11 maio 2010

Discurso do Santo Padre na sua chegada a Portugal


Senhor Presidente da República,
Ilustres Autoridades da Nação,
Venerados Irmãos no Episcopado,
Senhoras e Senhores!

Só agora me foi possível aceder aos amáveis convites do Senhor Presidente e dos meus
Irmãos Bispos para visitar esta amada e antiga Nação, que comemora no corrente ano um século
da proclamação da República. Ao pisar o seu solo pela primeira vez desde que a Providência
divina me chamou à Sé de Pedro, sinto-me honrado e agradecido pela presença deferente e
acolhedora de todos vós. Agradeço-lhe, Senhor Presidente, as suas cordiais expressões de boasvindas,
dando voz aos sentimentos e esperanças do bom povo português. Para todos,
independentemente da sua fé e religião, vai a minha saudação amiga, com um pensamento
particular para quantos não podem vir ao meu encontro. Venho como peregrino de Nossa
Senhora de Fátima, investido pelo Alto na missão de confirmar os meus irmãos que avançam na
sua peregrinação a caminho do Céu.
Logo aos alvores da nacionalidade, o povo português voltou-se para o Sucessor de Pedro
esperando na sua arbitragem para ver reconhecida a própria existência como Nação; mais tarde,
um meu Predecessor havia de honrar Portugal, na pessoa do seu Rei, com o título de fidelíssimo
(cf. Pio II, Bula Dum tuam, 25/I/1460), por altos e continuados serviços à causa do Evangelho.
Que depois, há 93 anos, o Céu se abrisse precisamente sobre Portugal – como uma janela de
esperança que Deus abre quando o homem lhe fecha a porta – para reatar, no seio da família
humana, os laços da solidariedade fraterna assente no mútuo reconhecimento de um só e mesmo
Pai, trata-se de um amoroso desígnio de Deus; não dependeu do Papa nem de qualquer outra
autoridade eclesial: «Não foi a Igreja que impôs Fátima – diria o Cardeal Manuel Cerejeira, de
veneranda memória –, mas Fátima que se impôs à Igreja».
Veio do Céu a Virgem Maria para nos recordar verdades do Evangelho que são para a
humanidade, fria de amor e desesperada de salvação, fonte de esperança. Naturalmente esta
esperança tem como dimensão primária e radical, não a relação horizontal, mas a vertical e
transcendente. A relação com Deus é constitutiva do ser humano: foi criado e ordenado para
Deus, procura a verdade na sua estrutura cognitiva, tende ao bem na esfera volitiva, é atraído
pela beleza na dimensão estética. A consciência é cristã na medida em que se abre à plenitude
da vida e da sabedoria, que temos em Jesus Cristo. A visita, que agora inicio sob o signo da
esperança, pretende ser uma proposta de sabedoria e de missão.
De uma visão sábia sobre a vida e sobre o mundo deriva o ordenamento justo da sociedade.
Situada na história, a Igreja está aberta a colaborar com quem não marginaliza nem privatiza a
essencial consideração do sentido humano da vida. Não se trata de um confronto ético entre um
sistema laico e um sistema religioso, mas de uma questão de sentido à qual se entrega a própria
liberdade. O que divide é o valor dado à problemática do sentido e a sua implicação na vida
pública. A viragem republicana, operada há cem anos em Portugal, abriu, na distinção entre
Igreja e Estado, um espaço novo de liberdade para a Igreja, que as duas Concordatas de 1940 e
2004 formalizariam, em contextos culturais e perspectivas eclesiais bem demarcados por rápida
mudança. Os sofrimentos causados pelas mutações foram enfrentados geralmente com coragem.
Viver na pluralidade de sistemas de valores e de quadros éticos exige uma viagem ao centro de
si mesmo e ao cerne do cristianismo para reforçar a qualidade do testemunho até à santidade,
inventar caminhos de missão até à radicalidade do martírio.
Queridos irmãos e amigos portugueses, agradeço-vos uma vez mais as calorosas boasvindas.
Deus abençoe a quantos aqui se encontram e todos os habitantes desta nobre e dilecta
Nação, que confio a Nossa Senhora de Fátima, imagem sublime do amor de Deus que a todos
abraça como filhos.

Visita do Santo Padre Bento XVI ao nosso país


BIOGRAFIA

O Cardeal Joseph Ratzinger, Papa Bento XVI, nasceu em Marktl am Inn, diocese de Passau (Alemanha), no dia 16 de Abril de 1927 (Sábado Santo), e foi baptizado no mesmo dia. O seu pai, comissário da polícia, provinha duma antiga família de agricultores da Baixa Baviera, de modestas condições económicas. A sua mãe era filha de artesãos de Rimsting, no lago de Chiem, e antes de casar trabalhara como cozinheira em vários hotéis.

Passou a sua infância e adolescência em Traunstein, uma pequena localidade perto da fronteira com a Áustria, a trinta quilómetros de Salisburgo. Foi neste ambiente, por ele próprio definido «mozarteano», que recebeu a sua formação cristã, humana e cultural.

O período da sua juventude não foi fácil. A fé e a educação da sua família prepararam-no para enfrentar a dura experiência daqueles tempos, em que o regime nazista mantinha um clima de grande hostilidade contra a Igreja Católica. O jovem Joseph viu os nazistas açoitarem o pároco antes da celebração da Santa Missa.

Precisamente nesta complexa situação, descobriu a beleza e a verdade da fé em Cristo; fundamental para ele foi a conduta da sua família, que sempre deu um claro testemunho de bondade e esperança, radicada numa conscienciosa pertença à Igreja.

Nos últimos meses da II Guerra Mundial, foi arrolado nos serviços auxiliares anti-aéreos.

Recebeu a Ordenação Sacerdotal em 29 de Junho de 1951.
Um ano depois, começou a sua actividade de professor na Escola Superior de Freising.

No ano de 1953, doutorou-se em teologia com a tese «Povo e Casa de Deus na doutrina da Igreja de Santo Agostinho». Passados quatro anos, sob a direcção do conhecido professor de teologia fundamental Gottlieb Söhngen, conseguiu a habilitação para a docência com uma dissertação sobre «A teologia da história em São Boaventura».

Depois de desempenhar o cargo de professor de teologia dogmática e fundamental na Escola Superior de Filosofia e Teologia de Freising, continuou a docência em Bonn, de 1959 a 1963; em Münster, de 1963 a 1966; e em Tubinga, de 1966 a 1969. A partir deste ano de 1969, passou a ser catedrático de dogmática e história do dogma na Universidade de Ratisbona, onde ocupou também o cargo de Vice-Reitor da Universidade.
De 1962 a 1965, prestou um notável contributo ao Concílio Vaticano II como «perito»; viera como consultor teológico do Cardeal Joseph Frings, Arcebispo de Colónia.

A sua intensa actividade científica levou-o a desempenhar importantes cargos ao serviço da Conferência Episcopal Alemã e na Comissão Teológica Internacional.

Em 25 de Março de 1977, o Papa Paulo VI nomeou-o Arcebispo de München e Freising. A 28 de Maio seguinte, recebeu a sagração episcopal. Foi o primeiro sacerdote diocesano, depois de oitenta anos, que assumiu o governo pastoral da grande arquidiocese bávara. Escolheu como lema episcopal: «Colaborador da verdade»; assim o explicou ele mesmo: «Parecia-me, por um lado, encontrar nele a ligação entre a tarefa anterior de professor e a minha nova missão; o que estava em jogo, e continua a estar – embora com modalidades diferentes –, é seguir a verdade, estar ao seu serviço. E, por outro, escolhi este lema porque, no mundo actual, omite-se quase totalmente o tema da verdade, parecendo algo demasiado grande para o homem; e, todavia, tudo se desmorona se falta a verdade».

Paulo VI criou-o Cardeal, do título presbiteral de “Santa Maria da Consolação no Tiburtino”, no Consistório de 27 de Junho desse mesmo ano.

Em 1978, participou no Conclave, celebrado de 25 a 26 de Agosto, que elegeu João Paulo I; este nomeou-o seu Enviado especial ao III Congresso Mariológico Internacional que teve lugar em Guayaquil (Equador) de 16 a 24 de Setembro. No mês de Outubro desse mesmo ano, participou também no Conclave que elegeu João Paulo II.

Foi Relator na V Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos realizada em 1980, que tinha como tema «Missão da família cristã no mundo contemporâneo», e Presidente Delegado da VI Assembleia Geral Ordinária, celebrada em 1983, sobre «A reconciliação e a penitência na missão da Igreja».

João Paulo II nomeou-o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e Presidente da Pontifícia Comissão Bíblica e da Comissão Teológica Internacional, em 25 de Novembro de 1981. No dia 15 de Fevereiro de 1982, renunciou ao governo pastoral da arquidiocese de München e Freising. O Papa elevou-o à Ordem dos Bispos, atribuindo-lhe a sede suburbicária de Velletri-Segni, em 5 de Abril de 1993.

Foi Presidente da Comissão encarregada da preparação do Catecismo da Igreja Católica, a qual, após seis anos de trabalho (1986-1992), apresentou ao Santo Padre o novo Catecismo.

A 6 de Novembro de 1998, o Santo Padre aprovou a eleição do Cardeal Ratzinger para Vice-Decano do Colégio Cardinalício, realizada pelos Cardeais da Ordem dos Bispos. E, no dia 30 de Novembro de 2002, aprovou a sua eleição para Decano; com este cargo, foi-lhe atribuída também a sede suburbicária de Óstia.

Em 1999, foi como Enviado especial do Papa às celebrações pelo XII centenário da criação da diocese de Paderborn, Alemanha, que tiveram lugar a 3 de Janeiro.

Desde 13 de Novembro de 2000, era Membro honorário da Academia Pontifícia das Ciências.

Na Cúria Romana, foi Membro do Conselho da Secretaria de Estado para as Relações com os Estados; das Congregações para as Igrejas Orientais, para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, para os Bispos, para a Evangelização dos Povos, para a Educação Católica, para o Clero, e para as Causas dos Santos; dos Conselhos Pontifícios para a Promoção da Unidade dos Cristãos, e para a Cultura; do Tribunal Supremo da Signatura Apostólica; e das Comissões Pontifícias para a América Latina, «Ecclesia Dei», para a Interpretação Autêntica do Código de Direito Canónico, e para a revisão do Código de Direito Canónico Oriental.

Entre as suas numerosas publicações, ocupam lugar de destaque o livro «Introdução ao Cristianismo», uma compilação de lições universitárias publicadas em 1968 sobre a profissão de fé apostólica, e o livro «Dogma e Revelação» (1973), uma antologia de ensaios, homilias e meditações, dedicadas à pastoral.

Grande ressonância teve a conferência que pronunciou perante a Academia Católica Bávara sobre o tema «Por que continuo ainda na Igreja?»; com a sua habitual clareza, afirmou então: «Só na Igreja é possível ser cristão, não ao lado da Igreja».

No decurso dos anos, continuou abundante a série das suas publicações, constituindo um ponto de referência para muitas pessoas, especialmente para os que queriam entrar em profundidade no estudo da teologia. Em 1985 publicou o livro-entrevista «Relatório sobre a Fé» e, em 1996, «O sal da terra». E, por ocasião do seu septuagésimo aniversário, publicou o livro «Na escola da verdade», onde aparecem ilustrados vários aspectos da sua personalidade e da sua obra por diversos autores.

Recebeu numerosos doutoramentos «honoris causa»: pelo College of St. Thomas em St. Paul (Minnesota, Estados Unidos), em 1984; pela Universidade Católica de Eichstätt, em 1987; pela Universidade Católica de Lima, em 1986; pela Universidade Católica de Lublin, em 1988; pela Universidade de Navarra (Pamplona, Espanha), em 1998; pela Livre Universidade Maria Santíssima Assunta (LUMSA, Roma), em 1999; pela Faculdade de Teologia da Universidade de Wroclaw (Polónia) no ano 2000.

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09 abril 2010

Encontro REDE FÉ E DESENVOLVIMENTO

Já lá vai um tempo sem novas notícias...
Uma coisa é certa: este grupo ainda não morreu, mas vai tentar continuar a "sujar os pés".

Com grande pena nossa, ninguém da Diocese e representativo dela vai estar presente no Encontro da REDE FÉ E DESENVOLVIMENTO.Mas penso que todos eles sabem que podem contar connosco para o que for preciso!

08 janeiro 2010

Presentes Solidários 2009


“A nossa meta era ultrapassar os 4195 presentes oferecidos o ano passado”, relatou à Agência ECCLESIA o coordenador da iniciativa, Emanuel Oliveira. “Tendo em conta os recursos e o trabalho que colocámos nesta campanha, é um óptimo resultado”, acrescentou.

As dificuldades económicas vividas no país parecem ter aumentado a generosidade dos portugueses: “Em ambiente de crise, as pessoas são mais sensíveis à fragilidade de quem tem menos”, constatou Emanuel Oliveira.

Os números finais da operação ainda não estão definidos, mas um dia após o encerramento da campanha sabe-se que o valor total das ofertas aproxima-se dos 60 mil euros.

O presente para a Guiné-Bissau foi o preferido por ser o mais acessível: “Angariámos mais de duas mil latas de leite em pó para as crianças dos centros de recuperação nutricional de Bafatá”, indicou aquele responsável.

“Há pessoas, paróquias e empresas que escolhem o presente de menor valor para poderem chegar a um maior número de amigos e colaboradores”, referiu o coordenador da iniciativa.

Os presentes são renovados todos os anos: “Pedimos aos nossos parceiros nos países lusófonos que nos sugiram hipóteses de ofertas, até porque as necessidades mudam ao longo do tempo”, explicou Emanuel Oliveira.

Em 2009, a Fundação Evangelização e Culturas proporcionou às empresas a possibilidade de oferecem macas para Moçambique. As duas companhias que optaram por esta oferta, no valor unitário de 260 euros, também aderiram aos presentes “normais”.

Uma surpresa para quem recebe e para quem oferece

Quando se compra um “Presente Solidário”, o dinheiro é entregue às instituições que trabalham nos países lusófonos; estas, por sua vez, farão a compra e a entrega dos bens a quem deles mais precisa. A pessoa que adquire a oferta recebe um postal relativo ao presente comprado, que poderá depois oferecer a quem desejar.

Um simples postal, é verdade, mas com um grande significado, não só para as populações que recebem os presentes, mas também para quem os oferece: “Recebemos testemunhos de pessoas que nunca tinham pensado na possibilidade de ter um gesto solidário no Natal”, disse Emanuel Oliveira.

“Aquilo que se procura, numa altura do ano em que praticamente todos acabamos por ser envolvidos numa onda consumista, é devolver o verdadeiro sentido do Natal”, acrescentou.

“Num tempo em que Deus nos visita e nos faz renascer, a iniciativa procura que os presentes ofereçam às comunidades a possibilidade de, também elas, nascerem de novo, através de bens simples e pequenos mas que podem fazer toda a diferença”, afirmou o coordenador da campanha. E concluiu: “Pode ser o Evangelho a realizar-se”.

Os projectos escolhidos vão ao encontro de áreas como a educação, a saúde e as infra-estruturas. São comprados em cada país, a fim de promover o comércio local e são adquiridos e entregues em colaboração estreita com sete parceiros no terreno: Irmãs Filhas d’África (Angola), Missionários Espiritanos (Cabo Verde), Diocese de Bafatá (Guiné-Bissau), Missionários de São João Baptista (Moçambique), Missionários da Consolata (Brasil), GAS Porto - ISMAIK (Timor-Leste) e Associação Navegar (São Tomé e Príncipe).


in agência ecclesia

17 outubro 2009

ORAÇÃO MISSIONÁRIA


Espírito Santo,
que desceste sobre os Apóstolos
e os fizeste anunciadores do Evangelho:

derrama os teus dons sobre cada um de nós
e torna-nos sensíveis aos apelos
e às necessidades dos nossos irmãos;

desperta em muitos corações
(crianças, jovens e adultos...)
o ideal missionário;

dá força e coragem a todos quantos
se entregaram totalmente
ao serviço da MISSÃO.

Amen

Descobrindo Missionários na Diocese da Guarda... (2)

MISSIONÁRIOS DO VERBO DIVINO
COMUNIDADE DE TORTOSENDO

Casa-mãe

Tortosendo é a casa-mãe dos Missionários do Verbo Divino (SVD) em Portugal. Em 12 de Janeiro de 1949, o bispo da Guarda, D. José Alves Matoso (1914-1952) comunicou a erecção da nova “Escola Apostólica” ao Governo Civil de Castelo Branco. Fica situado na freguesia de Tortosendo, concelho da Covilhã e distrito de Castelo Branco, bem no coração da chamada Cova da Beira. É o único seminário missionário da diocese da Guarda. Conheceu diversas fases ao longo dos 57 anos da sua história.

Seminário menor

Pensado como seminário menor, em 14 de Novembro de 1949 abriu solenemente o 1º ano lectivo com uma turma de 40 alunos. Assim começou uma bem sucedida actividade lectiva que durou ininterruptamente até 1986. O número dos alunos cresceu ininterruptamente durante largos anos chegar a ultrapassar a centena e meia. Pedagogicamente, o ponto alto terá sido atingido, na década de 80, época em que a escola, com o nome de Seminário Liceal do Verbo Divino, recebeu do Ministério da Educação alvará de estabelecimento de ensino particular e lhe foi concedido paralelismo pedagógico pela inspecção geral do ensino particular.
A partir de 1986, devido à criação de numerosas escolas preparatórias, correspondentes aos actuais 5º e 6º anos, e com a decisão de apenas admitir alunos do 7º ano em diante, a frequência diminuiu acentuadamente e os alunos passaram a frequentar as aulas no Externato de Nossa Senhora dos Remédios. Pôs-se assim um ponto final na actividade lectiva embora se tivesse mantido o internato. Ainda que não tenha cessado oficialmente nem como escola nem como internato, o Seminário deixou de ter quaisquer alunos internos a partir de 2002.

Os jovens que queiram fazer a sua caminhada e discernimento vocacional são acompanhados nas suas famílias, através do Pré-Seminário, e encontram-se periodicamente no Seminário.

Serviços

Hoje a casa encontra-se adaptada para novas situações e passou a oferecer outros serviços. Dispõe de uma diversidade de espaços para diferentes tipos de encontros, assim como da capacidade de acolhimento em quartos confortáveis para pessoas ou grupos que queiram simplesmente pernoitar.

Para contactar
Seminário Missionário do Verbo Divino - Tortosendo

Apartado 22

6201-908

Telefone: 275 951 135

svd.tortosendo@verbodivino.pt


www.verbodivino.pt


Para Saber um pouco mais


A nossa comunidade

Somos uma comunidade religiosa e missionária de leigos e clérigos. Provenientes de diversos países e culturas, reunimo-nos em comunidade para para levarmos a todos a Boa Nova do amor de Deus. Vivendo em comunidades internacionais e multiculturais, damos testemunho da universalidade da Igreja e da fraternidade.


A nossa vocação
Seguimos o Senhor pela via dos conselhos evangélicos e vinculamo-nos à Sua Pessoa e ao Seu serviço pelos votos de castidade consagrada, pobreza evangélica e obediência apostólica.

Estamos dispostos a ir onde quer que a Igreja nos envie, mesmo que para isso tenhamos de renunciar ao nosso país, língua e cultura. Esta disponibilidade é a característica essencial da nossa vocação missionária.


A nossa missão
Ao assumirmos qualquer tarefa missionária, damos preferência às situações de maior necessidade. A exemplo de Jesus Cristo, dedicamo-nos sobretudo aos pobres e marginalizados.

Trabalhamos, em primeiro lugar e de preferência, onde o Evangelho ainda não foi anunciado ou o foi de forma insuficiente e onde a Igreja local não pode valer-se a si mesma.

Abertos e respeitadores da tradições religiosas e culturais dos povos aos quais somos enviados, procuramos o diálogo com todos e levamos-lhes a Boa Nova do amor de Deus.

16 outubro 2009

Descobrindo Missionários na Diocese da Guarda... (1)

MISSIONÁRIOS DO ESPÍRITO SANTO
COMUNIDADE DO FUNDÃO

Em 1978 duas benfeitoras missionárias doaram à Congregação esta casa com a finalidade de servir de centro de irradiação missionária. Trata-se das irmãs Maria Florência e Maria de Lurdes Tavares Monteiro.

Foi então aberto um centro de animação missionária para as dioceses da Guarda, Portalege e Castelo Branco.

A presença da Congregação na diocese da Guarda remonta a Novembro de 1931, quando D. Maria de Lurdes Mendonça emprestou uma sua casa na Guarda-gare para ser seminário que abriu como tal em Outubro de 1932 e se manteve em funcionamento até 1940.

Para Contactar
Missionários do Espírito Santo
Rua José Germano da Cunha, 39
6230 FUNDÃO
Tel. 275 753 516

Para saber mais
www.espiritanos.org

Missionários Espiritanos em Portugal
desde 1867

A primeira comunidade da Congregação em Portugal é inaugurada, em Santarém, a 3 de Novembro de 1867. É formada por dois Padres e dois estudantes franceses. Com esta casa pretendia-se a formação de missionários para Angola. Por vários motivos, abandona-se o seminário de Santarém e assume-se uma nova obra em Gibraltar. Em 1872, por não corresponder aos seus objectivos, abandona-se o Colégio de Gibraltar e funda-se uma nova comunidade em Braga. Aos poucos a Província vai-se desenvolvendo e novas comunidades surgem: Sintra, Lisboa, Ponta Delgada. Só em 1901 é que a Congregação é oficialmente aprovada em Portugal, com sede em Lisboa.

Em 1910, com a proclamação da República, dá-se a supressão e expropriação dos bens de todas as Congregações religiosas. Todas as nossas casas foram espoliadas, excepto a da Procuradoria das Missões, em Lisboa. Muitos procuram refúgio em Zamora, onde se abre uma escola apostólica.

Em 1919, o P. Moisés Alves de Pinho é nomeado Provincial de Portugal e encarregado de restaurar a Província Portuguesa. Esta magnífica obra de restauração terá Braga como ponto de partida. A 2 de Fevereiro de 1921, é erecta canonicamente a Província de Portugal.

Será uma fase de progressiva expansão e de surgimento de novas vocações e comunidades: Viana do Castelo, Régua, Porto, Silva (Barcelos), Coimbra, Torre d'Aguilha (S. Domingos de Rana)...

Fruto do desenvolvimento da Província Portuguesa e do trabalho de vários Padres e Irmãos de Portugal surgirá, em 1969, a Província de Espanha. Alguns anos mais tarde, 1982, é fundado no Brasil o distrito de Brasil Sudeste, formado por confrades de origem portuguesa.

15 outubro 2009

Carta aos Párocos da Diocese da Guarda

Após as Jornadas Missionárias de 2009, o SDM está agora pronto para se empenhar no novo ano pastoral missionário na nossa Diocese da Guarda. Em anexo vão as conclusões das JM 2009, das quais destaco agora uma delas: « 3. Pedir às Dioceses, Paróquias e Movimentos que intensifiquem a vivência do “Outubro Missionário”, aproveitem mais o “Curso de Missiologia” organizado pelos IMAG para a formação de evangelizadores e promovam semanas missionárias para o crescimento da consciência de todo o Povo de Deus».

Todas as paróquias já receberam o “Guião Outubro Missionário”, mas anexo mais um exemplar e se desejar mais algum para o seu trabalho pastoral ao longo deste mês de Outubro poderá requisitá-lo junto do SDM. Relembro que este guião é uma preciosa ajuda para reflectir semana a semana nos vários grupos da(s) sua(s) comunidade(s); possui comentários à Palavra de Deus lida e proclama durante o mês de Outubro aos Domingos; algumas propostas para celebrações da Vigília Missionária, do Rosário e da Via-Sacra; uma prece diária para cada dia do mês; e alguns documentos de leitura e meditação.

Também serão enviados alguns exemplares da Mensagem do Santo Padre para o Dia Mundial das Missões sob o título “As nações caminharão à sua luz” (Ap 21, 24) esmiuçada em quatro pontos: 1. Todos os Povos são chamados à salvação, 2. Igreja Peregrina, 3. Missão Ad Gentes e 4.Chamados a evangelizar também por meio do martírio. A estes dois documentos junto também o cartaz e relembro que o dia 18 de OUTUBRO é Dia Mundial das Missões.

Despertar a consciência missionária continua a ser o nosso objectivo geral. O Programa Pastoral para 2009/2010 está a ser elaborado e por isso não está no Plano Geral da Diocese, uma vez que este Secretariado só o realiza após as Jornadas Missionárias (que acontecem todos os anos em Setembro).
Relembro os párocos do pedido feito com alguma insistência ao longo do ano passado: enviar a este Secretariado os nomes e direcções de missionários e missionárias oriundos das paróquias que lhe estão confiadas. No passado ano só um pároco respondeu ao apelo lançado.

Finalmente, e não menos importante, o Guard’África (voluntariado missionário da Diocese) está a dar início à Formação de “missionários”. As condições começam a modificar-se um pouco, por isso peço aos meus estimados colegas que se souberem de alguém que queira fazer parte deste projecto entre em contacto connosco até ao fim do mês de Outubro. (www.guardafrica.blogspot.com / guardafrica@gmail.com )
Grato pela atenção prestada, “estamos juntos”!

Guarda, 29 de Setembro de 2009, Festa dos Arcanjo S. Miguel, S. Rafael e S. Gabriel


O Director Diocesano do SDM
Pe Ângelo Miguel Nabais Martins

08 outubro 2009

Horrores da África no Sínodo


Em um ambiente agradável, ressoam denúncias estremecedoras

Por Jesús Colina
CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 7 de outubro de 2009 (ZENIT.org).- Horrores da África, como o tráfico de pessoas, o abuso das multinacionais e ONGs e inclusive o drama das jovens que, ao sair das congregações religiosas, caem na prostituição, estão comovendo a Sala do Sínodo, que reúne bispos do continente.
O ambiente de fraternidade e de bom humor africano colide brutalmente, às vezes, com a dureza das situações que esta cúpula episcopal tem de enfrentar; dela participa Bento XVI, com toda a assiduidade que suas responsabilidades lhe permitem.
Para respeitar a liberdade do debate entre os bispos, quando se trata de intervenções espontâneas, é revelado aos jornalistas o conteúdo da intervenção, mas não o nome do padre sinodal. Desta forma, seu nome a proposta não acabam nos jornais no dia seguinte, comprometendo a confidencialidade ou liberdade da discussão.
Dom Joseph Bato'ora Ballong Wen Mewuda, porta-voz do sínodo para a língua francesa, revelou algumas das denúncias e horrores manifestados pelos 23 padres sinodais que tomaram a palavra no livre intercâmbio da terça-feira à tarde, momento do qual o Papa não pôde participar, pois precisava preparar sua catequese da audiência geral de hoje.

Preocupação pelos jovens
Nesta sessão, o tema mais abordado foi o da situação dos jovens africanos, pois os prelados percebem que a Igreja tem de refletir muito mais sobre a forma de aproximar-se deles. Com muita frequência, denunciou-se, são vítimas das seitas fundamentalistas.
Constatou-se, ao mesmo tempo, que para os bispos é praticamente impossível deter o êxodo de jovens africanos que buscam uma vida melhor no estrangeiro, em particular no Ocidente.
Diante desta situação, consideram que pelo menos podem prepará-los para enfrentar, com a migração, outras culturas e mentalidades, assim como formá-los na doutrina social da Igreja. Nem tudo é negativo, reconheceram os prelados, pois alguns desses jovens descobrem ou redescobrem sua fé nos países de acolhida.

Da vida religiosa à prostituição
Um dos prelados denunciou a situação de jovens católicas africanas que, movidas por uma curiosidade vocacional pela vida religiosa, vão à Europa para discernir seu futuro no seio de algum mosteiro ou comunidade religiosa.
Houve um caso, denunciado por um dos padres sinodais, em que uma jovem não se integrou à vida religiosa, abandonando a comunidade e ficando por conta própria em algum país europeu desconhecido, caindo depois nas redes da prostituição.
Por este motivo, explicou-se na sala, na República Democrática do Congo, a Conferência Episcopal estabeleceu que as jovens que queiram entrar em alguma comunidade religiosa só poderão fazê-lo se tal comunidade contar com uma presença e comunidade neste país.
Desta maneira, sempre se manterá um contato com a realidade do próprio país, no caso de que a jovem não continue na vida religiosa. Em outros países da África, os bispos aconselham esta prática, ainda que não a tenham assumido como obrigatória.
De qualquer forma, quando uma jovem viaja para a Europa para entrar em uma comunidade religiosa, dá-se um processo de permissões da autoridade eclesiástica para evitar, na medida do possível, esse tipo de problemas.

Organizações não muito humanitárias
Outro dos bispos denunciou que algumas ONGs, tão admiradas no Ocidente, na verdade se convertem em máscaras de agendas escondidas ou inclusive secretas.
Estão invadindo o continente africano com o pretexto de oferecer ajuda humanitária, mas na verdade o que procuram é promover ideologias, afirmou-se.
Dom Ballong Wen Mewuda explicou que os bispos não foram explícitos na hora de desmascarar estas ideologias, mas considerou que poderiam referir-se às ONGs que buscam promover a "saúde reprodutiva" (aborto) ou que são coberturas das seitas.
Neste sentido, um padre sinodal fez referência a um artigo publicado pela revista Jeune Afrique, no qual se revela que existem gurus de seitas que se convertem em conselheiros políticos ou inclusive presidentes e que contribuíram para a adoção de decisões nefastas.

Multinacionais exploradoras
Vários bispos - pelo menos quatro - pediram também que o sínodo levante a voz contra os abusos de multinacionais presentes na África que exploram de forma abusiva os recursos minerais, os bosques e contaminam a água, provocando danos graves nas populações locais.
Em algumas regiões às quais estas empresas chegaram, exploram os recursos, mas não fazem nada por criar escolas, hospitais ou água potável, constatou-se.
Os padres sinodais pediram que se denunciasse não somente estas multinacionais, mas também os políticos locais, que permitiram sua implantação ou a atraíram sem levar em consideração os danos que os africanos sofrem agora por causa disso.
Denunciaram também a crescente invasão da China, que está construindo estradas e obras públicas em numerosos Estados africanos em troca de requeridas matérias-primas, com equipes chinesas que vivem praticamente em condições de escravidão.

Bom humor
Como acontece com frequência na África, todos estes dramas não eliminam a esperança dos bispos nem seu bom humor.
Os presidentes delegados da assembleia, em particular o cardeal Francis Arinze, prefeito emérito da Congregação para o Culto Divino, e o cardeal Wilfrid Fox Napier, O.F.M., arcebispo de Durban (África do Sul), costumam arrancar risadas dos presentes, com seus comentários de transição antes de dar a palavra a algum bispo.
Quando um bispo é breve e acaba sua intervenção antes do tempo designado, é acolhido por um sonoro aplauso, que não só é um prémio, mas também um incentivo para que o seguinte também seja o mais breve possível.
Ocorrem divertidas cenas da vida quotidiana, como, por exemplo, quando se pediu que o bispo que perdeu seu solidéu ou a faixa passasse para pegá-los na secretaria.
O Papa sorri nestas ocasiões e, respeitando a metodologia do sínodo, só intervém para oferecer sua primeira meditação sem papéis e para uma saudação espontânea de despedida no final das sessões.


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Publicada por Secção portuguesa da Rede cristã AEFJN em AEFJNPORTUGAL a 10/08/2009 01:54:00 AM

06 outubro 2009

D. António Couto - Por uma Igreja Missionária

Em entrevista à Agência Ecclesia o Presidente da Comissão Episcopal das Missões do nosso país faz uma reflexão acerca do estado missionário em Portugal.

Agência ECCLESIA (AE) – Depois do Congresso Missionário de 2008, qual foi a dinâmica que se criou na Igreja portuguesa a partir desse encontro?

D. António Couto (AC) – Duas dinâmicas saíram do Congresso: uma prática e imediata, e outra de fundo, a requerer estudo, e, portanto, a médio prazo.

A primeira nasce no seio do próprio Congresso, entre os participantes, e naquilo que cada um levou consigo. Quem participou no Congresso levou consigo naturalmente algumas motivações e provocações. Estiveram presentes bispos, sacerdotes e leigos, estes em maior número. E talvez seja no sector dos leigos que se esteja a operar, já de há uns tempos a esta parte, e no bom sentido, a maior viragem.

A segunda, que ficou assinalada nas conclusões do Congresso, foi a solicitação à Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) da elaboração de um documento-base para a missão em Portugal.

Esse pedido foi considerado no plenário da CEP, em Novembro de 2008, logo após a realização do Congresso. A CEP aceitou o pedido por unanimidade e incumbiu a Comissão Episcopal das Missões da elaboração do referido documento.

A Comissão Episcopal das Missões e o Conselho Nacional das Missões acordaram as linhas fundamentais desse documento, que já recebeu duas redacções, e está actualmente em apreciação por todos os envolvidos. Na próxima Assembleia Plenária da CEP, marcada para Novembro, o documento poderá ser apresentado para discussão.

Este documento, acredito, poderá criar novas dinâmicas na Igreja em Portugal, em especial no âmbito das dioceses e paróquias, mas também nos Institutos Missionários e de todos quantos vivem o problema missionário. Esta dinâmica tem de chegar às paróquias. Como disse muito bem João Paulo II, as paróquias são a Igreja no meio dos seus filhos e das suas filhas, e é lá, nesse humaníssimo chão, que se podem estabeler relações novas, próximas e acolhedoras.

AE - A Igreja está à espera deste documento para criar um novo dinamismo? O envolvimento pessoal não correspondeu às expectativas criadas?

AC - Houve o envolvimento possível. Do Congresso Missionário não saiu nenhuma organização concreta. Saíram desafios que podem estimular as organizações que já existiam, e que podem eventualmente gerar novas dinâmicas. As organizações já existentes passam pelo voluntariado, que cada vez contagia mais jovens, sobretudo nos meios universitários, e também pelos grupos que andam associados aos diferentes Institutos missionários. Estes dinamismos já existiam, portanto. O que desejamos é que a dinâmica missionária chegue a mais gente, atingindo também o coração das Dioceses e Paróquias.

No que diz respeito ao documento, é preciso ter a noção realista de que leva o seu tempo de discussão, análise e elaboração. Acredito que poderá ajudar a dinamizar a Igreja, aos seus diversos níveis, não deixando ninguém indiferente.

Intuições de S. Paulo para a missão hoje

AE - Na intervenção nas Jornadas Missionárias, D. António Couto focou as grandes intuições da missão em São Paulo. Que intuições são essas, e, sobretudo, de que forma se podem reflectir na Igreja contemporânea?

AC - A primeira intuição paulina é a pessoa de Cristo. S. Paulo indica que Cristo é o fundamento e mostra que devemos estar a tempo inteiro tomados por Cristo, com ele ocupados, por ele conduzidos. Só assim, vivendo de Cristo, com Cristo e para Cristo, o podemos levar às pessoas. Esta é a intuição de fundo, que resulta da própria experiência de S. Paulo. Não podemos fazer missão cristã, esquecendo Cristo.

A segunda intuição refere-se à metodologia da missão. Se eu vivo de Cristo e se Cristo é a minha vida, impõe-se então que eu leve Cristo aos meus irmãos. Que metodologia usar? No tempo de Paulo havia, na bacia do Mediterrâneo, uma forte missionação por parte do judaísmo, mas também por parte dos pregadores dos diferentes deuses pagãos. Usavam uma metodologia assente numa retórica altissonante, além de os mover o lucro e o sucesso. Ao contrário, S. Paulo apresenta-se com uma metodologia muito simples, maternal, paternal, personalizada e a tempo inteiro. Não foi, portanto, com retórica que São Paulo levou Cristo às pessoas, mas debruçando-se sobre elas com carinho, com uma atenção personalizada e a tempo inteiro.

Da segunda intuição desdobra-se naturalmente a terceira. Com a metodologia personalizada e dedicada atrás apresentada, S. Paulo não conseguia chegar ao coração de muita gente. S. Paulo percebeu assim que precisava de muitos e bons cooperadores. S. Paulo não mudou de metodologia, mas rodeou-se de uma vasta rede de cooperadores. É a terceira grande intuição.

Estas duas linhas metodológicas de S. Paulo são geniais, e constituem ainda hoje desafios actualíssimos para a nossa Igreja. Se a Igreja de hoje as adoptar, encontrará uma verdadeira mina de ouro.

A quarta intuição paulina são as cidades. No tempo de Paulo o mundo greco-romano tinha grandes cidades e grandes estradas. O sonho de Paulo era chegar a Roma o quanto antes, para chegar ao coração do mundo. S. Paulo queria chegar ao local onde nasce o mundo cultural, social, humano, tal como acontece hoje. Quando um dia entrou na famosa via Egnatia, à saída do porto de Neápolis, antes de chegar a Filipos, Paulo começou a ver Roma no horizonte. Seguiria, com seguiu para Tessalónica. Daí seguiria para Dirráquio, na costa Adriática. Atravessava o mar Adriático de barco e desembarcava em Brundísium. Seguia então a via Ápia até Roma. Mas, estando em Tessalónica, quis o Espírito que descesse à Acaia, permanecendo algum tempo em Corinto. Paulo sabia que, evangelizando o coração do mundo, que bate nas cidades, evangelizava o mundo.

É olhando maravilhado para este “Paulo de Cristo”, que o Papa Paulo VI, em 1975, na Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi, aponta Paulo como “modelo de cada evangelizador”. E para redigir a Evangelii Nuntiandi, a primeira grande Encíclica missionária depois do Concílio, a dez anos do Concílio, Paulo VI teve de citar mais de 100 vezes as Cartas de S. Paulo. A 25 anos do Concílio, em 1990, João Paulo II publica outra grande Encíclica missionária, a Redemptoris Missio. E também não o consegue fazer sem citar mais de 30 vezes as Cartas de S. Paulo, além de se referir muitas outras vezes à Evangelii Nuntiandi, que já citava muitíssimas vezes S. Paulo. Por último, também Bento XVI, na Mensagem para o Dia Mundial de Oração pelas Vocações de 2008, consagrou Paulo como “o maior missionário de todos os tempos”.

AE - Fazendo um retrato da Igreja em Portugal, como é que ela se situa nessas prioridades?

AC – A Igreja em Portugal ainda não se sente afectada, no seu todo, por estas linhas de rumo. Porém, alguma coisa se vai fazendo aqui e ali, iniciativas esporádicas. Mas acredito que vai chegar o tempo da graça para todos, em que todos viveremos a alegria de sermos evangelizadores. E haverá lugar para todos. É mesmo necessária uma rede de verdadeiros evangelizadores. Acredito que a missão há-de vir a fazer parte, como primeira prioridade, dos programas pastorais das nossas Dioceses e Paróquias.

Parece-me que temos ficado muitas vezes de braços cruzados, vendo o nosso mundo a deslizar tranquilamente para o paganismo. Se a nossa paixão é Cristo, como sucedia com Paulo, não podemos permanecer mais nessa atitude. Temos de anunciar Cristo com génio, paixão e coração. Não podemos sequer contentar-nos em fazer o que podemos. Temos de nos gastar e ser gastos, dando a vida por esta causa. Experimentaremos então, como refere João Paulo II, que a fé se fortalece, dando-a.

AE - Sobre a inteira ocupação de Cristo, a primeira intuição?

AC - Esse é o problema de fundo. Quem vive de Cristo e foi encontrado por Cristo, não pode guardá-lo para si. Tem de o anunciar. E é com alegria que tenho de dizer que muitas pessoas que sentem esta necessidade e este amor. Mas temos de aumentar esta fogueira.

Pois é igualmente verdade que muitos dos que se dizem cristãos de há muito vivem à margem de Cristo, deixando de se relacionar pessoalmente com Cristo. As solicitações deste tempo levam as crianças, os jovens e os pais para outras paragens. Não podemos continuar a lançar sobre eles a culpa, como se eles fossem os maus e nós os bons. Se acreditamos em quem acreditamos, então talvez compreendamos que a culpa impende sobre nós, que não soubemos, à imagem do Bom Pastor, ir à procura deles com amor e total dedicação.

AE - Esse contacto vital centra-se em quê?

AC – Não em quê, mas em quem. Em Cristo, obviamente. Numa relação pessoal com Cristo vivo, hoje. Não numa mera visão histórica do que se passou há dois mil anos. É o Senhor Ressuscitado, vivo e presente para sempre no meio de nós, que temos de levar às pessoas. Saiba-o ou não, é de Cristo que as pessoas necessitam verdadeiramente. É preciso abrir espaços na nossa vida, para que Cristo possa entrar em nossa casa.

Este encontro pessoal é fundamental. Só depois começam as perguntas e as respostas, os relatos da nossa vida iluminada por Cristo. É o tempo de uma mais aprofundada relação e formação.

Estudar a Missão

AE – Qual a importância das Jornadas Missionárias?

AC - As Jornadas, organizadas anualmente, são um ponto de encontro e um ponto de partida. Uma verdadeira plataforma de múltiplos encontros que atinge pessoas envolvidas no trabalho missionário, dentro e fora de Portugal, mas que acolhe também muitos que chegam pela primeira vez. Uns trazidos por amigos, outros para ver o que é e como é, outros porque, sabendo-o ou não, Deus os enviou para cá. É um belo tempo de encontros e partilhas. Só por isto, já seria importante a sua realização. Mas há também desafios e provocações, sementes que são lançadas, não para o ar, mas para o coração das pessoas. É a oração, a música, a reflexão feita, que hão-de deixar novos dinamismos em quem vem.

AE - É possível ser missionário sem se sair de casa?

AC – Sim, é possível. Basta ter um coração aberto ao mundo e amar. Santa Teresinha do Menino Jesus foi proclamada padroeira das missões, e nunca saiu do convento. Mas tinha um coração à dimensão de Deus e de todos os irmãos do mundo. Escreveu: “No coração da Igreja, minha mãe, eu serei o amor”. Escreveu em papel e na vida.

Um missionário não se mede pelas inúmeras viagens que possa fazer. Um cristão que não esteja em comunhão com as pessoas do mundo e apenas se preocupe com a sua paróquia, obviamente vive na cadeia. É preciso viajar também por dentro. Fazer viagens intransitivas, rasgar avenidas no próprio coração.

Depois, não há dicotomia entre ser cristão e ser missionário. Às vezes somos levados pensar que somos muitos cristãos, mas que há poucos missionários, porque pensamos que são duas coisas diferentes. Ora, temos de tomar consciência de que não duas vocações: primeira e fundamental, a vocação cristã, a que se pode vir, porventura, um dia a acrescentar a missionária. Trata-se de uma visão incorrecta, embora muito difundida. Na verdade, há apenas uma única vocação, pois ser cristão e ser missionário é a mesma coisa.

AE - A missão era entendida como ir para outros Continentes, mas cada vez se fala mais de uma missão na Europa…

AC – Durante muito tempo, passou-se a ideia os missionários eram os que deixavam a sua terra e partiam para outras paragens. A missão era levada a cabo por especialistas, uma espécie de super-homens, que integravam Institutos Missionários. Nesse tempo, a Igreja local, a diocese e a paróquia, mal conhecia, mal via os missionários, e pensava que a missão era só para essa espécie de super-homens. Não era tarefa da Igreja local e do cristão comum. A Igreja local e o cristão comum, quando muito, contribuíam com a sua esmola, no Dia Missionário Mundial, para apoiar os missionários lá longe.

O II Concílio do Vaticano alterou em muito esta concepção, fazendo ver que o sujeito primeiro da missão é a Igreja local ou particular. Entenda-se: somos missionários e todos somos responsáveis pela missão. A mudança veio dizer que a missão não é obra de especialistas, mas que a diocese e a paróquia são missionárias. E que todos os cristãos, por motivo do seu baptismo, são igualmente missionários. É óbvio que, se espaço da Diocese e da Paróquia, há missionários por toda a vida, de doação radical e total, então é toda a Diocese e Paróquia que serão também enriquecidas com esse dom. Mas esse dom está integrado na Igreja local, e não à margem dela.

É assim que cada Igreja local ou particular se torna sujeito primeiro da missionação. Missão inadiável e não delegável.

01 outubro 2009

Dia 1 de Outubro, DIa de Santa Teresinha do Menino Jesus, PADROEIRA DAS MISSÕES


A santa das rosas

Por que Santa Teresinha é conhecida mundialmente como "A Santa das Rosas"?

No dia 11 de março de 1873, não sabendo mais o que fazer para curar sua pequena Thérése de uma atroz gastroenterite, Zélie Martin resolveu ir a Sémaillé, um vilarejo próximo a Alençon, à procura de uma senhora chamada Rose Taillé para ser a ama-de-leite de sua caçula.

Assim, de 16 de março de 1873 a 2 de abril de 1874, Teresa viveu nesse lugar onde os habitantes tinham um belo costume: presentearem-se, por qualquer motivo, com flores. É provável que a precoce convivência com esses odores tenha acendido em nossa santa uma paixão que jamais a abandonará: as flores, especialmente as rosas.

Sentia-se feliz quando podia lançar pétalas de rosas para o alto quando passava o ostensório com o Santíssimo Sacramento. Madre Inês, sua irmã de sangue, relata que, no dia 14 de setembro de 1897, Teresinha ganhou uma rosa e a desfolhou sobre o crucifixo de forma muito carinhosa. Algumas pétalas caíram no chão da enfermaria. Muito seriamente, a santa teria afirmado: "Ajuntai bem estas pétalas, minhas irmãzinhas, elas vos servirão a dar alegrias, mais tarde... Não percam nenhuma..."

Seu prazer era atirar flores no grande crucifixo do pátio do Carmelo. Gostava de cobrir o seu crucifixo de rosas de forma muito cuidadosa, afastando as pétalas murchas. No entanto, não lançava flores em ninguém. Madre Inês conta que certa vez colocou-lhe rosas nas mãos, pedindo-lhe que as atirasse em alguém, como sinal de afeto. A santa recusou-se a fazê-lo. Ela só desfolhava e lançava rosas para seu amado Jesus.

Santa Teresinha aproveita a imagem da rosa para explicar um elemento importante de sua "Pequena Via": "Compreendi que o brilho da rosa... não tira o perfume da pequena violeta... Compreendi que, se todas as florzinhas quisessem ser rosas, a natureza perderia seu enfeite primaveril..." Por isso, ela conclui, Deus criou " os grandes santos que podem ser comparados.... às rosas". No jardim da vida há lugar para as humildes flores, as frágeis violetas, que não possuem o vigor e o perfume das rosas, mas mesmo assim enfeitam o mundo. As rosas são os gigantes da fé. As violetas são as almas pequenas que trilham o pequeno caminho.

Quem tanto amava as rosas, vai prometer, quase ao fim da vida, que fará chover rosas sobre o mundo. Com esta promessa estava se prontificando a interceder pela humanidade junto a Deus. Haveria de conseguir muitas graças e bênçãos junto ao Pai. Após sua morte os milagres irão se multiplicar. Ela prometeu continuar sua missão no céu, trabalhando para o bem das almas e não frustrou os que confiam em sua oração. Ainda hoje são muitos os relatos de curas, milagres e conversões realizados por intermédio da humilde carmelita.

20 setembro 2009

CONCLUSÕES DAS JORNADAS MISSIONÁRIAS 2009

Iluminados e iluminadas pelo Congresso Missionário Nacional e por todas as realizações do Ano Paulino, reuniram-se em Fátima, nos dias 18 a 20 Setembro, 450 pessoas oriundas de quase todas as dioceses, institutos missionários e movimentos de Portugal, para celebrar as Jornadas Missionárias e estudar «São Paulo e a paixão pela missão». Ai de mim se não evangelizar.

O maior missionário de todos os tempos, Paulo de Cristo, convida a deixarmo-nos conquistar pelo Ressuscitado e a viver a paixão de anunciar o Evangelho, com entusiasmo mas também com espírito de sofrimento. Paulo adoptou uma metodologia paternal-maternal, personalizada e afectiva na sua acção missionária a tempo inteiro, criou uma rede de bons cooperadores para chegar ao maior número possível de pessoas que andavam à procura de uma resposta aos seus anseios mais profundos, e deu prioridade às cidades.

Numa época como a nossa, caracterizada como pós-cristã, a Igreja é chamada a evangelizar e a criar espaços de relações comunitárias, remédio para o individualismo, e onde se ritualiza e sacraliza a vida do dia a dia. O cristão não deve temer a manifestação pública da sua fé num ambiente de laicismo militante.

A missão de hoje passa pelo diálogo com quatro interlocutores: as pessoas que não pertencem a nenhuma comunidade crente e as que buscam a fé, os pobres e os marginalizados, as pessoas de outras culturas, e os membros de outras tradições religiosas e de ideologias seculares. Já começou a desenhar-se um novo rosto da missão, diferente do passado tipicamente europeu e clerical. Este novo rosto assume três características predominantes: laical, feminino e multicultural.

Por isso, nós participantes nestas Jornadas Missionárias decidimos:

1. Agradecer à Comissão Episcopal das Missões o empenho com que está a preparar o documento sobre a missão pedido pelo Congresso Missionário de 2008;
2. Apoiar a criação do Observatório da Missão como instância que acompanha tudo o que diz respeito à realidade da missão;
3. Pedir às Dioceses, Paróquias e Movimentos que intensifiquem a vivência do “Outubro Missionário”, aproveitem mais o “Curso de Missiologia” organizado pelos IMAG para a formação de evangelizadores e promovam semanas missionárias para o crescimento da consciência de todo o Povo de Deus;
4. A “Missão 2010” e o Congresso Missionário da Diocese do Porto são exemplos a seguir para um maior compromisso evangelizador;
5. Destacar as numerosas iniciativas de convocação, acompanhamento e envio de leigos, sobretudo jovens, para os ambientes pobres e ao encontro de outras culturas, como meio de promover a missão e o compromisso dos jovens com um mundo de fraternidade e paz;
6. Exortar as famílias, paróquias e dioceses a apoiar as vocações missionárias de leigos, padres, religiosos(as)
. Missão é dar-se: partir, permanecer e pertencer. Mesmo onde faltam ministros, “a missão ad gentes deve ser a prioridade dos planos pastorais” (Bento XVI, Mensagem para o Dia Mundial das Missões 2009, n. 4);

As próximas Jornadas Missionárias acontecerão aqui em Fátima nos dias 17, 18 e 19 de Setembro de 2010.


Fátima, 20 de Setembro de 2009
Os participantes