02 março 2011

Mensagem da Quaresma 2011 - Bispo da Guarda

Quaresma 2011: A Palavra de Deus fonte de renovação pessoal e comunitária

A Quaresma é tempo forte de renovação e aprofundamento da Fé. Para os que pediram o Baptismo e ainda o não receberam, ela é a fase especial­men­te importante do seu catecumanado enquanto preparação próxima para a celebração deste sacramento. Para os já baptizados é tempo de con­versão à Pessoa de Cristo e ao seu Evangelho, a fim de, com verdade, poderem renovar as promessas baptismais na Noite Pascal. A uns e a outros se aplica o que S. Paulo diz aos cristãos : “Sepultados com Cristo no Baptismo, foi também com Ele que ressus­ci­­tastes” (cfr. Col. 12,12).

Queremos, portanto, que estes 40 dias de Quaresma sejam bem aprovei­ta­dos por todos os fiéis e comunidades da Fé para refazerem o percurso do Catecumenado, próprio dos candidatos à celebração do Baptismo; Ca­te­cumenado que é de facto escola insusbstituível de Fé e de vida cristã.

A pensar nesta escola de vida, em todo o tempo quaresmal, a Igreja ofere­ce-nos com especial abundância a Palavra de Deus e convida todos os fiéis a voltarem-se para ela com redobrada intensidade.

Também vivemos esta Quaresma a partilhar uma preocupação comum a toda a Igreja em Portugal, que é o repensarmos juntos a pastoral que esta­mos a realizar, procurando descobrir novos caminhos do nosso ser Igreja no mundo de hoje. Aqui, não podemos esquecer que o objectivo de toda a acção pastoral é conduzir à relação com Cristo vivo e fonte de vida. E este encontro com Cristo vivo somos convidados a fazê-lo na dupla mesa da Palavra e da Eucaristia.

Tal como na Eucaristia, participamos na mesa da Palavra quando nos re­u­nimos na assembleia do domingo; mas precisamos de outros momen­tos complementares para fazer com que a Palavra de Deus seja realmente compreendida no sentido preciso que o texto bíblico encerra, meditada nas interpelações que ela hoje faz a cada um de nós, rezada na definição das respostas que lhe devemos dar e contemplada na pluralidade dos caminhos que ela nos abre para serviço não só das comunidades cristãs mas também da sociedade em geral. Para que isso aconteça é muito recomendável a leitura orante da Palavra de Deus, também chamada “lec­tio divina”, feita por cada um individualmente, mas também nas famílias e em grupos mais alargados, para, assim, aprendermos, na escola do único Mestre, a ser Seus discípulos. Para nós aprender a lição do nosso Mestre é memorizar o essencial da sua mensagem, mas é também e sobretudo fa­zer dela fonte inspiradora das nossas decisões e dos nossos compor­ta­mentos.

Por isso, nesta quaresma desejamos:

  • Continuar a sensibilizar as nossas comunidades paroquiais para a im­portância da Bíblia e para o lugar central que na nossa vida deve ocupar a Palavra de Deus.
  • Continuar a motivar os grupos bíblicos que já temos a funcionar e ou­­tros que possam ser constituídos para a leitura orante da Palavra de Deus, também chamada “Lectio Divina”, utilizando nomeada­men­te o livro sobre S. Mateus que ofeceremos à Diocese para cum­pri­­men­to do nosso plano pastoral, este ano.
  • Tomarmos contacto com as orientações da exortação apostólica “Verbum Domini” do Santo Padre Bento XVI, publicada na sequên­cia do Sínodo sobre a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja, a qual foi objecto de estudo nas recentes jornadas de formação do nosso Clero.
  • Acolhermos, com generosidade, o convite à oração mais intensa assim como ao jejum e à esmola, que, em sua sabedoria secular, a Igreja de novo nos dirige, nesta Quaresma.
  • Quanto à renúncia quaresmal, este ano, atendendo à grave situação de crise social que o nosso país atravessa e se faz sentir fortemente nos nossos meios, vamos dirigi-la, em partes iguais, para o Fundo So­cial Solidário criado e dirigido pela Conferência Episcopal e para a nossa Caritas Diocesana, à qual estão continuamente a chegar, e em número crescente, casos de pessoas que nos batem à porta, a pedir bens de primeira necessidade.

Guarda, 25 de Fevereiro de 2011

+Manuel R. Felício, Bispo da Guarda

16 fevereiro 2011

Repensar a pastoral da Igreja

D. Manuel da Rocha Felício, bispo da Guarda, deixou ao Secretariados e Movimentos, um documento acerca de "Repensar juntos a Pastoral da Igreja em Portugal". Em carta datada de 13 de Fevereiro, pede agora aos Secretariados que deixem uma reflexão até dia 4 de Março.
O SDMG deixa aqui uns tópicos de reflexão, e quem quiser dar uma achegas é só comentar.

a. Igreja em Portugal, que vês na noite da sociedade em que vives (cfr Is 21,11)? Quais são os sinais de Deus e os desafios para a tua missão? O que é que verdadeiramente precisam as pessoas de hoje, a nível espiritual e humano, e que tu podes oferecer?

b. Igreja em Portugal, que indicações ou rumores do espírito encontras hoje em ti (experiências, carismas, dinamismos existentes) a apontar-te o estilo de vida cristã e a “nova maneira de ser Igreja” adequada aos tempos de hoje? Que caminhos pastorais te assinalam os sinais e os dons do Espírito para viveres e testemunhares o Evangelho de Cristo?

09 fevereiro 2011

FEC participa no Fórum Social Mundial (FMS) 2011

Entre 6 e 11 de Fevereiro em Dakar, a CIDSE (aliança católica internacional de agências para o desenvolvimento) e parceiros vão discutir as profundas mudanças necessárias para combater a fome, as alterações climáticas e a instabilidade financeira global. A FEC (Fundação Evangelização e Culturas), membro da CIDSE, estará representada no FSM por Simão Leitão, Coordenador do Programa FEC na Guiné-Bissau. Até ao momento, segundo informação da Plataforma Portuguesa das ONGD, a FEC será a única organização para o Desenvolvimento portuguesa presente no Fórum.

“O mundo precisa de uma nova direcção, mais do que pequenos ajustes de percurso”. Este mote traz a CIDSE, organizações membro e organizações parceiras de diversas partes do mundo ao Fórum Social Mundial de 2011. O Fórum Social Mundial oferece um modelo de liderança alternativo e mais democrático, onde as pessoas estão no coração das soluções para as mudanças globais.

“ Para a FEC, enquanto ONG que trabalha no âmbito da cooperação para o desenvolvimento, é essencial participar neste movimento da sociedade global numa procura de novos modelos de desenvolvimento. Em conjunto com a Caritas Guiné-Bissau, nosso parceiro, e a CIDSE, rede europeia de ONG Católicas, vamos estar em Dakar para contribuir activamente no debate sobre as alterações climáticas, a ajuda pública ao desenvolvimento, a segurança alimentar ou ainda a agenda política pós-ODM. Acreditamos que à escala global é necessário outro tipo de liderança. O FSM “antecipa” o rosto desses líderes”, afirma a Directora Executiva Susana Réfega.

Edição 2011 do FMS

O Fórum Social Mundial retorna a África em 2011. Depois de Nairóbi (Quénia), Dakar, capital senegalesa, receberá a edição centralizada entre 6 e 11 de Fevereiro de 2011. Com enfoque na história de resistência e luta dos povos africanos, o FSM 2011 deverá encontrar a interface necessária com as lutas e as estratégias globais comuns à África, ao Sul e ao resto do mundo. Para os organizadores, o retorno do FSM à África expressa solidariedade ativa do movimento social internacional, apoio bem-vindo já que “a África corre o risco de pagar pela crise atual do capitalismo, já estando enfraquecida pelos programas de ajustes estruturais da década de 1980 e 1990”, refere a Comissão Organizadora do FMS deste ano.

O Fórum Social Mundial (FSM), concebido como uma alternativa ao Fórum Económico Mundial, oferece um poderoso antídoto para um sistema que coloca o dinheiro em vez das pessoas em primeiro lugar. Em Dakar, a FEC, vai juntar-se a milhares de pessoas de todo o mundo para traçar estratégias para alcançar políticas pro-pobres no curto prazo, e encontrar respostas para questões fundamentais para nosso futuro:

Será que estamos prontos para mudar a nossa vida e viver de forma mais sustentável? Como vamos ajudar as pessoas mais afectadas pelos impactos das mudanças climáticas? Como vamos combater a fome mundial, num cenário em que as chuvas estão cada vez mais imprevisíveis e as culturas continuam a falhar? O que deve acontecer após o prazo estabelecido para o cumprimento dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio? Enquanto os orçamentos para a ajuda ao desenvolvimento continuam a ser cortados, que recursos têm os governos para financiar o desenvolvimento? O sector financeiro está à procura de formas de evitar uma nova quebra. Como pode, como principal beneficiário da globalização, contribuir para enfrentar os desafios do desenvolvimento global?

Nota ao editor:

Simão Leitão, representante da FEC no Fórum, fará um artigo de opinião sobre as temáticas abordadas no FMS, dando a todas as publicações interessadas feedback sobre o que vive, na primeira pessoa, durante a realização do FMS. Existe também disponibilidade para entrevistas e envio de artigo de opinião a partir de Dakar.

Para mais informações e solicitações contactar:

Simão Leitão / fec.guinebissau@gmail.com

Comunicação FEC

Vanessa Furtado / vanessa.furtado@fecongd.org / 936245545

Links de interesse:

Sobre o FSM http://fsm2011.org/

Sobre a CIDSE http://www.cidse.org

Sobre a FEC http://www.fecongd.org

01 fevereiro 2011

Manual de instruções para ser cristão na era do Facebook

ROMA, terça-feira, 1º de fevereiro de 2011 (ZENIT.org) - Verdade e autenticidade são o programa e o manual de instruções que Bento XVI oferece aos cristãos presentes na internet e nas redes sociais, explica Guillaume Anselin, especialista em comunicação de marcas e instituições.

Nesta entrevista, Anselin, que já trabalhou em cargos executivos de alguns dos mais importantes grupos de mídia, como McCann Erickson, Ogilvy e Publicis, comenta com ZENIT a mensagem que o Papa enviou por ocasião do Dia Mundial das Comunicações Sociais.

ZENIT: "As novas tecnologias não mudam apenas a maneira de se comunicar, mas a própria comunicação", diz Bento XVI. Estamos diante de uma pós-cultura?

Guillaume Anselin: O Santo Padre assinalou que "criou uma nova forma de aprender e de pensar, bem como novas oportunidades para estabelecer relações e criar laços de comunhão". Isto não só se refere ao canal internet, mas a uma nova "era digital", sinal de uma nova cultura em que já entramos.

A era digital é uma sociedade de "tudo-comunicação", permanentemente conectada, que redefine a relação individual com o mundo, com os outros e a maneira de consumir ou produzir informação. Nesta era "digital", a informação circula principalmente através de "círculos sociais", com o risco de dar mais crédito ao que está mais estendido ("popularizado" pelos "amigos" reais ou virtuais) que às fontes oficiais. O perigo é, obviamente, uma visão distorcida da realidade.

Implica também a abolição das fronteiras e distâncias, uma cultura da imagem ao invés da escrita, uma sociedade "de conversação", na qual o conteúdo é o próprio objeto da conversa em grande escala.

É um fenômeno cultural inédito e recente: social, midiático, de informação imediata, que não deixa tempo para respirar, com suas comunidades de interesse e cerca de dois bilhões de pessoas online em todo o mundo. Basta lembrar que, há seis anos, Facebook, YouTube, Twitter, tão presentes em nossa vida diária, não existiam.

No caso de países de cultura midiática intensa, podemos falar efetivamente de pós-cultura, no sentido de uma mudança em direção a uma "sociedade digital".

ZENIT: "Os jovens estão experimentando essa mudança na comunicação com todas as aspirações, as contradições e a criatividade daqueles que se abrem com entusiasmo e curiosidade às novas experiências de vida", explica o Papa. Quais são os riscos e desafios disso?

Guillaume Anselin: A era digital implica, obviamente, em um salto geracional. A televisão dos nossos pais já não é a de hoje. Com o advento do "tudo multimídia", há uma forte migração do público jovem para o mundo digital (internet, celular etc.). Amanhã haverá gerações inteiras que terão conhecido desde sempre o Facebook como o principal canal de proximidade para informar-se, falar ou encontrar-se.

A internet exerce um fascínio: nela temos um meio pessoal no qual eu posso construir a identidade que eu quiser, conter-me com os outros, estar "conectado" e falar sobre o que eu quiser e com quem eu quiser. Um lugar no qual eu posso criar algo, mergulhar em universos pré-existentes, jogar, ouvir música, ver vídeos, ler...

A internet é vista como o "último mundo livre", democrático, pois permite a expressão de qualquer opinião minoritária, sem obrigações nem consequências... e em aparente segurança para quem a utiliza.

O perigo, como explica o Papa, é o a coexistência de duas identidades, uma digital (um avatar de si próprio) e outra real, assim como duas vidas paralelas: uma real e contingente e outra virtual e fácil, apesar de ser também muito real, pois ocupa uma parte importante da minha vida.

O desafio é a construção da pessoa, sua unidade de vida, e a formação da consciência, graças a uma utilização equilibrada da internet no que ela tem de melhor: um maravilhoso instrumento prático e lúdico, quando sabemos utilizá-lo. Pois encontrar uma informação na internet não significa sempre encontrar uma solução.

ZENIT: "Existe um estilo cristão de presença também no mundo digital", afirma o Papa, convidando o cristão a "dar testemunho coerente" do Evangelho na era digital. Como responder a este convite do Papa?

Guillaume Anselin: O Papa nos oferece um programa e um manual de instruções muito claro: a verdade e a autenticidade. Em questão de estratégia de comunicação, não poderia fazer uma proposta melhor! É um incentivo a comprometer-se sem ter medo e com lucidez. Podemos ficar com três aspectos importantes para o comunicador cristão:

1. Em primeiro lugar, a verdade antes de tudo, pois, em matéria de fé, nós, nós, cristãos, não temos nada melhor a oferecer em resposta a essa sede inscrita no coração dos homens. Em uma época cada vez mais saturada de informação, isso quer dizer estar presente e dar razões: fontes fiáveis da doutrina (visíveis, com uma linguagem acessível) e testemunhar com simplicidade aquilo em que cremos e a maneira como o vivemos, com os meios à nossa disposição (a informação, a narração, os vídeos, fóruns, blogs etc.).

Implica também em restabelecer um equilíbrio no ecossistema digital e dar aos jovens dois elementos essenciais: o direito de saber e de escolher. Ser cooperatores Veritatis (colaboradores da Verdade, slogan de Bento XVI, N. da R.) para anunciar o Evangelho e favorecer um encontro pessoal com Jesus, que é o Caminho, a Verdade e a Vida.

Em outras palavras: não estar decididamente presente no continente digital é uma contraverdade. É um dever de justiça e um serviço à caridade em um mundo em aceleração, no qual frequentemente se procura apagar a dimensão espiritual e o valor da mensagem cristã.

2. Para conseguir isso, o Santo Padre nos oferece o manual de instruções: é preciso ser autêntico (...), com coerência, constância, para entrar em diálogo com o Outro. Ser o que somos, sem ceder no fundamental, com uma escuta ativa, para ser tudo para todos.

Como Bento XVI nos disse várias vezes, o estilo cristão não procura agradar, correndo o risco de desvirtuar aquilo que recebemos. Nossa comunicação é afirmação alegre, positiva... e delicada. É também coerente e social, pois se integra nas culturas da nossa época. É evangelização, para tocar os corações e as inteligências. É unidade, para apoiar todas as realidades pastorais e eclesiais.

Mas o Santo Padre nos alerta também sobre a tentação do "tudo digital", pois as tecnologias devem permitir a aproximação de uma prática de fé, vivida em nossas comunidades cristãs, na Igreja.

3. A verdade, por último, merece uma nova atitude. Por este motivo, Bento XVI conclui convidando-nos a uma "criatividade responsável" e a um sentido de "escrupuloso profissionalismo". São necessárias habilidades particulares, pois a internet exige hoje uma atitude totalmente profissional e meios adequados. Temos de construir as catedrais do saber, os átrios e as ágoras do continente digital... formados por avenidas e praças, mas também por cantos nos quais as pessoas se perdem.

ZENIT: "Manter vivas a questões eternas sobre o homem." Como diz Bento XVI, a busca de sentido e respostas sobre a fé e a vida é intensa entre os nossos contemporâneos. O que o continente digital oferece, neste sentido?

Guillaume Anselin: A oferta é diversificada, mas também altamente fragmentada. Muitas iniciativas têm dificuldade em encontrar o seu público devido à falta de recursos, à oferta editorial, ou porque é difícil ir além dos públicos tradicionais. Para entrar em um site católico, é preciso sê-lo, pelo menos um pouco...

A força dos grandes projetos na internet é sua dimensão claramente multimedial e uma inteligência conectiva, a partir de uma necessidade claramente identificada. No campo da fé, faltam iniciativas nas quais, muito além de publicar notícias de atualidade, sejam oferecidas respostas simples nos formatos mais variados às questões levantadas pelas pessoas sobre a fé, a vida e a sociedade.

Temos de responder a esta questão eterna do homem, do seu anseio de transcendência, com projetos grandes, interativos, que transmitam o que recebemos.

É preciso responder ao "porquê" e ao "como" com criatividade, modernidade e apoiar o trabalho pastoral das pessoas, como sacerdotes, educadores, religiosos, catequistas e todos aqueles que no mundo investem suas energias na produção de blogs e sites.

No fundo, não é nada novo: assim como os cristãos se comprometeram, há tempos, a favor do progresso das sociedades em nossas cidades e campos, da mesma forma, o continente digital espera também nossa presença visível, serena, à altura dos desafios desta "sociedade digital".

21 janeiro 2011

Viver mais, mais e mais...

o nosso amigo Pedro partilhou e agora aqui fica um desafio para viver mais pelos outros e para os outros...

17 dezembro 2010

Mensagem de Natal 2010 do Bispo da Guarda, D. Manuel Felício


"Natal de esperança em tempos de crise"

Vamos celebrar o Natal de 2010, em tempos marcados pela crise, sem fim à vista, e que está a fazer sofrer muitas pessoas.

Não temos a pretensão de identificar todas as causas desta crise, mas não podemos deixar de lembrar as mais visíveis e que estão a pedir mudanças de comportamento corajosas. Entre essas, estão os jogos de interesse que continuam a fazer-se nas costas do povo, envolvendo sobretudo decisões políticas, económicas e financeiras. Estão também as atitudes egoístas de muitos que só procuram defender os seus interesses e do seu grupo, sem respeito pelo bem comum e pelos direitos de todos. Igualmente temos de denunciar a falsidade do princípio, para muitos indiscutível, de que o bem-estar das pessoas coincide com o elevado consumo de bens materiais. Há ainda muita falta de sentido de responsabilidade relativamente ao uso dos recursos materiais que se têm e mesmo que se não têm, o que está a provocar níveis desastrosos de endividamento das pessoas, das famílias e mesmo do país. Acrescem a estas os baixos níveis de educação para a cidadania que nós temos e o facto de as iniciativas de participação no desenvolvimento pelo trabalho não serem elevadas. Lembremos que as nossas escolas ainda conseguem transmitir alguns bons níveis de informação, mas quando se trata de ajudar os alunos a elaborar boas decisões e levarem-nas à prática, com eficácia, revelam muita dificuldade. Por sua vez, o facto de sermos o país da Europa em que a percentagem de jovens licenciados à procura de emprego é das mais elevadas, se não mesmo a mais elevada, não nos ajuda.

E continua a ser verdade que o factor mais decisivo para o desenvolvimento das sociedades são as pessoas, pessoas bem preparadas e com carácter, capazes de estabelecerem objectivos bem definidos e procurarem os meios indispensáveis para os atingir, incluindo a capacidade de sacrifício.

Preocupa-nos que seja alto e em crescendo o número de pessoas que estão fora do trabalho. Isto porque o trabalho, mais do que um meio de produção material, é o lugar por excelência da realização de cada pessoa e da sua integração na vida da sociedade.

Temos conhecimento do grande número de pessoas que passam necessidade e não têm os bens considerados essenciais.

De olhos postos no Presépio de Belém e no Menino Jesus, rosto visível de Deus que, sendo rico, Se fez pobre para nos ajudar a combater todas as formas de pobreza, queremos estar ao lado dessas pessoas.

E sentimos que hoje há novas formas de pobreza e também novos pobres, devido às mudanças rápidas da situação social introduzidas pela crise que continua a afectar-nos e de que maneira.

Para pormos em prática as lições do Presépio, queremos, neste Natal, como cristãos e discípulos do Menino de Belém:

Procurar conhecer melhor a situação real das pessoas que precisam, sobretudo através da relação de proximidade com elas;

Que, em cada Paróquia e em cada povoação ou bairro, haja grupos paroquiais de acção social, para exercerem a prática da proximidade e da caridade;

Conhecer e identificar bem as situações de pobreza mais gritantes, nos nossos meios, para, umas vezes, directamente, outras vezes recorrendo a instituições, como é o caso do Fundo Social Solidário recentemente criado pela Conferência Episcopal, lhes podermos dar resposta pronta;

Queremos, finalmente, marcar a nossa atenção de caridade para com os outros, partilhando do muito ou pouco que temos com os que mais precisam.

Por isso, lembro o pedido que foi dirigido oportunamente aos cristãos portugueses pelo Presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social para que doassem, com esta finalidade, 20% do seu vencimento mensal. Este apelo desejo também fazê-lo, neste Natal, aos membros do clero e aos leigos da nossa Diocese e aponto como destino desta entrega a nossa Caritas Diocesana ou o Fundo Social Solidário promovido pela Conferência Episcopal.

Que a luz de Cristo, presente no Coração do Natal, nos ilumine naquelas decisões e naqueles gestos que podem contribuir para encontrar os novos caminhos capazes de dar novos rumos à Sociedade actual e ajudar a superar a crise global que persiste e continua a fazer sofrer muita gente.

Guarda, 15 de Dezembro de 2010

+ Manuel Felício, Bispo da Guarda

12 dezembro 2010

Faleceu D. José Garcia

Bispo emérito de Porto Amélia (Pemba)Moçambique, tinha 97 anos. Missa exequial na Segunda-feira, às 15 horas, em Cucujães, Oliveira de Azeméis

Faleceu ontem, com 97 anos de idade, D. José dos Santos Garcia, bispo emérito de Porto Amélia (Pemba), em Moçambique.

D. José Garcia nasceu na Aldeia do Souto, Covilhã, a 16-04-1913. Foi ordenado presbítero a 25.07.1938. Tendo sido nomeado bispo de Porto Amélia (Pemba), em Moçambique, foi ordenado Bispo, em Nampula, a 16.06.1957.

A Missa exequial tem lugar na Segunda-feira, dia 13, às 15 horas, na Igreja Paroquial de Cucujães, Oliveira de Azeméis, que fica ao lado do Seminário das Missões.

No passado dia 12 de Maio, o falecido bispo participou nas Vésperas com Bento XVI tento oportunidade de o saudar pessoalmente e de receber a sua bênção no fim a celebração na Igreja da Santíssima Trindade, Fátima.

D. José Garcia esteve nestes últimos dias no Seminário da Imaculada Conceição da Guarda tendo sido levado para Cucujães nas últimas horas da sua vida.

Em 2007, por ocasião das suas bodas de ouro episcopais, o prelado foi entrevistado pela Agência ECCLESIA, tendo passado em revista uma vida ao serviço da Igreja.

D. José dos Santos Garcia trabalhou, enquanto jovem padre, nos seminários de Portugal. Foi enviad, em 1955, para Moçambique, onde cheguou a 31 de Dezembro.

Na antiga colónia portuguesa foi um grande obreiro da «Missão do Mutuáli», Diocese de Nampula, onde construiu a Igreja, internatos masculino e feminino e centro de saúde.

D. José recordava-se que foi professor dos "primeiros padres nativos daquele país". E acentuou: "a «Missão de Mutuáli» foi classificada, por dois inspectores, como a mais pobre de Moçambique".

Nomeado Bispo de Porto Amélia, hoje Pemba, em 1957, promoveu uma pastoral planeada em que eram prioridades a formação do clero, dos leigos e de religiosas moçambicanas. Para isso criou os Seminários, a Escola de Professores Catequistas e a primeira congregação religiosa de Moçambique, Filhas do Coração Imaculado de Maria. "Recordo com saudade aqueles tempos" - afirmou o prelado.

Promoveu a evangelização e dotou as missões de esmerada estrutura. Sofreu com a divisão da sua diocese nos tempos da luta pela independência quando não podia visitar todos os cristãos.

Voltando a Portugal em 1974, colaborou com a Diocese da Guarda naquilo que lhe foi pedido e ele faz questão de destacar as "aulas de missionologia aos seminaristas". Veio "muito doente de África" e "ajudava naquilo que podia".

Depois dos 85 anos dedicou-se a reformar a Igreja e as capelas da sua terra natal, Aldeia do Souto e a escrever livros: «Alicerce e Construção duma Igreja Africana»; «Diário do Mutuáli»; «Evangelização de Cabo Delgado» e «Notas para a História da Paróquia de Aldeia do Souto».

Este dois últimos foram oferecidos aos amigos no dia da festa dos 90 anos. Além de reflexões pessoais, os três primeiros são documentos para história da Igreja em Moçambique.

Em Outubro de 2006, nas celebrações do dia da cidade da Covilhã, a edilidade local concedeu-lhe a medalha de ouro da cidade. Homenagens justas ao «homem das longas barbas brancas» que deixou saudades em terras africanas.

in Agência ecclesia

03 dezembro 2010

Seminário Fé e Cooperação

A FEC, Fundação Evangelização e Culturas, que este ano comemora o seu 20º aniversário, convida V. Exa. para o Seminário Fé e Cooperação a realizar-se no próximo dia 13 de Dezembro, a partir das 9 horas, no Auditório 3 da Fundação Calouste Gulbenkian com o Alto Patrocínio da Presidência da República.

Convidamo-lo ainda a participar a partir das 18 horas no lançamento do livro "Recortes da História da Guiné-Bissau" da autora Catarina Lopes.

Por favor, confirme a sua presença até ao dia 6 de Dezembro, através do seguintes contactos:
Tlf: (+351) 218 861 710
Email: seminario20anos@fecongd.org

S. Francisco Xavier

No dia da celebração do Padroeiro das Missões,
fica uma oração de invocação do Santo e de pedido de intercessão.


Amabilíssimo santo,
todo cheio de caridade e zelo;
convosco, respeitosamente,
adoro a divina majestade e,
porque singularmente me comprazo
no pensamento dos dons especiais da graça
com que fostes enriquecido em vida
e na glória de vossa majestade,
rendo-lhe por eles as mais fervorosas acções de graças
e suplico-vos, com todo o meu coração,
que me alcanceis, por vossa poderosa intercessão,
a graça tão importante de viver e morrer santamente.

Suplico-vos, também que me alcanceis a graça (pedido)
e, se o que peço não é para a glória de Deus
e maior bem da minha alma,
alcançai-me o que mais conforme for a uma e outra coisa.
Assim seja.

07 novembro 2010

Oração para a Semana dos Seminários 2010


Jesus Cristo, Bom Pastor
que dás a vida pelas Tuas ovelhas.
Tu és o Filho muito amado do Pai,
Tu és o nosso Mestre e Salvador.
Faz dos nossos seminários
Comunidades de discípulos,
Sementeiras de Amor,
de serviço e de entrega radical pelo Teu Reino;
sinais de esperança de um futuro de vida verdadeira,
em abundância para todos.
Fortalece e ilumina
no discernimento vocacional os nossos seminaristas;
confirma nos dons do Espírito Santo os seus formadores;
enche de generosidade e espírito de serviço
os auxiliares que com eles trabalham.
Recompensa e abençoa os benfeitores,
que com a oração e partilha de bens, zelam pela missão;
ampara o nosso Bispo e os nossos párocos,
para que sejam sempre fiéis ao dom do seu sacerdócio;
desperta a generosidade e a coragem dos nossos jovens
para Te seguirem e concede às nossas famílias o dom de
Te proporem como caminho, verdade e vida...
Nós Te pedimos por intercessão de Nossa Senhora,
Tua e nossa mãe…