23 fevereiro 2009

INTENÇÃO MISSIONÁRIA DE MARÇO 2009


Para que os Bispos, os presbíteros, as pessoas consagradas e os fiéis leigos da Igreja Católica na República Popular da China, à luz da carta que lhes foi endereçada pelo Papa Bento XVI, comprometam-se a ser sinal e instrumento de unidade, de comunhão e de paz.

INTENÇÃO MISSIONÁRIA DE FEVEREIRO 2009


Para que a Igreja na África encontre vias e meios adequados para promover, de modo eficaz, a reconciliação, a justiça e a paz, segundo as indicações da 2ª Assembléia Especial para a África do Sínodo dos Bispos.

08 janeiro 2009

INTENÇÃO MISSIONÁRIA DE JANEIRO 2009


Para que as diversas confissões cristãs, conscientes da necessidade de uma nova evangelização nesta época de profundas transformações, comprometam-se em anunciar a Boa-Nova e em caminhar rumo à plena unidade de todos os cristãos, para oferecer, assim, um testemunho mais crível do Evangelho.


26 dezembro 2008

Tenho fome

Partilhamos aqui uma música linda e uma imagens reveladores do que existe em Angola. Será suficiente para despertar em alguém a vontade de "arregaçar as mangas e partir"?

Infância Missionária 2009

Como sempre, o dia da Infância Missionária é celebrado no dia da Epifania do Senhor, dia 4 de Janeiro.


Quais os seus objectivos? Muito sucintamente, apresentamos alguns:

a) Formar as crianças e adolescentes para a abertura universal, a fim de olharem mais além das fronteiras; formá-las para o serviço e doação de si e convidá--las a considerar sua possível vocação missionária;

b) Levá-las a rezar pelas missões e por todas as crianças de perto e de longe, unindo-se às intenções do Papa;

c) Incentivá-las a oferecerem pequenos sacrifícios, através de pequenas renúncias, como meio de partilhar da acção salvadora de Jesus;

d) Ajudá-las a partilhar os bens materiais, em espírito de solidariedade cristã.


18 dezembro 2008

Mensagem de Natal do Bispo da Guarda


Está a bater-nos à porta mais um Natal. O Natal é a Festa que celebra o nascimento de Jesus Cristo, acontecido há 2000 anos, em Belém, uma cidade da Palestina, que pertencia à Província Romana da Síria, então sob administração do Imperador César Augusto.

Este Imperador tinha decretado um recenseamento e cada cidadão era obrigado a dirigir-se à sua terra de origem para aí se recensear. Foi o que aconteceu a José, esposo de Maria, que estava para dar à luz.

Por isso, o Menino nasceu nas cercanias de Belém de Judá, fora da cidade, onde não houve lugar para o acolher, numa casa normal. Este Menino foi adorado pelos pastores das redondezas, em nome das gentes pobres e simples e, mais tarde, pelos sábios ou magos, vindos do Oriente guiados por uma Estrela. Estes representam a ciência que investiga os segredos da história e da natureza, para bem da Humanidade; simbolizam também o poder instituído que procura os melhores caminhos para dar rumo certo às populações que lhes estão confiadas.

Jesus nasceu, assim, no coração da pobreza representada pela manjedoira dos animais e no meio dos pobres representados pelos pastores da cercania de Belém. É que Ele veio, de facto, para se colocar ao lado dos pobres e excluídos e para lhes abrir caminhos novos de combate à pobreza e à exclusão. Por isso anunciou uma humanidade nova e um Reino Novo, onde há lugar para todos e onde os últimos são os primeiros.

Esta lição do Natal é a receita de que continuamos a precisar para combater a grave crise social em que estamos mergulhados. De facto cresce o número de pobres e excluídos; aparecem novas formas de pobreza que se manifestam em pessoas, grupos de pessoas e também em regiões desfavorecidas como a nossa. Os sintomas da grave crise que atravessamos são muitos.

São o desemprego e o emprego precário, por causa das condições de inviabilidade que afectam muitas das nossas empresas e desincentivam a criação de outras.

É o analfabetismo, sobretudo entendido como incapacidade generalizada de as pessoas tirarem partido dos conhecimentos adquiridos para entrarem no processo geral do desenvolvimento. Infelizmente existe também marginalidade nos nossos meios; marginalidade ligada a hábitos e a formas de cultura que não se adaptam ao quadro das leis vigentes ou não prevenida através de uma educação bem conduzida.

A solidão, determinada principalmente pelo crescente número de idosos nos nossos meios e a necessidade de seus familiares mais próximos partiram para outras terras à procura das condições de vida que aqui não têm, é outro factor preocupante; uma solidão que cresce também e se prolonga na vida de outras pessoas que se isolam e cortam as relações mais elementares com a família, os amigos e as suas tradições de origem, quase sempre porque lhes são fechadas todas as portas normais de acesso à integração social.

Estas quatro novas formas de pobreza são apenas alguns dos sintomas da realidade social dos nossos meios que estão a pedir medidas eficazes para corrigir o processo de empobrecimento progressivo das nossas gentes.

Fazemos votos para que este Natal toque o coração de todos os responsáveis pela condução da nossa vida social, os que pertencem aos quadros da administração pública central e local e também os que representam a sociedade civil organizada em corpos intermédios. Que a boa e eficaz colaboração de todos leve a luz de Belém ao encontro de todas as pessoas e suas famílias. Assim daremos cumprimento aos votos generalizados de Natal Feliz e Próspero Ano Novo, a que estamos habituados nesta quadra do ano.

Desejo um Santo e Feliz Natal para todos.

Guarda, 16 de Dezembro de 2008

+Manuel R. Felício, Bispo da Guarda


03 dezembro 2008

NOVO EMAIL - Guard'África


Por motivos alheios a nós, o email anterior do grupo GUARD'ÁFRICA fica sem efeito. Depois de se autobloquear, nunca mais conseguimos aceder. Assim, pedimos desculpa pelo incómodo e deixamos aqui o novo email através do qual nos podem contctar e para o qual podem enviar os vossos pedidos de informações e pedir a nossa colaboração para tudo o que estiver ao nosso alcance.


guardafrica@gmail.com
__________________________________________________

S. FRANCISCO XAVIER, Padroeiro das Missões

Senhor, que, pela pregação de São Francisco Xavier, chamastes muitos povos ao conhecimento do vosso nome, concedei a todos os cristãos o mesmo zelo pela propagação da fé, para que, em toda a terra, a santa Igreja se alegre com novos filhos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

Para meditar...
Da Primeira Carta de S. Paulo aos Coríntios «Anunciar o Evangelho não é para mim um título de glória, é uma obrigação que me foi imposta. Ai de mim se não anunciar o Evangelho! Se o fizesse por minha iniciativa, teria direito a recompensa. Mas, como não o faço por minha iniciativa, desempenho apenas um cargo que me está confiado. Em que consiste, então, a minha recompensa? Em anunciar gratuitamente o Evangelho, sem fazer valer os direitos que o Evangelho me confere. Livre como sou em relação a todos, de todos me fiz escravo, para ganhar o maior número possível. Com os fracos tornei-me fraco, a fim de ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, a fim de ganhar alguns a todo o custo. E tudo faço por causa do Evangelho, para me tornar participante dos seus bens.»


Uma oração a S. Francisco Xavier

Amabilíssimo e amantíssimo Santo, em união convosco adoro reverentemente a Divina Majestade e pelo muito que me regozijo dos especialíssimos dons da graça com que vos favoreceu durante a vossa vida mortal e pela glória que gozais agora, eu rendo-lhe afetuosíssimas graças e peço-lhe do fundo de minha alma e por vossa poderosa intercessão me conceda a graça importantíssima de viver e morrer santamente. E vos suplico também... (aqui o pedido especial) e se o que peço não convier à glória de Deus e ao proveito de minha alma, quero alcançar aquilo que a uma e outra seja mais conforme.
Amém!



Um pouco da vida de S. FRANCISCO XAVIER in Diocese de Itaguaí

UMA OCASIÃO PROPÍCIA

Sabemos que o nome pode ser uma simples maneira habitual para se referir a uma pessoa. Contudo, o nome pode ser algo que define a identidade de um ser humano, diferentemente de todos os outros: únicos e original. Diz o ditado latim: nomem est omem - o nome é o homem.
Dessa intuição derivam duas atitudes possíveis dos xaverianos e de seus amigos diante dos 500 anos do nascimento de São Francisco Xavier, padroeiro das missões e dos xaverianos. Poderíamos entender esse evento como um simples aniversário, um fato convencional. Afinal, o que pode mudar neste ano de 2006 em relação aos anos anteriores?
Poderia também se transformar numa ocasião propícia para conhecer melhor esta grande pessoa que marcou a história da missão, da igreja e da sociedade, não apenas de seu tempo. Mas também dos séculos a seguir. Particularmente, pode ser mais uma vez a ocasião para questionar-nos sobre nós mesmos e sobre a missão que nos desafia e que nos desafia e que nos foi confiada.


XAVIER, MISSIONÁRIO MODELO

Com certeza, os tempos mudaram radicalmente. As motivações que animaram São Francisco Xavier e certas maneiras de fazer missão da sua época, hoje não podem mais ser propostas. Apesar disso, não mudou a necessidade das pessoas de conhecer o verdadeiro Deus, como somente Jesus pode nos fazer conhecer. Não mudou a disponibilidade em acolhê-lo. Quando Deus Pai é anunciado.
Não mudou também o instrumento fundamental para este anúncio: o testemunho da vida mais do que das palavras. O encontro com Jesus Cristo, com efeito, muda radicalmente a vida daquele que o anuncia, enchendo-a de sentido. Não é por nada que São Francisco Xavier teve que passar ele também por uma conversão profunda e arrebatadora.

SEU GRANDE ARDOR

Deveríamos lembrar tudo o que ele fez e padeceu para dilatar o Reino de Deus. Poderíamos dizer com uma palavra, que descreve a característica principal de Francisco Xavier: seu grande ardor missionário. Ainda hoje causa admiração sua incansável atividade, do jeito com o qual em onze anos conseguiu visitar tantos países, com meios de transportes precários e no meio de tantos perigos, fundando tantas comunidades cristãs que souberam resistir aos desafios dos tempos.
Assim Xavier escrevia depois de uma tempestade em alto mar: "pedi a Deus nosso Senhor que se saísse com vida daquela tempestade, fosse somente para poder enfrentar outras tempestades ainda mais fortes, para o seu maior serviço". Além desses perigos e fadigas, existiam as desilusões, os entraves, os enganos dos próprios cristãos - os colonos e os mercadores portugueses - com seus maus exemplos. A esse respeito ele denunciava: "É por causa deles que não avançamos".


NÃO ERA UM AVENTUREIRO!

São Francisco Xavier não era um aventureiro. Não eram as riquezas que procurava e nem o sucesso na vida. Não era impelido pela disposição turística de viajar e nem pelo simples desejo cultural de conhecer outros povos . "viver sem alegrar-se de Deus não seria uma vida, mas uma morte contínua", afirmava em uma de suas cartas. O que sustentava sua atividade missionárias era o amor a Deus, percebido e cultivado.
Uma testemunha o descreveu deste modo: "Durante o dia pertencia inteiramente aos homens. À noite pertencia inteiramente a Deus". Mais uma vez, também para o missionário, aparece clara a lei fundamental da vida Cristã: não se pode amar totalmente os homens, os pobres especialmente, se esse amor não é alimentado e sustentado pelo amor de Deus.
A influência positiva que São Francisco Xavier nos países onde viveu e trabalhou foi imensa. Durante os séculos, seu testemunho atraiu muitas pessoas a imitar seu exemplo, dedicando toda a vida à pregação do Evangelho aos povos. A relevância de sua atividade foi reconhecida não só pela igreja, mas também pela sociedade civil.


FRANCISCO XAVIER E CONFORTI

Nós xaverianos nos perguntamos: porque Dom Guido Maria Conforti, nosso fundador, quis nos dar este nome e não um outro? Porque não quis que nos chamássemos "confortinos", perpetuando dessa maneira o nome dele como aconteceu com muitos institutos religiosos e missionários? Ele quis que nos chamássemos "Pia Sociedade de São Francisco Xavier", o que mais tarde se tornou "Missionários Xaverianos".
Dom Guido Maria Conforti assim escrevia nas constituições que nos deixou no mesmo ano de sua morte (1931): nossa congregação "toma o nome e inspiração do glorioso apóstolo das Índias". Poucas palavras, segundo a linguagem então em uso na época para as constituições. Para nós xaverianos são palavras importantes. Num outro trecho das mesmas, ele convida os missionários a ter "uma especial devoção por São Francisco Xavier e pelos Apóstolos, que tanto trabalharam e sofreram e ainda trabalham e sofrem pela dilatação do Reino de Deus; considerando-os como notáveis modelos a serem imitados e intercessores poderosos diante de Deus". Inspiração e modelo, portanto.


O MISSIONÁRIO VERDADEIRO É O SANTO

Pode-se entender porque o nosso fundador quis nos dar o nome desse santo missionário. Queria nos dizer que para ser missionários e missionárias inteiramente dedicados à missão, nós devemos ser inteiramente de Deus. É o que nos ensinou o papa João Paulo II na encíclica Redemptoris Missio, escrevendo: "o verdadeiro missionário é o santo".
É também por isso que o Bem-aventurado Conforti quis seus missionários como "consagrados" na vida religiosa. A missão é um tarefa tão superior às forças humanas que pode ser somente obra de Deus. Ser "consagrados" quer dizer isso: colocar-se a disposição de Deus totalmente, para que seja ele a agir através de nós.



Intenção Missionária de Dezembro 2008

Para que os cristãos, sobretudo nos países de Missão, com concretos gestos de fraternidade, mostrem que o Menino nascido na gruta de Belém é a luminosa Esperança do mundo.


16 novembro 2008

Missão depois do Congresso Nacional

Os Animadores Missionários ‘Ad Gentes’ (ANIMAG) realizaram em Fátima a sua Assembleia Anual, de 11 a 14 de Novembro. ‘Animação Missionária Ad Gentes em Portugal pós Congresso Missionário’ foi o tema que congregou os cerca de 40 participantes delegados dos 20 Institutos Missionários.

D. António Couto, Presidente da Comissão Episcopal das Missões, foi o primeiro interveniente que, apoiado no seu estatuto de biblista, apresentou a Evangelização como a prioridade das prioridades da Igreja e pediu uma vaga de fundo de Missão em Portugal, para já. Como referência, o Bispo apresentou S. Paulo que teve a intuição de se rodear de bons colaboradores que garantiram o sucesso da sua pastoral. O horizonte ‘ad gentes’ é o único que faz sentido aqui, pois a maioria das pessoas anda noutra onda que não a do Evangelho.

O P. Virgílio Nascimento, Reitor do Santuário de Fátima, seguiu Bento XVI para falar de Maria como Estrela da Evangelização. O Santuário de Fátima é um espaço aberto à Evangelização e por ali tem de passar a Missão da Igreja. Fátima está no mundo e é um lugar de afirmação de Deus e da Igreja, aposta na centralidade das Escrituras, e dos Sacramentos, no amor ao próximo e na oração pelos pobres.

O P. Manuel Durães, Director das Obras Missionárias Pontifícias, fez um balanço muito positivo do Congresso Missionário e mostrou a disponibilidade para continuar a apoiar toda a Animação Missionária que se faz em Portugal. O P. Vítor Mira, director do Serviço de Animação Missionária da Diocese de Leiria-Fátima, falou da geminação desta Diocese com a do Sumbe e do dinamismo missionário que tal Missão tem gerado.

O P. Jorge Guarda, Vigário-Geral da Diocese de Leiria-Fátima, falou do programa de pastoral desta Diocese, salientando a importância da geminação com o Sumbe e da colaboração dos Institutos Ad Gentes na Animação Missionária num testemunho de comunhão.

A Fundação Evangelização e Culturas (FEC), a Associação de Imprensa Missionária (Missão Press) e a Antena Portuguesa ‘Fé e Justiça África – Europa’ (AEFJN) partilharam as iniciativas em que estão envolvidas nos âmbitos missionário e solidário.

A Assembleia foi marcada por celebrações e momentos de partilha das actividades realizadas de norte a sul do país. Foi tempo de balanço e de programação. Houve ainda espaço de cultura e convívio, com a visita guiada ao Convento de Cristo, em Tomar, lugar de referência para a Missão em Portugal, através dos Missionários da Boa Nova.

Os Animadores Missionários saíram de Fátima com dois destinos de Missão na linha do horizonte: Valença do Minho (Viana) e Rio de Mouro (Lisboa) onde se vão realizar as próximas Semanas de Animação Missionária.

23 outubro 2008

93 707 PORTUGUESES LEVANTARAM-SE CONTRA A POBREZA


Último balanço oficial do «Levanta-te e Actua» dá conta da participação de mais de 116 milhões pessoas em todo o mundo

93 707 pessoas levantaram-se em Portugal contra a Pobreza. É este o balanço oficial da organização da iniciativa «Levanta-te e Actua» 2008.

A edição de 2008 teve início à meia-noite de 17 de Outubro, dia Internacional para a Erradicação da Pobreza e terminou às 23h59 do dia 19.

Num comunicado enviado à Agência ECCLESIA, a organização manifesta que “um novo recorde do Guinness foi estabelecido a nível mundial com 116 993 629 pessoas”. Mais de cem milhões de vozes recordaram aos líderes mundiais que a cada dia que passa 50 mil pessoas morrem de pobreza extrema e o fosso entre ricos e pobres é cada vez maior. “Tamanha mobilização é acima de tudo uma demonstração clara do impacto que pode ter uma acção local e global da sociedade civil”.

O «Levanta-te e actua contra a Pobreza e pelos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio» é um apelo global para que as pessoas se levantem exigindo que os seus governos cumpram as promessas de acabar com a pobreza extrema e que se alcancem os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM) até 2015.

“Foi um momento alto na consciencialização de tanta gente, demonstrando uma grande força organizativa para amplificar o pedido claro que se alterem e melhorem as políticas sociais, económicas e culturais no mundo, porque cerca de metade da população mundial vive em situação de pobreza”.

A organização sublinha que “o desafio para que a erradicação da Pobreza deve ser uma preocupação diária, que não se esgote mas se inspire no dia 17 Outubro”, e que, pró-activamente, “todos se continuem a unir e a contribuir de uma forma sustentável para que toda a gente tenha uma vida digna e independente”.

INTENÇÃO MISSIONÁRIA DE NOVEMBRO 2008


Para que as comunidades cristãs da Ásia, contemplando a face de Cristo, saibam encontrar os caminhos mais propícios para anunciá-Lo às populações deste vasto continente, rico de cultura e de antigas formas de espiritualidade, na plena fidelidade ao Evangelho.

21 outubro 2008

POR UMA IGREJA MAIS MISSIONÁRIA



D. António Couto, presidente da Comissão Episcopal das Missões, defende, em entrevista publicada na edição especial do semanário Agência ECCLESIA, a necessidade de um maior compromisso missionário de todos os católicos e advoga mudanças na forma de encarar a acção pastoral das comunidades.Anunciar o Evangelho porquê e para quê? Num mundo cada vez mais plural, são muitas as novas fronteiras da Missão, que desafiam modelos tradicionais de pensamento e acção, por parte da Igreja.

Diálogo e anúncio são caminhos diversos na relação com os não-cristãos ou podem estar em sintonia?

É claro que estão em sintonia, completando- se mutuamente. Bastará ler com atenção a Instrução «Diálogo e anúncio: reflexões e referências sobre o anúncio do Evangelho e o diálogo inter-religioso», de 19 de Maio de 1991, do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso e da Congregação para a Evangelização dos Povos. O Diálogo é um caminho que se deve cultivar sempre. Aproxima as pessoas, cria laços de amizade, faz-nos ver que todos temos coisas belas e ricas a transmitir e a receber. Também o amor aos irmãos nos fará muitas vezes entrar pela via do diálogo. O anúncio leva-nos a dizer claramente Cristo, a nossa riqueza fundamental.

Encontramos, por vezes, belas surpresas. Refiro o caso do velho missionário americano Bob McCahill, dos Padres de Maryknoll. Trabalha no Bangladesh há mais de 30 anos, e, como o próprio confessa, nunca anunciou publicamente o Evangelho. O Bangladesh é um país de extrema pobreza e com uma população maioritariamente muçulmana. Bob McCahill faz a sua oração da manhã e celebra a Eucaristia sozinho, na sua barraca, e depois pega na bicicleta e vai ao encontro das pessoas: fala com todos, mas presta particular atenção aos doentes. Muda de terra de três em três anos. No primeiro ano, as pessoas olham este americano com alguma desconfiança. No segundo ano, já o olham com simpatia. No terceiro ano, cria-se um clima de grande simpatia e perguntam-lhe a razão de querer viver no meio deles. É então que ele fala de Jesus Cristo.


Faz sentido quantificar/qualificar o trabalho missionário pelo número de conversões?

Faz sentido ver o trabalho missionário pela intensidade da nossa dedicação e testemunho. De resto, diz o Evangelho, desmentindo a estatística, que se deve procurar e encontrar com afinco a ovelha perdida. É uma só, mas conta tanto como milhões. A estatística, todavia, pode servir para sabermos melhor os terrenos que pisamos.

Em 1965, o Concílio calculava em dois mil milhões (2.000.000.000) o número de não-cristãos (AG, n.º 10). Vinte e cinco anos depois, em 1990, João Paulo II refere que este número quase duplicou (RM, n.º 3). É sempre útil consultar os números referidos no "International Bulletin of Missionary Research", que calculava para esse ano de 1990 três mil quatrocentos e quarenta e nove milhões e oitenta e quatro mil (3.449.084.000) não-cristãos, e para o ano 2000 o número de quatro mil e sessenta e nove milhões e seiscentos e setenta e dois mil (4.069.672.000) não-cristãos. Em 2006 esse número subia para quatro mil e trezentos e setenta e três milhões e setenta e seis mil (4.373.076.000) não-cristãos.

As estimativas apontam para 2025 uma população mundial de 7.851.455.000, com 2.630.559.000 cristãos (1.334.338.000 católicos), e 5.220.896.000 não-cristãos. Isto, sim, deve deixar-nos interrogados e levar-nos a tomar uma consciência mais viva do testemunho cristão que damos.


Que lugar tem o anúncio da Verdade num mundo cada vez mais plural e multifacetado?

A velha questão de Pilatos - «O que é a verdade?» - é mesmo uma questão velha, mal formulada e ultrapassada. Por isso, Jesus não respondeu. Nós não perguntamos «O que é a verdade?», mas «Quem é a verdade?». A verdade não é uma coisa ou uma ideia, mas uma pessoa que ama até ao fim. Esta verdade pessoal, é óbvio que devemos cultivá-la e testemunhá-la sempre, sejam quais forem as coordenadas geográficas, religiosas ou culturais em que vivamos. Seja o mundo plural ou singular. Amar o outro, diferente de mim, até ao fi m, é a verdade. E é verdadeiramente esta a atitude que conta. Não se trata, vê-se bem, de querer impor qualquer coisa seja a quem for.


As novas formas de Missão são uma forma «light» do compromisso para toda a vida de outros tempos?

Pode fazer-se turismo toda a vida ou apenas algum tempo. A Missão é dedicação total, com toda a intensidade, seja por toda a vida ou apenas por um dia. A Missão verdadeiramente vivida nunca é «light»; se é «light», não é missão. Compreendo que a pergunta tenha a ver com os jovens que, generosamente, querem dedicar algum tempo da sua vida ao serviço dos seus irmãos diferentes e mais pobres. Quem o faz por amor, um dia que seja, terá encontrado a alegria do Reino de Deus. Basta um simples copo de água com amor, diz bem o Evangelho. É óbvio que o mundo está a mudar e a missão também.

Haverá sempre missionários ad vitam (para toda a vida, ndr). A missão temporária é do nosso tempo e vai aumentar. Lembremo-nos que há um século atrás só os homens (padres e religiosos) iam em missão. Hoje, 80 % do pessoal missionário são mulheres! A medida será sempre a medida do amor! Seja muita ou pouca gente, muito ou pouco tempo!


É preciso investir mais no anúncio aos que já ouviram falar de Jesus e não o acharam relevante?

É preciso investir sempre tudo para todos. Para os que ouviram e para os que não ouviram. Os que ouviram, se não o acharam relevante, é porque não ouviram. Ou talvez porque nós não soubemos transmitir. Os judeus piedosos ainda hoje dizem: «se amanhã os meus filhos não seguirem a nossa religião, a culpa não é deles; a culpa é nossa, porque não soubemos transmitir-lhes toda a beleza do judaísmo». O mesmo podemos dizer do cristianismo. O mal não está sempre nos outros. Também está em nós. É, portanto, necessário amar este mundo e as pessoas e anunciar-lhes ou testemunhar-lhes Cristo, que não é uma ideia ou uma causa morta, mas uma pessoa viva no meio de nós. Não há primeiro anúncio e segundo ou terceiro anúncio. O anúncio, para ser verdadeiro e se é verdadeiro, é sempre primeiro! Começa por fazer estragos em nós! O segundo ou terceiro é requentado: não empenha quem o faz nem quem o recebe!

Como classifica a situação missionária da Igreja em Portugal?

É inegável que os Institutos Missionários continuam a escrever páginas selectas de vigor missionário, arrastando atrás de si muitos jovens e cooperadores. No que diz respeito às nossas dioceses e paróquias, a situação parece-me bastante sossegada, no mau sentido, como quem diz que isso não é connosco. É imperioso e absolutamente urgente que a Igreja portuguesa se empenhe, no seu todo, numa vastíssima campanha de verdadeira formação de evangelizadores, para que se possa, logo que possível mas de forma sistemática, levar o Evangelho a todas as camadas da população portuguesa (crianças, jovens, adultos e idosos) e pelo mundo fora.

Não podemos mais ficar tranquilamente dentro das igrejas, sacristias e salões paroquiais, de braços cruzados, à espera que as pessoas venham ter connosco. Somos nós que devemos ir ao encontro das pessoas. E o paradigma é o anúncio ad gentes, e não uma pastoral de manutenção. Rasgar horizontes significa não ficar a olhar apenas para o umbigo, mas abrir-se ao diferente. Aprender outra vez a viver e a anunciar o Evangelho. Sei lá, vejo que as nossas paróquias assentam quase todas as baterias nas crianças, para as quais se orienta uma parte substancial dos esforços pastorais. A comparação pode ajudar. É como se, em Portugal, 90% dos médicos fossem pediatras. Restavam 10 % para a população adulta! Vê-se bem que temos de mudar bastantes coisas.

O que se pode esperar do Congresso Missionário recentemente realizado?

Esperar? Por quem ou por quê? É claro que são precisas directrizes. Vamos prepará-las. Mas eu acredito e sei que a aragem do Espírito anda por aí. O assunto diz respeito a todos os baptizados, que não precisam de pedir licenças para evangelizar. Sobretudo os fiéis leigos, cuja acção pode e vai chegar a todos os recantos onde nasce e cresce a vida: na família, no bairro, na escola, na fábrica, no hospital… É importante sensibilizar os sacerdotes. Mas eu concordo com D. Francesco Lambiasi, bispo de Rimini, na Itália, que disse (eu ouvi) e escreveu (eu li): «A evangelização, ou a fazem os leigos ou não se faz». Eles estão e chegam melhor ao coração do mundo. Antevejo uma grande seara em movimento.