de D. António Manuel Moiteiro Ramos para Bispo  Auxiliar de Braga
E Deus resolveu passar, mais uma vez, pelo nosso Presbitério!
Agora para  chamar um de nós, o Rev.do Padre António Manuel Moiteiro Ramos, para o Ministério Episcopal, que vai exercer como Bispo Auxiliar de Braga e titular da sede de Cabarsussi.
Demos abundantes graças ao Senhor que olhou para o nosso Presbitério e decidiu chamar um dos nossos para o exercício deste importante serviço na vida da Igreja.
Todos sabemos que ao Rev.do Padre António Manuel Moi­teiro Ramos não faltam qualidades para o exercício deste importante múnus, também elas dom do Espírito Santo. Conhecemos o seu amor à Igreja, a sua entrega sem reservas às causas do Reino de Deus, pelos serviços prestados ao lon­go dos seus 30 anos de Padre, na nossa Diocese,  quer como responsável pela formação e pela catequese, quer como orientador espiritual, nomeadamente ao serviço do Seminário, quer como pastor à frente de comunidades paroquiais, a última das quais a Sé e também S. Vicente, quer ainda pelo seu empenho na renovação da Liga dos Servos de Jesus e em particular na condução do processo de beatificação e canonização do Sr. D. João de Oliveira Matos. Também o Sr. D. João de Oliveira Matos, um dia, foi chamado a partir desta nossa Diocese para a Arquidiocese de Braga, acompanhando o Sr. D. Manuel Vieira de Matos e aí permaneceu durante cinco anos.
O último sacerdote do nosso Presbitério a ser chamado para o exercício do Ministério Episcopal foi o Sr. D. João Saraiva, eleito Bispo Auxiliar de Évora em Setembro de 1965. Foi Bispo do Funchal e depois Bispo de Coimbra até 1976. Esta última chamada aconteceu há quase 47 anos. Por sua vez, a última Ordenação Episcopal na nossa Catedral da Guarda foi a do Sr. D. João de Oliveira Matos, em Julho de 1923. Esperamos voltar à nossa Sé, em 12 de Agosto próximo, para viver mais uma Ordenação Episcopal, desta vez a do nosso D. António Manuel Moiteiro Ramos
Desejamos que esta passagem do Senhor pelo nosso Presbitério seja nova motivação para todos nós sacerdotes sermos mais sacerdotes, na fidelidade aprofundada à nossa vocação. Seja novo impulso ao nosso empenho pela promoção das vocações sacerdotais, na nossa Diocese, que tem invejável tradição em fazer despertar vocações para os seus seminários, mas também para os seminários de outras dioceses do país e para as Ordens Religiosas missionarias.
Desejamos, nesta hora, acompanhar D. António Manuel Moiteiro Ramos com a nossa persistente oração, a fim de que ele, para as novas responsabilidades episcopais, leve consigo o entusiasmo sacerdotal que lhe conhecemos e possa, agora na Arquidiocese de Braga, que saudamos na pessoa do seu Arcebispo D. Jorge da Costa Ferreira Ortiga, ser o “Bispo servidor do Evangelho e da esperança no mundo” (JOÃO PAULO II – Exortação Apostólica pós-sinodal Pastores Gregis, 2003, n. 5).
Guarda e Paço Episcopal, 08. 06. 2012
+Manuel R. Felício, Bispo da Guarda

21 fevereiro 2012

Encontro dos diretores diocesanos das missões


No passado dia 24 de Janeiro, na Casa da Senhora das Dores, em Fátima, reuniram-se os directores dos Secretariados Diocesanos das Obras Missionárias Pontifícias (OMP). Recentemente escolhido como Director Nacional, o P. António Lopes, presidiu a este primeiro encontro. Participaram a maioria dos directores, havendo alguns que, por estarem em formação ou retiro, justificaram a sua ausência. De salientar, a presença da Diocese de Aveiro, cujo director é um leigo.

Após o acolhimento e a oração, houve uma partilha das luzes e sombras, das dificuldades e alegrias, das novas perspectivas de trabalho a partir da Carta Pastoral “Como eu vos fiz, fazei vós também” – Para um rosto missionário da Igreja em Portugal.

Uns há mais anos, outros a começar este serviço, foram relatando as experiências, as acções missionárias diocesanas e os caminhos percorridos. A diocese do Porto, “Missão na Cidade - 2010”, foi o exemplo mais marcante e divulgado. Com acções mais abrangentes e mais visíveis, com momentos de oração/vigília e de reflexão, uns e outros testemunharam o seu empenho. Todavia, alguns dos presentes, relataram a sua falta de tempo para se dedicar, por inteiro, a este serviço, pois as muitas solicitações diocesanas ou paroquiais, não permitem a disponibilidade necessária. Outros, testemunharam alguma resistência a acções missionárias, por parte de alguns sacerdotes e comunidades, pois mexem com os programas e rotinas paroquiais.


O P. Tony Neves, destacou a vivência da Vigília Ecuménica Jovem, que decorreu a 21 de Janeiro, na igreja de S. Tomás de Aquino – Lisboa, que juntou mais de seiscentas pessoas. Também deu a conhecer o Curso “Missão hoje”, promovido pela Escola Diocesana de Leigos, que se realiza todas as segundas feiras, de Fevereiro a Junho, com 15 sessões, todas elas reflectindo temáticas missionárias.
Feita esta partilha, rica de experiências e capaz de motivar acções nesta ou naquela diocese, reflectimos sobre as Jornadas Missionárias a nível nacional, que se realizam em Fátima, todos os anos, em Setembro. Falou-se no modelo, nas temáticas, na alternância, por dioceses – um ano em Fátima, outro ano, numa diocese -, na criação de um momento final abrangente a todos os grupos missionários (tipo peregrinação, no último dia das jornadas). Estas jornadas tiveram o seu ponto alto no Congresso Missionário, em 2008 e, todos os anos, reúne cerca de cinco centenas de missionários, grande parte deles, gente jovem, ligada aos Institutos Missionários.

Um outro assunto abordado foi a divulgação das Obras Missionárias, nomeadamente a Infância Missionária, a Obra de S. Pedro Apóstolo e a União Missionária do Clero (procurar mais em www.opf.pt). Trocaram-se ideias sobre a Infância Missionária, a partir das experiencias dos Açores e do Algarve. O director nacional, em reunião europeia para este sector, vai inteirar-se do modo como outros países a animam e divulgam. Todos acolheram a ideia de tornar mais visível esta Obra, a partir da catequese e das famílias.
Abordou-se ainda a necessidade de reuniões anuais para os directores diocesanos, da partilha de experiências e comunicação das mesmas, através dos meios técnicos disponíveis; falou-se ainda da elaboração e distribuição dos apoios temáticos para o Outubro Missionário, das acções diocesanas ou paroquiais de reflexão e estudo para leigos, religiosos e sacerdotes da Carta Pastoral, bem como do Curso de Missiologia (Agosto – Fátima) e da Exposição Missionária (Fátima, de Maio a Outubro).
Os directores presentes sentiam a necessidade deste encontro e o mesmo ajudou a ver mais claro o dinamismo missionário das dioceses. Os desafios continuam, as experiências partilhadas apontam caminhos, a comunhão de esforços cria novas energias e potencialidades.

Valeu a pena o encontro: a Missão urge! O Mestre continua a dizer: “Ide e anunciai a Boa nova a todos os povos!”

P. Agostinho Sousa
in www.sdmportalegrecbranco.pt.vu

Intenções do Santo Padre para fevereiro 2012

Geral – Acesso à água

Para que todos os povos tenham acesso à água e aos recursos necessários ao sustento quotidiano.

Missionária – Profissionais da saúde

Para que o Senhor sustente o esforço dos profissionais de saúde das regiões mais pobres no serviço aos doentes e aos idosos.

Mensagem de D. Manuel Felício, para a Quaresma de 2012


“A Quaresma é tempo forte de revisão e renovação da vida pessoal e comunitária. São 40 dias de retiro proposto a toda a Igreja para concentrar a atenção no cerne da vida em Cristo, que é, de facto, o amor de Deus revelado e oferecido a toda a criatura. A Quaresma constitui, assim, a grande oportunidade que nos é dada para relançarmos a nossa vida de Fé, procurando principalmente cuidar a partilha, o silêncio e o jejum, sempre na esperança de saborearmos as alegrias da Páscoa.

Há urgências que a Quaresma nos lembra e uma delas é a de darmos a devida atenção uns aos outros, prestando a cada um os cuidados de que ele necessita e sobretudo criando condições para que cada um possa realizar as suas capacidades, no processo de construção da sociedade em que todos têm o direito e o dever de participar.

Por sua vez esta atenção que cada um deve ao seu próximo exige que se cultive sempre a proximidade, a qual não é só proximidade física, mas também moral e espiritual, incluindo a relação com Deus e o Sobrenatural. Ao falarmos de proximidade moral, queremos dizer que, sempre no respeito pela liberdade de consciência de cada um, ninguém pode desinteressar-se de ajudar o próximo a percorrer os caminhos do bem e a recusar os caminhos do mal. Promover a verdadeira distinção entre o bem e o mal e estimular as pessoas a fazerem o bem é cumprir um imperativo evangélico, mas também assumir com determinação uma responsabilidade social.

A proximidade e o interesse pelo outro pede ainda que todos estejamos abertos à prática da autêntica correcção fraterna. De facto, só podemos progredir em todos os aspectos da nossa vida, aceitando ajuda dos irmãos e oferecendo-lhes também a nossa ajuda. Por outro lado, no exercício da sua responsabilidade social, o cristão é obrigado, em nome de Cristo e do Evangelho, a denunciar a cultura sempre que ela se faz condescendente com o mal (cfr. Ef. 5,11). Temos, por isso, que assumir a coragem de recusar mentalidades e comportamentos, que, reduzindo a vida humana à sua dimensão material, aceitam qualquer opção moral em nome da liberdade individual. Opções desta natureza, para além de serem contra a moral, só podem conduzir á ruina da própria sociedade.

A autêntica vida comunitária é feita por pessoas que se estimam mutuamente, mas também se ajudam e cooperam entre si, no que podemos chamar uma recíproca correcção e exortação, em espírito de humildade e de amor (cfr. Mensagem do Papa p/ Quaresma de 2012).

Para promover esta reciprocidade, na solicitude de uns para com os outros, a sabedoria milenar da Igreja recomenda, especialmente na Quaresma, a pedagogia da esmola, da oração e do jejum.

Ao longo desta Quaresma, queremos, assim, cultivar a autêntica proximidade para construir comunidade, principalmente das seguintes formas:

1. Celebrando a nossa Fé, com especial cuidado e entusiasmo, principalmente na Eucaristia. Recomendamos também que se reze nas comunidades pelo menos uma hora da Liturgia das Horas. E pedimos às Comunidades Religiosas e outras de especial consagração e também a grupos que já o costuma fazer que, pelo menos ao domingo, celebrem a Liturgia das Horas com o Povo.

2. Escutando e partilhando, com mais diligência, a Palavra de Deus contida na Bíblia, não só nas assembleias litúrgicas, mas também nos grupos bíblicos que estamos a incentivar por toda a nossa Diocese;

3. Respondendo, com generosidade, ao apelo da renúncia quaresmal. Este ano vamos dirigir a nossa renúncia quaresmal para a constituição e fortalecimento do nosso Fundo Diocesano de Solidariedade, à semelhança do Fundo de Solidariedade que é promovido pela Conferência Episcopal. São muitos os casos de pessoas que nos estão a bater à porta, pedindo ajuda material, porque lhes faltam os meios elementares de subsistência.

4. Alguns têm vindo a ser atendidos pela Caritas Diocesana e pelas Conferências de S. Vicente de Paulo. Porém, já há falta de meios para atender às necessidades e a evolução dos acontecimentos faz-nos prever que as dificuldades vão aumentar”.